Mostrar mensagens com a etiqueta Madeira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Madeira. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de agosto de 2015

“Dawn” de H. Rider Haggard (1884) e outras histórias madeirenses


Muitos autores estrangeiros situaram os seus romances na Ilha da Madeira. Alguns dos escritores nunca visitaram a Madeira. Na opinião de Donald Silva, a ilha surge nas criações literárias de diversos escritores porque desde cedo os estrangeiros desenvolveram uma certa visão romântica da Madeira. Este romantismo cresceu no Séc. XIX, com os diários de viagem e outros documentos, e a Madeira, claro, tornou-se muito conhecida no Século XX. 

Provavelmente o escritor inglês H. Rider Haggard, que visitou a Madeira em 1881, no regresso da África do Sul para Inglaterra (após a derrota dos ingleses em Majuba Hill), terá sido o primeiro escritor estrangeiro a localizar a acção de um romance na Madeira.


Em "Dawn", um melodrama Vitoriano do escritor britânico em três volumes, que foi o seu primeiro romance, o jovem Arthur Heigham é o herói que se apaixona por Angela Caresfoot. O dominador pai da jovem é contra a relação e Arthur concorda em se se afastar de Angela durante um ano.

Arthur vai para a Ilha da Madeira. Durante a viagem de barco conhece uma mulher mais velha, Mildred Carr, que vive na Madeira e que acaba por se apaixonar por ele. A Quinta Vígia é descrita em “Dawn” como Quinta Carr onde o Arthur e Mildred Carr fazem amor.

Arthur conhece também os Bellamy que estão na Madeira por questões de saúde de Lord Bellamy. Arthur acompanha Lady Bellamy a um desfile para ouvir a banda tocar. Lady Florence e Mrs. Velley são outras personagens britânicas que residem na Ilha da Madeira e Mildred recebe o governador da Madeira.

Quando retorna para Inglaterra encontra Angela casada com o seu pérfido primo George.

Após regressar à Madeira fica a saber que Angela foi obrigada a casar com o primo. George acaba por morrer e Arthur volta para casar com Angela, deixando Mildred destroçada.


Sax Rohmer

“Moon of Madness” (1927) do escritor inglês Sax Rohmer (pseudónimo de Arthur S. Wade), criador do Dr. Fu-Manchu, que chegou a viver na Madeira, é outro dos exemplos mas antigos. O livro conta a história de um agente secreto irlandês que, juntamente com uma agente norte-americana, persegue um espião por toda a Europa, culminando num confronto fatal na Ilha da Madeira.

Em "Black Magic" o Dr. Sarafan era um respeitável residente da Ilha da Madeira.

Noutro dos seus livros, "The Affairs of Sherlock Holmes", um dos personagens, Ma Lorenzo, é meio português.


Ann Bridge e outras escritoras britânicas que viveram na Madeira

Várias escritoras britânicas viveram na Madeira, como as irmãs Margaret Emily Shore (1819-1839), Arabella Shore (1822-1900) e Louisa Catherine Shore (1824-1895), Jane Wallas Penfold (1821-1884), Isabella de França (1795-1880), a prolífica Evelyn Everett-Green (1856-1932) e Ann Bridge (1889-1974).

“The Malady in Madeira” (1970) de Ann Bridge (pseudónimo de Mary Ann Dolling O'Malley) é um dos mais arrepiantes livros situados na Madeira, relatando a realização por parte da Russia de testes de gás nervoso em ovelhas selvagens. Mrs. Hathway vai para a Madeira por questões de saúde e é acompanhada por Julia Probyn. Aí encontram Aglaia a esposa de Colin Munro, que estava a recuperar de um acidente de carro em que perdeu o seu bébé. Colin acaba por descobrir que os russos estão a testar na Madeira o mesmo gás que testaram no Médio Oriente e que terá provocado a morte do marido de Julia.

O livro faz parte da série "Julia Probyn mystery series" que inclui igualmente "The Portuguese Escape" de 1958.


Dorothy Dunnett

A escritora escocesa Dorothy Dunnett (1923-2001), autora da série de aventuras "The house of Niccoló" (banqueiro e mercador do século XV), descreve no 4º livro da série, "Scales of God" (de 1991), uma breve visita de Niccoló à Madeira.

A acção decorre em Veneza, Espanha, Madeira e África, durante uma viagem em busca do Ouro africano e da rota do Preste João.


Denise Robins

Em “Dark Corridor” (de 1974), da escritora inglesa Denise Robins (1897-1995), conhecida como "Queen of Romance", a jovem Corisande Gilroy está noiva de Martin, que considera o homem mais maravilhoso do mundo. Mas quando Corrie o procura no hotel da Madeira, onde iriam passar férias, ele não se encontra lá. O quarto está vazio, a mala está apenas parcialmente feita e nem sinal de Martin apesar dos esforços da polícia local. Será que ele desapareceu no corredor escuro que lhe apareceu em sonho.

Fontes: Marina Oliver (Literary thrills in Madeira em Revista "Brit in Madeira" de Outubro de 2013, pág. 18) /  Vista da serra / Laureano Macedo (Quem foram as escritoras madeirenses do passado) / Prefer reading (Ann Bridge)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Histórias madeirenses de Marina Oliver: “A Fatal Slip” (2011) e "Mischief in Madeira" (2014)


Marina Oliver é uma escritora inglesa, nascida em 1934, cuja obra literária se iniciou em 1974, tendo assinado igualmente com diversos pseudónimos como Sally James, Donna Hunt, Bridget Thorn, Vesta Hathaway, Livvy West e Laura Hart.

Marina divide o seu tempo entre Shropshire, na Inglaterra, e a Ilha da Madeira onde se radicou, tendo lançado livros cuja acção se localiza na Ilha da Madeira como "A Fatal Slip" e "Mischief in Madeira".


Em “A Fatal Slip” (de 2011), o primeiro livro da série de livros de mistério de Dodie Fanshaw, Dodie, uma antiga estrela de Hollywood, encontra-se na Madeira a apoiar a rodagem de um documentário sobre a sua vida e a relação com os seus vários maridos.

Dodie não está satisfeita com a atitude do seu filho Jake, que lhe pede constantemente dinheiro. Em vez de regressar a Inglaterra, Jake permanece na Madeira, gerando atritos com os amigos de Dodie, com um dos actores, com a família madeirense que gere o hotel onde ele está hospedado, e com uma mulher mais velha e rica com quem tem um caso.

A situação torna-se intolerável quando Jake, embriagado, na véspera de Ano Novo, entra, sem ser convidado, numa festa a decorrer num iate, disposto a assistir ao fogo de artifício anual na cidade do Funchal. Quando ocorre um acidente fatal, Dodie tem que descobrir se foi um crime ou um acidente.


Em "Mischief in Madeira" (de 2014), Catherine está de visita aos pais que vivem na Ilha da Madeira. Catherine está interessada em saber se haverá viabilidade em lançar na ilha o seu negócio de confecção de roupas de festa para as crianças.

Catherine e o seu ex-marido, a estrela de golfe Justin O'Brien, encontram Keith Livermore numa festa organizada pelos pais de Dominic Thorn. Dominic também foi um golfista profissional, mas agora dirige um negócio de venda de equipamentos de golfe através da Internet.

Quando Dominic rejeita uma proposta de Keith Livermore, que quer lançar lojas em Espanha e em Portugal, este tona-se agressivo. E Dominic pede a ajuda de vários amigos na Ilha da Madeira, entre os quais Catherine e o seu pai, Major, que tivera um caso com a mãe de Keith.

Fontes: Página Oficial / wikipedia

segunda-feira, 15 de junho de 2015

O Vinho da Madeira na literatura mundial


O Vinho é um tema que atrai a atenção de todos, cativando, de forma especial, também poetas e literatos. O Vinho da Madeira é, como muito dos licorosos, um caso singular na História e na Literatura.

As referências literárias e artísticas ao vinho Madeira estão circunscritas aos principais espaços consumidores, em que se destacam os Estados Unidos da América e o Reino Unido. A sua referência tanto surge em textos, em prosa e verso, que descrevem épocas determinadas, ou através do testemunho de viajantes e de guias, que desde o Século XIX, que divulgam as potencialidades turísticas da ilha.


De todas a referência mais frequente e valorativa acontece na obra de Shakespeare, o que demonstra a importância que este vinho assumiu no quotidiano britânico, quer no meio da aristocracia, que na agitada vida dos pubs londrinos.

Na Europa, excepção feita ao Reino Unido, é na Rússia e na França que estas referências surgem com maior frequência, dando conta que o vinho estava presente nos ambientes mais requintados da sociedade.


 Reino Unido

Na peça "Henrique IV" de William Shakespeare, Falstaff é acusado de trocar a sua alma por uma perna de frango e um cálice de vinho da Madeira.

Outro caso dá-se em 1478 e é o da condenação à morte de George de York, Duque de Clarence, irmão de Eduardo IV e Ricardo III, que escolheu alegadamente ser afogado dentro de um tonel de vinho (que a lenda ser da Madeira, da casta Malvasia, contudo na peça "Ricardo III" apenas se refere malvásia, sem qualquer pista da sua proveniência).


Jane Austen (em “Mansfield Park” e “Emma”), Charles Dickens (em “Bleak house”, onde é referido que é agradável beber o vinho Madeira com pão doce e pudim, mas também em “Little Dorrit”, “Our Mutual Friend”, entre outros),  Robert Smith Surtees (em “Handley Cross” bastava uma garrafa de malvásia da Madeira) ou Walter Scott (em “The Antiquary”) são outros bons exemplos de referências literárias.


Rússia

No caso russo, Dostoievsky (1821-1881) ou Leon Tolstoi (1828-1910) são exemplo de referências literárias ao vinho Madeira.

Em “Crime e Castigo” lamenta-se a pouca variedade de vinhos e a falta imperdoável do “Madeira”, enquanto que Tolstoi faz referência a um "Madeira seco" em "Guerra e Paz" e na novela "Os Invasores" fala de um genuíno Madeira no casco, de 1842.



França

Mais abundantes são as incidências da literatura francesa do Século XIX, podendo-se associar o vinho Madeira a escritores famosos como Balzac (em “Les Paysans” e “La Peau de chagrin”), Jules Verne (em “Os filhos do Capitão Grant”), Sade (em “Justine”), Alexandre Dumas (em “20 anos depois”), Guy Maupassant (em “Bel-Ami” e “La parure e outros contos parisienses”), Flaubert (em “Correspondência”) ou Chateaubriand (“Mémoires d’Outre Tombe”).

Segundo Anatole France, em “Le Petit Pierre”, o vinho Madeira acompanha bolos secos e apenas “un doigt de vin de Madere anima les regards, fit sourire les levres”.

Victor Hugo faz referência, em "Os Miseráveis", ao vinho da Madeira, da colheita de "Curral das Freiras", a trezentas e dezassete toesas acima do nível do mar, que era bebido tranquilamente por umas senhoras.

Já para Alfred Musset o Madeira caia bem com uma asa de perdiz. Mas Proudhon queixa-se que este vinho e outros europeus não estão acessíveis a todo o povo.


Estados Unidos da América

A produção de vinho foi estimulada pela necessidade de abastecer os navios nas rotas do Atlântico para o Novo Mundo e para a Índia, e pela presença dos ingleses na ilha, que fizeram com que o vinho fosse conhecido em toda a Europa e América, tornando-se o vinho preferido em banquetes e mesas requintadas das cortes europeias e nas respectivas colónias. Por exemplo, foi com vinho da Madeira que em 4 de Julho de 1776 se brindou à independência dos Estados Unidos da América, provavelmente porque era o vinho de eleição do estadista Thomas Jefferson.

Segundo Nathaniel Parker Willis, em "Dashes at Life", o Vinho Madeira era conhecido como vinho de casamento.

Em "A Narrativa de A. Gordon Pym", Edgar Allain Poe refere o Capitão Joel Rice da escuna Firefly, que partiu de Richmond, Virginia, para a Madeira, no ano de 1825, com uma carga de milho. E fala de uma carga de "three gallons of excellent Cape Madeira wine".

Ricahard Penn Smith em “The Forsake: A tale” menciona "muitas pipas de bom vinho velho da Madeira".

James Fenimore Cooper, em “Afloat and Ashore” refere o “East India Madeira” que era conhecido na ilha como vinho de roda e era conhecido pela designação inglesa devido ao facto de fazer a viagem desde o Fuchal às Índias Ocidentais e o retorno a Londres. A dupla passagem pelos trópicos atribuía-lhe um envelhecimento prematuro que era do agrado dos ingleses. Já em”The Ways of the Hour” (1850) o vinho Madeira, certamente o “seco”, era bebido frio ou com pedra de gelo.

Herman Melville (em “White Jacket” de 1850) é outro dos exemplos.

Fontes/Mais informações: Alberto Vieira em "O Vinho Madeira. Valorização e importância económica e social através dos testemunhos da literatura e arte" / Revista Essential Madeira Islands / wikipedia / Looorock  

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Referência a Vinho Madeira em “Privateering” de Mark Knopfler (2012) e “Have a Madeira My Dear” de Flanders & Swann (1956)


Corsários, mulheres bonitas e vinho Madeira. Estes são os ingredientes de uma nova música de Mark Knopfler, vocalista conhecido dos Dire Straits. A música dá pelo nome de “Privateering”, a qual, curiosamente, dá o nome ao álbum, lançado em Setembro de 2012.

A referência ao vinho Madeira repete-se várias vezes ao longo da música, cuja letra refere a vida aventureira dos corsários ao serviço da coroa britânica. Um corso, ou corsário, era um pirata que através da carta de corso de um governo, era autorizado a pilhar navios de outra nação. Com os corsos, os países podiam enfraquecer os seus inimigos sem suportar os custos relacionados com a manutenção e construção naval.

O corso (Privateer) surge-nos como um herói aventureiro com uma vida boémia e de luxúria da qual fazia parte o famoso e irresistível Vinho Madeira.


Mas esta não terá sido a única vez que o Vinho Madeira inspirou letras de músicas que se tornaram célebres um pouco por todo o mundo. O famoso duo cómico inglês Flanders and Swann começou a interpretar em 1956 as suas canções em duas revistas, “At the top of a hat” e “At the top of another hat”. “Have a Madeira My Dear” foi celebrizado na primeira dessas revistas e a letra fala de um velho que seduz uma jovem com a ajuda do Vinho Madeira.

A peça estreou-se em 1960 no West End, em Londres e foi um sucesso que percorreu vários continentes até à Austrália e América. Nos Estados Unidos foi um sucesso estrondoso da Brodway.  O refrão Madeira My Dear “ficou no ouvido” um pouco por todo o mundo, particularmente de muitos ingleses e americanos, até aos nossos dias.


"Madeira my Dear" foi igualmente interpretada por muitos outros artistas como Tony Randall ou os holandeses Ted de Braak e Johnny Jordaan.

Fontes: IVBAM / wikipedia / Funtrivia 

Letra de "Privateering"

(...)
To lay with pretty women
to drink Madeira wine
to hear the roller’s thunder
on a shore that isn’t mine
Privateering, we will go
Privateering, Yoh! oh! ho!
Privateering, we will go
Yeah! oh! oh! ho!

Video: Youtube 

Letra de "Have a Madeira My Dear"

She was young, she was pure, she was new, she was nice
She was fair, she was sweet seventeen.
He was old, he was vile, and no stranger to vice
He was base, he was bad, he was mean.
He had slyly inveigled her up to his flat
To view his collection of stamps,
And he said as he hastened to put out the cat,
The wine, his cigar and the lamps:

Have some madeira, m'dear.
You really have nothing to fear.
I'm not trying to tempt you, that wouldn't be right,
You shouldn't drink spirits at this time of night.
Have some madeira, m'dear.
It's really much nicer than beer.
I don't care for sherry, one cannot drink stout,
And port is a wine I can well do without...
It's simply a case of chacun a son gout
Have some madeira, m'dear


Videos: Flanders & Swann / Tony Randall (no Carol Burnett Show) / Ted de Braak (NL)



domingo, 15 de março de 2015

“Bailinho da Madeira” em versão internacional


Apesar de não conhecer uma nota de música, Max era um compositor nato, como o provam canções como “Bailinho da Madeira” (editado em 1949, num 78 rotações que incluía igualmente outro dos seus grandes sucessos, "Noites da Madeira"), “Porto Santo”, “Sinal da Cruz” etc. que, cantadas por ele, obtiveram instantaneamente uma voga enorme, sendo algumas, como o famoso “Bailinho da Madeira”, conhecidas em todo o mundo, mesmo através de fantasiosas denominações como “Tira-lira Madeira” ou “Baion de Madeira”.

“Tira Lira Madeira” foi lançada originalmente em 1953 por Mitch Miller em versão instrumental, com colaboração de Stan Freeman, sendo reeditada em 1956 com o título abreviado “Madeira”, que se tornou um sucesso mediano nos Estados Unidos (nº 50 no top da Billboard).

O tema foi igualmente gravado por Percy Faith e a sua orquestra no seu álbum “Passport to Romance”.

Mas foi em França, sobretudo no ano de 1958, que o tema obteve maior sucesso, em ritmo baião, com letra de Ferdinand Bonifay e J. Hourdeaux, com o título de “Vendanges a Madeira” (ou “Les Vendanges a Madeira”) sendo interpretado por cantores como Luis Mariano (com acompanhamento da orquestra de J.H. Rys), Pierre Malar (com a orquestra de Luis Gody) ou Christian Borel (com orquestra de Tito Fuggi) e gravado em versão instrumental por Unico Multi (pseudónimo de Henri Decker), orquestras como as de Jacques Hélian e acordeonistas como Jo Lefebvre.


E na versão de Roger Bourdin, com a sua flauta e orquestra, foi o indicativo do programa “Gros Lot” da RTF nesse mesmo ano de 1958.

“Tira Lira Madeira” foi regravada recentemente, em 2011, pelo Harry Grove Trio, no seu álbum “Meet Mr Grove” com uma duração de 01:48 minutos.

 Videos: Mitch Miller  / Percy Faith / Pierre Malar / Jacques Helian 


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Luís Jardim, músico sem fronteiras

Luís Jardim nasceu na freguesia de Santa Maria Maior, na Rochinha, Ilha da Madeira. Começou com 9 ou 10 anos, com uma banda, que na altura foi muito conhecida na Madeira nos anos 60, chamada Demónios Negros.

Saiu da Madeira com 16 anos com destino a Inglaterra, à procura de novas oportunidades, visto que na Madeira era muito difícil. Durante a viagem de barco para Inglaterra, conheceu um trio que actuava no barco, com o qual começou a colaborar.

A cantora chamava-se Linda Allan, e foi a sua primeira esposa, tendo ficado conhecida como Linda Jardim, a intérprete feminina do tema "Video Killed the Radio Stars" dos The Buggles.


Quando chegou a Londres rapidamente entrou no mundo da música. Pensavam que Luís Jardim era brasileiro, pois havia muito músicos brasileiros a trabalhar fora do Brasil, e não havia tradição de músicos portugueses.

Trouxe balanço/groove para a música inglesa, que nessa altura era algo frio, o que o levou a ser convidado por muitos artistas. Colaborou em mais de 5.000 discos nos primeiros anos.


Formou em 1971 os Rouge, um grupo que tocava música mais soul/funky e que editou pela CBS, tendo durado até 1975.

Segundo Luís Jardim o grupo teve sucesso em países como os E.U.A., Canadá, Austrália e Japão.


Fez parte da banda de artistas como Tom Jones e Tina Turner. "Toquei durante 3 anos com Tina Turner e no fim ninguém me conhecia".


Em 1977 tornou-se músico de estúdio. O seu percurso pode ser seguido pelas "capas" dos discos onde participou, mesmo que o nome venha escrito errado (às vezes Louie Jardim, Louis Jardim, ...).


Colaborou igualmente, em 1979, com o grupo Chromium, conjuntamente com Linda Jardim, Ann Dudley, Hans Zimmer, e os futuros Buggles, Trevor Horn (como produtor) e Geoff Downes, mas não tiveram grande sucesso.

A primeira remistura que fez foi para a versão de dança de "Relax" dos Frankie Goes To Hollywood. Mais tarde formou uma equipa de produção que se dedicava essencialmente a remisturas, e fez discos de house e hip-hop escondido por trás do nome Matt Vinyl.



Acompanhou artistas como os Madness (nos álbuns "Keep Moving"), Asia (nos álbuns "Arena" e "Aura"), Claire Martin ("Take My Heart"), Katie Melua e Axelle Read.

Luís Jardim integrou igualmente o agrupamento Jazz, Charlie Watts and his Tentet, liderado pelo famoso baterista dos Rolling Stones.


Participação em mais de 10.000 discos

O decano Luís Jardim é percussionista e trabalha como músico de estúdio desde 1973. A lista de álbuns em que participou é infindável e notável, contando com nomes de todas as áreas musicais, dos Rolling Stones, Eric Clapton ou Elvis Costello, a James Brown, Björk ou Art of Noise

Os seus dotes no domínio das percussões e do baixo começaram a propagar-se por uma imensidão de álbuns de artistas mais ou menos famosos, atingindo um pico de reconhecimento quando surgiu nas gravações de “Steel Wheels” e “Voodoo Lounge”, dos Rolling Stones.


Jardim também pode ser escutado, por exemplo, em registos dos Pink Floyd ("The Final Cut"), ABC, Art of Noise, Björk, Boy George, Ray Charles, Eric Clapton, Elvis Costello, Bryan Ferry, Frankie Goes to Hollywood (capa de "Welcome to the Pleasuredome"), Goldie, Madness, Seal, Soul II Soul, Tears For Fears e Wham!.

Luís Jardim referiu ao programa "Bairro Alto", da RTP2, que obteve, em 1986, um prémio Grammy como melhor instrumentista pela participação no tema “Slave to the Rhythm” de Grace Jones (produção de Trevor Horn).


Depoimento de Rui Veloso

Eu já conhecia o Luís há anos, porque, uma vez, em Londres, fui recebido por ele de uma maneira que me deixou espantado. Quero dizer, sempre era o Luís Jardim, o homem que toca com todos aqueles gajos importantes. E ele, com uma paciência infinita, andou a mostrar-me uma imensidão de estúdios diferentes. (…)

Mas quando conheci o Luís já tinha cá em casa milhentos discos com o nome dele, escrito de várias maneiras - Louis Jardim, Luis Jardin. Discos do James Brown, dos Rolling Stones, vários dos Soul II Soul.

Curiosidade

Linda Jardim foi igualmente a intérprete do tema "Energy in Northampton" dos Northampton Development Corporation, mas não teve grande sucesso.



Fontes: "Bairro Alto" (RTP2) / Jardim.co.uk / Guedelhudos / wikipedia / Guia da Madeira / Blitz (Ricardo Camacho / Rita Guerreiro)

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Origens lusas do Ukulele

O cavaquinho foi introduzido no Hawai pelo madeirense João Fernandes que viaja para Honolulu no barco à vela "Ravenscrag" com um contingente de emigrantes destinado às plantações de açúcar, seguindo trajecto pela rota do cabo Horn.

Entre eles encontram-se cinco dos nomes que ficaram ligados à história da introdução do cavaquinho em Hawai: dois tocadores (João Fernandes e José Luis Correia) e três construtores (Manuel Nunes, Augusto Dias e José do Espírito Santo).

O "Ravenscrag" chega a Honolulu a 23 de Agosto de 1879 e João Fernandes, (de acordo com um relato então feito à revista "Paradise of the Pacific", de Janeiro de 1922), ao desembarcar, trazia na mão o braguinha com que entretivera os demais companheiros na longa viagem.


Os havaianos, quando ouviram João Fernandes tocar o pequeno instrumento, ficaram encantados e logo lhe deram o nome de "ukulele" - que significa "pulga saltadora" - figurando o modo peculiar como é tocado. Seguidamente, João Fernandes generalizou o seu uso em danças, festas e serenatas locais tendo depois formado um conjunto com Augusto Dias e José Luis Correia.

A par de Manuel Nunes - com oficina aberta logo a seguir à sua chegada e documentada desde 1884 -, Augusto Dias abre uma loja de fabrico e venda de "ukuleles" e o mesmo faz José do Espírito Santo, em 1888. Estes três primeiros violeiros passaram a utilizar as madeiras locais de kou e koa, com as quais construiram instrumentos de muito boa qualidade.


Origem do Ukulele

O ukulele, também muitas vezes chamado erroneamente de guitarra havaiana, tem origem em dois instrumentos tradicionais da Ilha da Madeira (Portugal). O machete madeirense (também conhecido por braguinha, que por sua vez tem origens no cavaquinho português) e o rajão (viola de cinco cordas da Madeira).

Além do ukulele ser utilizado na música nativa do Havaí, nas décadas de 1920, 1930 e 1940 foi utilizado por cantores e humoristas britânicos e norte-americanos, nomeadamente George Formby e George Harrison.


Fontes/Mais informações: Júlio Pereira / wikipedia / Ukulele Hall of Fame / Museum of Craft and Folk art / Ukulele Brasil

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os Portugueses e a Formação da América

Portugal construiu desde cedo uma das mais altas taxas de migração da Europa, e os primeiros portugueses a chegarem à América parecem ter sido judeus fugidos à Inquisição – em "Os Portugueses e a Formação da América" (2001), Manuel Mira defende a tese do pioneirismo dos melungos, uma aparente mistura de etnias que se terá formado em Portugal e começou a chegar à América ainda no século XV, instalando-se nos Estados à volta dos Montes Apalaches.

Mas só mais tarde, com a indústria da caça à baleia, se estabeleceram padrões de emigração. No século XIX a maioria dos imigrantes, quase todos agricultores ou pescadores, não vinha do Continente mas dos arquipélagos da Madeira, de Cabo Verde e (sobretudo) dos Açores, que ficavam no limite das rotas efectuadas pelos navios baleeiros, fundeados à procura de provisões e novos tripulantes – muitos navios apenas chegavam a meio do Atlântico, tornando o fenómeno ainda mais evidente nas ilhas ocidentais dos Açores: Corvo, Flores, Faial, Pico e São Jorge.

Noventa e nove por cento da imigração portuguesa na América vinha das ilhas, dizem alguns compêndios – e, se isso é um exagero, o facto é que a Califórnia é muitas vezes chamada “a décima ilha dos Açores”.

Influência portuguesa nos EUA

A obra, com 424 paginas, 119 ilustrações e mais de 700 nomes e suas origens, mostra a presença e a influência portuguesa nos E.U.A. nas mais variadas áreas como o folclore, a gastronomia ou mesmo a Língua, levando o leitor a mergulhar por vezes num baú de inéditos e de histórias só agora vindas a lume.

Um desses exemplos relatados no livro revela a existência de, pelo menos, 38 palavras inglesas derivadas da Língua Portuguesa como é o caso dos vocábulos firm (firma), typhoon (tufão) ou tank (tanque).

Também na área da gastronomia, o autor foi desencantar algumas das comidas mais populares do sudoeste dos EUA e que fazem parte dos hábitos alimentares dos portugueses, descobrindo que uma cadeia de restaurantes na Carolina do Norte serve nabiças com presunto e salada de feijão frade, dois pratos tipicamente lusitanos.

Fontes/Mais informações: Joel Neto / Portugallie.blog / Amazon

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A Ilha da Madeira do Século XIX em "Sterne über Madeira" (2005)

"Sterne über Madeira" conta a história de Katharina (Denise Zich), uma jovem noviça do século XIX, que, em vez de tomar os seus votos no Mosteiro do Funchal, assume a identidade de Emma von Hohenburg, que falecera a bordo de um navio proveniente de Hamburgo. Mas a sua história não vai ser um conto de fadas.

Emma fora prometida em casamento a John (Lucas Gregorowicz), seu primo distante, pertencente a uma ilustre família de produtores de vinho na Ilha da Madeira.

A família vive sob o jugo do patriarca, Arnold Greifenberg (Michael Mendl), que exige uma subordinação absoluta por parte de todos os membros da família.

Katharina vai-se apaixonar por Benedict (Gregor Toerzs), outro dos membros da família Greifenberg, o que irá tornar a sua situação mais difícil ...


Sob direcção de Marco Serafini, a série da tv alemã ZDF foi filmada na Cidade do Cabo, onde se procurou reproduzir a Madeira de 1897.

Fontes: Wunschliste / IMDb

terça-feira, 31 de agosto de 2010

“The Rat Catchers” na Madeira (1966 e 1967)

The Rat Catchers” foi uma série inglesa de 25 episódios, que se debruçava sobre uma organização secreta que - apesar de não existir oficialmente - recebia ordens do Primeiro Ministro britânico, tendo por objectivo proteger o Reino Unido e os seus aliados (estávamos em período de guerra fria) de espiões, sabotadores e outros inimigos.

Os três principais personagens são o director “Peregrine” Pascale Smith (Gerald Flood), o Brigadeiro H. St. J. Davidson (Philip Stone), o “cérebro” do grupo, e Richard William Hurst (Glyn Owen), o novo elemento do grupo, que anteriormente trabalhava para a Scotland Yard.

O Brigadeiro não revela a Hurst muitos detalhes sobre a organização. Oficialmente ele trabalha para a empresa Transworld Electronics, pertencente a Smith, mas no 3º episódio ele ainda não sabe quem é o seu chefe.


A série foi transmitida na ITV entre 1966 e 1967, tendo sido rodados três dos episódios da série na ilha da Madeira, sob a direcção de Bill Hitchcock:


Mission to Madeira

Hurst inflitra-se na perigosa organização “Midas Consortium” Será que pode confiar em Lea (Hannah Gordon)?

Death in Madeira

Hurst está apaixonado por Lea e quer pedir a sua demissão mas o Brigadeiro Davidson tem outros planos, mas os resultados não são os mais agradáveis.

Midnight Over Madeira

A “Midas Consortium” planeia a morte de um homem no intuito de gerar a confusão nos mercados de capitais e torná-los ricos.

Fontes: televisionheaven / Wikipedia / IMDb

terça-feira, 6 de julho de 2010

Novo anúncio da Nike com Cristiano Ronaldo e Homer Simpson (2010)

Cristiano Ronaldo, Didier Drogba, Wayne Rooney e Ronaldinho são alguns dos futebolistas internacionais que protagonizam o novo anúncio da Nike, que foi desenvolvido sob o lema "Escreve o teu futuro".

O vídeo realça a importância que um lance futebolístico pode ter na vida de cada um dos jogadores que o protagoniza, e leva Wayne Rooney, por exemplo, a viver numa roulotte depois de falhar um lance.

Já Cristiano Ronaldo, ao concretizar um lance bem sucedido, garante um futuro mais risonho - à semelhança da realidade - e consegue um estádio de futebol com o seu nome, um filme que coloca Gael Garcia Bernal no papel do avançado e ainda uma participação especial na série ‘The Simpsons'.

O craque português é ainda contemplado com uma estátua... e uma extensa legião de fãs.

Video: Youtube

Fonte: Sapo