Mostrar mensagens com a etiqueta LusoDescendente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta LusoDescendente. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Leonor da Fonseca Pimentel, "A Portuguesa de Nápoles"



Leonor da Fonseca Pimentel (Roma, 13 de Janeiro de 1752 - Nápoles, 20 de Agosto de 1799), conhecida como Eleonora de Fonseca Pimentel, "A Portuguesa de Nápoles". Ficou na história por ter defendido ideais liberais que conduziram à Revolução e à instauração da malograda República Napolitana (1799).

Ela foi poetisa, escritora, pedagoga, bióloga e uma das primeiras jornalistas europeias. Amiga íntima de intelectuais e revolucionários, desempenhou um papel de relevo na revolução jacobina de Nápoles de 1797, inspirada pelo ideário social e político da Revolução Francesa.

Leonor fundou o jornal oficial da república então instalada - "O Monitore Napolitano" - considerado o primeiro jornal político napolitano - que teve profunda influência na moderação das decisões do governo revolucionário

Leonor da Fonseca Pimentel, que se considerava "filha de Portugal", cultivou a língua pátria e manteve correspondência com intelectuais portugueses.

Em 1777, chegou a escrever uma peça de teatro de homenagem ao Marquês de Pombal: "Il Trionfo della Virtù". Em Nápoles, o seu nome foi dado a uma Escola do Magistério Primário em homenagem à forma denodada como defendeu o primado da educação.

A portuguesa de Nápoles, como ficou conhecida, figura no Pantéon di Martiri dela Libertà, tornando-se, portanto, uma referência do pensamento político italiano. Embora multifacetada, distribuindo os seus esforços pelo jornalismo, a luta política, a biologia, a poesia e a pedagogia, Leonor ficou na História por ter defendido os ideais liberais que conduziram à Revolução jacobina de Nápoles e à instauração da malograda República Napolitana (1797-1799).

Em 1799, Leonor foi acusada de crime contra o Estado e enforcada na Praça do Mercado de Nápoles.

Desde 1997 que a cidade de Nápoles homenageia a vida cultural multifacetada de Eleonora, daí resultando estudos, teses, colóquios e exposições dedicados à sua vida e obra.
Livros sobre Eleonora de Fonseca Pimentel
• Benedetto Croce, "Eleonora de Fonseca Pimentel" (1887)
• Bice Gurgo, "Eleonora Fonseca Pimentel" (1935)
• Maria Antonietta Macciocchi, "Cara Eleonora" (1993)
• Elena Urgnani, "La Vicenda Letteraria e Politica di Eleonora de Fonseca Pimentel, Nápoles" (1998)
• Enzo Striano, "Il resto di niente. Storia di Eleonora de Fonseca Pimentel e della rivoluzione napoletana del 1799" (1986)

"Il Resto di Niente" de Enzo Striano (1986)
 "Il Resto di Niente" ("A Portuguesa de Nápoles" na versão portuguesa) foi escrito pelo italiano Enzo Striano em 1982. O autor enviou o manuscrito para vários editores, mas alguns devolvem o livro sem sequer o ler, por não terem interesse no assunto e no tamanho da obra. 

O autor decide, então, em 1986, não esperar mais e o livro acaba por sair pela editora de livros escolares Loffredo, que já tinha publicado algumas antologias inovadoras com sucesso.

O romance obtém o consenso da crítica e é muito lido, mas esse sucesso circunscreve-se essencialmente a Nápoles. Passados 10 anos é publicado por uma grande editora e torna-se muito conhecido em toda a Itália, tendo vendido mais de 400 mil exemplares. Havendo inclusive quem tenha afirmado que se tratava do melhor romance histórico italiano desde "O Leopardo" de Lampedusa.


"Il Resto de Niente" de Antonietta de Lillo (2004) e a escolha de Maria de Medeiros (extracto de entrevista a Antonietta de Lillo)

Neste filme de 2004, Leonor da Fonseca Pimentel, a mulher que ficou na História por defender os ideais liberais, tem o rosto da actriz portuguesa Maria de Medeiros. Vêmo-la no centro da revolução jacobina de Nápoles, até à sua morte por enforcamento, em 1799.
"Pensei imediatamente nela [Maria de Madeiros, por ser portuguesa e por ser uma mulher pequena mas com muita força. Ela interpreta o papel de uma forma extraordinária. Não sou eu que digo, todos os críticos o disseram. Para ela, foi extraordinário conhecer esta personagem, de que não conhecia a existência."
"A primeira vez que a encontrei estava à espera da primeira filha. Quando filmámos, a Júlia tinha seis anos. Quando acabámos de filmar, a Maria estava à espera da segunda filha, a que chamou Leonor. É uma personagem que não se esquece. (...)"
Arte
Giuseppe Boschetto pintou o quadro a óleo "Eleonora Pimentel Fonseca condotta_al patibolo" (1869).
Música
Eugenio Bennato homenageou Eleanora no tema "Donna Eleonora" incluído no disco "Taranta Power" (1998)
Video Youtube
Em Portugal
Filme "A Portuguesa de Nápoles" (1931) de Henrique Costa
Livro "Leonor da Fonseca Pimentel - A Portuguesa de Nápoles (1752-1799)", de Teresa Santos e Sara Marques Pereira ( coord.)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

"The Last Sinhala Lions" e "Fires of Sinhala" de Colin de Silva


Colin de Silva (1920-2000) foi um escritor natural do Sri Lanka que emigrou para os Estados Unidos da América nos anos 60, tendo publicado uma série de romances históricos, nos quais se destaca "The Winds of Sinhala" de 1982, que recriava os tempos de Dutugemunu (que reinou até ao ano 137 Antes de Cristo), sua mãe, a rainha Viharamahadevi, seu grande antagonista, o rei Cholan, Elara e uma série de personagens subordinados.

"The Winds of Sinhala" foi o primeiro romance de uma tetralogia que inclui "The Fires of Sinhala", "The Founts of Sinhala" e "The Last Sinhala Lions".

Fernão de Albergaria, filho de Lopo Soares de Albergaria (3º Governador da Índia), é um dos protagonistas de dois dos seus romances históricos: "Fires of Sinhala" e "The Last Sinhala Lions".

"Fires of Sinhala" (1986)

A história remonta ao início do Século XVI quando os monarcas europeus lutavam pelo controle do lucrativo comércio de especiarias com o Oriente.

Foi almirante de Portugal, o aristocrático Lopo Soares de Albergaria, que em 1521 transporta consigo mosquete e canhões para subjugar o Ceilão.

O seu filho Fernão entra em conflito com o Príncipe Lanka Tikiri pelo amor da bela mestiça Julietta, o que adiciona um drama pessoal à luta política pela riqueza e poder.

Enquanto isso, a família do Príncipe Tikiri procura derrubar o supremo rei de Lanka. A formidável moura Aisha Raschid quebra o purdah para negociar com cada força ascendente, a Igreja militante ameaça as pacíficas tradições budistas de Lanka e Julietta é habilmente manipulada; será que ela vai casar com um homem que não ama verdadeiramente ?


"The Last Sinhala Lions" (1989)

Quando Fernão de Albergaria, o jovem governador português de Colombo (Sinhala, antigo Ceilão), constrói fortes em toda a costa litoral da ilha, o príncipe Tikiri - seu rival no amor e da guerra - treinou milhares de cavaleiros para um contra-ataque sobre os anéis de armas de fogo e aço.

Como a guerra se estendeu por todo o país, budistas, hindus e católicos, singaleses nacionalistas e europeus imperialistas europeus lutam pelo domínio da ilha.

O que estava em jogo era o poder sobre uma província rica em comércio e tesouro - mas também envolvia Aisha Raschid, uma mulher em busca de vingança, e a rainha Anuna, que procurou destruir seus inimigos e apreender a própria jóia de Colombo ...

Fontes: trademe / Lakbmanews / Paperbackswamp / Enciclopédia do Sri Lanka

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Revista Sports Illustrated em Lisboa (2010)


Costumam ser destinos exóticos ou tropicais mas a edição de 2010 da Sports Ilustrated dedicada a fatos de banho femininos escolheu como pano de fundo as paisagens da área metropolitana de Lisboa.


Durante duas semanas, algumas das mais belas modelos do mundo - Anne V, Cintia Dicker, Jessica White e Jessica Gomes (de ascendência portuguesa) - posaram em cenários tão variados como a Costa do Estoril, o Portinho da Arrábida ou a renascentista Quinta da Bacalhôa, em Azeitão.


A revista americana Sports Illustrated é um marco na história do jornalismo desportivo e, desde 1964, da moda. Foi nesse ano que a edição especial dedicada a fatos de banho - "Sports Illustrated Swimsuit Issue" - saiu pela primeira vez, como estratégia editorial para combater a falta de acontecimentos desportivos no mês de Fevereiro.



Além de Lisboa, os outros destinos da edição de 2010 foram: Whistler (Canadá), Atacama (Chile), Rajastão (Índia), Maldivas e Palm Springs (Califórnia, EUA).

Em Portugal a produção teve a ajuda do Turismo de Portugal, ViniPortugal, TAP e do Hotel Ritz Four Seasons.

Fonte: Revista Visão


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Portugueses na Marvel (artigo de Pedro Cleto)


Em tempos recentes – leia-se nos últimos 2, 3 anos – o facto de alguns desenhadores portugueses estarem a trabalhar – (embora) de forma (ir)regular – para a Marvel tem sido (de forma relativa) recorrentemente mediatizado entre nós, podendo empolar ou dar dessa realidade uma dimensão que na verdade ela (ainda?) não tem.

Mas, para início de conversa, por assim escrever, vamos esclarecer de que se fala quando falamos de Portugueses na Marvel. Ou melhor, vamos um pouco mais atrás, à pré-História dessa relação.

Joe Madureira


Até há pouco tempo, era necessário recorrer ao luso-americano Joe Madureira – filho de pais portugueses – para conseguir uma assinatura lusa (ou perto disso…) na Marvel, apesar dos sobrenomes familiares de alguns dos autores, que geralmente se descobria serem brasileiros, espanhóis, latinos ou mesmo filipinos …


Madureira, responsável pelo título Uncanny X-Men entre 1994 e 1997, dedicou-se depois a Battle Chasers (Wildstorm), uma criação pessoal que se arrastou no tempo e ficou incompleta.


Trocando a BD pelos jogos, Madureira teve algumas passagens pontuais pelos quadradinhos já no final da década de 2000, tendo recentemente anunciado o regresso à editora norte-americana, num projecto para já mantido em segredo.

Miguel Montenegro


Depois dele, surgiu Miguel Montenegro que, entre vários trabalhos para outras editoras norte-americanas, em 2004 se tornou o primeiro português a desenhar uma capa para a Marvel, mais concretamente para a edição 51 da revista Espantosos X-Men, da Devir nacional.


"Spider-Man Fairy Tales" e "Marvel Fairy Tales"


Seguiu-se nova travessia do deserto (dos super-heróis com problemas) até que, em 2007, Ricardo Tércio desenhava o primeiro número de "Spider-Man Fairy Tales", participando igualmente na mini-série "Marvel Fairy Tales", no ano seguinte.

Ambos os projectos revisitavam fábulas infantis, agora protagonizadas pelos super-heróis da Marvel, sendo que, nesta última, três dos quatro números eram assinados por autores nacionais: o já citado Ricardo Tércio e ainda João Lemos e Nuno Plati Alves.

Curiosamente, esta oportunidade surgiu – quase por acaso, daqueles que se pensa que só existem nos quadradinhos - durante uma passagem de Lemos por Angoulême, onde encontrou casualmente Joe Quesada a quem entregou o seu portefólio, o que lhe valeu receber mais tarde o convite para o projecto.


Depois disso, estes três nomes, a que se juntou, em 2010, Filipe Andrade (no seguimento de uma análise de portefólios por C.B. Cebulski), têm surgido com alguma regularidade nas fichas técnicas de diversos títulos Marvel (...)

Projectos marginais vs. Projectos mais "mainstream"


E se é verdade que os primeiros projectos eram muito específicos e até marginais na produção normal da Marvel, a verdade é que aos poucos Ricardo Tércio, João Lemos, Nuno Plati e Filipe Andrade, foram subindo e trabalhando com alguns dos principais super-heróis: Capitão América, Wolverine, Spider-Man, Iron Man, …

Tem sido um percurso progressivo, em crescendo, iniciado com histórias curtas – algumas estreadas em formato digital – passando depois a projectos de outro fôlego como as one-shots X-23, Marvel Girl e a que Plati desenha actualmente com Spider-Man ou a mini-série Onslaught Unleashed, de Andrade e Tércio, ainda em curso. A par disso, há que acrescentar ainda um argumento escrito por João Lemos para Wolverine e a capa que Plati desenhou para Amazing Spider-Man Family.

Projectos ainda discretos, é verdade, mas cada vez menos.

Cedência do factor artístico ?

E se a sua entrada no universo Marvel de alguma forma implica (pelo menos) uma cedência do factor artístico (durante muitos anos defendido pelos autores portugueses que tentaram publicar fora de portas) à vertente mais comercial dos heróis Marvel, a verdade é que Lemos, Plati, Tércio e Andrade não abdicaram de um traço pessoal e personalizado que, se é cedo para afirmar como uma mais-valia, é, no entanto, já, um factor distintivo. (...)

Fonte: Blog de Pedro Cleto(adaptado) (nossos Intertítulos)

Mais informações: Joe Madureira / Miguel Montenegro / Filipe Andrade / João Lemos / Nuno Plati Alves / Ricardo Tércio

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Restaurante "Aldea" do Chef George Mendes

Natural de Danbury, Connecti cut, o luso-americano George Mendes estudou no Culinary Institute of America e estagiou em restaurantes em Nova Iorque, Paris e Washington. Em 2003, mais um estágio, agora em restaurantes espanhóis de três estrelas Michelin: Berasategui e El Bulli. No regresso a Nova Iorque, o luso-americano é contratado como chefe de cozinha do Tocque-ville.

Em pouco tempo, os seus pratos, reinventados a partir da cozinha tradicional portuguesa, ficaram famosos e o seu restaurante "Aldea", inaugurado em 2006, em Manhattan, virou lugar da moda.

Em menos de um ano, tornou o seu restaurante uma referência e viu o seu elogiado arroz de pato (rice with duck and apricots) aparecer com outro nome nas revistas da especialidade.


Aldea

A New York Magazine apontou o Aldea - que abriu portas um ano antes em Manhattan- como um dos 50 restaurantes a não perder na cidade. Entre outras coisas, pela qualidade do seu arroz de pato.

Após o seu restaurante ter ganho a primeira estrela Michelin, o luso-americano é um dos chefes seleccionados para a terceira edição do reality show "To Chef Masters". Antes da participação televisiva, é nomeado - sem contudo vencer - para o prémio de melhor novo chefe do ano pela revista Time Out.


Arroz de pato

Um crítico gastronómico da New York Magazine, com certa arte para a metáfora, provou o arroz de pato de George Mendes e ficou deveras encantado. E manifestou assim esse contentamento: "É uma ode fumegante, crocante, cheia de texturas", de sabor "à moda antiga e caseiro". Eis a especialidade do restaurante Aldea, no centro de Manhattan, que aparece na referida revista como sendo uma "criação do género paella".


A receita para o sucesso

"O que fiz foi pegar nas receitas de cozinha portuguesa que aprendi com minha mãe e experimentar até poder assinar o que é o meu estilo". Ou seja, George Mendes recupera pratos como o arroz de pato, guisados ou assados, receitas antigas da culinária portuguesa, e fez depois uma "interpretação" pessoal.

A viagem por sabores diferentes, revela numa recente entrevista, tem início em Portugal. Mas não se esgota nesta geografia. "Começo com um ingrediente que tem história em Portugal, depois gosto de viajar. Tenho grande apreço pela cozinha japonesa, do Vietname, das antigas colónias portuguesas, como Macau e Goa"

Fontes: DN – Francisco Mangas / Sapo / Aldea /

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

"Meu Fado" de Fafá de Belém (1992)

Em 1990 foi feita uma pesquisa, em Portugal, sobre quem o povo português gostaria que gravasse um disco de fados e canções portuguesas. O nome Fafa de Belém foi o escolhido. Aí nasceu este "Meu Fado".

O produtor, Mário Martins, era o produtor preferido de Amália Rodrigues e junto com Tozé Brito e Pedro Oliveira, começamos a trabalhar num repertório abrangente. Por um ano trocamos cartas, cassestes, fax e horas de telefonemas infindáveis e maravilhosos ! Não havia e-mails a esta altura ...

De cada canção vinham várias leituras e um resumo da época e da situação em que ela foi gravada. (...)


O repertório era praticamente o mesmo, com excepção de "Canção Grata",que abre o cd. É uma letra sobre um poema de Florbela Espanca e havia uma outra "Amar", igualmente deslumbrante e aí as opiniões dividiam-se. Ganhou "Canção Grata", para minha alegria...

Uma semana de ensaios e, à maneira do Fado, entramos em estudio para gravarmos directo, sem canais a mais, a guitarra e o tempo a partir da respiração da cantora.

No fado, não há emendas nem "protools", nem vozes a serem refeitas. É a voz que dá o tempo e o sentimento. Os instrumentos vestem-na.

Um grande desafio para quem ama o Fado mas sabe que “fadista nasce-se, é em Portugal!”.


Um trabalho de mestre de Mário Martins, grande produtor; e Mestre António Chainho dominando sua guitarra portuguesa como se uma mulher fosse a cobrir-lhe de carinhos!!!

A partir de "Canção Grata" seguimos pelas águas deste Tejo e da democracia com Canoas do Tejo, emblemática canção imortalizada por Carlos do Carmo que canta a "embarcação" chamada Revolução dos Cravos, que devolveu ao povo português a liberdade e o Estado Democrático.

Seguem-se "Nem às Paredes Confesso", canção tradicional e muito popular aqui e em Portugal na voz de Amalia, Francisco José e tantos outros fadistas.


Em "Sombras da Madrugada" e "Sempre que Lisboa Canta" a alegria e a brejeirice tomam conta e cantam um lado menos conhecido, para nós brasileiros, desta canção portuguesa.

Mergulhamos, então no universo denso do Fado em "Procuro e Não te Encontro", grande canção de Nobrega e Souza e António José, e "Confesso", grande clássico de Frederico Valério e Galhardo, imortalizado por Amália.

Vamos, então para o "Fado das Queixas", Fado Malandro, o fado das ruas de Alfama e Mouraria, alegre e brincalhão!


Passeamos pelo repertório de Francisco José com "Olhos Castanhos" e "Só Nós Dois", de grande força popular para mesgulharmos em "Só à Noitinha", de novo Frederico Valério escrevendo para sua musa maior – Amália.

Achamos apropriado ter no repertório a canção "Memórias" que, embora composta no Brasil sem intenção de Fado, foi gravada por mais de 4 fadistas como se um Fado fosse. Como é um grande sucesso meu no Brasil e em Portugal, achamos por bem coloca-la.

Finalizamos com "Tudo Isto é Fado", outro clássico, que resume e traduz este sentimento que não se explica, esta saudade do que não se sabe bem, esta angústia que por vezes nos toma a alma e que está nas ruas,nos becos,nos infortunios, no que não se diz, nas meias mentiras, nos amores mal resolvidos, na esperança do retorno, em nossa almas fadadas àos amores que não se tem certeza!

Fonte: Fafá de Belém



Motivo do relançamento

"Estou fazendo 35 anos de carreira e esse disco é muito importante para mim. É o único disco de fado feito em Portugal por uma cantora brasileira. Foi feito a pedido do mercado português e produzido pelo produtor da Amália Rodrigues.

Quando recebi esse convite, fiz um ano de pesquisa, e naquela época não havia internet. Era fita cassete pra cá e pra lá (Risos). Foram cartas, faxes, trabalhando num repertório que fosse representativo. A ideia era revitalizar o fado, que estava fechado num gueto antigo e não chegava ao público mais jovem.

Fui escolhida entre três cantoras brasileiras e torci muito para que isso acontecesse. Em uma semana, conseguimos o disco de ouro.

No Brasil, vendeu perto de 500 mil cópias. Depois de um ano e pouco, a Som Livre tirou do mercado, e desde então me pedem que relance. A Sony, que tem o fonograma, topou e negociamos por dois anos. Em janeiro, chegou a autorização."

Fonte: Embaixada Portugal Brasil

Entrevista: RTP "Olha Que Dois" (1992)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Catherine Ribeiro, cantora lusodescendente

Conhecida como a "Nico francesa" ou a "Passionária vermelha", Catherine Ribeiro nasceu em Lyon, a 22 de Setembro de 1941, filha de pais portugueses, José, natural da Batalha e latoeiro, e Alcina, natural de Vila Franca de Xira.

Apesar das origens, Catherine não sabe sequer dizer bom-dia na língua de Camões.

A estreia artística dá-se no cinema, em 1963, logo com Jean-Luc Godard, no filme "Les Carabiniers", onde contracena com Patrice Moullet, futuro marido e parceiro, primeiro nos 2bis, depois nos Alpes.

Na música, a estreia foi curiosamente em Portugal, em 1964, para a etiqueta Estúdio ("Lorsque Le Bateau Viendra"), acompanhada pelos Sheiks, embora os próprios não se lembrem, o que é natural.

Catherine Ribeiro iniciou a sua carreira em 1964 em França, onde ainda hoje se mantém, sendo especialmente acarinhada pelo vigor e dramatismo que coloca nas versões que faz dos clássicos franceses, de Jacques Prévert, Édith Piaf, Léo Ferré, entre outros.

Em 1967, foi um dos 47 ídolos da chamada "foto do século", de Jean-Marie Pèrier, publicada na Salut Les Copains.


Nos anos 70, a revista Rock & Folk considerou Catherine Ribeiro uma das10 melhores vozes do mundo, ao lado de Janis Joplin, Joan Baez, Tina Turner e Aretha Franklin.

Fonte: ié-ié (adaptado)

Mais informações: wikipedia / site oficial


Na canção "Poéme non Épique Nº3" Catherine alude ao Portugal Salazarista

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Glenn Medeiros, cantor luso-norte-americano

Natural do Hawai, Glenn Medeiros iniciou-se nas cantigas aos 10 anos de idade, quando começou a entreter os clientes do autocarro de turismo do seu pai na ilha de Kuai.

Em 1987, quando já tinha 17 anos, Medeiros ganhou um concurso de rádio de talentos locais, no Hawaí, quando cantou uma versão de George Benson do tema "Nothing's Gonna Change My Love for You" (editado originalmente em 1985).

O concurso chamava-se "Brown Bags To Stardom" e Glenn venceu-o. Levou para casa 500 dólares e ainda teve a oportunidade de gravar a canção em estúdio.

O tema foi inicialmente editado por uma pequena editora local, mas veio a tornar-se um enorme sucesso mundial, alcançando a 12ª posição no top 100 da Billboard (E.U.A.) e o 1º lugar em Inglaterra (quatro semanas em número um no mês de Julho de 1988).

Duetos

Em 1988, gravou o single "Un Roman d'amitié (Friend You Give Me a Reason)", um dueto de sucesso na França (nº 1 em 1989), com a jovem cantora francesa Elsa Lunghini.

No seu terceiro álbum aposta no R'n'b, gravando duetos de sucesso com Bobby Brown ("She Ain't Worth It", nº 1 nos Estados Únidos e nº 12 em Inglaterra em Junho de 1990) e Ray Parker Jr. ("All I'm Missing Is You", nº 32 nos E.U.A. em 1990).

Ainda lança um 3º single, "Me-U=Blue" com os The Stylistics (nº 78 nos E.U.A.), mas não volta a ter sucesso comercial.

Década de '90

Ainda durante a década de 90, editou os álbuns "It's Alright To Love" (1993), "The Glenn Medeiros Christmas Album" (1993), "Sweet Island Music (1995)" e Captured (1999), mas sem grande sucesso.

Século XXI

Em 2003 gravou um álbum intitulado "Me", mas a sua vida é quase totalmente dedicada à profissão com que sonhou desde miúdo: professor de História

Fontes: wikipedia / Dear80s / Portuguese times

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um Judeu Português no “Faroeste Selvagem”

Salomão [Solomon] Nunes Carvalho, um descendente de judeus portugueses nascido na cidade de Charleston, na Carolina do Sul, foi o primeiro fotógrafo a atravessar os Estados Unidos da América e a registar com a sua objectiva as paisagens e as gentes do longínquo e mítico Oeste americano.

Integrado na quinta expedição do coronel John Charles Frémont, destinada a explorar traçados possíveis para o caminho de ferro entre o rio Mississippi e a costa do Pacífico, Nunes Carvalho tirou mais de 300 fotografias (daguerreotipos) da expedição, muitas delas em condições de extrema dificuldade.


O coronel John Charles Frémont tentara recolher registos fotográficos das suas viagens anteriores, chegando mesmo a tentar ele próprio a complexa arte do daguerreotipo, mas sem qualquer tipo de sucesso. É a sua reputação que faz com que Frémont convide Nunes Carvalho para acompanhar a expedição.

Considerado um dos melhores daguerreotipistas americanos da época, Salomão Nunes Carvalho tinha um estúdio na cidade de Baltimore e era reconhecido também como retratista e pintor. Alguns dos seus desenhos chegaram a figurar nas notas de um dólar da Reserva Federal.


Família judaica

O seu pai, David Nunes Carvalho, fora um dos principais impulsionadores do movimento de reforma litúrgica judaica nos EUA, defendendo a tradução dos livros de orações e a introdução de sermões em Inglês nas sinagogas, chegando a ser um dos fundadores da Reformed Society of Israelites de Charleston, a primeira congregação americana do judaísmo reformado.

O tio de Salomão, Emanuel Nunes Carvalho, mais tradicionalista, era hazzan (condutor da liturgia) da comunidade de judeus portugueses de Barbados, emigrando depois para os EUA, onde exerceria as mesmas funções nas sinagogas portuguesas de Charleston e Filadélfia. Em 1815, o ano em que Salomão nasceu, o seu tio publicou o primeiro livro de gramática hebraica escrito por um judeu nas Américas. (...)

Fonte/Mais informações: Rua da Judiaria

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Robert Pires, internacional francês de Futebol

Robert Pires é um futebolista francês, filho de pai português e mãe espanhola.

Iniciou sua carreira profissional no FC Metz, tendo contribuído de forma decisiva para o 2º lugar da equipa francesa na época de 1997-98. Em 2000 transferiu-se para o Arsenal FC, onde ganhou dois títulos de campeão (2001-2002 e 2003-2004), numa equipa onde pontificava Thierry Henry. Foi considerado o melhor jogador da Liga Inglesa em 2002.

Ficou famoso por fazer muitos golos de fora da área e ter um passe preciso.

Foi internacional pela selecção francesa em 79 jogos. A sua maior façanha foi ter feito parte da Selecção que venceu o Campeonato do mundo de Futebol de 1998 e o Campeonato da Europa de 2000.

Percurso

1992-1998 - Metz (162 jogos) (43 golos)
1998-2000 - Marselha 66 (8)
2000-2006 - Arsenal 189 (62)
2006- Villarreal 106 (22)

Fonte: wikipedia


Elegância ignorada

Robert Pires nunca chegou a ser devidamente aproveitado pela Selecção Portuguesa, já que demorou algum tempo a vestir a camisola dos “bleus” e a sua ascendência lusa permitir-lhe-ia ter sido seleccionado para representar Portugal. (...)

Sobre Robert Pires tenho uma memória particular... Lembro-me de uma noticia de rodapé de um jornal desportivo no inicio dos anos 90. Nessa altura – na era "antes de Bosman" – o problema dos estrangeiros era decisivo para a constituição dos planteis, pelo que a dupla nacionalidade era uma vantagem enorme. (...)

A dupla nacionalidade dava jeito, sim senhor, mas a qualidade não justificava a maçada...

A carreira de Pires foi em crescendo e anos (4 ou 5) mais tarde veio a Portugal ajudar o Metz a eliminar o Sporting da Taça Uefa.

Nessa altura o Metz era Pires e mais 10, só que a qualidade do craque era agora demasiado apreciada para os bolsos dos clubes Portugueses. Seguiu-se o Marselha e uma carreira fantástica, quer em Inglaterra, quer na Selecção Francesa.

Fonte: Jogo directo

terça-feira, 22 de junho de 2010

Cláudio Reyna, futebolista

Cláudio Reyna, filho de pai argentino e mãe portuguesa, foi internacional pelos E.U.A. em 112 ocasiões, sendo considerado um dos melhores futebolistas norte-americanos de sempre.

Participou em 4 fases finais do Campeonato Mundial de Futebol: 1994, 1998, 2002 e 2006.

Percurso

1995-1997 - Bayer Leverkusen
1997-1999 - VfL Wolfsburg (empréstimo)
1999-2001 - Glasgow Rangers
2001-2003 - Sunderland
2003-2007 - Manchester City
2007-2008 - Red Bull New York

Fontes: wikipedia

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Billy Gonsalves, futebolista (anos 30)

Descendente de portugueses, Adelino “Billy” Gonsalves nasceu a 10 de Agosto de 1908, em Portsmouth (Rhode Island, Estados Unidos da América) dois anos depois de os seus pais se terem mudado da ilha da Madeira para os Estados Unidos da América (EUA).

Com 1,88m de altura, era igualmente um jogador muito bom no jogo aéreo e possuía uma magnífico controle de bola. Apesar de ter as características ideais para um 'matador', era mais conhecido pelas suas assistências. Prova disso é que seus companheiros de ataque eram frequentemente os melhores marcadores dos campeonatos onde competiam.

Fall River Rovers

Com Bert Patenaude formaria uma dupla “letal” no Fall River Rovers, uma super-potência futebolística dos EUA dos princípios do século XX, ajudando o clube a vencer a US Open Cup (o título mais importante dos EUA) por duas ocasiões (1930 e 1931).

Ele venceria esta prova por mais seis vezes - em representação de outros emblemas norte-americanos - , um recorde que perdura até aos dias de hoje.

14 anos de carreira

Depois do Fall River Rovers actuaria, ao longo de 14 anos de carreira, em mais nove equipas, entre outras o Lusitania Recreation, Brooklyn Hispano, The Boston Wonder Workers, New Bedford Whalers, New York Yankees, St. Louis Central Breweries ou o St. Louis Shamrocks, sendo que nestes dois últimos clubes actuou na Major Soccer Leage (MSL), o principal campeonato norte-americano.


Campeonato do mundo 1930

A Selecção dos E.U.A. brilhou a grande altura no Mundial de 1930 (no Uruguai) - o primeiro da história -, tendo conquistado um brilhante e surpreendente 3º lugar, a melhor classificação de sempre de uma selecção dos EUA em fases finais de Campeonatos do Mundo.

A equipa contava com muitos jogadores britânicos naturalizados, mas a grande estrela da companhia era nada mais nada menos do que Adelino “Billy” Gonsalves. Apesar de não ter feito nenhum golo nesse Mundial, ele chamaria à atenção dos grandes especialistas em matéria de futebol.

Campeonato do mundo 1934

Quatro anos mais tarde (1934), Billy jogaria novamente uma fase final de um Mundial ao serviço dos EUA, desta feita em Itália, onde mais uma vez deixou uma excelente impressão, tendo recebido propostas de várias equipas transalpinas, que seriam recusadas, pois ele preferiu – mais uma vez – voltar para os “states”, onde jogaria até aos 38 anos de idade.

Babe Ruth do Soccer

É considerado por muitos como o maior e melhor jogador norte-americano de todos os tempos, tendo sido apelidado de o “Babe Ruth (o maior jogador de basebol dos EUA da história) do soccer (futebol) norte-americano”. Dele disse um dia outro célebre jogador norte-americano - de nome Jack Hynes -,... «Pelé foi um fenomenal jogador, mas não era nada comparado com Billy Gonsalves...»! E esta, hein?

Fonte: Museu virtual (adaptado)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

David Ricardo, economista (1772—1823)

Nascido em Londres, David Ricardo foi o terceiro de dezassete filhos de uma família holandesa de classe média, descendentes de judeus (sefarditas) que fugiram das perseguições em Portugal.

Seu pai emigrou dos Países Baixos para a Inglaterra pouco antes de David nascer, onde prosperou negociando na Bolsa de valores. David viveria alguns anos na Holanda com outros elementos da família, tendo ali completado parte da sua instrução primária.

Em 1815, David Ricardo já era considerado o mais importante economista de toda a Grã-Bretanha, graças ao seu conhecimento prático sobre o funcionamento do sistema capitalista, vindo da sua carreira como perito em finanças.

Mas sua grande obra-prima, sem dúvida, foi “Princípios de Economia Política e Tributação”, publicado em 1817. Esse livro consagrou Ricardo como o grande nome da Economia Política Clássica, junto com Adam Smith, dominando a cena económica não apenas da Inglaterra, mas de todo o mundo ocidental por muitas décadas, até o surgimento do marxismo e do marginalismo (os quais foram muito influenciados pela obra de Ricardo).

Teoria das vantagens comparativas

A sua teoria das vantagens comparativas constitui a base essencial da teoria do comércio internacional. Demonstrou que duas nações podem beneficiar do comércio livre, mesmo que uma nação seja menos eficiente na produção de todos os tipos de bens do que o seu parceiro comercial.

Segundo o autor, uma nação é rica em razão da abundância de mercadorias que contribuam para a comodidade e o bem-estar de seus habitantes. Ao apresentar esta teoria, usou o comércio entre Portugal e Inglaterra como exemplo demonstrativo.

Fonte: wikipedia (adaptado)

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Harold Pinter, lusodescendente ?

O dramaturgo britânico Harold Pinter venceu o Prémio Nobel da Literatura [em 2005], tornando-se o 13.º judeu a ganhar o Nobel nesta categoria, sucedendo à escritora judia austríaca Elfriede Jelinek, vencedora do prémio em 2004.

Será Harold Pinter descendente de judeus portugueses? Esta questão não tem uma resposta fácil. Pinter acreditava que o seu nome de família resultava da anglicização de “Pinto” (ou “Pinta”), um sobrenome generalizado entre as famílias de judeus portugueses da Diáspora.

Na verdade, era bastante comum aos judeus portugueses emigrados alterar o nome de família como forma de melhor se integrarem nos países de acolhimentos – em França, os descendentes do pedagogo Jacob Rodrigues Pereira, por exemplo, chamam-se hoje “Pereire”, enquanto o ramo americano da mesma família optou por “Perera” (ver National Foundation for Jewish Culture: On Being Sephardic: The Children of the Diaspora, by Victor Perera).

Por outro lado, sabe-se que os judeus portugueses são responsáveis pelo restabelecimento da comunidade judaica em Inglaterra, depois do rabino Menasseh ben Israel (Manuel Dias Soeiro) ter negociado com Oliver Cromwell, no século XVII, a revogação do decreto de expulsão de 1290.

Foram os judeus portugueses os primeiros a chegar a Londres. Sabe-se também que existiam vários “Pintos” entes estes pioneiros – o rabino português Joseph Jesurun Pinto (1565-1648), por exemplo, viveu em Londres grande parte da sua vida.

A eventual descendência portuguesa de Harold Pinter virá por parte do pai, Jack Haim Pinter, uma vez que a família da mãe, Frances Moskowitz, tem raízes nas comunidades judaicas da Polónia e Ucrânia.

Mesmo assim, sem mais elementos factuais – a não ser a palavra do próprio Harold Pinter – é difícil traçar com certezas a sua mais do que provável ancestralidade judaica portuguesa. A pista final é dada pelo facto do pai de Harold Pinter ser sefardita e da esmagadora maioria dos judeus sefarditas britânicos descenderem de judeus portugueses.

Fonte: Rua da Judiaria (adaptado)