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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

“Língua” de Caetano Veloso e Elza Soares (1984)


“Língua” é uma canção composta por um conjunto de expressões que constroem e refazem a língua portuguesa, revisada pelas inovações brasileiras, diluídas em estrangeirismos e variações regionalistas.

É uma provocação constante e total, que rabisca a língua de Camões e de Fernando Pessoa, arrastando-a pelos vícios da linguagem das praias brasileiras e impostas pela televisão.

Na gravação original, em 1984, Caetano Veloso dividia os refrões com Elza Soares, numa composição que nos arrastava a um samba-enredo que parecia explodir nas avenidas.

“Flor do Lácio sambódromo
Lusamérica latim em pó
O que quer o que pode esta língua?”

Letra

Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
“Minha pátria é minha língua”

Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

(...)

Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?


Gal Costa


Gal Costa - que regravou o tema - aguenta sozinha, em um só fôlego, o desafio de uma das mais complicadas letras do autor, que se ancora nos neologismos que nos parecem instransponíveis.

"O Cinema Falado"

No filme "O Cinema Falado", de Caetano Veloso, é referido que "Não é por acaso que, em português coloquial, Prosa quer dizer conversa, rap, charla, …"



Videos: Caetano & Elza Soares (Video pessoal) / "O Cinema Falado"

Fonte: virtualiaomanifesto

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Temática da imigração portuguesa em "Le Portugais" de Joe Dassin (1971)

A temática da imigração portuguesa surge na "chanson française" no tema "Le Portugais" de Joe Dassin, gravado em Novembro de 1970 e incluído no seu álbum “L’ Amérique” e no lado B do single "L'equipe a Jojo".

O tema foi igualmente gravado em 1971 pela actriz e cantora grega Melina Mercouri (que casou com o realizador norte-americano Jules Dassin, pai de Joe Dassin), tendo sido incluído no lado B do seu single “Je suis Grecque”



Videos: Joe Dassin ; Melina Mercouri

Letra

Avec son marteau piqueur
Il creuse le sillon de la route de demain.
Il y met du coeur,
Le soleil et le gel sont écrits sur ses mains,
Le Portugais dans son ciré tout rouge
Qui ressemble à un épouvantail...
As-tu vu l'étrange laboureur
Des prairies de béton et des champs de rocailles?

Il faut en faire des voyages,
Il faut en faire du chemin.
Ce n'est plus dans son village
Qu'on peut gagner son pain...
Loin de son toit, de sa ville,
À cinq cent milles vers le Nord,
Le soir dans un bidonville
Le Portugais s'endort.

Il est arrivé a la gare d'Austerlitz voilà deux ans déjà...
Il n'a qu'une idée, gagner beaucoup d'argent et retourner là-bas.
Le Portugais dans son ciré tout rouge
Qui ressemble à un épouvantail -
Il ne t'entend pas,
Il est sur le chemin qui mène au Portugal.

Il faut en faire des voyages,
Il faut en faire du chemin.
Ce n'est plus dans son village
Qu'on peut gagner son pain...
Loin de son toit, de sa ville,
À cinq cent milles vers le Nord,
Le soir dans un bidonville
Le Portugais s'endort

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

"Lisboa" de Angela Molina (1987) e Clara Montes (2000)



Angela Molina, nascida em Madrid em 1955, é uma das mais famosas actrizes espanholas, tendo actuado em filmes de realizadores conceituados como Luis Buñuel e Pedro Almodóvar.

Filha de um célebre cantor de flamego, Antonio Molina, Angela Molina também se dedicou às lides musicais, lançando em 1987 o álbum "Con las defensas rotas", com produção de Julio Seijas e Luis Gomez Escolar.

O disco incluía os singles "Muertos de amor", em dueto com Georges Moustaki, e "Lisboa" ambos da autoria de Luis G. Escolar.
 

O tema (por vezes identificado como "Lisboa, piensa un poco en mi") foi regravado, em 2000, pela cantora andaluza Clara Montes no seu segundo álbum "El sur de la pasion", com arranjos do produtor brasileiro Jacques Morelenbaum.


Letra

Le conocí en Madrid cuando el invierno
Estaba dando ya el último aviso.
Me dijo que era un ángel desterrado,
Que vive a siglos luz del Paraíso
Mirando hacia el lugar donde nació.

Su acento era el de un dulce forastero
Que quiere fascinar a una nativa
Y casi por no hablarme de su vida,
Borracho como un vino traicionero
Cantó sin darse cuenta su canción.

Lisboa, piensa un poco en mí;
Lisboa, si en tus brazos yo nací
Lisboa, esperándome
Lisboa, moriré lejos de ti

Me habló de una ciudad colgada al lado del océano
Que mira hipnotizada hacia poniente
Y quise estar allí por puro instinto,
Dejándome llevar por su corriente,
Amándola sin mas, por intuicion

Lisboa, piensa un poco en mí;
Lisboa, si en tus brazos yo nací;
Lisboa, esperándome;
Lisboa moriré lejos de ti”.

Y vi que sus pupilas se rompían como estrellas
Porque el viento de la sierra  se colaba por su piel.
Sentí que se moría como muere la gaviota
Cuando está buscando el mar y no puede estar sin él.
Lisboa, piensa un poco en mí,
Me muero lejos de ti.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Eddy Quintela colabora com os Fleetwood Mac

Christine McVie (uma das cantoras e compositoras dos Fleetwood Mac) e Eddy Quintela conheceram-se em 1984 e casaram-se em 1986.

Ainda em 1984 (numa altura em que ainda não estavam envolvidos romanticamente), Eddy Quintela tocou teclados no tema "The Smile I live for" do álbum homónimo de Christine McVie, mas foi a partir de 1987 que Eddy se notabilizou como parceiro da cantora britânica na composição de diversos temas dos Fleetwood Marc.

Álbum "Tango in the Night" (1987)

"Little Lies" foi o terceiro single do álbum “Tango in the Night” dos Fleetwood Mac lançado em 1987. O tema foi composto por Christine McVie conjuntamente com Eddy Quintela, que na altura era seu marido. A canção alcançou o 5º lugar no Top de Singles mais vendidos do Reino Únido e o nº4 nos Estados Unidos.

“Tango in the Night” foi o 2º disco mais vendido do grupo, incluindo igualmente o tema "Isn't It Midnight" da autoria de Christine McVie, Quintela e Lindsey Buckingham.


Álbum "Behind the Mask" (1990)

Eddy Quintela participou posteriormente no álbum seguinte dos Fleetwood Mac, “Behind the Mask” de 1990, que apesar de não ter tido singles de sucesso, alcançou o 1º lugar no Reino Unido.

Christine McVie e Eddy Quintela assinaram a composição dos singles "Save Me" e "Skies the Limit".

Álbum “Time” e “Nights in Estoril" (1995)

Os Fleetwood Mac lançaram em 1995 o álbum “Time”, o seu primeiro álbum desde 1974 que não incluía Stevie Nicks e Lindsey Buckingham na sua formação.

O álbum incluía 5 novas parcerias entre Christine McVie e Eddy Quintela, sendo de realçar o tema “Nights in Estoril"

"Nights In Estoril" é obviamente sobre a relação de Christine McVie com Eddy Quintela. Eddy é natural do Estoril, onde terão passado férias em diversas ocasiões.


Letra (excerto)

I remember the nights in Estoril
A kiss and oh the neverending thrill
And I remember the coming storm
Oh and you my love, how you kept me warm
Your hand reaching out to me
Dark clouds gathering in their wak
I've seen it all before
But I've never felt it more
This time there's no mistake
Oh I remember...

Em Portugal (I)

"O Edy Quintela, Eduardo de seu nome próprio, não conhece o blogue [Guedelhudos]. Mas em conversa com ele, foi-me dito, que os únicos projectos em que esteve envolvido aqui em Portugal, foram,um com a Adelaide Ferreira, ao tempo do Baby Suicida. Fez uns ensaios com a banda que a acompanhava, mas não passou disso.

E o outro [projecto] foi com a Marité,actual esposa do Fernando dos Delfins, mas não deu nada." (Vicky Paes Martins)

Em Portugal (II)

Em 1994, Maria León foi convidada por Eddy Quintela e por Martin White (manager da Brile Music England) para dar voz (cantando em inglês) a um projecto de originais pop/rock para o mercado norte-americano e europeu.

Em 1995, viaja regularmente para Los Angeles, para compor e gravar algumas maquetas para o projecto. Mas, por motivos de ordem privada, acaba por rescindir o seu contrato e volta ao nosso país em Maio de 1997.

Fontes/Mais Informações: Fleetwood Mac Net / Ledge Fleetowood Mac / wikipedia / FM Legacy /ié-ié / Vicky Paes Martins / Cotonete (Maria León)

terça-feira, 11 de maio de 2010

"Canzone della bambina portoghese" de Francesco Guccini (1972)

O cantor italiano Francesco Guccini lançou em 1972 o seu quarto álbum, "Radici".

O fio condutor do álbum, como sugere o próprio título, é a eterna procura pelas raízes (de Franceso Guccini e da humanidade), igualmente simbolizada na capa do disco.

Um dos temas incluídos nesse álbum foi "Canzone della bambina portoghese" que foi igualmente gravado pelo grupo Nomadi.

"Canzone della bambina portoghese"

"A canção da criança portuguesa" é uma espécie de metáfora para a geração de 68 que sabe o que deixou para trás, mas não sabe o que vai encontrar. E então a menina na praia observa o Oceano Atlântico que está à sua frente mas não pode imaginar o que poderá encontrar para além do mar.

Fontes: kalporz / wikipedia

Mais informações

Videos: Francesco Guccini / Nomadi

Letra (extracto)

Al caldo del sole, al mare scendeva la bambina portoghese,
non c'eran parole, rumori soltanto come voci sorprese,
il mare soltanto e il suo primo bikini amaranto,
le cose più belle e la gioia del caldo alla pelle...

"L'isola non trovata"

O tema "L'isola non trovata" de Franceso Guccini faz referência ao Rei de Portugal e ao seu primo Rei de Espanha

...Ma bella più di tutte
l' isola non trovata, quella che il Re di Spagna s' ebbe da suo cugino,
il Re di Portogallo, con firma suggellata

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Patrizia Laquidara edita "Indirizzo portoghese" (2003)

Nascida em Catania mas "vicentina" [de Vicenza] de adopção, Patrizia Laquidara é conhecida do público italiano desde há pouco tempo, sobretudo depois da sua participação no 53° Festival de Sanremo (2003) com a canção "Agisce".

Namorada dos tropicalistas brasileiros (Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e sobretudo Caetano Veloso, a quem a cantora dedicou o seu primeiro CD, "Para você querido Cae"), consegue criar um estilo originalíssimo e de extraordinária intensidade, que funde o sound brasileiro (mais explicitamente no trecho "Uirapuro" do artista brasileiro Valdemar Henrique, cantado em português) com ecos mediterrâneos e de outras tradições musicais (o fado português).

O álbum "Indirizzo portoghese"

"Indirizzo portoghese", o seu segundo álbum, é um disco encantador, que acrescenta ainda mais um capítulo à história passional entre a canção italiana e a música lusófona

O título do álbum deve-se ao grande amor de Patrizia por Portugal, país que já a recebeu muitas vezes e que para ela é fonte de inspiração para muitas das suas letras e músicas.

Patrizia Liquidara já esteve várias vezes em Portugal e colaborou com Rodrigo Leão.

Fontes: Página Oficial / The Place / Festa do Cinema Italiano / Altervista

Video: Youtube

Letra

Incontro chimico linguistico latino un po’ bambino
Complicità europea
Ti ho incontrato nella piazza con i libri sottobraccio
Seduto sui gradini della Fondazione Amado
Camicia di cotone
Io ti guardavo ma ai tuoi occhi ancora non ci avevo fatto caso
E ci scambiammo i nomi ignari che un incontro casuale
Improvviso minimale
Ci può portare altrove

Lettere e.mail e un indirizzo portoghese la la la la la
Lettere e.mail e un indirizzo portoghese la la la la la
E la radio del paese salutava Amalia


Sembrava tutto così intatto puro pratico perfetto
Complicità mondiale
sotto una luce cristallina di una luna nordestina
Noi due ci chiamavamo con lo stesso nome amore
Senza immaginare
Quello che adesso mi rimane

(...)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

"Menina da Ria" de Caetano Veloso (2009)

O cantor brasileiro Caetano Veloso cumpriu a promessa e dedicou uma música à cidade de Aveiro, pela qual ficou apaixonado quando passou por Portugal. "Menina da ria" é um dos doze temas do novo álbum "Zii e Zie" e surge trinta anos depois do músico ter gravado "Menino do rio", no álbum "Cinema Transcendental".

Caetano Veloso recordou que "Menina do ria" resulta de uma promessa feita ao público que esteve num concerto seu em Aveiro em 2008.

A ria "é uma característica da cidade. É muito bonita. Todo o mundo fala 'a ria'. Eu comentei na hora do show, só de violão: eu vou fazer uma música chamada 'Menina da ria'. Eles riram muito, aplaudiram, fiquei com esse compromisso, cheguei no Brasil e fiz", explicou Caetano Veloso.

A letra faz referência aos barcos da ria, aos ovos-moles, aos prédios art-nouveau.

Fonte: Visão
Letra

Uma moça de lá do outro lado da poça
Numa aparição transatlântica
Me encheu de elegante alegria
(Ai Portugal, ovos moles, Aveiro)
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria

E uma preta (parece que eu estou na Bahia)
Tão linda quanto ela e dizia
No seu português lusitano:
"Pode o Caetano tirar uma foto?"
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria

Arte Nova, um prédio art-nouveau numa margem
Em frente à marina-miragem
Os barcos na Ria, e depois
Uma taça
Sobre o púbis glabro, um estudo
Nenhum descalabro se tudo
É sexo sem sexo em nós dois
Menina da Ria
Menina da Ria
Menina da Ria


Ligação: Video (ao vivo)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

"Lisbonne" de Alain Barriére (1961) e Robert Desnos (1931)

Robert Desnos (1900-1945) foi um poeta surrealista francês falecido durante a 2ª guerra mundial no campo de concentração de Theresienstadt (Checoslováquia).

Apaixonado por Youki (a belga Lúcie Badoud), com quem vivia desde 1930, representou-a como uma sereia em alguns dos seus poemas, nomeadamente no longo poema "Siramour" (contração de Sereia e Amor), publicado em 1931, que contém várias referências à cidade de Lisboa.

Em 1962, o cantor francês Alain Barriére lançou o seu segundo EP, com 4 novas canções, sendo "Lisbonne" construída a partir do texto de Robert Desnos com música do próprio cantor.

O tema foi igualmente incluído no disco ao vivo "Concert Musicorama, volume 2".

Porquê Lisboa ?

A priori, este belo poema (como muitos outros!) Não significa muito ... Mas já se sabe que na obra de Desnos, a sereia é a sua namorada Yuki.

Mas porquê Lisboa ? Certamente por ser um porto (apropriado para as sereias) localizado numa região do sul. Mas será que Youki viveu em Lisboa no passado ? Ou será apenas para rimar com "bella donne" ...

Outras versões

O texto de Robert Desnos foi também musicado por Serge Renard e interpretado por Colombe Frezin no seu disco de homenagem a Robert Desnos (publicado em Março de 2003).

E existe igualmente uma terceira versão interpretada por Michel Arbatz no disco "Vous avez le bonjour de Robert Desnos"(1995).

Letra

Nous irons à Lisbonne
Âme lourde et cœur gai
Cueillir la belladone
Au jardin que j'avais

Lisbonne est jolie
La fumée des vapeurs
Sous la brise mollie
Prend des formes de fleurs

Jadis, une sirène
A Lisbonne vivait
Semez, semez la graine
Au jardin que j'avais

(...)



Texto original (Poema)

Semez, semez la graine
Aux jardins que j'avais.
Je parle ici de la sirène idéale et vivante,
De la maitresse de l'écume et des moissons de la nuit
Où les constellations profondes comme des puits grincent de toutes
leurs poulies et renversent à plein seaux sur la terre et le sommeil
un tonnerre de marguerites et de pervenches.
Nous irons à Lisbonne, ame lourde et coeur gai
Cueillir la belladone aux jardins que j'avais.
Je parle ici de la sirène idéale et vivante,
Pas la figure de proue mais la figure de chair,
La vivante et l'insatiable,
Vous que nul ne pardonne,
Ame lourde et coeur gai,
Sirène de Lisbonne,
Lionne rousse aux aguets,
Je parle ici de la sirène idéale et vivante.
Jadis une sirène
A Lisbonne vivait.
Semez, semez la graine
Aux jardins que j’avais.
(...)

Fontes: página oficial de Alain Barriére / wikipédia / wikilivres

Audio

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"La Cura" e "Segunda-feira" de Franco Battiato (1995)

Franco Battiato é um dos mais famosos Cantautores italianos da actualidade. Em 1995 publica o seu álbum "L'imboscata", com letras do filósofo Manlio Sgalambro, que alcança o 2º lugar do top de álbuns em Itália, grageando a Battiato uma popularidade similar à que obtivera nos anos 80.

O video de "La Cura" foi rodado em Lisboa (Jardim da Estrela, por exemplo) e um dos temas era intitulado "Segunda-feira".

1) "La Cura"








Video: "La Cura"

2) "Segunda-feira"

Segundo um site italiano, o tema "Segunda-feira de Lisboa" apresenta um ritmo português e um eco "Pessoano".

A letra em português é uma adaptação do poema "Passagem das Horas" de Fernando Pessoa.


a) Poema de Álvaro de Campos/FernandoPessoa (excerto)

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,
O coral das Maldivas em passagem cálida,
Macau à uma hora da noite... Acordo de repente...


b) Letra de "Segunda Feira"

Ti porto con me
segunda-feira de Lisboa
nel mio antico mare
nell'Acqua Occidentale,
nel Mediterraneo
affollato di navi
e corpi d'ignudi nuotatori.

Fanciulli con sguardo da fiere,
gli occhi di lince dei Braganza,
fissano il Nord.
Sognando l'oltremare,
come ghirlanda intrecciano una danza.

Trago dentro do meu coração,
Todos lugares onde estive:
A entrada de Singapura
O coral das Maldivas
Macao da noite,
a uma ora, a uma ora.


Ti porto con me
Segunda-feira de Lisboa
nel mio antico mare
nell'Acqua Occidentale
nel Mediterraneo
affollato di navi e corpi
d'ignudi nuotatori

Segunda-feira de Lisboa
che nome d'incanto!
Qui da noi è lunedì.

Soltanto.

Audio: "Segunda-feira"

Video pessoal

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"Um dia em Portugal" de Francisco Egydio

Cantor de voz poderosa, o paulistano Francisco Egydio (1927-2007) participou como caloiro de vários programas na década de 40. Através destes programas, é contratado, em 1951 pela Rádio Excelsior, fazendo muito sucesso.

Em 1956, juntamente com o cantor Roberto Paiva, grava o LP "Polêmica", reunindo os sucessos da famosa briga entre Noel Rosa e Wilson Batista.

Gravou vários sucessos na editora Odeon, entre eles aquele que se tornaria seu cartão de apresentação musical: "Creio em Ti" (versão em português de "I believe" de Frankie Laine).

Durante a década de 60 veio para Portugal, contratado pelo empresário Vasco Morgado, para actuar no Teatro Monumental num Show intitulado Brasiliana, tendo publicado em Portugal três discos. Um dos discos que lançou nessa altura foi "Um dia em Portugal".

"Um dia em Portugal", da autoria de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, foi gravado em 1963 por Anísio Silva, o rei do boleiro no Brasil, e em 1964 por Cauby Peixoto.


Francisco Egydio lançou em 1984 o álbum "Esperança" que incluía o tema "Amor em Portugal" da autoria de Elso Augusto e Alemão.


Letra de "Um dia em Portugal"

Um dia em Portugal
Num beco lá de Alfama
Alguém por mim me chama

(...)

Para cantar o fado
Uma guitarra e vinho
Para cantar meu samba
Um pandeiro e um cavaquinho

Video: Youtube

Fontes: Bruxinha, ié ié

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Milva grava "La filanda (É ou não é)" (1971)



Milva (nome artístico de Maria Ilva Biolcati) é uma famosa cantora e actriz italiana nascida em 1939.

Em 1971 publicou o seu maior sucesso discográfico, "La filanda", com letra de Vito Pallavicini, que é versão do tema "É ou não É" da autoria de Alberto Janes e imortalizado por Amália.

Mário Martins, colaborador da Valentim de Carvalho (editora de Amália), foi o responsável pela cedência dos direitos da canção durante o MIDEM.

O tema, incluído no seu álbum "La filanda e altre storie", arrecadou o prémio "gondola d'oro" em Veneza no ano de 1972.

Videos: Milva, grupo Pandemonio (2002)



(...) com um repertório prestigioso e uma carreira notável, se formos averiguar qual o seu maior sucesso popular, teremos uma surpresa. É que não foi nenhuma das interpretações excepcionais que Milva deixou gravada, que suscitou o maior entusiasmo do público, foi uma canção bem popular, que todos conhecemos muitíssimo bem.

Pois é verdade. foi exactamente este o seu maior êxito de vendas: Um simpático e bem humorado fado, no estilo habitual de Alberto Janes, chamado "É OU NÂO É", originalmente criado por Amália Rodrigues, mas que no resto da Europa, devido a esta recriação de Milva ficou conhecido por "LA FILANDA".  

Fonte: In Senso


Alberto Janes

Alberto Janes foi um senhor farmacêutico que um dia, no inicio dos anos cinquenta, apareceu timidamente em casa de Amália, com umas partituras debaixo do braço... disse que tinha "umas coisas", que achava que eram boas para que a fadista cantasse.

Quem rodeava a fadista, teve opinião negativa acerca de Alberto Janes. Era um desconhecido, a musica dele não "dava" para Amália cantar, etc.

Contudo, Amália, com o seu "olho clínico", a sua sensibilidade, contrariou essas opiniões e gravou o "Foi Deus". Seguiram-se outros tantos trechos, o célebre "Vou dar de beber à dor", o "É ou não é", o "Il mare é amico mio",o "Caldeirada", que , tal como Amália vaticinara, eram sucessos em qualquer parte do mundo.

E pensar que ninguém dava nada por Alberto Janes...

Fonte: zzuzinha (adaptado)

Letra (portuguesa)

É ou não é
Que o trabalho dignifica
É assim que nos explica
O rifão que nunca falha?
É ou não é
Que disto, toda a verdade,
Que só por dignidade
No mundo, ninguém trabalha!

Letra (italiana)

Cos'è, cos'è
che fa andare le filanda
è chiara la faccenda
son quelle come me

E c'è, e c'è
che ci lascio sul telaio
le lacrime del guaio
di aver amato te

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Coimbra" ou "Abril em Portugal" em edição internacional (1950s)



O tema "Coimbra" composto por Raul Ferrão foi um sucesso internacional na década de 50, na sequência da participação de Amália nos concertos integrados no Plano Marshall, sendo provavelmente a música portuguesa mais reconhecida em todo o mundo.

Muitas das versões são instrumentais, tendo sido igualmente sucesso nas versões em francês (“Avril au Portugal” com letra de Jacques Larue) e inglês (“April in Portugal” ou "The Whisp'ring Serenade” com letra da autoria de Jimmy Kennedy e "The Girls of Nazaray" com letra de Barbara Gordon).

Conhecem-se igualmente versões de "Coimbra" em espanhol (com letra de José Galhardo), alemão ("Der erste kuss is gut"),  e sueco  (com letra de S.S.Wilson, pseudónimo de Anita Halden) e até há versão em árabe pela grande vedeta libanesa, Fairrouz.



Estados Unidos

O tema obteve um enorme sucesso, entre os meses de Março e Abril de 1953, nas versões de Vic Damone (3 semanas no top, tendo alcançado o nº 16 no top da Billboard) e das orquestras de Les Baxter (22 semanas no top, tendo ocupado o nº 2 no top), Richard Hayman (11 semanas no top, alcançando o nº 12) e Freddy Martin (3 semanas no top, atingindo o nº 15).

No top da Cashbox, que englobava as diversas versões, o tema alcançou o nº 2.



Video: Dorothy Collins (nº 6 on your hitparade)


França

Em 1950, Amália participou nos espectáculos do Plano Marshall para a Europa, que tiveram lugar em Berlim, Dublin, Paris e Berna, e foram um marco decisivo na sua internacionalização.

Durante o espectáculo em Dublin, Amália canta "Coimbra", que fica no ouvido da cantora francesa Yvette Giraud, que a populariza em França como "Avril au Portugal", com letra de Jacques Larue.

A versão em francês foi igualmente gravada por artistas como Eartha Kitt, Anny Gould, Elyane Dorsay, Yvonne Blanc e Line Renáud.



Reino Unido

Em 1955, Amália canta a melodia de Ferrão numa curta-metragem britânica intitulada precisamente "April in Portugal". É nessa época que começam a surgir versões em inglês, nomeadamente por Vic Damone, com letra de Jimmy Kennedy.

A versão interpretada por Edmund Ros and his Rumba Band teve o curioso nome de "The Girls of Nazaray", com letra de Barbara Gordon, mas a versão que perdurou foi "April in Portugal".


“April in Portugal” / "The Whisp'ring Serenade” alcançou o 4º lugar no top inglês, englobando as edições de Edmundo Ros & his Orchestra, Geraldo & His New Concert Orchestra, Jane Morgan, Johnston Brothers with The Pianotones, Louis Armstrong & his Orchestra, Tony Martin, Vic Damone e Victor Silvester & his Orchestra.






Alemanha

"Der erste kuss is gut", com letra de Bernd Heim (e igualmente creditada a R. Fararo, que será erro na transcrição do nome de Raúl Ferrão), foi editada por Adalbert Luczkowski com a sua orquestra e colaboração de Maria Mucke, Comedian Quartett e Coro masculino.

Mas as principais versões são instrumentais Will Glahé, Werner Müller, James Last, Helmut Zacharias e Heinrich Riethmüller.


Suécia

"April in Portugal", com letra em sueco da autoria de S.S.Wilson, pseudónimo de Anita Halden, foi interpretada por Lily Berglund e Ingemar Pallin (com a orquestra de Harry Arnolds), ambas em 1953.



Finlândia

Olavi Virti gravou "Portugali Huhtikuu", em ritmo tango, com a colaboração da orquestra de George de Godzinsky, com texto em finlandês de Saukki, que foi igualmente regravada por artistas como Henry Theel (com a Melody-Orkesteri) ou as Polar Sisters.


Brasil

No Brasil, "Coimbra" foi gravada em 1952 por Ester de Abreu, lisboeta que se fixou no final da década de 40 no Rio de Janeiro, contratada pela Rádio Nacional.

A sua irmã Gilda Valença, intérprete de 11 filmes brasileiros, estreou-se em 1952 cantando "Coimbra" no filme "Com o Diabo no Corpo".

Além das manas Ester e Gilda, o tema também foi gravado por Roberto Carlos (nos anos 60) e, mais recentemente, por Caetano Veloso (anos 90).


Júlio Iglésias também incluiu "Coimbra" no seu álbum "Brasil" e a primeira vez que cantou o tema foi em 1980 fazendo dueto com Amália no Festival de Newport O tema foi igualmente gravado em português por diversos artistas internacionais como Roberto Carlos (nos anos 60), Júlio Iglésias (na década de 80) e Caetano Veloso (anos 90).


Outras Versões: Bing CrosbyLiberace, Perez Prado, Mantovani, Paul Mauriat

 

Letra (francês)

Je vais vous raconter
Ce qui m'est arrivé
Sous un ciel où l'été
S'attarde
Histoire d'amoureux
Voyage aventureux
Que pour les jours heureux
Je garde
Un grand navire à quai,
La foule débarquait
Deux yeux sous des bouquets
Regardent
L'amour devait rôder
Puisqu'on s'est regardés
Et que mon cœur s'est mis à chanter ...

Avril au Portugal,
A deux c'est idéal,
Là-bas si l'on est fou,
Le ciel l'est plus que vous,
Pour un sentimental
L'amour existe t-il
Ailleurs qu'au Portugal
En Avril.

Le soir sous mes yeux clos
Glissant au fil de l'eau
Je vois par le hublot
La rive
Des voiles de couleur
De lourds parfums de fleurs
Des chants de bateleurs
M'arrivent...
Tout ça berce mon cœur
D'un rêve de bonheur
Dont les regrets ailleurs
Me suivent,
L'amour devait savoir
En nous suivant le soir
Que j'aimerais un jour la revoir...

Avril au Portugal,
A deux c'est idéal,
Là-bas si l'on est fou,
Le ciel l'est plus que vous,
Mais sans penser à mal
Son cœur attendra t-il
Que j'aille au Portugal,
En avril.


Letra (inglês)

I found my April dream in Portugal with you
When we discovered romance, like we never knew.
My head was in the clouds, My heart went crazy too,
And madly I said: "I love you."

Too soon I heard you say:
"This dream is for a day"
That's Porugal and love in April!
And when the showers fell,
Those tears I know so well,
They told me it was spring fooling me.

I found my April dream in Portugal with you
When we discovered romance, like I never knew.
Then morning brought the rain,
And now my dream is through
But still my heart says "I love you."

This sad reality, To know it couldn't be,
That's Portugal and love in April!
The music and the wine convinced me you were mine,
But it was just the spring fooling me.

I found my April dream in Portugal with you
When we discovered romance, like I never knew.
Then morning brought the rain,
And now my dream is through
But still my heart says "I love you."

Fontes: wikipedia (1)(2) / portuguese times
 
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sucesso internacional de "Lisboa antiga" (1950's)


Com letra de Amadeu do Vale/José Galhardo e música de Raul Portela, "Lisboa Antiga" foi estreado por Hermínia Silva, em 1932, na Revista "Pirilau" que foi exibido no Teatro Politeama. A versão de Amália e a inclusão do tema na banda sonora do filme "Lisbon" foram importantes contributos para o seu sucesso internacional.

A versão instrumental de "Lisboa antiga" ("Lisbon Antigua") foi número um nos E.U.A., na versão de Nelson Riddle em 23 de Fevereiro de 1956 e aí se manteve durante quatro semanas, tendo no total ficado 24 semanas no Top.


A versão da orquestra de Mitch Miller chegou ao 19º lugar, estando 3 semanas no Top. E em Inglaterra a versão instrumental de Frank Chacksfield ("In Old Lisbon") alcançou o nº 15 do Top inglês.

Mas o tema obteve igualmente sucesso internacional nas versões em francês, espanhol, inglês e alemão.



"Adieu Lisbonne"

Gloria Lasso, uma cantora catalã radicada em França, alcançou o terceiro lugar do top francês em 1956 com a canção "Adieu Lisbonne" cuja letra era da autoria de Fernand Bonifay.

O tema foi igualmente gravado por artistas como Dario Moreno, Marcel Azzola e Marino Marini.



Faixa audio: Dario Moreno

"Lisboa antigua"

A versão em espanhol, "Lisboa Antiga" ou "Lisboa Antigua", com adaptação de M. Salina, foi gravada quer por Gloria Lasso, quer por artistas como Gigliola Cinquetti (com o trio Los Panchos), Los Chavales de España e Pedro Vargas.



Youtube: Gigliola Cinquetti y los Panchos, Los Chavales de España, Pedro Garcia, Jorge Sepulveda

"In Old Lisbon"

A adaptação para inglês ficou a cargo de Harry Dupree, sendo o tema gravado, entre outros, por Alan Dale.




Fontes: WikipediaOnda pop

"Alt Lissabon"

Com letra de T. Hansen, "Alt Lissabon" foi interpretada por Jost Wöhrmann e Ricardo Santos (single em parceria com Margot Eskens).



Letra (francês)

Adieu, Lisbonne
Vieille cité du Portugal
Sous ton ciel bleu sans égal
Tu apparais, royale

Lisbonne
Les mille feux de ton port
Semblent danser sur des guitares d'or
Le soir, quand tout s'endort

En évoquant mon enfance
J'entends encore les romances
Les rythmes légers du fado
Les guitares et les danses
Et je revois ma chapelle
Avec son clocher de fines dentelles

Lisbonne
Comme une étoile d'amour
Ton souvenir, dans mes lointains séjours
Me guidera toujours

Lisbonne
Je te confie mon passé
On ne peut pas changer sa destinée
Et je dois te quitter

Adieu, Lisbonne
Adieu, pays de mon bonheur

Letra (espanhol)

Lisboa antigua reposa
llena de encanto y belleza
que fuiste hermosa al sonreir
y al vestir tan airosa!
El velo de la nostalgia
cubrirà tu rostro
de linda princesa.
No volveràs
Lisboa antigua y senorial

a ser morada feudal
a tu esplendor real.
Las fiestas y los lùcidos saraos
y serenatas al amanecer
ya nunca volveràn

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

“Les Lavandiéres du Portugal” de Roger Lucchesi e André Popp (1955)


André Popp foi um famoso compositor francês, tendo participado no Grande Prémio do Disco de Baion de 1955 com o tema “Les Lavandières du Portugal”, com letra de Roger Lucchesi.

"Les Lavandières du Portugal" foi incluido na banda sonora do filme "Mademoiselle de Paris".


O tema foi gravado por diversos cantores como Jacqueline François, Yvette Giraud, Luis Mariano, Suzy Delair e Miguel Amador.


“Lavadeiras de Portugal” no Brasil

O tema foi igualmente interpretado por artistas brasileiros, em estilo fox/baião, como Gilda de Barros (em 1956) e Astrud Gilberto (em 1966), sendo a adaptação da letra da autoria de Joubert de Carvalho.


“Portuguese washerwomen”

Joe ‘Fingers’ Carr (de seu verdadeiro nome Lou Busch) gravou, em 1956, “Portuguese washerwomen”, a versão instrumental de “Les Lavandiéres du Portugal”, que obteve um grande sucesso em diversos países, nomeadamente Austrália (nº 1 durante 3 semanas em Agosto de 1956) e Reino Únido (Top 20 em Junho de 1956).

http://australianplastic.blogspot.com/2005/07/portuguese-washerwomen-joe-fingers.html



“Lavanderas de Portugal” em Espanha

Letra em castelhano de Mayer Acevedo.

Existem versões de Marisol, Lolita Garrido, Oscar Aleman, Elsa Marval, ...


Letra

Connaissez-vous des lavandières, comme il y en a au Portugal
Surtout celles de la rivière de la ville de Setubal
Ce n'est vraiment pas des lavoirs, où elles lavent mais des volières
Il faut les entendre et les voir, rythmer leurs chants de leurs battoirs

Tant qu'y'aura du linge à laver
On boira de la manzanilla
Tant qu'y'aura du linge à laver
Des hommes on pourra se passer
Et tape et tape et tape avec ton battoir
Et tape et tape tu dormiras mieux ce soir
Et tape ! et tape ! et tape sur ton battoir !
Et tape, et tape, et tape, tu dormiras mieux ce soir !

Videos: Yvette Giraud, The Baja Marimba Band

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