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domingo, 15 de abril de 2018

O sucesso internacional de Madalena Iglésias (1959-1972)


Madalena Iglésias nasceu a 24 de outubro de 1939 na freguesia de Santa Catarina, em Lisboa, filha de mãe espanhola (oriunda de Pontevedra na Galiza) e pai português. No ano de 1954 estreia-se em simultâneo na televisão e na Emissora Nacional.

O seu primeiro contrato internacional foi assinado em 1959, tendo actuado em Espanha  no Cabalgata de Fin de Semana, um conhecido programa de Bobby Deglan na Rádio Voz de Madrid. Foram dez espectáculos, tendo participado igualmente em três espectáculos na televisão espanhola (RTVE). E em 1960 foi contratada pela Rádio Barcelona onde actuou ao lado de Jacqueline François e de Tony Dallara.


Vai pela primeira vez a França em 1960 e actua na televisão francesa no programa do cantor Charles Trenet e no programa "Paris Club" apresentado pelo cantor Luís Mariano. Actua igualmente no Marcadet Place e festeja os 21 anos em Paris. E teve direito a fotografia e três colunas no conhecido jornal francês Le Figaro. Voltaria mais tarde à Rádio Televisão Francesa para o programa "Paris de Nuit".

Mas o seu maior sucesso foi na Venezuela, onde actuou sucessivamente entre 1961 e 1972. A primeira actuação que ali realizou em 1961, valeu-lhe um êxito estrondoso e um contrato excelente: 48 actuações. Na Rádio de Caracas actuou em 15 espectáculos incluídos no “show” de Vitor Saume. Outros quinze na “boite” Pasaponga. Dez no “Coney Island” (espectáculos de 1h30 min cada) e mais quatro no Centro Português e no Centro Amigos da Madeira. E ao regressar a Portugal, depois de uma ausência de vários meses, Madalena Iglésias trazia consigo um alto galardão: o “Bolivar de Ouro”.



Em 1962 representou Portugal no Festival de Benidorm, a convite da nossa Emissora Nacional , e voltou à Venezuela, onde não ficou só pelos “shows” de Vitor Saume (actuações de 15 minutos no "El Show de las Doce") e Aldemaro Romero (actuações de 1 hora). Não actuou apenas nas “boîtes” Miranda e Pasapoga. Não ouviu apenas os aplausos do Centro Português. Em digressão pelo Interior, Madalena Iglésias levou o seu nome e a canção nacional a Maracay, Barquisimeto, La Guaira e Valência. E obtém diversos prémios, entre os quais: “18 Caciques de Ouro”, em 1962, e  “Guaicaipuro de Ouro" e 2º "Bolivar de Ouro" em 1963.


Conquistada definitivamente a Venezuela, Madalena iria nos anos seguintes ao Brasil, Colômbia e Panamá. No Rio de Janeiro, em S. Paulo, Belo Horizonte, Recife, Belém do Pará, nos “shows” de Cassio Moniz,  Ronald Golias, Noite de Gala, Elizeth Cardoso, Hebe Camargo (na TV Tupi, onde se cruzou com o cantor português Tristão da Silva), Luís Jatobá, César de Alencar (TV Rio) e Noite Social (na TV Marajoará do Pará). E ainda no programa "Portugal em sua casa" da Rádio Metropolitana e programa "Caravela da Saudade" de Alberto Maria Andrade no canal 2 da TV Cultura.

Obtém o prémio de melhor artista do ano em Belém do Pará (Troféu Carajá e Troféu Imperador, ambos da TV Marajoará) e a “Rosa de Ouro” conquistada no Rio de Janeiro, indo receber em 1963 o prémio atribuído pela TV Continental (Canal 9).



Na Colômbia actua na Rádio TV Caracol, no Grill "La Bamba" e "Boite" "Ás de Copas".

E no Panamá actua no Club Portobelo, num contrato inicial de 7 dias que se prolongará por 3 semanas, e é convidada do Canal 2 e do Canal 4 (no show de Blanquita Amaro). .

Festival de Aranda do Douro

Em 1964 participa no Festival de Aranda del Duero, alcançando o 1º lugar com o tema "Sonha" da autoria de Carlos Canelhas. Este festival era uma extensão do  Festival de Benidorm.

Os promotores deste festival lembraram-se de fazer um concurso luso-castelhano, com canções em ambos os idiomas tendo como justificação o facto de Aranda se situar no Alto Douro espanhol (na Província de Burgos) e o rio atravessar ambos os países.

Visita Angola e Moçambique no ano de 1964, actuando em Moçambique com o Conjunto de Renato SiIva.


E numa co-produção entre RTP e BBC são gravados em Lisboa 13 programas de variedades "Noite de Estrelas" com participação do maestro Edmund Ross.


O ano de 1966 foi um dos mais importantes da carreira da Madalena Iglésias. Vence o Festival RTP da Canção com "Ele e Ela", novamente da autoria de Carlos Canelhas, que alcançou o 13º lugar no Festival da Eurovisão que se realizou no Luxemburgo.

A versão em espanhol, "El y Ella", é editada em Espanha, França e Holanda e é igualmente regravada pela jovem cantora espanhola Marichela.


E nesse mesmo ano é convidada para participar no III Festival de la Canción de Mallorca, em Palma de Maiorca. Neste festival participaram muitos artistas de prestigio internacional como Alberto Cortez, Marty Cossens, Nicola di Bari, Tony Dallara e Massiel, entre outros, num total de 26 canções.


Neste certame Madalena Iglésias representou Espanha com o tema "Vuelo 502" da autoria de Morell e Ceratto, acompanhada por Los 4 de la Torre, que conquistou o prémio Instituto de Cultura Hispânica para a melhor canção hispano-americana e foi editado num EP pela editora Belter.

Los De La Torre eram um grupo de Barcelona que chegou a ser formado por quatro irmãos de apelido De La Torre (inicialmente eram conhecidos como Los 4 de la Torre). O seu maior sucesso foi "Vuelo 502" que ficou em segundo lugar do Festival de Maiorca, mas teve tanto êxito que quase "eclipsou" o tema vencedor do certame.

Actores a fazer playback no programa "Escala em Hi FI"

Ainda em 1966 actua no Festival da Canção do Mediterrâneo, em representação da Espanha, com o tema "Septiembre", tendo-se classificado em 2º lugar.

Em 1967 efectua vários espectáculos no Canadá, com produção de Johnny Lombardi (nomeadamente com a participação do grande cantor italiano Domenico Modugno), e Estados Unidos da América (em cidades como San Diego, San Francisco, Nova Iorque, Newark ou Boston. Em Danbuty actua com António Calvário).

São editados vários temas, orquestrados por Adolfo Ventas, em 1968, através da editora Belter, para promoção internacional da cantora.


Em 1968 foi a cantora portuguesa presente na primeira edição das Olimpíadas da Canção da Grécia.

Eram 32 participantes oriundos de 17 países. Madalena Iglésias concorreu com o tema "Tu vais voltar", com letra de Francisco Nicholson e música de Jorge Costa Pinto, que se classificou em 4º lugar, obtendo igualmente uma Medalha de Prata.


Madalena Iglésias foi igualmente a representante portuguesa no III Festival Internacional da Canção Popular do Rio de Janeiro de 1968, com o tema "Poema da Vida" com letra de António José e música de Joaquim Luiz Gomes, tendo-lhe sido atribuído uma Menção de Simpatia.

Em 1969 retorna ao Brasil, actuando na TV Tupi  (São Paulo), TV Brasília, TV Record (São Paulo), TV Excelsior (Rio de Janeiro), TV Globo (Rio de Janeiro) e TV Belo Horizonte).

Em 1970 participa no Festival Internacional de Split na então Jugoslávia, tendo interpretado  duas canções, um original, "Mar Solidão", com poema de Vasco de Lima Couto e música de Jorge Costa Pinto, e uma versão de uma canção jugoslava.

Editou LPs no Brasil, México e Venezuela

Em 1971 é convidada a participar no I Festival Mundial de Onda Nueva, em Caracas, Venezuela, com o tema "Para falar de esperança", com letra de Francisco Nicholson e música de  Jorge Costa Pinto (música).

E participa igualmente no Festival de la Canción del Atlantico, pela terceira vez em representação de Espanha. Este festival teve lugar em Puerto de la Santa Cruz em Tenerife num evento em que Madalena representou o país vizinho a convite de Augusto Algueró (pai) defendendo o tema "No puedo renunciar" com letra de Cholo Baltasar.

Actuação na Radio Caracas TV (Foto de Carias Sisco/Arq.MLde Carvalho)

Casou-se em 1972, abandonou a carreira artística e foi viver para a Venezuela onde chegou a ter um programa na televisão na Radio Caracas Television (RCTV).

Grávida de oito meses, ainda fez um programa no Canal 4 da televisão venezuelana mas deixou de actuar até os seus filhos terem cinco anos de idade. Depois, voltou a actuar esporadicamente na televisão venezuelana, mas já seria tarde para retomar a carreira.


A sua biógrafa, Maria de Lourdes de Carvalho afirmou recentemente, em declarações à agência Lusa, que a intérprete de "Ele e Ela" protagonizou "umas das mais interessantes carreiras da música portuguesa, que se afirmou não só cá, como internacionalmente, apesar das suas actuações além-fronteiras serem pouco conhecidas dos portugueses".

A pretexto do eventual apoio por parte do Estado Novo, Madalena Iglésias referiu: "Nunca tive ajuda de nenhum meio do Governo. Trabalhei na televisão porque não havia outro sítio. Não fiz nenhum espectáculo em que o SNI (Serviço Nacional de Informação) me tivesse apoiado. A carreira no exterior devo-a aos espanhóis, e lamento muito que isso choque o nosso patriotismo".

Outras curiosidades: Tinha um agente para a América Latina (Sr. José Rodriguez da Hispaven). Agentes em Espanha: Agência de Emílio Santamaria e Agência Internacional Francisco Bermudez. A sua editora, desde 1966, era a editora catalã Belter (uma das duas editoras que apostava na gravação de artistas portugueses, a outra era a madrilena Marfer).

Fontes/Mais informações: Fotobiografia (Maria Lourdes de Carvalho) / Revista Flama (em Blog Largo dos Correios) / wikipedia / facebook  / Blog dos Festivais da Canção (Aranda do Douro)(Maiorca)(Mediterrâneo)(Grécia) (Rio Janeiro)(Split)(Onda Nueva) / Macua / DN / RTP / "Vuelo 502" (actores fazendo playback no programa Escala en Hi Fi) / Revista Juvenil Serenata / Sobre o Festival de Aranda do Douro








sábado, 10 de agosto de 2013

O sucesso internacional do Duo Ouro Negro


Houve um tempo, um tempo breve, em que pareceu que a música popular portuguesa podia ser assim: uma coisa intercontinental, afro-europeia e euro-africana, que pregava um estilo de vida dominado pela elegância e a alegria; atenta às mudanças do mundo e a cada uma das novas tendências internacionais.

Sendo originalmente um trio, foi já como duo que Raul Indipwo e Milo MacMahon - então conhecidos ainda com os seus nomes lusitanos, Raul Aires Peres e Emílio Pereira – se tornaram conhecidos graças às suas espantosas harmonias vocais e a um domínio exímio da guitarra.


Após o êxito conseguido na capital angolana chegam a Lisboa em 1959 pela mão do empresário cinematográfico Ribeiro Belga e, apesar da concorrência em voga no mundo da canção, conquistam em absoluto o público com actuações no Cinema Roma e no Casino Estoril, gravam discos (inicialmente acompanhados pelo conjunto de Sivuca, depois pela orquestra de Joaquim Luís Gomes) e passam pelos écrãs da RTP (onde nessa época se actuava sempre em directo).

Começam a sua internacionalização com a actuação em países como a Suíça, França, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Espanha.


Seguindo a “onda” dos ritmos de dança como o twist, o madison, o surf e muitos outros, o Duo Ouro Negro lança o kwela, que rapidamente se transformou numa moda, sendo considerado o ritmo do Verão em 1965.

A nova moda pegou e, para a cena europeia, representava uma novidade encantadora. Paris rendeu-se ao kwela e a Europa também. Na verdade Kwela significa Flauta no dialecto Zulu, e não é mais do que um misto de twist, surf e uma dança de ritual africana.


Em 1966 actuaram nas galas de comemoração do IV Centenário do Principado do Mónaco  e em 1967 actuaram no Olympia, durante 3 semanas em Maio e 3 semanas em Outubro.

Foram convidados a actuar no II Festival de música popular do Rio de Janeiro, onde acabaram em 8º lugar na fase internacional com o tema "Kubatokuê Mulata" (que foi igualmente regravado por Dino Meira, que na altura estava emigrado no Brasil).


E foram uma das atracções internacionais convidadas a participar no "Rendez-vous avec Danny Kaye", um espectáculo de comemoração do XX aniversário da UNICEF, transmitido em directo do Alhambra, em Paris, para 200 milhões de espectadores.

Não haverão muitos grupos hoje em dia que se orgulhem de poder editar os seus discos em tão longínquas paragens como o Raul e o Milo. Começou em 1965 em Paris com o Kwela, e não mais parou: Estados Unidos da América, Brasil, Colômbia, Argentina, Espanha, Alemanha, Israel, Angola, Moçambique, África do Sul, Japão... Tantos, tantos países.


Mas o ano de 1969 marcou particularmente o Duo, gravam em Buenos Aires para a Odeon, acompanhados pela orquestra de Jorge Leone, "Latino",  um LP que marcaria a música de então, que inclui temas como "El Fuego Compartido", "Quando Cheguei ao Brasil" e "Muamba, Banana e Cola".

Fontes/Mais informações: Os Reis do Yé-Yé / Ratosreturn / Guedelhudos (1) (2) / Angola BelaBlog Duo Ouro Negro / Rubellus Petrinus / Enciclopédia da Música Ligeira sob direcção de Luís Pinheiro de Almeida e João Pinheiro de Almeida

Versão de Dino Meira (1968)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Maria de Medeiros, uma cidadã do mundo


Maria de Medeiros, filha do maestro Victorino D’Almeida, nasceu em Lisoa, mas passou a infância   em Viena, onde o pai era adido cultural, e mais tarde estudou em Paris, herdando uma multiculturalidade que faz dela uma cidadã do Mundo.

Iniciou a sua filmografia, em Portugal, com a longa-metragem “Silvestre” de João César Monteiro (1982), tendo consolidado a sua actividade com duas películas americanas: “Henry e June” (1990), de Philip Kaufman, onde contracena com Fred Ward e Uma Thurman e “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino (1994), onde actua ao lado de Bruce Willis, John Travolta e Samuel L. Jackson.

Trabalha igualmente com realizadores franceses, espanhóis, ingleses, canadianos, italianos, alemães, austríacos, japoneses, brasileiros, ...


França

Filma em França com realizadores como Chantal Ackerman, Christine Laurent, Suzanne Schiffman, Jean-Charles Tacchella, Serge Moati, Didier Le Pêcheur, Bernard Rapp, Christian de Challonges, Gérard Pullicino, John Lvoff, Patrick Braoudé, Richard Berry, Jean-Pierre Améris.

Mais recentemente actuou em fimes como "Poulet aux prunes", dos realizadores de "Persepolis",  Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi,  e "Ni à vendre ni à louer" de Pascal Rabaté.


Em França, é também intérprete de algumas séries e telefilmes, sob a direcção de realizadores como Joyce Buñuel, Robert Enrico ou Miguel Courtois, sendo uma das protagonistas da série “Vénus e Apolo” de Tonie Marshall para o canal Arte.



Brasil

Interpretou a actriz francesa Sarah Bernhardt no filme "O Xangô de Baker Street" (1999/2001) Miguel de Faria Jr., no qual contracenou com Joaquim de Almeida, e outra personagem francesa, Margherit, em "O Contador de Histórias", de Luis Villaça (2009). E realizou uma curta sobre São Paulo a pedido de Leon Cakoff.



Espanha

Está presente no cinema espanhol em filmes como “Huevos de Oro” de Bigas Luna, “O detective e a morte” de Gonzalo Suarez ou “Airbag” de Juanma Bajo Ulloa.



Participou igualmente na série espanhola "Cuéntame" (original da série "Conta-me como foi" que passou na RTP) no episódio "Lisboa era una fiesta", que decorre no período do 25 de Abril de 1974.



Video:  Youtube

Itália


"Cada filme é diferente e um caso particular. Em Itália, fico sempre surpreendida que me escolham, porque o meu italiano está longe de ser perfeito. Não vivo aqui, mas foi aqui que tive oportunidade de fazer alguns dos filmes mais bonitos da minha carreira. O primeiro foi certamente 'Il Resto di Niente', de Antonietta de Lillo, em 2003, também um filme de temática política sobre a revolução de Nápoles, que se deu dez anos depois da Revolução Francesa, em 1799. Interpretei o papel da portuguesa Leonor Pimentel. (...) é um filme importante, mas curiosamente não foi comprado para exibição comercial no nosso país".

Actuou igualmente nos filmes "Marlene de Sousa" Tonino de Bernadi (2004) e "Riparo" de Marco Simone Puccioni (2007).



E.U.A.

Nos Estados Unidos, Maria protagoniza grandes produções como “Henry & June”, de Philip Kaufman ou “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino, mas também representa em filmes independentes.


 "Henry & June" (1990)

“Mas de que planeta veio você ?” , perguntou o realizador Philip Kaufman impressionado com a beleza, a calma, a sensualidade, a pureza e a perversidade desta actriz que só conhecia Anais Nin superficialmente antes de atropelar uma legião de candidatas ao papel.

A crítica lusa foi feroz, acusou o filme (que retrata a transgressora relação entre os escritores Henry Miller e Anais Nin que ocorreu em Paris entre 1931 e 1932) de erótico-chique e de melodramático (…)

Maria, com sua expressão ambígua, faz homenagem à sua origem num único momento do filme em que cita, com muita classe, para Miller, um ditado chulo de marinheiros, em português.



“Pulp Fiction” (1994)

Maria de Medeiros conheceu Tarantino num pequeno festival de cinema de autor em Avignon, França. Ele estava lá com o primeiro filme, “Reservoir Dogs” (“Cães Danados”). Voltou a encontrá-lo na Mostra de São Paulo - um festival muito maior, verdadeiro paraíso dos cinéfilos - e um dia ele enviou-lhe o guião do "Pulp Fiction".

Quando leu pensou logo: "Isto é genial, não se parece com nada." Só não podia imaginar o êxito que o filme viria a ter, porque era tão atrevido, tão filme de autor... Com uma coisa completamente fora das normas ele provou que era possível encontrar um público gigantesco.

Ele interessou-se pela actriz porque tinha visto o "Henry & June" (1990). Aliás, foi a partir desse filme que ele recrutou Maria de Medeiros e Uma Thurman. Maria de Medeiros intrepreta o papel de Fabienne, a namorada francesa de Butch Coolidge (Bruce Willis).


Música 

Maria cantou várias vezes ao longo da sua carreira de actriz em peças de teatro ou filmes, nomeadamente sob a direcção de Jérôme Savary na criação de Zazou no teatro nacional de Chaillot e mais recentemente no filme de Guy Maddin “The saddest music in the world”.

Editou dois discos: "A Little More Blue" (2007)  e "Penínsulas e Continentes" (2010).



Participou igualmente nos projectos "Rendez-vous Chez Nino Rota" (2008), CD+DVD do italiano Mauro Gioia, no qual colaboraram Adriana Calcanhotto, Martirio, Ute Lemper, Catherine Ringer, Susana Rinaldi e Sharleen Spiteri, e em "Señora (ellas cantan a Serrat)" (2009).

No disco homenagem a Nino Rota, Maria interpreta "La pappa col pomodoro", enquanto que no disco "Señora (ellas cantan a Serrat)" interpreta "Nanas de la cebolla".


Actuou igualmente no programa "Acoustique" da TV5




Prémios internacionais

•    1990 : Prémio Gérard Philipe
•    1994 : Coppa Volpi - Melhor actriz no Festival de Veneza no filme português "Três irmãos"
•    1994 : Jaguar de Oro do Festival de Filme de Cancún, México. Melhor actriz no filme "Três irmãos"
•    1996 : Prémio de carreira Phare Europe (Espanha). Alfaz del Pi.
•    1996 : Nomeação para o prémio "Génie" de melhor actriz secundária pelo filme "Le Polygraphe"
•    2000 : Grande Prémio do Festival International de São Paulo (Brasil) com o seu filme "Capitães de Abril"
•    2000 : Prémio do Público do Festival CINESSONNE com o seu filme "Capitães de Abril"
•    2000 : Prémio do Público do Festival d'Arcachon  com o seu filme "Capitães de Abril"l
•    2002 : Melhor actriz na  "Mostra Internazionale del Film di Fantascienza e del Fantastico", em Roma (Itália), pelo filme "Stranded" de Luna Ibañez (Espanha)
•    2005 : Prémios Flaiano e  Rodolpho Valentino para melhor intérprete feminina no filme "Il Resto di Niente" de Antonietta de Lillo
•    2010 :  Prémio de Carreira no Festival Ibérico de Badajoz, Espanha.

Fontes/Mais informações:  Wikipedia / Finanzalarm I online  / João César Monteiro no sapo / site oficial / Jornal do Brasil / Pipoca Moderna (Brasil) / Via dei Portoghesi (Itália) / Listal

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Editora portuguesa Clean Feed destaca-se no universo do ‘jazz’

A editora portuguesa Clean Feed é reconhecida internacionalmente pelas principais publicações da especialidade (Downbeat, AllAboutJazz) e pelos melhores críticos mundiais (Associação de Jornalistas de Jazz dos EUA) como uma das melhores editoras de Jazz do mundo.

A Clean Feed nasceu em 2001 pelas mãos de uma equipa com experiência na indústria discográfica, entre os quais Pedro Costa, ex-coordenador das secções de jazz das lojas Valentim de Carvalho e da secção de música da FNAC. Em dez anos de existência editaram cerca de 225 discos de ‘jazz’ e “música de improviso”, dos quais cerca de 50 são da autoria de artistas portugueses, um número que um dos fundadores da editora, Pedro Costa, considera ser “muito bom”.


Anualmente, a Clean Feed vende uma média de 15 mil discos, dos quais a maior parte é exportada. “O nosso maior mercado é os Estados Unidos da América (EUA)”, indica.

Contudo, a distribuição dos discos lançados pela editora chega também a outros países, como o Japão, Canadá, Alemanha, França, Rússia, Reino Unido, Espanha, Israel, China, Suíça e Noruega. As vendas são feitas em loja, através dos distribuidores locais. O mercado digital é ainda outra das apostas.


Desde 2006, a Clean Feed realiza um festival de ‘jazz’ em Nova Iorque, nos EUA. O investimento neste tipo de iniciativas ronda os seis mil euros e o retorno “compensa”. “Permite fazer promoção e divulgar a editora, para além de, uma vez por ano, estarmos próximos dos nossos artistas”, afirma.

O que faz, então, despertar o interesse pelo ‘jazz’ produzido em Portugal, independentemente da nacionalidade dos seus intérpretes? “Tudo reside na música e nos discos que editamos. Temos o cuidado com as capas, grafismo utilizado, qualidade das gravações, informação incluída no álbum e até a própria embalagem”.

Fontes: Expressões Lusitanas / música.sapo / Clean Feed

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Sucesso de Francisco José no Brasil

Francisco José Galopim de Carvalho partiu à descoberta do Brasil em 1954, mercado então muito aberto aos artistas portugueses, mas nem ele imaginava que acabaria por se fixar definitivamente no "país irmão", deixando para trás a carreira de sucesso feita em Portugal.

Até 1960 actuará essencialmente para a comunidade portuguesa radicada no Brasil, e só em 1961 conseguirá aí gravar – para a Editora Sinter Phillips - um primeiro disco: uma nova versão de "Olhos Castanhos".

Apos muitas actuações na TV Continental (Canal 9), TV Tupi e TV Rio, Francisco José encontra finalmente o seu público. E o seu programa no antigo canal 9 [programa aos sábados, em horário nobre] abre-lhe o caminho definitivo da popularidade.


E quando a Phillips lançou o LP "A Figura de Francisco José" parece que o público do Brasil inteiro se levantou para aplaudi-lo. Em poucos dias, no Rio de Janeiro, liderava absoluto as listas de sucessos musicais.

O seu maior sucesso, "Olhos Castanhos", vendeu cerca de 1 milhão de cópias, tornando-se a canção mais popular no Brasil durante o ano de 1964.

Em pouco tempo, Francisco José tornar-se-á numa vedeta no Brasil e no artista português mais popular de sempre naquele país, onde residirá quase ininterruptamente até aos anos oitenta.

Fontes/Mais informações: fcorreiajunior.sites.uol.com.br / Memória da MPB / Cabesound2008 / "Instituto Camões" / Tese de Alberto Boscarino Junior 

TV Continental

"Em 1960, a Continental viveu o auge de sua popularidade através do programa "Figura de Francisco José", com o cantor português, que tornou-se líder absoluto de audiência, indo ao ar aos sábados a noite."

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Tomaz Alcaide, cantor de ópera de renome internacional

Tomaz Alcaide, alentejano de Estremoz nascido no início do século, teve o arrebatamento de se lançar numa carreira internacional, ainda jovem, numa ascensão meteórica que o levou aos principais teatros de ópera da Europa.(...)

Em 1925, com 24 anos, resolve ir para Itália para se aperfeiçoar no canto (com pouquíssimo dinheiro, sem uma carta de recomendação e nenhum bilhete de apresentação).

Em Milão tem a sorte de encontrar um professor, o maestro Fernando Ferrara, de quem ficará grande amigo para sempre. Numa semana começa as aulas de voz, pouco tempo depois arranja um agente teatral, passados oito meses estreia-se no Teatro Carcano de Milão, participando em seis actuações da ópera «Mignon», de Ambroise Thomas, e recebendo críticas extremamente favorável na imprensa milanesa.

Durante os anos que se seguem, através do seu agente, Alcaide foi arranjando contratos para cantar em teatros de ópera em Itália, na Suíça, na Alemanha, nos Estados Unidos.

E nesta tarimba foi aperfeiçoando alguns dos papéis fundamentais no seu repertório: Duque de Mântua («Rigolleto»/Verdi), Rodolfo(«La Bohéme»/Donizetti), Conde de Almaviva («Barbeiro de Sevilha»/Rossini), Cavaleiro Des Grieux («Manon»/Massenet), Doutor Fausto («Fausto»/Gounot), Werther («Werther»/Bizet).

Os anos 30 foram a década de ouro da carreira de Tomaz Alcaide. Cinco anos depois de chegar a Itália, assina um contrato para uma temporada do Teatro Real de Ópera de Roma e meses mais tarde é disputado pelo Scalla de Milão, que o quer ter no elenco da ópera. É o sonho que se materializa, definitivamente [em Março de 1930], na consagração do artista. (...)

Entretanto, o tenor famoso é constantemente requisitado. Já nem tem tempo para todos os contratos que lhe oferecem. Viaja muito. Participa nos grandes festivais (Salzburgo, por exemplo), canta nas Óperas de Viena, de Zurique, de Paris. Pertence à elite dos cantores e cruza-se com os maiores do seu tempo.

Em Bérgamo (Itália), em três óperas com os maiores cantores mundiais nos respectivos papéis, consideram-no o melhor intérprete de Fausto do mundo. Passa uma temporada na Finlândia, outra em Bruxelas e mais outra em Monte-Carlo.

Com a partida para a América do carismático maestro Arturo Toscanini, o Scalla de Milão entra num período de crise. Alcaide julga não ser considerado como merece na nova distribuição de papéis de mais uma temporada. Num impulso de desgaste parte para Bordéus. Instala-se num palacete e permanece quase um ano no Grand Théatre. Mais tarde, terá um desabafo considerando esta atitude o primeiro passo em falso na sua carreira: «Nunca deveria ter abandonado o meu lugar de primeiro tenor do Scala».

Durante os anos em que esteve afastado de Itália, o país mudou. Quando tenta regressar, no final do anos 30, é impossibilitado de poder cantar em Itália por ser estrangeiro. A solução que lhe propõem é que mude de nacionalidade. Impensável. Nasceu português, morrerá português. Durante um período de oito meses instala-se em Bruxelas com um contrato do Teatro de la Monnaie. Alcaide vive ainda uma época farta em convites e participações para inúmeras óperas.

Em 1939, encontra-se em Portugal para terminar o episódio do processo em tribunal e resolve permanecer durante um período breve em Cascais, para fazer umas férias. Em vésperas de partir, subitamente, o destino troca-lhe de novo as voltas: Hitler tinha acabado de invadir a Polónia. A Europa estava à beira da guerra. Tomaz Alcaide tinha 38 anos. E assim, abruptamente, terminara a sua carreira de grande cantor.

Fontes: Ana Soromenho (adaptado) / Facebook

Tomás de Alcaide foi reconhecido pela insuspeita His Master’s Voice (HMV) como o maior tenor ligeiro do mundo.

Mais informaçoes: "Tomaz Alcaide 1901-1967" de Mario Moreau / Opera per tutti