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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
“House Under Water” (1963) de Len Deighton
“Horse Under Water” (1963) foi o segundo livro de espionagem de Len Deighton protagonizado por um espião anónimo (identificado como Harry Palmer nas adaptações ao cinema), sendo curiosamente o único dos livros que não foi adaptado ao cinema. Foi planeada uma adaptação ao cinema em 1968, mas foi abandonada após o fracasso do filme “Billion Dollar Brain”.
A maior parte da acção decorre numa pequena vila piscatória portuguesa, em 1960, em pleno período do Estado Novo. O enredo centra-se nos despojos de um submarino afundado nos últimos dias da segunda guerra mundial. Inicialmente os despojos eram moeda falsa que poderia servir para financiar uma revolução em Portugal. Depois aborda-se o tráfico de heroína (o “Horse” do título). Mas o verdadeiro objectivo é encontrar a “Weiss list”, uma lista de britânicos dispostos a apoiar o Terceiro Reich a formar um governo britânico manipulado pelos nazis.
“Missão Secreta em Portugal” (edição brasileira de 1968)
É suspense do começo ao fim da leitura. Numa fabulosa trama internacional. O autor maneja com perícia os seus instrumentos de ficcionista, não dando ao leitor a menor oportunidade de abandonar o volume antes de chegar ao fim.
Quantos segredos os nazis terão deixado boiando no mar, usando bóias como esconderijos, na esperança de, mais tarde, com uma reviravolta da guerra, recuperá-los? Em torno desse fato, o serviço secreto inglês tece uma rede de aventuras. As revelações vão sendo feitas pouco a pouco. Dizer mais é privar o leitor de descobrir por si mesmo o rumo desse enredo.
Não deixe de apreciar, é envolvente. Até onde foi a imaginação do escritor, o que realmente é verdade? Só lendo ...
Curiosidade
Len Deighton, e a sua esposa Ysabele repartiam o seu tempo entre as suas casas em Portugal e Guernsey (Reino Unido).
Fontes: wikipedia / divevision / kirjasto / goodreads
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Lisboa como centro privilegiado de espionagem
A fama de Lisboa como centro privilegiado de espionagem durante a segunda guerra mundial alimentou muitas mentes de escritores.
Um deles foi Graham Greene. Durante este período, encontrava-se de serviço em Lisboa, responsável por detectar casos de espionagem ou de agentes duplos na intricada teia que existia nessa altura.
Depois da guerra, utilizou essa experiência para escrever um romance de grande sucesso. Simplesmente, para o tornar mais apelativo, alterou o cenário de Lisboa para Havana. “O Nosso Agente em Havana” (1958) passa-se na ilha de Fidel Castro, mas tem um inconfundível cheiro a Portugal.
O protagonista Wormold foi inspirado em Paul Fidrmuc (conhecido por "Ostro") e Juan Pujol Garcia, ou "Garbo" (como ficou famoso), ambos espiões a actuarem em Lisboa no período de 1943-44.
Greene começou a escrever o livro em 1946 (o que inicialmente seria um argumento para um filme), localizando a acção na Estónia em 1938. Mas já na década de 50, optou por situar o livro em Havana, em plena guerra fria.
Foi mais ou menos a mesma situação que se passou com Ian Fleming. Depois de uma ida ao Casino Estoril, em que o britânico se cruzou com dois espiões alemães, surgiu a ideia de uma personagem ligada ao mundo da espionagem. Juntou-se o Casino à receita e nascia “Casino Royale” a primeira aventura do mítico James Bond, nome de código 007, licença para matar.
O título refere-se a um casino situado em França, na cidade fictícia de Royale les eaux. Mas na adaptação ao cinema localizaram o casino na antiga república jugoslava da Macedónia.
Fontes: Filipe d’Avillez, Revista “Os Meus Livros” (adaptado) / Paul Buck ("Lisbon - a Cultural and Literary Companion") / wikipedia / Sophie Edgerton
Curiosidade
Existe uma referência a "Avril au Portugal" (que foi publicado no período pós-guerra) no livro "Diamonds are Forever" de Ian Fleming.
Fonte: CommanderBond.net
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
Passagem por Lisboa em "As Últimas 36 Horas" de George Seaton (1965)

"36 Hours" é um filme norte-americano realizado por George Seaton, com argumento adaptado de um conto de Roald Dahl, que foi parcialmente rodado em Lisboa.
Sinopse
O major Pike (James Garner) é enviado à Lisboa para se encontrar com um espião alemão e descobrir o que ele sabe sobre o Dia D, alguns dias antes do previsto para o desembarque.
O major conhece todos os detalhes da operação e quer conferir se os alemães sabem de alguma coisa. Mas Pike é raptado e enviado drogado à Alemanha, onde os nazis montam uma sofisticada base, simulada como um hospital norte-americano.
Ao acordar, com os cabelos pintados de grisalho, os nazis convencem Pike de que ele está em 1950, e que não se lembra dos últimos seis anos por estar a sofrer de amnésia. Pensando que a guerra já tinha acabado, Pike não guarda mais segredo da operação. E revela aos nazis disfarçados que o desembarque do Dia D será na Normandia.
Mas os seus raptores descuidam-se e dão, assim, a oportunidade a Pike de corrigir o seu erro.
Imagens do filme disponibilizadas no Youtube por C4pt0m3nt3 ("Cristiano Ronaldo, Vinho e Vasco da Gama"
Lisbon Cha Cha

A banda sonora, da autoria do famoso compositor Dimitri Tiomkin, inclui os temas "Ticket to Lisbon / Lady in Black" e "Lisbon Cha Cha".
Fontes: wikipedia / Imdb / Notrecinema
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
Jogo de espiões em "Tempestade em Lisboa" de George Sherman (1944)
Ponto nevrálgico de rotas marítimas e aéreas, Lisboa reforçou a sua posição no “mapa-mundo norte americano” a partir do momento em que na grande produção "Casablanca" (1942) de Michael Curtiz, a cidade constitui o destino onde muitos desejavam chegar desesperadamente."Storm over Lisbon” pode ser lido como uma continuação de "Casablanca", porque o espectador é levado finalmente à cidade à qual a maioria dos refugiados de Casablanca desejam chegar.
Uma cidade que é de novo um ninho de várias proles de espiões aliados e do Eixo, estabelecidos no entanto de forma menos improvisada. O bar Rick’s de Rick Blaine.(Humphrey Bogart) é substituído pelo casino de Deresco’s de Deresco (Eric von Stroheim), um escroque que vende pelo melhor preço informações de qualquer espécie que interesse a qualquer serviço secreto. Em "Casablanca" o herói é o dono de um "night club". Em Lisboa, o casino pertence ao vilão.

De novo, conseguir um bilhete de avião desta vez para Nova Iorque, é o destino mais ambicionado por qualquer refugiado europeu e o móbil dos crimes e dos jogos de interesse.
Em Casablanca, Victor Lazlo, importante líder da resistência checa, procurava obter “letters of transit” para poder voar para Lisboa.Em “Storm over Lisbon”, a dançarina checoslovaca Maritza (interpretada por Vera Ralston) também faz tudo para conseguir um bilhete para o “clipper” que parte de Lisboa para Nova Iorque.
O circuito de evasão europeu, segundo Hollywood, estava completo.

Sinopse
Deresco (Erich Von Stroheim) é proprietário de um casino em Lisboa. Apesar de Portugal ser um pais neutral, ele actua como espião free-lancer para quem lhe pagar o seu preço.
O escritório de Deresco está situado no alto de uma torre-prisão que comunica com o casino por um elevador digno de um arranha-céus de Nova Iorque donde são lançados os corpos dos espiões mais incómodos.
Deresco tenta impedir, com a ajuda da dançarina checa Maritza (Vera Ralston), que o jornalista americano John Craig (Richard Arlen) saia de Portugal com um microfilme secreto sobre as actividades japonesas na Birmânia.

Bill Flanagan (Robert Livingston), um piloto americano e Craig (Richard Arlen) são salvos por Maritza que se enamora do primeiro, depois de inúmeras aventuras.
Na verdade Maritza é um contra-agente enviado para desmascarar as actividades de Deresco.
Maritza dá a conhecer às autoridades portuguesas as actividades de Deresco, tendo o apoio do “Ministério da Justiça” nas suas actividades de contra-espionagem em favor dos Aliados.
No final, Bill e John embarcam num clipper para Nova Iorque e convidam Maritza para segui-los. Na última cena do filme, Maritza recusa a oferta para permanecer na Europa ao serviço da contraespionagem e desaparece lentamente ao som de uma música melancólica de cavaquinhos, em jeito de fado.
É criada assim uma visão norte-americana da Europa ocupada constituída por um labirinto de cidades pelas quais têm que passar os felizes eleitos que chegam aos EUA. Cidades onde, apesar de oficialmente neutrais, o perigo nazi é bem presente.
Imagens de PortugalÀ semelhança de “One Night in Lisbon”, Lisboa só é vista à luz do dia a partir de imagens retiradas de documentários da época que muito rapidamente oferecem algumas instântaneas da cidade.
Mais uma vez a Praça do Rossio, um detalhe de calçada à portuguesa e uma vista das grades da Praça Luis de Camões que com o seu desenho semelhante à Cruz de Cristo transmitem subliminarmente a impressão de que os protagonistas chegaram a uma cidade ibérica e católica.
Em tudo o que resta do filme, Lisboa é representada sempre à noite, o que terá ajudado certamente a limitar o budget do filme.

A acção desenrola-se em cinco lugares distintos da cidade: o Aeroporto Marítimo de Cabo Ruivo, o casino-torre de Deresco, o esconderijo subterrâneo de Craig, uma zona arborizada ao longo do Tejo e um bar típico.
Do alto da torre, Deresco explica ao espião Alexis Vandelyn antes de considerar matá-lo e lançá-lo ao rio Tejo, que dali é possível apreciar “one of the most exciting views of the world”.
No filme, duas americanas de meia idade que chegam ao casino do Estoril e exclamam: “It’s better than Montecarlo. Montecarlo never had a Deresco’s. Such a finesse!”.

A sala do casino e os cenários das coreografias das danças de Maritza não escapam a um gosto orientalizante, reminiscências da visão norte-americana de Portugal do século XIX e ao mesmo tempo da aproximação ao aspecto do Hotel do parque do Estoril da época.
O bar típico de Lisboa possui unicamente mesas com toalhas aos quadrados e o gerente, mais bem um taberneiro, tem colocado na cabeça um barrete parecido com os gorros típicos dos campinos do Ribatejo.
A todos estes elementos cenográficos é associado um elemento sonoro desconcertante pela sua ausência de relação com Lisboa. Um grupo de três rufias de bigode, lenço ao pescoço e boné, que não são mais do que agentes de segurança locais, passeia-se pelos bares. Tocam sempre, sem cantarem, o mesmo vira do Minho: “Meninas vamos ao vira!”. Uma canção oriunda de uma província bem distante mas que refere as “meninas de Lisboa”.

Recriação de Lisboa
Foi talvez para a recriação do primeiro lugar que os cenaristas da republic Pictures trabalharam mais detalhadamente. Na verdade, a ponte-embarcadouro e a fachada fluvial da estação são primorosamente imitadas.
Para esta reconstituição terá sido fundamental um documentário de actualidades da série "The March of Time" produzido em 1943 e hoje disponível no Steven Spielberg Movie and Film Archive destinado, entre outros objectivos, a dar conta da actividade da ligação da Pan American Airways em Lisboa.
A inspiração para a cenografia da torre do Deresco’s terá sido obtida a partir de outro documentário da série "The March of Time" hoje disponível no arquivo da HBO e provavelmente da interpretação livre a partir de postais ilustrados da Torre de São da Casa O’Neil (ou de Santa Marta) e do farol de Santa Marta em Cascais e mesmo da Torre de Belém.
Fontes: Dr. João Mascarenhas Mateus, “Uma Cidade de Espionagem Internacional. Lisboa segundo Hollywood” / Allmovie
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Lisboa como cidade de Espionagem Internacional em "Uma noite em Lisboa” de Edward H. Griffith (1941)
Com a posição de neutralidade de Portugal na Segunda Guerra Mundial, Lisboa ganhou uma nova imagem - a de cidade de espionagem internacional e de diplomacia mundial. As primeiras produções de Hollywood que usam Lisboa no seu título, apresentam a cidade com uma mistura de clichés tardo-orientalistas, de cosmopolitismo e de atraso próprio dos estereótipos associados ao mundo ibérico e ibero-americano.
É no entanto surpreendente o esforço aplicado na reconstituição de alguns espaços e edifícios da cidade e dos seus arredores. A imagem de cidade misteriosa, com caves de vinho e impregnada de música nostálgica marcará futuras produções cinematográficas internacionais sobre Lisboa e sobre Portugal.
Contexto“Uma noite em Lisboa” foi estreado em Maio de 1941 (sete meses antes da entrada dos Estados Unidos na Guerra), sendo o guião baseado na peça de teatro “There’s Always a Juliet” de John Van Druten.
Antes de ser adaptada a cinema, a obra tinha obtido já um grande sucesso no teatro no inicio da década de 30. O filme foi adaptado ao contexto bélico e propagandístico do momento, pelo que acabou por ter pouco a ver com a peça de teatro.
SinopseNo filme, a dinâmica da história leva os três protagonistas a Lisboa, onde Leonora Pettycote (Madeleine Carroll), motorista voluntária do ministro da guerra inglês deverá entregar uma mensagem ao embaixador britânico.
O comandante Peter Walmsley (John Loder) e o norte-americano Dwight Houston (interpretado por Fred MacMurray) acabam por a salvar de um rapto perpetrado pelos serviços secretos alemães que tentam capturar a mensagem.
O texto da missiva é também altamente simbólico:"Of all forms of caution, caution in love is the most fatal", numa alusão indirecta à importância que os E.U.A. deveriam dar à escolha dos seus aliados no caso de entrarem na Guerra.
Em linhas gerais o que se mantém na transferência do teatro para o cinema é o amor entre uma inglesa e um americano cosmopolita, as diferenças nas atitudes amorosas entre a púdica inglesa e o desinibido americano, simbolicamente a atracção de aliança entre a Grã-Bretanha e os EUA.

Recriação de Lisboa
Reconstruída em estúdio não tem nada que ver com a Lisboa real, mas transmite uma impressão simultaneamente idílica e quase tropical. Algumas ruas de Lisboa quase que se assemelham com ladeiras do Funchal.
Lisboa só é vista à luz do dia a partir de imagens retiradas de documentários da época.
Lisboa é dada a conhecer numa primeira e fugitiva imagem aérea que mostra os embarcadouros do Tejo e a Praça do Rossio. Segue-se uma vista panorâmica de Lisboa em que Dwight a Leonora observam antes de entrar no hotel em que ficam hospedados.
A referência ao vinho está presente nas cenas “underground” ambientadas em caves repletas de barris. No clube nocturno uma música melancólica que se assemelha a algo parecido com o fado pretende constituir mais uma nota identitária.
Imagem de LisboaAs visões da cidade que são oferecidas ao espectador são de dois tipos. Uma primeira consiste no enunciar das ideias pré-concebidas que o guionista pensava serem as que os americanos e ingleses tinham de Lisboa.
Um segundo tipo de impressões são outras que se obtêm através da acção que supostamente decorre em Lisboa. Por outras palavras, o guião é estruturado de forma a “corrigir” em parte as imagens construídas que americanos e ingleses tinham sobre Lisboa.
A primeira ideia de Lisboa é colocada na “boca” de Florence, a velha criada de Leonora. Ela representa a inglesa que nunca tinha viajado e que conhecia o mundo através do prisma victoriano.
Quando Leonora pergunta: "Com que se parece Portugal ?”, Florence responde "Produzem vinho e as mulheres fazem todo o trabalho. Mas deve ser muito bonito. Ouvi dizer que não é muito moderno. O Sol tem muita importancia. Não devo gostar disso”.
Imagem politicamente correcta O filme pretende oferecer obviamente uma imagem politicamente correcta de Portugal e de Lisboa. Praticamente em nenhum momento se chama a atenção para situações de atraso civilizacional, a não ser um carro puxado por um cavalo e outro por uma parelha de bois com a sua canga.
Em Lisboa, pode-se passar um romântico fim-de-semana, chegar e partir em avião. Os hoteis são bons (poucos para a quantidade de pessoas que chegam à cidade), os clubes nocturnos ao nível dos melhores da Europa. Nas palavras de Dwight : “Portugal is a country still at peace with people having fun and still laughing. Bright sun and blue sea. Great castles made of tiles looking like jewels”.
CuriosidadeComo os Estados Unidos ainda não tinham entrado na Guerra, as mensagens são de solidariedade com os sofrimentos causados com os bombardeamentos de Londres e de ajuda pronta dos Estados Unidos. O protagonista americano ajuda apenas a protagonista inglesa a resistir aos alemães.
A polícia portuguesa não parece imiscuir-se nas actividades dos vários representantes das nações em conflito.
Não aparece um único actor português. Só o taxista pronuncia um "Sim senhor" em verdadeiro português. Nem a cantora de fado é portuguesa, sendo interpretada por Antoinette Valdez.
O actor franco-romeno Marcel Dalio, recepcionista do hotel em “One night in Lisbon” será o croupier de “Casablanca” (1942).
Participaram igualmente outros actores europeus de prestígio como os ingleses Edmund Gwenn e Dame May Whitty.
Fontes/Mais informaçoes: Dr. João Mascarenhas Mateus, “Uma Cidade de Espionagem Internacional. Lisboa segundo Hollywood” (adaptado) / TCM / Allmovie
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
"The Lisbon Crossing" de Tom Gabbay (2007)
"Encontro em Lisboa" é o segundo livro do escritor norte-americano Tom Gabbay protagonizado por Jack Teller (o primeiro "The Berlin Conspiracy" foi publicado em 2006 e o terceiro "The Tehran Conviction" foi editado em 2009).Estamos no Verão de 1940 e a Europa está sob o jugo da máquina de guerra nazi. Jack Teller chega a Lisboa, cidade neutra, pelo braço da estrela de cinema Lili Stern, para ajudar a procurar a sua amiga de infância, Eva Lange.
Tendo fugido do terror nazi, crê-se que Eva esteja escondida por entre os milhares de refugiados desesperados que caíram sobre Lisboa. Mas Jack não é o único no seu encalço. O melhor detective de Hollywood, Eddie Grimes, estivera a tratar do caso - até aparecer morto.
Em vez de respostas, Jack põe a descoberto uma série de mistérios que vão desde os glamorosos clubes nocturnos do Estoril até às ruelas húmidas e perigosas de Lisboa. Por entre espiões alemães e jornalistas ingleses, e enquanto fazem de detectives, Lili e Jack vão-se cruzando com personagens como o Capitão Catela, fiel seguidor do regime de Salazar mas que não resiste a uma boa quantia em dinheiro, o aristocrata de Cascais, Ricardo Espírito Santo ou os Duques de Windsor.
Jack vai fazendo descobertas chocantes que o levam de Lisboa às avenidas arriscadas de Paris, onde os seus actos podem mudar o curso da guerra.
Fontes: shvoong / conta-me historias /wook / Publishers Weekly
quarta-feira, 20 de abril de 2011
"Bosque proibido (Noite de São João)" de Mircea Eliade (1954)
Ao escrever nos anos cinquenta o seu romance "Bosque proibido (Noite de São João)", Mircea Eliade escolheu Portugal para criar aí o único ninho de felicidade do romance: A Estufa Fria, no Parque Eduardo VII, Cascais e o Buçaco. O protagonista, Stefan Viziru, chega duas vezes a Portugal no meio de uma Europa em guerra. Numa ilha de felicidade junta-se com o seu amor de juventude, Ileana. Não sabe, porém, reter este momento, decifrar o enigma, perde Ileana para sempre e volta à pátria.

No prefácio à edição portuguesa do seu romance, Eliade explica a razão da sua escolha, o porquê do ninho de felicidade em Portugal: «Creio que, mais do que qualquer outro trabalho literário meu, este romance poderá interessar o leitor português. Passei cerca de cinco anos em Portugal, e uma parte da acção do romance decorre em Lisboa, Cascais e Coimbra (…)
Se os compreendi bem, os Portugueses têm uma determinada concepção do Tempo, da Morte e da História, que lhes permite pressentir o tema central (e «secreto») do romance (…).
Parece-me que para os Portugueses (como aliás para os Romenos), o Tempo, a História, a Morte e o Amor conservam o carácter de mistérios".
Nota: Os últimos anos em Lisboa (1943-1945) foram para Eliade um calvário. O que mais o abalou foi a morte de sua mulher, Nina Mares.
Fonte: Albert von Brunn, "Mircea Eliade em Portugal (1940-1944)" - Instituto Camões
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
Mircea Eliade e Portugal (1941-1945)

Em 1941 Mircea Eliade - um dos autores mais consagrados no que diz respeito à interpretação e ao estudo dos símbolos - foi nomeado secretário de imprensa na capital portuguesa.
Interessou-se pelos clássicos, como Sá de Miranda, Camões e Eça de Queiroz, e empenhou-se em estabelecer elos mais fortes entre os latinos do ocidente e do oriente, impulsionando traduções, conferências e concertos.
Deixou diversas obras ligadas ao nosso país, algumas de forma directa, e uma outra mais curiosa.

Emergiu, há poucos anos, um diário que Eliade terá mantido sobre os seus anos passados em Portugal. Editado em Barcelona, com o título “Diário Português”, este documento importante manteve-se muito tempo sem versão em português.
Enquanto esteve em Portugal, o escritor romeno foi um observador muitas vezes crítico, mas jamais mal-educado ou hostil, de Portugal e dos seus habitantes.
"Lisboa conquistou-me desde o primeiro dia (…). No último ano da minha estadia em Calcutta tinha começado a aprender o português com método e paixão".
Mircea Eliade entrou em contacto com jornalistas portugueses e com o director do então Ministério de Informação e Propaganda António Ferro (1895-1956). Ao mesmo tempo iniciou o estudo da obra de Camões.
Tinha o propósito de escrever um livro sobre Camões e a Índia portuguesa. Este livro, porém, como muitos outros, não passou dum projecto inacabado.

"Salazar e a Revolução Portuguesa" tinha por objectivo inspirar o general Ionescu a seguir o exemplo do português de criar uma ditadura não totalitária. Quem não parece ter gostado da brincadeira, contudo, foi Salazar. A obra só recentemente foi editada em português.
"Salazar, que tinha cometido a 'gaffe' de ordenar luto pela morte de Hitler e tinha sido injuriado na imprensa anglo-americana, corrigiu o erro rompendo as relações com a Alemanha, fechando a Legação e congelando os fundos alemães", anotou Eliade no seu diário, no dia 10 de Maio de 1945.
O escritor romeno conheceu pessoalmente Salazar, que retrata com simpatia ("É menos rígido visto de perto"), mas segundo Corneliu Popa (tradutor da sua obra para português), "não era propriamente fascista".
"É inegável que Eliade tinha simpatias de direita, mas não era um militante surdo e cego. Ele defendia um Estado autoritário, mas não totalitário", disse.

"Os Romenos: Latinos do Oriente" era uma síntese histórica, cultural e espiritual do seu país, tendo avançado a hipótese de haver uma ligação grande entre os actuais habitantes da Roménia e de Portugal, uma vez que teriam sido soldados da Península Ibérica os primeiros latinos a colonizar a Roménia.
Fontes: Filipe d’Avillez, Revista “Os Meus Livros” (adaptado) / Instituto Camões / Nonas Nonas / wikipedia
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
"Lisbon Story" de Paul L. Stein (1946)
Filme musical dirigido por Paul Stein, para a British National Filme, que conta com a participação de Patricia Burke e David Farrar e do famoso cantor de ópera austríaco Richard Tauber (que, no papel de André Joubert, interpreta “Pedro the Fisherman”, popularizado no teatro pelos Vincent Tildsley Mastersingers).
A acção do filme decorre durante a 2ª Guerra Mundial e aborda os esforços de uma cantora francesa (Patricia Burke) e de um espião inglês (David Farrar) que viajam para a Alemanha nazi para salvar um cientista francês.
“Lisbon story” revelou-se um enorme sucesso nos palcos, tendo estado em cena entre Junho de 1943 e Julho de 1944, quando o aumento do número de bombardeamentos pesados forçou o encerramento temporário de mais de metade dos teatros de Londres.
Durante este tempo, Patricia Burke fez 492 apresentações no papel de Gabrielle, uma cantora que escapa dos nazis em Paris, acabando por ser executada pelos nazis durante a cena final em Portugal.
As reações da imprensa não foram unânimes, enquanto o Manchester Evening News achou que o fim era disparatado, o Daily Mail descreveu-o como "The Gestapo set to Music!"
O público não tinha esses escrúpulos. Eles estavam em guerra e tratava-se de um musical que lhes trazia a realidade do nazismo para o teatro de Londres. O espectáculo teria permanecido mais tempo em cartaz se a Luftwaffe tivesse permitido.
O tema "Pedro, o pescador" era interpretado no teatro pelos Vincent Tildsley Mastersingers vestidos de forma colorida como marinheiros portugueses. A canção relata como Pedro, o pescador que assobia, abandona a sua amada Nina para ir para o mar, mas que acaba por regressar mesmo a tempo de impedir que ela se case com Miguel, o rico produtor de vinho.
Fontes: wikipedia / All Movie / Enciclopédia do Teatro musical / IMDb
Video: "Pedro the Fisherman" (Richard Tauber)
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Baruch Lopes Leão de Laguna, pintor
Considerado um dos mais representativos retratistas holandeses dos finais do século XIX e da primeira metade do século XX, Baruch Lopes Leão de Laguna nasceu em Amsterdão, a 16 de Fevereiro de 1864, no seio de uma família sefardita portuguesa.A sua vida começa tal como haveria de acabar – marcada pelos mesmos tons de tragédia. Aos dez anos perdeu os pais – Salomão Lopes de Leão Laguna e Sara Kroese – dando entrada no orfanato da comunidade de judeus portugueses de Amsterdão. Apoiado pelos professores da comunidade, ganhou o gosto pela pintura, estudando primeiro na Escola Quellinus e depois na Academia Nacional de Belas Artes da Holanda.
Para sobreviver, Leão Laguna trabalhou para o pintor Jacob Meijer de Haan – primeiro na pastelaria da família, no bairro judeu de Amsterdão, e posteriormente no atelier, como seu assistente.
Aos poucos, a pintura de Leão de Laguna foi ganhando fama e reconhecimento suficientes para lhe permitirem dedicar-se por completo à sua paixão. Em 1885 faz a sua primeira exposição na Associação Arti et Amicitiae, uma mostra bastante bem recebida pela crítica e pelos colegas. Por essa altura Baruch Lopes de Leão Laguna casa com Rose Asscher, filha de um lapidador de diamantes.
Durante os primeiros anos da ocupação nazi, Leão Laguna refugiou-se na região de Laren, no norte da Holanda. Terá sido nessa altura que pintou o auto-retrato que figura em cima. Auxiliado por uma família que o esconde numa quinta remota, Leão Laguna fica-lhes imensamente grato, oferecendo-lhes vários dos seus quadros (entre os quais este auto-retrato).
Eventualmente, Baruch Lopes de Leão Laguna é capturado pelos nazis e levado para o campo de extermínio de Auschwitz, onde é assassinado a 19 de Novembro de 1943, com 79 anos de idade.
Fonte: Rua da Judiaria
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
"The Lady from Lisbon" de Leslie S. Hiscott (1942)

Estreado em plena II Guerra Mundial, "The Lady from Lisbon" é um filme britânico que combina a comédia com acções de espionagem, descrevendo a história de uma mulher sul-americana que se oferece para fazer espionagem em Lisboa em troca da famosa pintura "Mona Lisa" que está em poder dos nazis.
Mas de repente começam a aparecer muitas cópias da "Mona lisa". No final, após um agente britânico descobrir a pintura original, a mulher decide aderir aos Aliados.
Principais actores: Francis L. Sullivan (no papel de Minghetti), Jane Carr (Tamara), Martita Hunt (Susan Wellington-Smythe), Charles Victor (Porter).
Fontes: Sandra Brennan, All Movie Guide (adaptado) / Captomente / IMDb
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