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segunda-feira, 30 de abril de 2012

"The Last Sinhala Lions" e "Fires of Sinhala" de Colin de Silva


Colin de Silva (1920-2000) foi um escritor natural do Sri Lanka que emigrou para os Estados Unidos da América nos anos 60, tendo publicado uma série de romances históricos, nos quais se destaca "The Winds of Sinhala" de 1982, que recriava os tempos de Dutugemunu (que reinou até ao ano 137 Antes de Cristo), sua mãe, a rainha Viharamahadevi, seu grande antagonista, o rei Cholan, Elara e uma série de personagens subordinados.

"The Winds of Sinhala" foi o primeiro romance de uma tetralogia que inclui "The Fires of Sinhala", "The Founts of Sinhala" e "The Last Sinhala Lions".

Fernão de Albergaria, filho de Lopo Soares de Albergaria (3º Governador da Índia), é um dos protagonistas de dois dos seus romances históricos: "Fires of Sinhala" e "The Last Sinhala Lions".

"Fires of Sinhala" (1986)

A história remonta ao início do Século XVI quando os monarcas europeus lutavam pelo controle do lucrativo comércio de especiarias com o Oriente.

Foi almirante de Portugal, o aristocrático Lopo Soares de Albergaria, que em 1521 transporta consigo mosquete e canhões para subjugar o Ceilão.

O seu filho Fernão entra em conflito com o Príncipe Lanka Tikiri pelo amor da bela mestiça Julietta, o que adiciona um drama pessoal à luta política pela riqueza e poder.

Enquanto isso, a família do Príncipe Tikiri procura derrubar o supremo rei de Lanka. A formidável moura Aisha Raschid quebra o purdah para negociar com cada força ascendente, a Igreja militante ameaça as pacíficas tradições budistas de Lanka e Julietta é habilmente manipulada; será que ela vai casar com um homem que não ama verdadeiramente ?


"The Last Sinhala Lions" (1989)

Quando Fernão de Albergaria, o jovem governador português de Colombo (Sinhala, antigo Ceilão), constrói fortes em toda a costa litoral da ilha, o príncipe Tikiri - seu rival no amor e da guerra - treinou milhares de cavaleiros para um contra-ataque sobre os anéis de armas de fogo e aço.

Como a guerra se estendeu por todo o país, budistas, hindus e católicos, singaleses nacionalistas e europeus imperialistas europeus lutam pelo domínio da ilha.

O que estava em jogo era o poder sobre uma província rica em comércio e tesouro - mas também envolvia Aisha Raschid, uma mulher em busca de vingança, e a rainha Anuna, que procurou destruir seus inimigos e apreender a própria jóia de Colombo ...

Fontes: trademe / Lakbmanews / Paperbackswamp / Enciclopédia do Sri Lanka

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os Portugueses e a Formação da América

Portugal construiu desde cedo uma das mais altas taxas de migração da Europa, e os primeiros portugueses a chegarem à América parecem ter sido judeus fugidos à Inquisição – em "Os Portugueses e a Formação da América" (2001), Manuel Mira defende a tese do pioneirismo dos melungos, uma aparente mistura de etnias que se terá formado em Portugal e começou a chegar à América ainda no século XV, instalando-se nos Estados à volta dos Montes Apalaches.

Mas só mais tarde, com a indústria da caça à baleia, se estabeleceram padrões de emigração. No século XIX a maioria dos imigrantes, quase todos agricultores ou pescadores, não vinha do Continente mas dos arquipélagos da Madeira, de Cabo Verde e (sobretudo) dos Açores, que ficavam no limite das rotas efectuadas pelos navios baleeiros, fundeados à procura de provisões e novos tripulantes – muitos navios apenas chegavam a meio do Atlântico, tornando o fenómeno ainda mais evidente nas ilhas ocidentais dos Açores: Corvo, Flores, Faial, Pico e São Jorge.

Noventa e nove por cento da imigração portuguesa na América vinha das ilhas, dizem alguns compêndios – e, se isso é um exagero, o facto é que a Califórnia é muitas vezes chamada “a décima ilha dos Açores”.

Influência portuguesa nos EUA

A obra, com 424 paginas, 119 ilustrações e mais de 700 nomes e suas origens, mostra a presença e a influência portuguesa nos E.U.A. nas mais variadas áreas como o folclore, a gastronomia ou mesmo a Língua, levando o leitor a mergulhar por vezes num baú de inéditos e de histórias só agora vindas a lume.

Um desses exemplos relatados no livro revela a existência de, pelo menos, 38 palavras inglesas derivadas da Língua Portuguesa como é o caso dos vocábulos firm (firma), typhoon (tufão) ou tank (tanque).

Também na área da gastronomia, o autor foi desencantar algumas das comidas mais populares do sudoeste dos EUA e que fazem parte dos hábitos alimentares dos portugueses, descobrindo que uma cadeia de restaurantes na Carolina do Norte serve nabiças com presunto e salada de feijão frade, dois pratos tipicamente lusitanos.

Fontes/Mais informações: Joel Neto / Portugallie.blog / Amazon

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"Fado Tropical" de Chico Buarque (1973)


"Fado tropical" foi composto em 1973 para a peça "Calabar ou o elogio da traição".

Sugerindo painéis de azulejo à moda portuguesa do século XVIII, Chico Buarque e Ruy Guerra [cineasta moçambicano] propõem nesta canção um retrato crítico do Brasil colonial, que corresponde em filigrana ao país tal como se encontrava sob a ditadura civil-militar.

Na confluência entre pintura, história e literatura, os dois artistas compõem uma série de paisagens e de naturezas mortas lusotropicais.

Através deste jogo metafórico, tornado ainda mais complexo pela censura, (...) "Fado Tropical", ao recorrer à arte pictórica, esboça uma nova "aquarela do Brasil", ambivalente e irónica, que sugere a permanência do autoritarismo ibérico em nossa formação histórica e cultural.


"Calabar ou o elogio da traição" (Teatro)

A peça conta a história de Domingos Fernandes Calabar, soldado mulato membro das tropas portuguesas. Desde 1624, os portugueses buscavam expulsar os holandeses que desejavam instalar-se na zona açucareira do nordeste.

O governador de Pernambuco Mathias de Albuquerque, português nascido no Brasil, conquista várias vitórias, graças à colaboração de Henrique Dias, escravo africano alforriado, e de Felipe Camarão, indígena que se converteu ao catolicismo.

(..) Calabar decidiu mudar de campo, pondo os seus conhecimentos do território a serviço da Companhia das Indias Orientais (ou "C.I.O.", como está dito na peça). (...)

Mas Calabar, capturado em 1635 por Mathias de Albuquerque, é condenado e executado pelo crime de alta traição, sem que houvesse qualquer protesto emitido pelos holandeses. (...)


Alegorias lusotropicais

Na sequência dos versos anteriores, a última estrofe se desdobra em alegorias dos cinco sentidos, semelhantes àquelas representadas no claustro do convento da ordem terceira de São Francisco, em Salvador (Simões, 1963):

Guitarras e sanfonas
Jardins, coqueiros, fontes,
Sardinhas, mandiocas,
Num suave azulejo.
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-montes
E numa pororoca
Desagua no Tejo.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal,
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal,
Ainda vai tornar-se um império colonial. (Buarque, 1973)

Fonte: Adriana Coelho Florent

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vasco da Gama em "A Africana" de Meyerbeer (1865)

"A Africana" é a ultima ópera de Meyerbeer. Estava em fase de produção quando da morte do compositor e, por isso, foi pedido ao renomado musicólogo Fétis para rever toda a partitura para a estreia.

Trata-se de uma grande ópera à boa maneira da época: Triângulos amorosos, uma prisão, povos exóticos, barcos apanhados em tempestades, rituais nativos, árvores venenosas e um auto-sacrificio…

O libreto teve como fonte de inspiração o poema “Le Mancenillier” de Millevoye, que conta a história de uma árvore cuja fragrância é venenosa e de um par de amantes.

Apesar de Eugène Scribe, o libertista, e Meyerbeer, terem começado a trabalhar na ópera em 1837, rapidamente a puseram de lado para se dedicarem a "Le Prophète". Só quando terminaram este trabalho é que voltaram à "Africana", para mais uma vez ser interrompida.

Com tantas interrupções só terminariam o primeiro esboço em 1843 que seria inteiramente revisto. A acção do libreto original passar-se-ia entre África e Espanha, mas na última revisão, efectuada em 1857, a personagem principal passa a ser Vasco da Gama, e os locais da acção passam para Portugal e para as costas de Madagáscar e/ou Índia.

Embora o nome se tenha mantido “A Africana”, as referências a rituais brahmas e aos deuses indianos são uma constante.

A Africana foi estreada na Ópera de Paris a 28 de Abril de 1865. O triunfo foi imediato e rapidamente se espalhou a outras casas de ópera por toda a Europa.

Fonte: Mezza Voce

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"Don Sebastião, Rei de Portugal" de Donizetti (1843)

A reputação da ópera "Don Sebastião, Rei de Portugal" não é das melhores. Donizetti despendeu mais tempo com esta ópera do que com qualquer outra, e o resultado não terá sido o melhor.

Alguns críticos consideram-na um funeral em cinco actos, e por alguma razão, quando a crítica alude a esta ópera refere sempre o estado de saúde mental de Donizetti que nesta altura estaria já bastante afectado devido à sífilis.

Poucas figuras da História europeia incendiaram a imaginação e a criatividade, como D. Sebastião. A literatura romântica produziu sobre este rei português vários contos extravagantes, e Donizetti compôs em 1843 a ópera Don Sebastião, Rei de Portugal, hoje considerada rara.

Estreou na Ópera de Paris. Foi uma obra monumental prejudicada no entanto por um libreto pouco plausível e mal articulado, porém, musicalmente revela o apuramento de estilo que consagraria internacionalmente o seu autor.

Fonte: André Cunha Leal

Video: (Ópera)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Inês de Castro" na ópera e música clássica


A história de Inês de Castro inspirou mais de 20 operas, sendo as mais famosas “Ines de Castro” (1798) de Niccolò Antonio Zingarelli e “Ines de Castro” (1835) de Giuseppe Persiani (1799-1869) com base no libretto de Salvatore Cammarano, que foi bastante conhecida no seu tempo.


Século XVIII

A primeira ópera dedicada a Inês de Castro foi escrita por Gaetano Andreozzi (1755-1826), tendo sido estreada em 1793, na lindíssima e envolvente Florença.

No ano seguinte, 1794, estrearia em Nápoles a “Inês de Castro” de Giuseppe Francesco Bianchi (1752-1810), numa época em que aquela cidade era um dos grandes centros operáticos.

Apresentação de "Ines de Castro" de Persiani

Século XIX

Em 1806 foi estreada outra ópera intitulada “Inês de Castro” em Nápoles, em 1806 da autoria de Giuseppe Farinelli (1769-1836) que pouco terá a ver com o celebrizado castrado Farinelli.

A ópera "Inês de Castro" de Giuseppe Persiani foi estreada em Nápoles, no seu Teatro S. Carlo, em 28 de Janeiro de 1835, tendo desde logo alcançado enorme sucesso perante o público e a crítica, facto que lhe permitiu estar em cena durante cerca de 16 anos, em mais de 60 produções diferentes.

Em Lisboa, o Teatro de S. Carlos assistiria em 1841 à estreia de uma outra ópera "Inês de Castro", escrita por Pier Antonio Coppola (1793-1877), marcando a importância então conseguida por aquele Teatro a nível europeu.


Século XX

A tragédia de Inês de Castro inspirou também um compositor de música culta contemporânea, James MacMillan, nascido em 1959. A ópera "Inês de Castro" concebida por aquele autor foi estreada em 23 de Agosto de 1996, na edição desse ano do notabilizado Festival de Edimburgo, pela Scotish Opera Orchestra, com encenação de Jonathan Moore.


O seu libreto foi escrito pelo novelista britânico John Clifford, a partir da quase incontornável “A Castro”, de António Ferreira, facto que terá também justificado a sua apresentação em Portugal a 7 e 9 de Julho integrados no Porto 2001 – Capital da Cultura.


Mais recentemente, um jovem compositor suíço Andrea Lorenzo Scartazzini (nascido em 1971) foi o autor de “Wut”, uma opera em língua alemã estreada no Teatro Erfurt (Alemanha) em 9 de Setembro de 2006.

Fontes: José Alberto Vasco (Tinta Fresca) / wikipedia / Ismael Mendes



Outras obras ("Inés de Castro")

- Ópera - Scena ed aria de Carl Maria Friedrich Ernst von Weber"
- Ópera de Julien Duchesne (1864)
- Ópera do compositor uruguaio Tomás Giribaldi (1905)
- Ópera com musica de Gaetano Andreozzi, libretto di Cosimo Giotti (1793)
- Ópera com musica de Giuseppe Cervellini, Ignazio Gerace, Sebastiano Nasolini, Francesco Bianchi e libretto de Luigi De Sanctis (1795)
- Ópera com musica de Niccolò Zingarelli e libretto de Antonio Gasperini (1798)
- Ópera com musica de Vittorio Trento (1803)
- Ópera com musica de Pietro Carlo Guglielmi, libretto de Filippo Tarducci (1805)
- Ópera com musica de Stefano Pavesi, libretto di Antonio Gasperini (1806)
- Ópera com musica de Felice Blangini (ca. 1810)
- Ópera com musica de Giuseppe Persiani, libretto de Salvadore Cammarano e Giovanni Emanuele Bidera (1835)
- Ópera com musica de Thomas Pasatieri e libretto di Bernard Stambler (1976) (E.U.A.)
- Ópera com musica de Vicente Lleó

Videos: Persiani / Zingarelli

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"La Reine Morte", série de TV francesa baseada na obra de Henry de Montherlant (2009)


La Reine morte”, de Henry de Montherlant é a obra que serve de inspiração ao telefilme, realizado por Pierre Boutron, que retrata o tema mais apaixonante da história portuguesa: o romance trágico de D. Pedro com Inês de Castro.

O telefilme foi rodado em várias cidades portuguesas: Guimarães, Tomar, Coimbra. O realizador, Pierre Boutron, pretende dar ao filme uma imagem semelhante a "Romeu e Julieta" embora aqui os interesses sejam a coroa real.


Esta produção envolve uma equipa de 50 pessoas e mais de 500 figurantes, recrutados por casting efectuado pelo Grupo de Teatro Apollo, entre 6 e 8 de Maio, na Casa dos Cubos, em Tomar, ao qual concorreram cerca de 250 candidatos.



Entre os actores mais conceituados destaque para Michel Aumont, no papel de rei (o rei Ferrante), Goëlle Bonna, no papel de Inês de Castro, Thomas Jouanet, no papel de Pedro, Astrid Bergès-Frisbey, no papel da Infanta e Aladin Reibel, no papel de Egas Coelho.

Gaëlle Bona ganhou o prémio de melhor jovem actriz no Luchon International Film Festival de 2009.

A película conta também com um leque de actores português, como André Gago (Álvaro Gonçalves), António Montez (D. Cristoval), Gonçalo Dinis (Capitain Bathala) e António Fonseca (Bispo da Guarda).

Locais de filmagem

Coimbra
Guimarães (Paço dos Duques de Bragança)
Montemor-o-Velho
Tomar (Convento de Tomar)

Fontes: Ansião news / Guimarães Digital / Close mag / Jornal "O Templário"

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A história de Inês de Castro em "A Rainha Morta", peça de teatro de Henry de Montherlant (1942)

A atracção pela história de Pedro e Inês manteve-se na primeira metade do Século XX, prolongando a visão romântica do século anterior, sendo de realçar o sucesso de uma grande tragédia francesa, “La Reine Morte” de Henry de Montherlant que sete anos após a sua apresentação já possuía 144 edições e continuava com um sucesso triunfal.

O personagem em destaque é Afonso IV, sob o nome de Ferrante, que é tratado sob um ponto de vista freudiano.


Nesta tragédia em três actos, Henry de Montherlant mistura conflitos políticos com familiares. No argumento um rei doente – Ferrante - decide matar a mulher que casou secretamente com o filho. Nem ele compreende as razões que o levam a decidir a morte de Inês. No final, o rei morre à frente do cadáver da rainha morta.

Inês tem apenas um sentimento no coração: o amor. Ela nasceu para amar e não sabe fazer outra coisa.

Segundo Jean Louis Cochet, que encenou a peça na década de 70, "La reine Morte" é a tragédia do poder e da fraqueza (“la puissance et de la faiblesse"), da grandeza e da mediocridade ("la grandeur et de la médiocrité"), da velhice e da infância ("de la vieillesse et de l’enfance"), da coerência e da incoerência ("de la cohérence et de l’incohérence"). Tudo isto com o brilho admirável do humor e inteligência do seu autor Henry de Montherlant.


Teatro

"A Rainha Morta" foi publicada em 1942 pela Editora Gallimard, sendo a sua primeira apresentação teatral em 8 de Dezembro de 1942 no Teatro da Comédie-Française, com encenação de Pierre Dux, tendo como protagonistas Jean-Louis Barrault (o Rei Ferrante) e Madeleine Renaud (Inês de Castro).


Henry de Montherlant anotou nos seus Cadernos que a (recepção) geral foi pelo menos morna, e que só após alguns cortes operados no dia seguinte, a peça conhece um real sucesso público. Mas defende-se com ironia ter instilado no seu texto as alusões à actualidade dos tempos de guerra, que os espectadores de todos os quadrantes se mostravam inevitavelmente rápidos a detectar.



Televisão

A obra foi adaptada à televisão em 1961, sob direcção de Roger Iglesis, com  Geneviève Casile (Inès de Castro), Jean Yonnel (Ferrante) e Hubert Noël (Don Pedro).


Fontes: Maria Leonor Machado de Sousa (in "Du personnage au mythe") / Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira" / BDFF (Série TV 1962) / Plano Nacional de Leitura

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

"Ines de Castro" de María Pilar Queralt del Hierro (2004)

María Pilar Queralt del Hierro transporta-nos, como por magia, neste romance histórico, para o longínquo ano de 1622.

Encontramo-nos a assistir a uma conversa entre homens, dos quais se destacam os escritores espanhois Lope de Vega e Luis Vélez de Guevara, quando surge a figura de um fidalgo português que se mostra interessado em contar uma história a Luis Vélez de Guevara. Trata-se da história de Inês de Castro.

Quem seria o misterioso fidalgo português?

A explicação surge pela boca de Luis Vélez de Guevara: a alma penada de D. Afonso IV, condenado, depois da morte, pelo crime que cometeu - "matar uma donzela fraca e sem força" - procura a redenção. Para a conseguir, deve fazer com que a história de Inês de Castro se conheça.

Depois de ouvirem a história dos amores de Pedro e Inês, Luis Vélez de Guevara escreveu a tragédia "Reinar después de morir", enquanto Lope de Vega escreveu "Inés de Castro".

Fonte: Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira" (adaptado)


Esta escritora espanhola escolhe para epicentro da história a relação de amizade entre D. Constança e Inês. D. Constança é vista neste livro como uma verdadeira heroína que manteve até ao fim a fidelidade a uma amizade de infância.

A incidência deste livro no feminino não fica por aqui: é interessante verificar como a autora encara as freiras de Santa Clara como verdadeiras heroínas do amor ao condescender com o amor carnal que Pedro dedicava a Inês, pactuando com os seus encontros escaldantes em plenos aposentos do convento.

Um outro aspecto interessantíssimo é a forma como Del Hierro introduz na história Teresa Lourenço (a última paixão de D. Pedro, após a morte de Inês). Esta mulher viria a ser a mãe do grande herói da história de Portugal que foi o rei D. João I, Mestre de Avis) e entra nesta narrativa como uma autêntica heroína, ao lado do rei justiceiro.

Fonte: Blog "Dos meus livros" (adaptado)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Inês de Castro na literatura mundial (II)


O famoso escritor francês Victor Hugo escreveu em 1820 "Inez de Castro", a sua primeira peça (obra inacabada), que era um melodrama em três actos com dois intermédios, apenas publicado em 1863 aquando da edição das suas obras inéditas.

Existem, no entanto, muitos outros exemplos:

Alemanha

- "Inez de Castro", tragédia de F. H. Thelo;
- "Inez de Castro", tragédia de Grottfried von Böhm;
- "Inez de Castro", drama de Joseph Lauff (1894).


Argentina

- “Corona de amor y muerte”, peça de teatro, Alejandro Casona (1955)
- "Una Tragedia Amorosa En El Portugal Medieval", conto de César Fuentes Rodríguez (2000)


Brasil

- "A rainha arcaica", série de 14 sonetos, de Ivan Junqueira (1979)


Espanha

- “Doña Inés de Castro, Reina de Portugal” de Juan Mejia de la Cerda (1612)
- "Reynar despues de morir" de Luis Velez de Guevara (1652)
- "Inés de Castro", Novela, de María Pilar Queralt del Hierro (2003)


E.U.A.

- "A Queen After Death", Romance, de William Harman Black (1933) [chegou a diferenciar as touradas espanholas e portuguesas, apresentando estas como menos sanguinárias]
- Fragmentos de "Cantos" de Ezra Pound (séc. XX)


França

- “Agnes de Castro” de M.lle de Brillac (1688)
- "Inez de Castro", tragédia, de Antoine Houdar de Lamotte (1723)
- "Inez de Castro", novela, da Condessa de Genlis ("Madame de Genlis") (1817);
- "Pierre de Portugal", tragédia em 5 actos de Lucien-Emile Arnaut (1823);
 - "La reine du Portugal", tragédia, de Firmin Dido (1824);
- "La reine morte", drama de Henry de Montherlant (1942)
- “La reine crucifiée”, romance de Gilbert Sinoué (2005)

Holanda

- "Inez de Castro", tragédia, de Rhynius Feith.

Itália

- "Ines de Castro", tragédia, de Davide Bertolotti (1826);
- "Ines di Castro", drama, de Luigi Baudozzi;


Reino Unido

- "Agnes de Castro", tragédia de Aphra Behn (1688)
- "Agnez de Castro", tragédia de Catherine Trotter Cockburn (1696) (que inicialmente assinava "Young Lady";
- "Ines de Castro", drama de Mary Russel Mitford (1841);
- "Inez, the bride of Portugal", tragédia, de Neil Ross (1887).


A peça de Catherine Trotter é uma dramatização em verso da tragédia de Aphra Behn com o mesmo nome.

Fontes: Vicente Cândido / Maria Leonor Machado de Sousa / Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira" / Jstor (literatura francesa) / Público

Mais informações: Maria Leonor Machado de Sousa / Fundação Pedro e Inês

(Mais informações sobre Inês de Castro no blog)












sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Inês de Castro na literatura mundial (I)


A vida de Inês de Castro foi imortalizada em diversas peças de teatro, poemas e outras formas de literatura, quer em Portugal (“Lusíadas” de Luís de Camões, “A Castro” de António Ferreira, "D. Pedro" de António Patrício, ...) quer no estrangeiro.

A repercussão em Espanha é fácil de entender, pelo facto de Inês de Castro ser oriunda da Galiza, tendo-se verificado um interesse por parte da poesia popular que se traduziu na publicação de inúmeras obras.


Século XVI

A coroação após a morte e o beija-mão foram transpostos, pela primeira vez, para a literatura erudita em 1577, na tragédia de Jerónimo Bermudez “Nise lastimosa y Nise laureada” (baseada na peça de António Ferreira).




Século XVII

Em 1612, Juan Mejia de la Cerda publica “Doña Inés de Castro, Reina de Portugal” (“Tragédia famosa de Dona Inês de Castro”) no qual é incluído um novo personagem, Rodrigo, amante de Inês, que ao ser rejeitado por Inês convence o rei a ordenar a morte de Inês.

Impresso em Lisboa em 1652, mas escrito antes de 1644, a peça de teatro "Reynar despues de morir" de Luis Velez de Guevara inclui um novo personagem, a Infanta Branca de Navarra, que vem a Portugal para se casar com D. Pedro, denunciando, junto do rei, a relação entre Pedro e Inês.


Contributo das obras espanholas para o mito

Nas obras de Juan Mejia de la Cerda e Luis Velez de Guevara, regista-se o contributo da Espanha para a formação da história, com dois elementos tipicamente associados ao carácter dos espanhóis, o gosto pelo espectáculo (a coroação) e o ciúme violento (Rodrigo e Branca).

Esses novos elementos foram sendo sempre preservados na literatura inesiana. Em 1930, a inglesa Anette Mekian publicou uma obra algo próxima ao texto de Luis Velez de Guevara e foi esta tradição que influenciou as duas maiores tragédias do século XX, “La Reine Morte” (1942) de Henri de Montherland e “Corona de amor y muerte” (1955) do autor argentino Alejandro Casona.

Fontes: Maria Leonor Machado de Sousa (in "Du personnage au mythe") / Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira" / Escrito com sangreTeatro Selecto

(Mais sobre Inês de Castro no blog)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

"Judeus portugueses na Jamaica" de Mordechai Arbell

"Havia judeus na Jamaica muito antes que os ingleses ocupassem a ilha em 1655. As ilhas eram então conhecidas como 'Portugals'"

Este é o primeiro registo escrito sobre a população judaica da Jamaica e do seu papel na vida económica e cultural do país.

Mordechai Arbell, antigo embaixador de Israel, começa por abordar a história dos primeiros colonos que chegaram no século XVI e como as suas interligações familiares lhes permitiram desempenhar um papel fundamental no comércio internacional.

Google.books

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Carsten Wilke lança "História dos Judeus portugueses"


O percurso histórico dos judeus portugueses é "um dos mais bem estudados da história judaica", afirma Carsten Wilke que defende que a história dos judeus portugueses tem "um trajecto singular" e não um anexo da de Espanha.

Segundo o autor, o livro constitui uma "síntese de vinte séculos de civilização judeo-portuguesa", destinando-se "a um público não especializado".

Carsten L. Wilke referencia quatro pontos essenciais da história dos judeus portugueses:

o período medieval;
a conversão forçada,
a dispersão; e:
o "renascimento judaico" em 2000.

No período medieval, "Portugal garantia aos judeus mais protecção e segurança que qualquer outro país europeu".

Em 1497 D. Manuel I decreta a conversão ao cristianismo, e a "retracção do judaísmo" que se lhe seguiu promoveu uma clandestinidade precária e "a dispersão da comunidade judaica por todos os cantos do mundo".

Esta dispersão, segundo Wilke, foi "confortada por um judaísmo reinventado" e fez criar uma "consciência judeo-portuguesa", que "forneceu um dos exemplos mais acabados de um particularismo étnico no seio do povo judaico".

A data de 1964 torna-se essencial, quando o jornalista Inácio Steinhardt estabelece o primeiro contacto com a comunidade judaica de Belmonte, "a única que perdurou".

A partir da década de 1980 foram-se constituindo espaços da comunidade como locais de oração até que em 2000 se deu o que o autor considera um "renascimento judaico" quando é inaugurado um cemitério judeu em Belmonte. Quatro anos depois foi inaugurado um Museu.

Imaginário nacional

Portugal tem um olhar único sobre a história judaica. No imaginário nacional, o judaísmo pertence não apenas à sua tradição cultural, mas também à sua genealogia.

Na época medieval, os monarcas portugueses garantiram aos judeus mais protecção e segurança do que qualquer outro país europeu.

A entrada de Portugal na era moderna fez-se, porém, no decurso de um processo de "cristianização" violenta de toda a sua vasta comunidade judaica, e os descendentes desta, quando não puderam, ou quiseram, sobreviver como judeus no exílio, misturaram-se em grande número ao resto da população.

Os que se exilaram e vieram a fundar, ou desenvolver, dezenas das mais dinâmicas comunidades judaicas do mundo moderno, nem por isso deixaram de reivindicar além-fronteiras a identidade contraditória de "judeus do desterro de Portugal".

Há mais de um século que esta história complexa e absolutamente singular apaixona estudiosos dos mais variados ramos do saber, dentro e fora de Portugal. E se hoje os aspectos parcelares de dois milénios de civilização judeo-portuguesa estão amplamente estudados, são também dos mais mal resumidos, o que explica que sejam tão mal conhecidos fora dos círculos especializados. A presente síntese vem colmatar essa lacuna.

Fonte: Lusa (adaptado)