O cantor brasileiro
Raimundo Fagner afirma que a poesia o aproximou do público brasileiro, salientando a parceria constante, e permanente, que estabelece com letristas e poetas.
Uma dessas "parcerias" mais constantes é a poetisa portuguesa
Florbela Espanca (1894-1930).
"Fanatismo"
Tudo começou, em 1981, com o tema "Fanatismo" (do "Livro de Sóror Saudade" de Florbela Espanca), incluído no álbum "Traduzir-se", até então, um dos mais conceituados discos de Fagner.
O álbum ficou entre os mais procurados nas lojas (250.000 cópias vendidas) e as faixas "Años" (de Pablo Milanés) e "Fanatismo" foram dos temas mais rodados nas rádios, pelo que a Rede Globo não teve dúvida em convidar o artista para um programa especial de sessenta minutos no horário nobre da emissora.
"Sorriso Novo"
Em 1982, Fagner lança o álbum "Sorriso Novo", com três canções adaptadas de poemas de Fernando Pessoa e Florbela Espanca musicados por Fagner e pelo músico cearense Ferreirinha: "Qualquer Música" (poema de Fernando Pessoa), "Fumo" (poema de Florbela Espanca) e "Tortura" (poema de Florbela).
1999-2000
No CD comemorativo dos seus 50 anos, editado em 1999, inclui, entre as faixas bónus, o "Soneto I", apêndice de "Charneca em Flor", de Florbela Espanca.
E em 2000, volta a musicar mais um poema de Florbela Espanca, "Chama Quente", no álbum Raimundo Fagner ao Vivo".
Outros cantores
Em 1982 muitos cantores gravaram canções de Raimundo Fagner. Cauby Peixoto foi um desses artistas, tendo gravado "Tortura", um poema de Florbela Espanca musicado por Raimundo, que foi incluido no disco "Estrelas Solitárias".
Do "Livro de Soror Saudade" gravou ainda o lancinante soneto "Frieza" em dueto com Amelinha, no LP de estreia da cantora brasileira.
E musicou "Impossível" (do livro de Florbela "Mágoas), que gravou em parceria com a cantora espanhola Ana Belém.
Outras ligações a Portugal
Fagner compôs em parceria com Abel Silva o belo fado "Cor Invisível", no qual se destaca o violão de dez cordas de João Lyra, substituindo a guitarra portuguesa.
Fontes:
jornaldeluzilandia /
site oficial /
Litebrasil
Depoimento de Édio Azevedo (adaptado)
Outro dia eu estava matando o tempo na Leitura com a Roberta, esperando o cinema começar, quando vi um livro da Florbela Espanca na estante. Imediatamente corri e peguei. Queria mostrar para a Roberta quem era a autora de "Fanatismo", que eu conheço desde pequeno como a música do Fagner. (...)
Florbela Espanca, hoje eu sei, foi uma poetisa portuguesa do início do século XX, autora de sonetos delicados e confessionais, de impressionante contemporanidade, que lembram muito a obra de Vinícius de Moraes.
Apesar de ter crescido a ouvir Fagner, apenas recentemente conheci Florbela Espanca (...) Foi a Dadá quem me mostrou "Fanatismo", retirado de um recorte de jornal que ela tinha dado para a Janaína. Quando eu bati o olho disse: "mas essa é a música do Fagner!". (...).
Além de "Fanatismo", Fagner ainda musicou outros dois poemas de Florbela: "Fumo" e "Tortura". Para mim, nada se compara a "Fanatismo", que considero um dos mais belos poemas de amor da história, e que eu dedico, hoje e sempre, à Roberta! Te amo!
Videos:
"Fanatismo", "
Tortura", "
Frieza" (com Amelinha)