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terça-feira, 20 de julho de 2010

"Song for Pessoa" dos Drugstore (1998)

Drugstore é o nome de uma banda de rock alternativo liderada pela vocalista e baixista brasileira Isabel Monteiro.

Em Junho de 1998, o grupo lançou o álbum "White Magic for Lovers", que incluía a canção "El President" gravada em dueto entre Isabel Monteiro e Thom Yorke, vocalista dos Radiohead.

Outros dos temas em destaque nesse álbum foi "Song for Pessoa" no qual Isabel homenageia o poeta português Fernando Pessoa ("Todas as pessoas se reúnem para ver como ele viveu/ Mas hoje a noite o poeta dorme comigo").

A letra da canção incluía um extracto do poema "Encoberto".

Letra

How sweet is the dreamers night
To wipe everything clean
In this world that will never be mine I dream

We're all looking for comfort
But haunted by pain
It takes more than one sleepless night in the rain

All the people gather to see how he lived
But tonight the poet sleeps with me
The poets sleeps

How sad is the loser's plight
Drunk in the streets
To see a flame in the dark gently move away

All the people gather to see how he lived
But tonight the poet sleeps with me
The poets sleeps

Poema incidental("O encoberto" de Fernando Pessoa)

'Sperai! Cai no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus.
Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É O que eu me sonhei que eterno dura
É Esse que regressarei.

Fontes: wikipedia / anexo /

Extracto audio

quinta-feira, 15 de julho de 2010

"Pessoa Flamenco" de Vicente Soto (1996)

Vicente Soto Sordera nasceu em Jerez de la Frontera e deu os primeiros passos nos "tablaos" de Madrid, destacando-se como óptimo acompanhante para bailarinos famosos como Antonio, Carmen Rojas e Antonio Gades. Em 1980 começou a dar os seus primeiros concertos e foi convidado a gravar um disco que nunca foi editado.

Depois de acompanhar Vicente Amigo ganhou renome e fez carreira, tendo iniciado a sua discografia a solo a musicar poemas (Quadras) de Fernando Pessoa, no disco "Pessoa Flamenco" (1996).

Alinhamento

01. Homenaje Atlántico a Pessoa (autor: soto)
02. Soleá (pessoa-soto)
03. Fandangos (pessoa-soto)
04. tientos (pessoa-soto)
05. tangos portugueses (pessoa-soto)
06. homenaje jerezano a los heterónimos (soto)
07. poemas del cancionero (pessoa-soto)
08. poemas del cancionero (pessoa-soto)
09. martinete (pessoa-soto)

Fonte: Apirronarse

Download

terça-feira, 13 de julho de 2010

Fernando Pessoa e os Piratas do Tietê

A arte poética de Álvaro de Campos serviu de mote inicial a uma banda desenhada, da autoria do brasileiro Laerte, que ele intitulou "Piratas do Tietê - O Poeta - Com a participação de Fernando (em) Pessoa".

É bem conhecida a intensa admiração dos brasileiros pela poesia de Fernando Pessoa. Todavia, que um autor-artista de "Histórias em Quadrinhos", mais conhecido pela sua tendência humorística, tenha dedicado uma peça de figuração narrativa ao nosso poeta, isso é que talvez seja algo surpreendente, mesmo que ele tenha desenhado uma peça de humor delirante, autêntica lição de como utilizar inteligentemente o "nonsense".

Pirataria é Cultura

Todas as falas do personagem Fernando Pessoa são frases tiradas de poemas de Fernando Pessoa.

Por exemplo, na 1ª vinheta da 1ª prancha:

"(...) Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada" - Álvaro de Campos - "Tabacaria";

3ª vinheta, 1ª prancha: "(...) Eu nem sequer sou poeta: vejo./ Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:/ O valor está ali nos meus versos (...)" Alberto Caeiro - "A espantosa realidade das coisas"; (...)

Eis um bom exercício para todos os admiradores do poeta: localizarem os poemas e respectivos heterónimos, na análise de cada legenda de cada balão, ao longo das vinhetas que compõem as 12 pranchas desta invulgar peça de BD baseada em excertos (extraordinários) de poemas.

Fontes/Mais informações: Geraldes Lins (adaptado)


O Poeta (em "O Regresso dos Piratas do Tietê")

Laerte coloca Fernando Pessoa declamando suas poesias às margens do Tietê, nossa versão poluída do Tejo.

Os Piratas não suportam essa "boiolice" e tentam acabar com o poeta de todas as maneiras possíveis, mas ele sempre acaba escapando de algum jeito mirabolante. Destaque para todas as falas de Fernando Pessoa, que foram tiradas de seus poemas e casam perfeitamente com a trama.

"O Poeta” é a prova que a poesia pode ter mais força do que as armas dos piratas.

Fontes: Por um punhado de imagens / Universo HQ

terça-feira, 23 de março de 2010

"A Soma de Tudo” de Lourenço Mutarelli (2002)

"A Soma de Tudo" é a primeira parte último volume da trilogia que o brasileiro Lourenço Mutarelli consagra ao detective Diomedes, o qual prossegue em Lisboa a sua busca do grande Enigmo, um velho mágico cuja sombra se atravessa com frequência no seu destino.

Desta vez, o detective acidental vem a Lisboa em busca de um industrial brasileiro desaparecido e da sua amante portuguesa, mas acaba por se comportar como mais um vulgar turista, dividido entre as conversas com a estátua de Pessoa, na Brasileira, e os pastéis da Fábrica de pastéis de Belém, ficando o desenvolvimento de uma história que envolve sacrifícios rituais no Oceanário e uma seita maçónico/esotérica, adiado para o próximo álbum.

Festival da Amadora

Quando comecei a escrever o roteiro deste que seria o último volume da trilogia, fui convidado para lançar "O Dobro de Cinco" no Festival de Amadora, Portugal. Passei uma semana entre Amadora e Lisboa e posso garantir que foram os dias mais encantadores e mágicos que vivi.

Amadora recebeu-me com tanto respeito e carinho que nunca poderei esquecer. Ampliaram vários desenhos meus pelas paredes, onde minha obra estava exposta, na sala "Mutarelli", um imenso Diomedes me aguardava.


Fascínio por Lisboa

Lisboa é fascinante. Lisboa é impregnada por duas palavras-chaves: Magia e Saudade.

Como nesta trilogia a busca de Diomedes é basicamente a resposta para a questão se há ou não magia, achei mais do que oportuno incorporar essa viagem à trilogia.

Dessa forma, a história começou a se ramificar, a apontar novas possibilidades, e eu resolvi seguir essas possibilidades. Resolvi seguir essas idéias, em vez de sacrificá-las e, assim, a história desdobrou-se. Por isso, decidi dividir este último livro, A Soma de Tudo, em dois volumes.

Opinião de João Miguel Lameiras

(...) se esquecermos o português telenovelesco falado pelos lisboetas desta história temos uma bela homenagem a Lisboa, que se lê com agrado, cheia de piscadelas de olho, como a presença de dois elementos da Pior Banda do Mundo, de José Carlos Fernandes, no aeroporto, ao lado de Tintin e do Professor Tournesol, ou a própria capa, que remete directamente para "O Fado" de Malhoa.

Fontes: Diário As Beiras; João Miguel Lameiras (em bedeteca) / Universo HQ

Mais informações

quinta-feira, 18 de março de 2010

"Lisbonne, voyage imaginaire" de Nicolas De Crécy e Raphael Meltz (2002)

Em "Lisbonne, voyage imaginaire", o traço de Nicolas De Crécy ilustra uma composição de textos (Camões, Voltaire, Alberto Caeiro ou Almada Negreiros) feita por Raphael Meltz.

Protocolo entre o Festival da Amadora e a AFAA

As belíssimas ilustrações de De Crecy foram feitas ao abrigo de um protocolo entre o Festival da Amadora e a AFAA (Association Francaise d'action artistique) que deu ao desenhador a oportunidade de passar um mês em Portugal, recolhendo material para um livro a escrever por Nuno Artur Silva, com edição simultânea prevista para Portugal e França.

A verdade é que, por razões nunca bem explicadas (as versões das diferentes partes estão longe de ser coincidentes...) esse livro, tal como foi inicialmente pensado, nunca chegou a sair, tendo sido convidado o escritor francês Raphael Meltz para escrever as palavras que acompanham as belíssimas imagens de De Crécy.

Viagem Imaginária

Em oposição às pequenas histórias das gentes de Lisboa escritas por Nuno Artur Silva, Meltz optou por uma viagem imaginária, feita a partir dos testemunhos indirectos da inúmera literatura de viagem dedicada à capital portuguesa, onde as (inevitáveis) evocações de Fernando Pessoa dão a caução literária a um texto mais próximo da reportagem da National Geographic do que da ficção de Nuno Artur Silva.

Prova do talento do artista, que evita ao máximo o efeito bilhete postal, as notáveis imagens de um Lisboa despida de gente que De Crecy criou, adaptam-se perfeitamente ao ensaio/reportagem de Meltz.

Fontes: Diário As Beiras; João Miguel Lameiras (em Bedeteca) / Pedro Cleto

terça-feira, 2 de março de 2010

"A Janela" de Chris Eckman (2000)

Tudo começa, bastante explicitamente, pela própria capa: uma fotografia em que a luz reflectida pela parede de um edifício lisboeta da Calçada da Estrela faz entrar pela janela aberta de um apartamento mergulhado na escuridão a imagem de uma outra janela situada em frente.

Na contracapa e no interior, outros dois ângulos de visão sobre o que se avista a partir do interior, complementados pelos agradecimentos à poesia de Fernando Pessoa e Eugénio de Andrade.

É, então, mesmo verdade: esta é a "Lisbon Story", de Chris Eckman, captada através do espaço da sua "janela" pessoal e dirigida à investigação do que se esconde atrás das "janelas" de um outro mundo físico e cultural, que, como sempre, não serve senão como revelador do universo individual interior.

Em resumo ... (Jornal "Público")

"A Janela" é o título, em português, do álbum a solo de Chris Eckman, líder do grupo norte-americano Walkabouts, de Seattle (...).

Chris Eckman, que mantém relações de amizade com uma portuguesa de nome Gabriela [Carrilho], citada no disco, utiliza também poemas de Eugénio de Andrade e Fernando Pessoa, mas não canta em português.

Gravado entre Junho de 1998 e Julho de 1999 em Portland, em Seattle e também em Lisboa, álbum traz na sua capa uma janela lisboeta.

Em "Rua Augusta", pequena faixa instrumental de um minuto e meio, Eckman utiliza sons gravados na baixa lisboeta tais como "slogans" de uma campanha eleitoral, vozes de pedintes, o barulho do trânsito.

"20 Minutes On a Train", outra das faixas do álbum, conta as emoções de uma viagem de comboio entre Cascais e Lisboa e em "Fadista" ouve-se a voz de uma cantora de fados.

Referências lusas (João Lisboa)

Os reagentes químicos desse revelador estão lá: na colagem ambiental de exteriores de "Rua Augusta"; no subliminar "sample" vocal de fado de "Fadista"; na suspensa atmosfera incidental com sons de vozes e sinos da Basílica da Estrela de "A Janela"; na referência a "rolling down the Cascais line" em "20 Minutes on a Train" e a "we'll get lost in the Baixa" de «Ghostface"; e nos "Sonhos e Sombras", que servem para designar os seis minutos da cinemática faixa final, de pura deriva sonora imaginária, num «dreamworld» virtual que encerra o álbum com as instruções da voz gravada de um «voice-mail» para guardar e apagar mensagens e conclui com o recado "Sorry, you're having trouble. Please try again later. Goodbye". (...)

Fontes: João Lisboa em "Semanário "Expresso" (adaptado) / Jornal "Público" / wikipedia



Thanks to: the recordists & the musicians, Gabriela, my family, The Walkabouts, Reinhard & Glitterhouse, the poems of Eugenio De Andrade, Carla, Darija & Pessoa, Gary, Francisco, Paula & David, Alvaro, Carlos

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

“Qualquer coisa de intermédio” com Adriana Calcanhoto

Em 1995, a Editora brasileira Nova Aguilar convidou Adriana Calcanhoto para musicar alguns poemas do poeta português Mário de Sá-Carneiro e, posteriormente, apresentar essas canções numa "performance" realizada na Livraria Argumento, no Rio, no lançamento das obras completas do poeta no Brasil.

Uma das canções, "O outro", acabou por entrar no CD "Público" (2000), que trazia regravações dos antigos sucessos (entre outras canções consagradas), dando origem a um DVD, lançado no ano seguinte pela BMG.

"Qualquer Coisa de Intermédio"

Em 2007, Adriana Calcanhoto é convidada pela fundação Gulbenkian de Paris para "fazer uma noite única com um repertório de língua portuguesa". Apresentado apenas em Lisboa e Paris, o show “Qualquer coisa de intermédio” fez sua estreia no Brasil, em 2009, no 16º Festival "Porto Alegre em Cena".

O nome do espectáculo é uma alusão a um poema português de Mário de Sá Carneiro (1890-1916) que inclui em sua letra o seguinte trecho: “Eu não sou eu nem sou o outro, sou qualquer coisa de intermédio: pilar da ponte de tédio que vai de mim para o outro”.

Repertório

No repertório, a poesia portuguesa de Camões e Fernando Pessoa, o fado, a canção provençal de Arnaut Daniel, a expressão artística portuguesa moderna de Amália Rodrigues, os versos de Fiama Hasse Pais Brandão, e ainda a reverência à musa luso-brasileira Carmen Miranda

Destaque para o texto da portuguesa Fiama Hasse Pais Brandão, "Poética do Heremita", musicado pelo cantora gaúcha, que consta do seu mais recente álbum "Maré".


"Saga Lusa"

Em 2008, Adriana lançou seu primeiro livro, "Saga Lusa". O livro é um relato da viagem a Portugal durante a digressão do disco "Maré". O relato mostra como foram as 120 horas sem dormir e os efeitos causados por uma mistura de remédios para curar uma forte gripe.

A escrita feita nos momentos de delírio, insónia e medo torna-se a única actividade que Adriana, sentada em frente ao seu computador, realiza com muito bom humor. O livro está repleto de passagens engraçadas, onde a própria escritora ri de si mesma.

O livro foi lançado pela Editora Cobogó (Brasil) com capa em 4 cores diferentes e pela Quasi Edições (Portugal).

Fontes: wikipedia / clicrbs

Video: "O Outro"

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Raimundo Fagner interpreta poemas de Florbela Espanca e Fernando Pessoa

 

O cantor brasileiro Raimundo Fagner afirma que a poesia o aproximou do público brasileiro, salientando a parceria constante, e permanente, que estabelece com letristas e poetas.

Uma dessas "parcerias" mais constantes é a poetisa portuguesa Florbela Espanca (1894-1930).


"Fanatismo"

Tudo começou, em 1981, com o tema "Fanatismo" (do "Livro de Sóror Saudade" de Florbela Espanca), incluído no álbum "Traduzir-se", até então, um dos mais conceituados discos de Fagner.

O álbum ficou entre os mais procurados nas lojas (250.000 cópias vendidas) e as faixas "Años" (de Pablo Milanés) e "Fanatismo" foram dos temas mais rodados nas rádios, pelo que a Rede Globo não teve dúvida em convidar o artista para um programa especial de sessenta minutos no horário nobre da emissora.


"Sorriso Novo"

Em 1982, Fagner lança o álbum "Sorriso Novo", com três canções adaptadas de poemas de Fernando Pessoa e Florbela Espanca musicados por Fagner e pelo músico cearense Ferreirinha: "Qualquer Música" (poema de Fernando Pessoa), "Fumo" (poema de Florbela Espanca) e "Tortura" (poema de Florbela).


1999-2000

No CD comemorativo dos seus 50 anos, editado em 1999, inclui, entre as faixas bónus, o "Soneto I", apêndice de "Charneca em Flor", de Florbela Espanca.

E em 2000, volta a musicar mais um poema de Florbela Espanca, "Chama Quente", no álbum Raimundo Fagner ao Vivo".


Outros cantores

Em 1982 muitos cantores gravaram canções de Raimundo Fagner. Cauby Peixoto foi um desses artistas, tendo gravado "Tortura", um poema de Florbela Espanca musicado por Raimundo, que foi incluido no disco "Estrelas Solitárias".

Do "Livro de Soror Saudade" gravou ainda o lancinante soneto "Frieza" em dueto com Amelinha, no LP de estreia da cantora brasileira.

E musicou "Impossível" (do livro de Florbela "Mágoas), que gravou em parceria com a cantora espanhola Ana Belém.

Outras ligações a Portugal

Fagner compôs em parceria com Abel Silva o belo fado "Cor Invisível", no qual se destaca o violão de dez cordas de João Lyra, substituindo a guitarra portuguesa.

Fontes: jornaldeluzilandia / site oficial / Litebrasil



Depoimento de Édio Azevedo (adaptado)

Outro dia eu estava matando o tempo na Leitura com a Roberta, esperando o cinema começar, quando vi um livro da Florbela Espanca na estante. Imediatamente corri e peguei. Queria mostrar para a Roberta quem era a autora de "Fanatismo", que eu conheço desde pequeno como a música do Fagner. (...)

Florbela Espanca, hoje eu sei, foi uma poetisa portuguesa do início do século XX, autora de sonetos delicados e confessionais, de impressionante contemporanidade, que lembram muito a obra de Vinícius de Moraes.

Apesar de ter crescido a ouvir Fagner, apenas recentemente conheci Florbela Espanca (...) Foi a Dadá quem me mostrou "Fanatismo", retirado de um recorte de jornal que ela tinha dado para a Janaína. Quando eu bati o olho disse: "mas essa é a música do Fagner!". (...).

Além de "Fanatismo", Fagner ainda musicou outros dois poemas de Florbela: "Fumo" e "Tortura". Para mim, nada se compara a "Fanatismo", que considero um dos mais belos poemas de amor da história, e que eu dedico, hoje e sempre, à Roberta! Te amo!

Videos: "Fanatismo", "Tortura", "Frieza" (com Amelinha)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Mensagem" de Fernando Pessoa por André Luiz Oliveira


Arrebatado pela riqueza da obra de Fernando Pessoa, por quem nutre uma antiga paixão, o músico, escritor, compositor e cineasta baiano André Luiz Oliveira transformou seu amor em sons.

Particularmente impressionado pela mística que envolve o livro Mensagem – única publicação em vida de Pessoa, ele mesmo –, Oliveira compôs músicas para 25 desses poemas e as registrou nos CDs "Mensagem 1", feito há duas décadas, e "Mensagem 2", que saiu, em 2004, em comemoração aos 70 anos da primeira edição do prestigiado volume.

Em 21 de Janeiro de 2008, o baiano relançou ambos os produtos na loja de discos Midialouca (Rio Vermelho), e lançou o DVD "Mensagem 2", que reúne imagens captadas durante as gravações do disco homónimo.

O vídeo digital exibe a interpretação, em estúdio, de cantores que participaram do projeto, todos eles também admiradores do poeta lusitano, como Milton Nascimento, Monica Salmaso, Cida Moreira, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Paula Rasec, os portugueses Glória de Lurdes e Mário Lúcio, Edson Cordeiro, Ná Ozzetti, Daniela Mercury, Zeca Baleiro e o próprio André Luiz Oliveira.

Making of, galeria de fotos, poemas e depoimentos dos cantores sobre a obra de Pessoa aparecem nos extras do DVD, assim como análises a respeito do livro Mensagem realizadas por professores universitários ligados à obra do bardo português.

Fonte (texto completo): Blog Poeiras e Cantos

Download

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Aliki Kayaloglou canta Fernando Pessoa (2007)

Aliki Kayaloglou é uma cantora grega, que já colaborou com dois dos mais importantes compositores gregos, inicialmente com Mikis Theodorakis e depois com Manos Hadjikdakis.

Empenhada em partilhar o seu gosto pela poesia, Aliki possui uma particular forma de interpretar textos poéticos e de os comunicar com o público, dando recitais, desde 1982, sobre alguns dos seus poetas preferidos como G. Seferis, O. Elytis, Cavafy K., Ritsos G., Anagnostakis M., Gatsos N., Lorca, Horácio Ferrer, Fernando Pessoa e outros.

Em 2007 lançou o disco "Aliki Kayaloglou Sings Fados and Reads Fernando Pessoa's Ode Maritima" no qual cantava o fado e declamava a "Ode Marítima" de Fernando Pessoa.


Fado e Fernando Pessoa (adaptado do blog de um lusodescendente)

Numa bela tarde, deparei-me com um disco em que apenas dois nomes me eram familiares. "Fado" e "Fernando Pessoa". (...)

Escusado será dizer que às vezes ainda caio na armadilha de sentir as minhas raízes. Mesmo com uma ênfase em outro lugar. E se o mundo fosse um? ...

Fontes: Aliki Kayaloglou (site) / Du bleu dans mes nuages

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"La Cura" e "Segunda-feira" de Franco Battiato (1995)

Franco Battiato é um dos mais famosos Cantautores italianos da actualidade. Em 1995 publica o seu álbum "L'imboscata", com letras do filósofo Manlio Sgalambro, que alcança o 2º lugar do top de álbuns em Itália, grageando a Battiato uma popularidade similar à que obtivera nos anos 80.

O video de "La Cura" foi rodado em Lisboa (Jardim da Estrela, por exemplo) e um dos temas era intitulado "Segunda-feira".

1) "La Cura"








Video: "La Cura"

2) "Segunda-feira"

Segundo um site italiano, o tema "Segunda-feira de Lisboa" apresenta um ritmo português e um eco "Pessoano".

A letra em português é uma adaptação do poema "Passagem das Horas" de Fernando Pessoa.


a) Poema de Álvaro de Campos/FernandoPessoa (excerto)

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

A entrada de Singapura, manhã subindo, cor verde,
O coral das Maldivas em passagem cálida,
Macau à uma hora da noite... Acordo de repente...


b) Letra de "Segunda Feira"

Ti porto con me
segunda-feira de Lisboa
nel mio antico mare
nell'Acqua Occidentale,
nel Mediterraneo
affollato di navi
e corpi d'ignudi nuotatori.

Fanciulli con sguardo da fiere,
gli occhi di lince dei Braganza,
fissano il Nord.
Sognando l'oltremare,
come ghirlanda intrecciano una danza.

Trago dentro do meu coração,
Todos lugares onde estive:
A entrada de Singapura
O coral das Maldivas
Macao da noite,
a uma ora, a uma ora.


Ti porto con me
Segunda-feira de Lisboa
nel mio antico mare
nell'Acqua Occidentale
nel Mediterraneo
affollato di navi e corpi
d'ignudi nuotatori

Segunda-feira de Lisboa
che nome d'incanto!
Qui da noi è lunedì.

Soltanto.

Audio: "Segunda-feira"

Video pessoal

segunda-feira, 6 de abril de 2009

"Viagem a Lisboa" de José Luis Aguirre (1996)

José Luis Aguirre é um escritor espanhol que nasceu em Valência, em 31 de Janeiro de 1931, no seio de uma família de escritores, tendo-se notabilizado sobretudo na área do conto e do teatro.

Aguirre recebeu em 2007 o Prémio Lluís Guarner. De entre os seus trabalhos é de realçar a colectânea de contos "Cuando éramos jóvenes", que incorpora novas técnicas narrativas como o "estilo indirecto livre", o "monólogo interior", "palavras novas", "ruptura tipográfica" e "numeração caótica".

A série, dedicada ao escritor português Fernando Pessoa, inclui os capítulos "Viaje a Lisboa", "Inicio en Lisboa", "Buscando al Señor Pessoa", "El día que desapareció el señor Pessoa" e "La Última Estafa".

Señor Pessoa

“Si vas a Lisboa, como he oído, dale recuerdos de mi parte al amigo Pessoa”. “¿A quién?” “A Fernando Pessoa, hombre... no me digas que no lo conoces o, al menos, no lo has oído nombrar”. “Si claro, Pessoa”, disimulé mi ignorancia. “En Lisboa lo conoce todo el mundo y si tienes tiempo le darás un paquetito de mi parte. No sé la dirección pero tu pregunta porque en Lisboa, como te digo, lo conoce todo el mundo”.

Al día siguiente Miguel me enviaba una cajita envuelta en papel de regalo muy bien atada con una cinta verde y con el nombre y dirección en una de sus caras: “Fernando Pessoa. Chiado. Lisboa” (...)

(...)

"El señor Pessoa no estaba en los cafés. El señor Pessoa no estaba en el embarcadero viejo. El señor Pessoa no estaba en la Plaza del Comercio. El señor Pessoa no estaba en su pensión. El señor Pessoa no estaba en la oficina. El señor Pessoa no estaba en Lisboa."

Versão integral

Fontes: uji / Panorama

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

"Comboio Nocturno para Lisboa" de Pascal Mercier (2004)


Pascal Mercier - pseudónimo de Peter Bieri, é um escritor Suiço, nascido em Berna, que é actualmente professor de Filosofia em Berlim, onde vive.

No seu terceiro livro, "Comboio Nocturno para Lisboa" (“Nachtzug nach Lissabon”), o escritor desvenda uma Lisboa mística num thriller filosófico, relatando a história de um professor suiço que troca uma vida de rotinas pela busca de um escritor português, ao jeito de Fernando Pessoa.

O livro esteve 140 semanas na tabela dos livros mais vendidos na Alemanha e foi igualmente um sucesso editorial em França e Espanha, tendo transmitido uma nova visão sobre Portugal e dado à expressão "apanhar um comboio nocturno para Lisboa" o sentido de mudar de vida.


Sinopse

Raimund Gregorius, um professor de Latim e Grego, tem, num mesmo dia, um encontro fortuito com uma mulher portuguesa numa ponte de Berna e depara-se com um livro que contém as reflexões enigmáticas de um português. Em consequência desses dois acontecimentos, o professor toma a decisão de viajar para Lisboa para procurar o autor do livro (Amadeu Prado, um autor imaginado pelo escritor).

A sonoridade da língua portuguesa

Foi a música da língua portuguesa que o levou a escrever “Comboio Nocturno para Lisboa”, tendo sido motivado pelo som da língua e pela melodia das frases.

Segundo o escritor, o som da língua portuguesa “É suave, terno, sedativo, que não seduz facilmente. Consigo ouvir a melodia do português durante todo o dia. Em minha casa tenho um canal de televisão português e consigo ouvir aquilo durante horas, ainda que muitas vezes não perceba nada. É como uma bela paisagem e entramos naquela paisagem e esquecemos tudo.”

Livro de Amadeu de Prado no filme adaptado da obra de Pascal Mercier

Porquê a escolha de Portugal e de um escritor português

Achei que eu, suíço, criado na cidade de Berna, não conseguia ter estofo para fazer sair de mim as frases que saem da pena de Amadeu de Prado. Eu era muito pequeno e insignificante. (...) A solução era inventar uma personagem que pudesse dizer frases como aquelas e essa pessoa foi Amadeu de Prado (...)

Porque havia [Fernando] Pessoa, o som da língua que adoro e lamento não ter tempo para a aprender a falar. E Lisboa como cidade que assenta perfeitamente em Raimund [nome da personagem do professor de filosofia que deixa tudo para ir atrás da escrita misteriosa de Amadeu de Prado].

É uma cidade lenta, com ares de século XIX, tirando os carros; um pouco decadente. Precisava ainda de um ditador para ter o tópico político da resistência no livro. Para se ter uma movimento de resistência é preciso haver um ditador e entre o ditador e aquele resistente queria que houvesse um conflito do tipo pai e filho, tinha de ser um ditador especial, com a imagem de paternidade. Não podia ser Franco, nem Hitler nem Mussolini ou Estaline.

Salazar era um tipo diferente de homem. Um intelectual, professor de economia, não era alguém que gostasse da brutalidade. Claro que cometeu actos brutais, mas nada como Estaline ou Hitler. Portanto foi Pessoa, o som da língua, Lisboa como cidade e o ditador certo. Tudo isto me levou a Portugal e a Lisboa.

Fontes: casa dos pais, portal da literatura


"Comboio Nocturno para Lisboa" foi adaptado ao cinema pelo realizador dinamarquês Billie August em 2013, contando nos principais papeis com actores de reconhecida notoriedade como Jeremy Irons, no papel de Raimund Gregorius.

quarta-feira, 26 de março de 2008

"Viagem a Lisboa" de Monsieur Jean (1990)


 Monsieur Jean é um personagem de banda-desenhada criado, em 1990, por Dupuy-Berberian (Philippe Dupuy e Charles Berberian) na revista Yéti.

A série, adaptada ao cinema em 2007, conta a vida quotidiana de Monsieur Jean um parisiense celibatário, na casa dos 30 anos, que está permanentemente à procura de uma ideia para escrever um romance.

Dupuy e Berberian criam uma subtil (mas evidente) continuidade ao longo de álbuns construídos de pequenos episódios aparentemente díspares, unidos por breves interlúdios temáticos. Se no primeiro álbum temos a ubíqua porteira, em “Les nuits les plus blanches” seguem-se infernos que a idade acentua: a azia e as insónias...

Neste segundo volume inclui-se aliás um excelente episódio mais longo passado no nosso país, sob a sombra tutelar de Fernando Pessoa: “Voyage à Lisbonne”.




Monsieur Jean perde um livro que lhe fora oferecido pelo seu avô, sendo um pretexto para homenagear Fernando Pessoa e para abordar uma característica do personagem que ainda não fora explorada, a angústia.

A ideia foi proposta a Dupuy-Berberian por um colega, Hervé Tullet, que lhes falou de Fernando Pessoa e da Saudade, que, segundo os autores, é uma espécie de mistura de sentimento nostálgico e melancolia que se desenvolveu no seu trabalho.


Fontes/Mais informações: DuberF. Cleto e Pina / Bedeteca 

sexta-feira, 7 de março de 2008

Katharina Franck (dos Rain Birds) roda video em Lisboa com Anton Corbijn (1989)

Katharina Franck nasceu em Düsseldorf em Julho de 1963, tendo vivido cerca de 12 anos em Portugal e 2 anos no Brasil.

Regressou em 1980 à Alemanha para se tornar uma "pop star", tendo formado o grupo Rainbirds que obteve grande sucesso com os primeiros dois álbuns (ambos TOP 5 na Alemanha), donde foram extraídos, para single, temas como "Blue Print" (1987) e "Sea of Time" (1989).

Em 1993 incluiu no álbum "In a different ligt" dos Rainbirds dois temas em língua não inglesa: "Pessoa 1934" (em Português, com base num poema de Fernando Pessoa) e "Jamais Jamais" (em Francês).

Anteriormente, em 1990, publicara com o grupo Stein um tema em português chamado "Educação".

Alguns dos seus videoclips foram dirigidos pelo famoso fotografo e realizador holandês Anton Corbijn, tendo o videoclip de "Love is a better word (White city light)" sido rodado - em 1989 - em Lisboa (que é a cidade branca do título).




A cantora Nicole Eitner (corista dos Delfins) incluiu recentemente no seu album uma versão do tema "Love is a better word (White city light)".



Link: video

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Antonio Tabuchi, um escritor italiano que sonha em português


António Tabucchi, escritor e professor na Universidade de Siena, onde lecciona Língua e Literatura Portuguesa, encetou, nos anos 60, uma relação afectiva com Portugal que viria a aprofundar-se ao longo do tempo.

Quando veio pela primeira vez a Portugal, em 1964, apenas conhecia os fados de Amália Rodrigues e de Alfredo Marceneiro e um poema de Fernando Pessoa, em francês, que era “A Tabacaria” (“Bureau de Tabac”), que descobrira, em Paris, num período em que aí estudara. Encantado com esse poema, decidiu estudar a língua portuguesa para melhor compreender a obra do poeta português.
Nessa ocasião, conheceu muitas pessoas com as quais se ligou afectivamente, como os escritores Alexandre O'Neill e José Cardoso Pires, tendo em 1967 conhecido aquela que viria a ser a sua esposa (Maria José de Lencastre).


Um dos seus romances, “Requiem”, foi escrito em português:

“(...) tinha muito desejo de escrever uma história que falasse de Portugal, e que se desenvolvesse em Portugal. E, para meu espanto, quando comecei a escrever nos cafés de Paris, a história começou a ser em português. Achei que, talvez depois do primeiro capítulo, ía retomar o italiano e depois traduzir para português, mas, pelo contrário, a história continuou em português e, sabem, não fui bem eu que escrevi essa história, foi a história que me escreveu ...”

Fonte: Wikipédia, TV Guia




"Nasceu em 1943, em Pisa. É professor de Literatura Portuguesa na Universidade de Siena. Entre os seus livros, destacam-se Nocturno Indiano (1984) que recebeu o Prémio Médicis étranger em 1987, Pequenos Equívocos sem Importância (1985), O Fio do Horizonte (1986), Os Voláteis do Beato Angelico (1987), Chamam ao Telefone o Senhor Pirandello (1988), O Anjo Negro (1991), Requiem (1992), escrito em Português e premiado pelo Pen Club, Sonhos de Sonhos (1992), Afirma Pereira (1994), Prémio Internacional Jean Monnet em 1995, Os Três Últimos Dias de Fernando Pessoa (1994) e A Cabeça Perdida de Damasceno Monteiro (1997).

Com Maria José de Lencastre dirigiu e traduziu a edição italiana das obras de Fernando Pessoa, sobre o qual escreveu vários ensaios (Un baule pieno di gente, 1990) e traduziu a poesia de Carlos Drummond de Andrade (Sentimento del Mondo, 1987)."

in Europa e Cultura - Seminário Internacional, Fundação Calouste Gulbenkian, Maio de 1998

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

"A Música em Pessoa" em versão brasileira



Lançado pela primeira vez em 1985, data em que se comemorou os cinquenta anos de morte de Fernando Pessoa, "A Música em Pessoa" é um exemplo de casamento perfeito entre a poesia portuguesa e a canção brasileira.

São 15 poemas, musicados por alguns dos principais compositores brasileiros: Antonio Carlos Jobim, Francis Hime, Edu Lobo, Milton Nascimento, Sueli Costa, Arrigo Barnabé, Dori Caymmi, entre outros. Se Fernando é português na poesia, "A Música em Pessoa" é brasileira na canção.

Produzido por Elisa Byington e Olivia Hime, "A Música em Pessoa traz, em sua nova edição, remixada e remasterizada, um bónus especial: a inédita versão de Tom Jobim para "Autopsicografia" ('dos versos o poeta é um fingidor finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente'), cantada pelo próprio Tom.



A canção havia ficado de fora da edição original por um argumento simples: na euforia de musicar poemas de Pessoa, Tom excedera a encomenda fazendo três canções para o disco. "Autopsicografia" acabou ficando num baú virtual por 17 anos (mais ou menos como a obra de Pessoa, só revelada em toda sua grandeza depois da morte do poeta, em 1935).

Tom interpreta ainda suas versões para "O Rio da Minha Aldeia" e "Cavaleiro Monge"; Marco Nanini relê "Passagem das horas", com música de Francis Hime; Francis e Olivia Hime cantam "Glosa"; Marília Pêra sustenta "O menino da sua mãe", ambas com melodia de Francis; Nana Caymmi potencializa "Segue o teu destino", musicada por Sueli Costa; Ritchie revela um aspecto britânico de Pessoa em "Meantime"; Jô Soares incorpora Álvaro de Campos em "Cruzou por mim, veio ter comigo em uma rua da baixa".



A intenção das produtoras de "A Música em Pessoa" foi incluir os quatro heterónimos mais famosos do poeta: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares, além de poemas assinados por Fernando Pessoa - ele mesmo.

O álbum foi recentemente reeditado pela etiqueta brasileira 'Biscoito Fino', podendo ser encomendado (e ouvido) na sua página na Internet

Fonte: Biscoito Fino