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segunda-feira, 15 de junho de 2015

O Vinho da Madeira na literatura mundial


O Vinho é um tema que atrai a atenção de todos, cativando, de forma especial, também poetas e literatos. O Vinho da Madeira é, como muito dos licorosos, um caso singular na História e na Literatura.

As referências literárias e artísticas ao vinho Madeira estão circunscritas aos principais espaços consumidores, em que se destacam os Estados Unidos da América e o Reino Unido. A sua referência tanto surge em textos, em prosa e verso, que descrevem épocas determinadas, ou através do testemunho de viajantes e de guias, que desde o Século XIX, que divulgam as potencialidades turísticas da ilha.


De todas a referência mais frequente e valorativa acontece na obra de Shakespeare, o que demonstra a importância que este vinho assumiu no quotidiano britânico, quer no meio da aristocracia, que na agitada vida dos pubs londrinos.

Na Europa, excepção feita ao Reino Unido, é na Rússia e na França que estas referências surgem com maior frequência, dando conta que o vinho estava presente nos ambientes mais requintados da sociedade.


 Reino Unido

Na peça "Henrique IV" de William Shakespeare, Falstaff é acusado de trocar a sua alma por uma perna de frango e um cálice de vinho da Madeira.

Outro caso dá-se em 1478 e é o da condenação à morte de George de York, Duque de Clarence, irmão de Eduardo IV e Ricardo III, que escolheu alegadamente ser afogado dentro de um tonel de vinho (que a lenda ser da Madeira, da casta Malvasia, contudo na peça "Ricardo III" apenas se refere malvásia, sem qualquer pista da sua proveniência).


Jane Austen (em “Mansfield Park” e “Emma”), Charles Dickens (em “Bleak house”, onde é referido que é agradável beber o vinho Madeira com pão doce e pudim, mas também em “Little Dorrit”, “Our Mutual Friend”, entre outros),  Robert Smith Surtees (em “Handley Cross” bastava uma garrafa de malvásia da Madeira) ou Walter Scott (em “The Antiquary”) são outros bons exemplos de referências literárias.


Rússia

No caso russo, Dostoievsky (1821-1881) ou Leon Tolstoi (1828-1910) são exemplo de referências literárias ao vinho Madeira.

Em “Crime e Castigo” lamenta-se a pouca variedade de vinhos e a falta imperdoável do “Madeira”, enquanto que Tolstoi faz referência a um "Madeira seco" em "Guerra e Paz" e na novela "Os Invasores" fala de um genuíno Madeira no casco, de 1842.



França

Mais abundantes são as incidências da literatura francesa do Século XIX, podendo-se associar o vinho Madeira a escritores famosos como Balzac (em “Les Paysans” e “La Peau de chagrin”), Jules Verne (em “Os filhos do Capitão Grant”), Sade (em “Justine”), Alexandre Dumas (em “20 anos depois”), Guy Maupassant (em “Bel-Ami” e “La parure e outros contos parisienses”), Flaubert (em “Correspondência”) ou Chateaubriand (“Mémoires d’Outre Tombe”).

Segundo Anatole France, em “Le Petit Pierre”, o vinho Madeira acompanha bolos secos e apenas “un doigt de vin de Madere anima les regards, fit sourire les levres”.

Victor Hugo faz referência, em "Os Miseráveis", ao vinho da Madeira, da colheita de "Curral das Freiras", a trezentas e dezassete toesas acima do nível do mar, que era bebido tranquilamente por umas senhoras.

Já para Alfred Musset o Madeira caia bem com uma asa de perdiz. Mas Proudhon queixa-se que este vinho e outros europeus não estão acessíveis a todo o povo.


Estados Unidos da América

A produção de vinho foi estimulada pela necessidade de abastecer os navios nas rotas do Atlântico para o Novo Mundo e para a Índia, e pela presença dos ingleses na ilha, que fizeram com que o vinho fosse conhecido em toda a Europa e América, tornando-se o vinho preferido em banquetes e mesas requintadas das cortes europeias e nas respectivas colónias. Por exemplo, foi com vinho da Madeira que em 4 de Julho de 1776 se brindou à independência dos Estados Unidos da América, provavelmente porque era o vinho de eleição do estadista Thomas Jefferson.

Segundo Nathaniel Parker Willis, em "Dashes at Life", o Vinho Madeira era conhecido como vinho de casamento.

Em "A Narrativa de A. Gordon Pym", Edgar Allain Poe refere o Capitão Joel Rice da escuna Firefly, que partiu de Richmond, Virginia, para a Madeira, no ano de 1825, com uma carga de milho. E fala de uma carga de "three gallons of excellent Cape Madeira wine".

Ricahard Penn Smith em “The Forsake: A tale” menciona "muitas pipas de bom vinho velho da Madeira".

James Fenimore Cooper, em “Afloat and Ashore” refere o “East India Madeira” que era conhecido na ilha como vinho de roda e era conhecido pela designação inglesa devido ao facto de fazer a viagem desde o Fuchal às Índias Ocidentais e o retorno a Londres. A dupla passagem pelos trópicos atribuía-lhe um envelhecimento prematuro que era do agrado dos ingleses. Já em”The Ways of the Hour” (1850) o vinho Madeira, certamente o “seco”, era bebido frio ou com pedra de gelo.

Herman Melville (em “White Jacket” de 1850) é outro dos exemplos.

Fontes/Mais informações: Alberto Vieira em "O Vinho Madeira. Valorização e importância económica e social através dos testemunhos da literatura e arte" / Revista Essential Madeira Islands / wikipedia / Looorock  

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

As múltiplas versões de “Canção do Mar"


"Canção do Mar", com letra de Frederico de Brito e música de Ferrer Trindade, foi inicialmente cantada por Maria Odete Coutinho, no âmbito de um espectáculo dos Companheiros da Alegria.

A canção foi igualmente interpretada por Carlos Fernando, integrante dos conjuntos musicais da chamada linha de Cascais, que um dia a levou ao Talismã, o programa da manhã no Rádio Clube Português, apresentado por Armando Marques Ferreira, António Miguel, Mary e o sr. Messias.


Seria, no entanto, o Conjunto de Mário Simões a gravar em 1953, nos Estúdios da Emissora Nacional, em Lisboa, o primeiro de uma longa série de discos de 78 rotações por minuto que incluía no lado A o original de “Canção do Mar”, que tinha sido oferecida ao conjunto. 


Nessa época (1954), o realizador francês Henry Vernueil decide rodar em Lisboa parte do seu filme “Les Amants du Tage” (“Os Amantes do Tejo” na versão portuguesa ou "Tagus Lovers" para os anglófonos), protagonizado por Daniel Gelin e Trevor Howard e convidou Amália para um pequeno papel.


Amália canta dois fados no filme: a versão politicamente correcta de “Mãe Preta”, do brasileiro Caco Velho, com o título de “Barco Negro”, e “Canção do Mar”, mas com outra letra e o título de “Solidão”, pois o realizador francês “embirrou” com a letra de Frederico de Brito e encomendou outra letra ao poeta e catedrático David Mourão-Ferreira.



Mas “Solidão” não fez grande sucesso na altura, pois foi, logo em 1956, recuperada a letra original de Frederico de Brito, para “Canção do Mar”, a qual foi gravada no Brasil inicialmente por Agostinho dos Santos e, no ano seguinte, por Almir Ribeiro.


Ainda em 1956, “Canção do Mar” é adaptada à língua francesa, pelo letrista Jacques Plante, sob o título de “Trop de Joie”, sendo gravada, em ritmo fado-fox, por Yvette Giraud, que já fora a responsável pelo lançamento em frança de “Coimbra”, ou “Avril au Portugal” na sua versão em francês, o maior sucesso da música portuguesa.


Foram igualmente editadas em inglês, ainda na década de 50, duas versões distintas. “Song of the Sea”, com letra de Jimmy Lally, que foi interpretada por artistas como Winifred Atwell; com a participação da orquestra de Frank Chacksfield, e Caterina Valente. E “Goodbye my love”, com letra de Lew Monroe e Craig Stevens, cantada por Maria Pavlou.


Outras versões lançadas na década de 50 foram as adaptações em espanhol, “Cancion del Mar”, com letra de Gustavo Dasca, em finlandês, com o título “Liian onnellinen”, com letra de Itä, em ritmo Beguine, popularizado por Maynie Sirén Laulaa, e em alemão, com letra da autoria de Willy Hoffmann, com o nome de “Traum Elegie”.

E ainda a versão em italiano, "Canzone del Mare", com letra de Misselvia, gravada em ritmo baião pela Orchestra Angelini.



Em Portugal, Anamar incluiu uma versão da “Canção do Mar” no seu álbum “Almanave”, de 1987, mas foi sobretudo Dulce Pontes que relançou a composição de Ferrer Trindade incluindo-a no álbum “Lágrimas”, editado em 1993.


A adaptação de Dulce Pontes tornou-se a mais conhecida versão de “Canção do Mar”, sendo incluída nas bandas sonoras de filmes e séries norte-americanas, como "A Raiz do Medo" (título inglês - "Primal Fear"), no qual Richard Gere contracena com Edward Norton, "Atlantis: O Continente Perdido" (título inglês - "Atlantis: The Lost Empire"), da Disney, e no genérico da série “Southland”.

Curiosamente, “Canção do Mar” foi incluída na banda sonora de duas telenovelas brasileiras: a versão de Amália (“Solidão”), acompanhada pelo saxofonista americano Don Byas, na banda sonora de “Semideus” (1973), da TV Globo; e a versão de Dulce Pontes na abertura da telenovela “As Pupilas do Senhor Reitor” (1994-1995), da SBT.


A cantora brasileira Roberta Miranda regravou igualmente o tema em 1995, na sequência do sucesso de Dulce Pontes, tal como muitos outros artistas internacionais que cantaram as suas próprias versões, com letras distintas das adaptações dos anos 50, como a italiana Milva (com a versão em alemão, ”Das Já Zum Leben”, 1999), a francesa Héléne Segara (“Elle tu l'aimes”, 2000), o porto-riquenho Chayanne (“Oye, Mar”, 2000), a hispano-argentina Chenoa (“Oye, Mar”, 2002), ou as turcas Aysegül Aldinc (“Güle Güle”, 2002), Seden Gürel (“Ben Kadinim”, 2002), ambas com o subtítulo“Solidão” e a inglesa Sarah Brightman (“Harem”, 2003).





O cantor espanhol Júlio Iglésias gravou o tema em português no seu disco “Ao meu Brasil”, destinado ao mercado brasileiro, com uma letra adaptada: “Canção do Mar (Meu Brasil, Meu Portugal”).

E o cantor polaco Marek Torzewski editou em 2002 no seu álbum “Nic Nie Dane Jest Na Zawsze” uma versão intitulada "Wiem, Ze Nic ...".

Fontes: Portuguese Times (Eurico Mendes) / João Carlos Calixto (sobre Mário Simões) / Truca (sobre Maria Odete Coutinho) / Wikipedia

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Álbum lusófono de Anna Maria Jopek (2011)

A cantora Anna Maria Jopek está actualmente a promover três discos novos dedicados a três diferentes inspirações: o folclore polaco em "Polanna", a fusão das tradições musicais da Polónia e Japão em "Haiku" e a música lusa (lusófona) em "Sobremesa".

Os três álbuns estão disponíveis numa única publicação intitulada "Lustra" onde a música é acompanhada por uma centena de fotos representativas dos últimos três anos. Segundo o site oficial da cantora, "Sobremesa" é uma espécie de "sobremesa", após a sofisticação do prato principal (os dois restantes álbuns).


O álbum apresenta diversas histórias de Lisboa, a cidade onde Anna Maria Jopek encontrou a sua segunda casa. É uma colecção de algumas das suas canções preferidas no seio do mundo do Português e da cultura lusófona.

"Sobremesa" foi gravado em Lisboa com uma banda multicultural criada para esta ocasião e conta com a presença e as músicas de cantores e compositores de língua portuguesa como Sara Tavares, Camané, Paulo de Carvalho, Ivan Lins, Tito Paris, Beto Betuk e Yami.

Há ainda três composições inéditas (nomeadamente o dueto com Tito Paris) criadas especialmente para este projeto luso-polaco. Anna Maria Jopek (que já foi protagonista de uma campanha publicitária do Millennium BCP na Polónia) interpreta em Português (com sotaque de portugal e do Brasil), na língua crioula e em Kimbundu.

Ela canta algumas canções em língua portuguesa, com aquele delicioso sotaque que as polacas têm quando falam a língua de Camões e que já arrebatou muitos corações lusitanos, brasileiros, angolanos...

A banda que acompanha a cantora na "Sobremesa Toure" é composta por Yani, Nelson Canoa (do programa da SIC "Ídolos"), Marito Marques, Joao Balão, Marek Napiórkowski e Henryk Miśkiewicz.

Alinhamento

1. Rua dos Remédios (do álbum "Catavento" de Beto Betuk)
2. Tylko tak Moglo Byc (com Tito Paris)
3. Mãe Negra (com Paulo de Carvalho)
4. Lizbona Moja Milosc (com Sara Tavares)
5. Kananga do amor
6. Noce Nad Rzeka
7. Ye yo (com Yami)
8. Cabo da Roca
9. Naanahanae
10. Smuga Smutku (com Ivan Lins)
11. Sodade
12. Spojrz, Przeminelo
13. Lizbona, Rio I Hawana

Letras (Cabo da Roca)

Czy tu się kończy świat?
Czy drugą stronę ma?
To wie jedynie wiatr.
Jesteś na Cabo da Roca

Possível tradução (com base no tradutor do google)

Será que existe o fim do mundo ?
Será que existe o outro lado?
Apenas sabe que há vento.
Quanto estás no Cabo da Roca

Fontes: eurovisionontop / grandprixeurovision.blogspot / danjazzpoucodetudo / Tugas na Polónia

Videos pessoais: "Mãe Negra" (com Paulo de C.) / Lizbona Moja Milosc (com Sara Tavares) / Cabo da Roca

quarta-feira, 20 de abril de 2011

"Bosque proibido (Noite de São João)" de Mircea Eliade (1954)

Ao escrever nos anos cinquenta o seu romance "Bosque proibido (Noite de São João)", Mircea Eliade escolheu Portugal para criar aí o único ninho de felicidade do romance: A Estufa Fria, no Parque Eduardo VII, Cascais e o Buçaco.

O protagonista, Stefan Viziru, chega duas vezes a Portugal no meio de uma Europa em guerra. Numa ilha de felicidade junta-se com o seu amor de juventude, Ileana. Não sabe, porém, reter este momento, decifrar o enigma, perde Ileana para sempre e volta à pátria.


No prefácio à edição portuguesa do seu romance, Eliade explica a razão da sua escolha, o porquê do ninho de felicidade em Portugal: «Creio que, mais do que qualquer outro trabalho literário meu, este romance poderá interessar o leitor português. Passei cerca de cinco anos em Portugal, e uma parte da acção do romance decorre em Lisboa, Cascais e Coimbra (…)

Se os compreendi bem, os Portugueses têm uma determinada concepção do Tempo, da Morte e da História, que lhes permite pressentir o tema central (e «secreto») do romance (…).

Parece-me que para os Portugueses (como aliás para os Romenos), o Tempo, a História, a Morte e o Amor conservam o carácter de mistérios".

Nota: Os últimos anos em Lisboa (1943-1945) foram para Eliade um calvário. O que mais o abalou foi a morte de sua mulher, Nina Mares.

Fonte: Albert von Brunn, "Mircea Eliade em Portugal (1940-1944)" - Instituto Camões

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Mircea Eliade e Portugal (1941-1945)


Em 1941 Mircea Eliade - um dos autores mais consagrados no que diz respeito à interpretação e ao estudo dos símbolos - foi nomeado secretário de imprensa na capital portuguesa.

Interessou-se pelos clássicos, como Sá de Miranda, Camões e Eça de Queiroz, e empenhou-se em estabelecer elos mais fortes entre os latinos do ocidente e do oriente, impulsionando traduções, conferências e concertos.

Deixou diversas obras ligadas ao nosso país, algumas de forma directa, e uma outra mais curiosa.


Emergiu, há poucos anos, um diário que Eliade terá mantido sobre os seus anos passados em Portugal. Editado em Barcelona, com o título “Diário Português”, este documento importante manteve-se muito tempo sem versão em português.

Enquanto esteve em Portugal, o escritor romeno foi um observador muitas vezes crítico, mas jamais mal-educado ou hostil, de Portugal e dos seus habitantes.

"Lisboa conquistou-me desde o primeiro dia (…). No último ano da minha estadia em Calcutta tinha começado a aprender o português com método e paixão".

Mircea Eliade entrou em contacto com jornalistas portugueses e com o director do então Ministério de Informação e Propaganda António Ferro (1895-1956). Ao mesmo tempo iniciou o estudo da obra de Camões.

Tinha o propósito de escrever um livro sobre Camões e a Índia portuguesa. Este livro, porém, como muitos outros, não passou dum projecto inacabado.


"Salazar e a Revolução Portuguesa" tinha por objectivo inspirar o general Ionescu a seguir o exemplo do português de criar uma ditadura não totalitária. Quem não parece ter gostado da brincadeira, contudo, foi Salazar. A obra só recentemente foi editada em português.

"Salazar, que tinha cometido a 'gaffe' de ordenar luto pela morte de Hitler e tinha sido injuriado na imprensa anglo-americana, corrigiu o erro rompendo as relações com a Alemanha, fechando a Legação e congelando os fundos alemães", anotou Eliade no seu diário, no dia 10 de Maio de 1945.

O escritor romeno conheceu pessoalmente Salazar, que retrata com simpatia ("É menos rígido visto de perto"), mas segundo Corneliu Popa (tradutor da sua obra para português), "não era propriamente fascista".

"É inegável que Eliade tinha simpatias de direita, mas não era um militante surdo e cego. Ele defendia um Estado autoritário, mas não totalitário", disse.


"Os Romenos: Latinos do Oriente" era uma síntese histórica, cultural e espiritual do seu país, tendo avançado a hipótese de haver uma ligação grande entre os actuais habitantes da Roménia e de Portugal, uma vez que teriam sido soldados da Península Ibérica os primeiros latinos a colonizar a Roménia.

Fontes: Filipe d’Avillez, Revista “Os Meus Livros” (adaptado) / Instituto Camões / Nonas Nonas / wikipedia

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vídeo clip do tema “Amazing" rodado em praias portuguesas (2009)

A cantora romena Inna (Elena Alexandra Apostoleanu) rodou o vídeo clip do tema “Amazing“ em diversas praias portuguesas do Oeste (Praias das Maçãs e Praia Grande).

O video foi realizado por Tom Boxer em Agosto de 2009 (ano de edição do single na Roménia e noutros países europeus), mas apenas foi lançado no Reino Unido em 15 de Agosto de 2010.

É de realçar a participação no video da academia de surf da praia de Carcavelos e do nadador salvador.





Depoimento de RapCorreia

A maior parte do clip é filmado na Praia das Maças, outra parte na Praia Grande e ainda aparecem imagens da Praia da Adraga e do Guincho.

Há uma pequena parte em que se vislumbra a Ericeira ao fundo, não consegui identificar em que praia exactamente foram filmadas aquelas imagens...

Pode ser Foz do Lizandro ou S.Julião, mas parece-me mais provável ser esta última...

E vivam as praias do Oeste!!!... :)

Fontes: wikipedia / Ne-miguelito

Video: Youtube

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

"Nona Porta" de Roman Polanski (1999)


Inspirado na obra do escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, editada em Portugal com o título "O Clube Dumas" - a "Nona Porta" marca o regresso de Roman Polanski ao "thriller" sobrenatural após o assustador "A Semente do Diabo" (1968).

A estrela de serviço é Johnny Depp, muito bem acompanhado por Lena Olin ("Mr. Jones", "Chocolate") e com a especial aparição do músico Goldie.

Sinopse

Depp é Dean Corso, um "caçador" de livros raros e antigos pouco escrupuloso. É contratado por um estranho cliente, Boris Balkan (Frank Langella), para encontrar uma obra misteriosa, o "Livro das Nove Portas para o Reino das Trevas", da qual se pensa existirem apenas três cópias. Balkan, perito em satanismo, tem uma edição que deseja autenticar e quer que Corso encontre as outras duas. Diz-se que o livro é um manual para invocar Satanás e que foi escrito pelo próprio...

O desenrolar da investigação obriga Corso a diversas aventuras entre Nova Iorque, Toledo, Paris e até Sintra.

Locais: Casal Biester, Rampa da Pena, Sintra, Lisboa

Fonte: Público



Vinhos

Johnny Depp comprou no Bar do Binho um Fonseca vintage, 1912, por 500 contos. Ele estava na altura a filmar em Sintra com o realizador Roman Polanski e apaixonou-se de tal forma pelos néctares durienses que ainda gastou mais 800 contos, dividos por um Burmester vintage, 1948, um Quinta do Noval Nacional Vintage, 1994, e outro de 1963 que terá ficado por 400 contos.

Fonte: DN, Duarte Galvão

Imagens disponibilizadas por C4pt0m3nt3


quarta-feira, 4 de junho de 2008

Expo 98 (Europa de Leste)

Croácia (I)


Rússia (Eurásia)


Eslováquia



Croácia (II)

segunda-feira, 10 de março de 2008

"Seara de Vento" de Manuel da Fonseca (1958)


"Em Bratislava (na Eslováquia) encontrei um operário da indústria pesada (na sua casa, que visitei, havia uma biblioteca de mais de três mil livros) cuja preocupação imediata era aprender francês para ler Corneille no original. As excelentes traduções não lhe bastavam.

E em Terezín, numa granja agrícola, um camponês mostrou-me orgulhosamente, a versão checa da “Seara de Vento”, de Manuel da Fonseca – um entre vários outros escritores portugueses que possuía numa sala apenas destinada a livros. Falou-me de Amanda Carrusca, a velha camponesa da “Seara...”, como quem fala de uma tia distante mas sempre próxima. ‘O seu povo é assim, meu amigo ? – perguntou-me. – O seu povo é como Amanda Carrusca ?’"

Fonte: Baptista-Bastos, “Capitão de Médio Curso” (*)

(*) Ensaio de biografia publicado em 1978, que se dividia em três áreas: “no curso doméstico”, “No curso da amizade” e “No curso das Viagens”.


Manuel da Fonseca, verdadeiro clássico do romance neo-realista português, além de poeta e contista, escreveu o romance "Seara de Vento" (1958), obra famosa pela apreensão de aspectos da vida dos camponeses no plano da ficção, em que o tratamento da antinomia cidade-campo é bem diverso do uso tradicional.
(...)
Em "Seara de Vento", de Manuel da Fonseca, dois personagens se impuseram: o vento (antropomorfizado) e Amanda Carrusca, mulher pequena, esquelética, mas indomável na força anímica que desde o inicio evidencia.

Fonte: passeiweb

sábado, 10 de novembro de 2007

Amália através do Mundo


Amália actua pela primeira vez no estrangeiro, a 07 de Fevereiro de 1943 em Madrid, a convite do embaixador Pedro Teotónio Pereira.

Em Setembro de 1944, Amália viajou para o Brasil acompanhada pelo maestro Fernando de Freitas para actuar no mais famoso casino da América do Sul: o Casino Copacabana.


Em 1946 regressa a Lisboa depois de ter permanecido onze meses com uma companhia de revistas no Rio de Janeiro, onde grava também os seus primeiros discos, oito 78 RPM com um total de 16 gravações, para a editora brasileira Continental.

Em Abril de 1949 cantou pela primeira vez em Paris, no Chez Carrère e em Londres no Ritz, em festas do departamento de Turismo organizadas por António Ferro.


Décadas de 50-60

Um marco decisivo na internacionalização de Amália é a sua participação, em 1950, nos espectáculos do Plano Marshall, que contribuiu para o sucesso internacional de "Coimbra" (igualmente conhecido como "Avril au Portugal", "April in Portugal", "The Whisp'ring Serenade" ou "Abril en Portugal").

Em 1952 Amália actua pela primeira vez em Nova Iorque, no "La Vie en Rose", onde ficará 14 semanas em cartaz.

Actua pela primeira vez na Cidade do México em 1953.



E torna-se na primeira artista portuguesa a actuar na televisão americana no famoso programa "Coke Time with Eddie Fisher", onde interpreta "Coimbra" ("April in Portugal"), que se tornara um enorme sucesso nos Estados Unidos.






É editado nessa altura o seu primeiro álbum, “Amália Rodrigues Sings Fado From Portugal and Flamenco from Spain”, que não foi editado em Portugal mas teve edições em Inglaterra e França, e inclui “Coimbra”.


Por exigência do mercado americano, Amália gravou alguns flamencos e a propósito conta-se que Orson Welles perguntou um dia, em Madrid qual era a maior cantora de flamenco e os madrilenos responderam que era portuguesa, vivia em Lisboa e chamava-se Amália.

Estreia-se no Mocambo, em HolIywood, em 1954.


Amália é convidada para um pequeno papel no filme de Henri Verneuil “Os Amantes do Tejo", produção francesa parcialmente rodada em Portugal, em 1954, com Daniel Gélin e Trevor Howard. No filme Amália interpreta "Solidão" (“Canção do Mar”) e "Barco Negro".


“Os Amantes do Tejo” não foi um filme de grande sucesso, mas correu em todo o mundo e toda a gente pode ver Amália. Havia quem dissesse e escrevesse que valia a pena ver o filme para ouvir Amália a cantar “Barco Negro”.

O filme deu-lhe o pontapé de saída para a França e a França deu-lhe o pontapé de saída para o mundo. Antes tinha havido a América [Brasil, México, EUA], mas o que lá se passa não se sabe na Europa."



Participa em “April in Portugal”, com realização de Evan Loyd, filme inteiramente dedicado a Portugal e ás suas belezas naturais, em Technicolor e Cinemascope.

Estreado em Londres em 1955, este filme, em que Amália interpreta “Coimbra” e “Canção do Mar” foi premiado nos festivais de Berlin e Mar del Plata.


Amália interpreta "Lisboa Antiga" no documentário mexicano “Músicas de Sempre”, de Tito Davidson. E, posteriormente, canta "Uma Casa Portuguesa" no documentário "Las Canciones Unidas" do mesmo autor (com imagens da actuação na TV Mexicana).


Parte para Paris porque tinham gostado de a ouvir cantar “Barco Negro”, mas era considerada uma cantora de fado, que é uma canção que viaja muito mal. Amália nem sabia como conseguira levar o fado pelo mundo fora, pois não era fácil ouvir durante duas horas fados pesadíssimos numa língua que não se entende:

“Em França, como em qualquer outro país estrangeiro, canto um fado ligeiro, depois um fado mais fado, depois uma música mais vida, tipo ‘Lisboa, não sejas Francesa’, depois outro fado sério, depois uma espanholada, depois outro triste. E então, quando já tenho o público na mão, posso cantar o que quiser, que ele já vem”.

Como quando apresento digo só o nome das canções, não digo se é espanhol, português ou italiano, para os franceses aquilo era tudo fados. E diziam que eu cantava dos fados mais tristes aos mais alegres, como ‘Tani’ ou ‘Trepa no Coqueiro’”.


Edita o seu primeiro LP em França, em 1955, através da Pathé-Marconi. Em Abril de 1956, Amália, actua pela primeira vez no Olympia de Paris, numa das festas de despedida de Josephine Baker.

Dias mais tarde, estreia-se no Olympia como “vedeta americana”, encerrando a primeira parte do espectáculo, pois não tinham confiança nela para ser vedeta principal.



O sucesso é tal que, terminadas as três semanas do contrato, Amália é convidada para o prolongar mais três semanas. No ano seguinte, estreia-se como primeira vedeta no Olympia de Paris.


Em menos de três anos, Amália atinge em França o máximo do prestígio e da popularidade, com a colaboração de Felix Marouani, um dos principais agentes artísticos do país.

Canta no Olympia, no Bombino, no ABC, na La Tête de l’Art, que era uma noite chíquissima na Villa d’Est. Fez tournées por praias, casinos teatrais e outros espaços culturais.


Amália assina contrato com a editora francesa Ducretet-Thomson, para a qual gravará material publicado em dois álbuns e cinco EP antes de regressar à Valentim de Carvalho.

Também os artistas a adoram, muitos escrevendo canções especialmente para ela, como foi o caso de Charles Aznavour que inspirando-se no "Ai, Mouraria" escreveu para Amália: "Aïe, Mourir Pour Toi".


Bruno Coquatrix, proprietário do Olympia, quis abrir uma casa de fados para Amália chamado “Maison du Fado”, junto à Torre Eiffel, mas não se chegou a concretizar. Só depois apareceu o “Fado” de Clara d’Ovar e outras casas. Ponderou ficar a viver em França, depois de ser homenageada com a Chave e a Medalha da Cidade de Paris, mas acabou por voltar a Portugal.

Em 1965, Amália atinge a sua melhor interpretação no cinema em "As Ilhas Encantadas" do estreante Carlos Vilardebó, baseado numa novela de Herman Melville. Neste filme, diferente de todos os outros da sua carreira, Amália pela primeira vez não canta.

E no ano seguinte interpreta "Le premier jour du monde" no filme francês "Via Macau" de Jean Leduc.


Actua em países como Roménia, Espanha, França, E.U.A. e Canadá.

Entre 6 e 26 de Maio de 1969, Amália Rodrigues realizou uma longa digressão pela União Soviética, tendo actuado em Leninegrado, Moscovo, Tblissi (Geórgia), Erevan (Arménia) e Baku (Azerbaijão).


Décadas de 70

Em Janeiro de 1970, Amália parte para Roma para actuar no Teatro Sistina em Roma. O sucesso foi tal que o fenómeno "Amália" se espalha por Itália. Começava então "La Folia per La Rodrigues".


É igualmente editado em 1970 o duplo álbum "Amália e Vinicius", gravado ao vivo em casa de Amália e composto por fados interpretados por Amália, à guitarra e à viola, e poemas declamados pelo poeta brasileiro da "Bossa Nova", Vinicius de Moraes e por José Carlos Ary dos Santos, David Mourão-Ferreira e Natália Correia.

O álbum “Com Que Voz” recebe o IX Prémio da Crítica Discográfica Italiana (1971), o Grande Prémio da Cidade de Paris e o Grande Prémio do Disco de Paris (1975).


Actua pela primeira vez no Japão, em Osaka. O seu concerto em Tóquio, a 2 de Setembro no Sankei Hall, será gravado para edição em disco (“Amália no Japão”, publicado em 1971).


Em 1971, participa na novela “Os Deuses estão mortos”, da TV Record, de Lauro César Muniz e Dionísio Azevedo, interpretando a artista portuguesa Eugênia Câmara, paixão do poeta brasileiro Castro Alves.


Amália grava, em 1972, nos estúdios Valentim de Carvalho, 12 fados com o saxofonista de jazz Don Byas, para um álbum que só será editado dois anos mais tarde.

Apresenta no Canecão o espectáculo "Um Amor de Amália", idealizado por Ivon Curi. É um sucesso enorme que Amália se verá obrigada a interromper devido a contratos previamente assumidos, mas que volta a repetir ao longo da década de 70.


Grava em italiano o álbum “A Una Terra Che Amo”. Participa em programas de algumas das mais importantes estações de televisão, como a alemã ARD e a italiana RAI.

Prossegue com as suas digressões internacionais, que incluem concertos por países como Espanha, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Itália, Suiça, Argentina, Brasil, Venezuela, Canadá, E.U.A, Zimbabwe, África do Sul, Egipto, Israel, Roménia ou U.R.S.S.

Recebe diversas condecorações, entre as quais a mais alta do governo libanês - A Ordem dos Cedros.


Décadas de 80-90

Canta em países como França, Itália, Suíça, Alemanha, Holanda, Luxemburgo, Bélgica, Reino Unido, Brasil, Argentina, Chile, Japão, Turquia ou Àfrica do Sul.

Em 1984 é editado “Amália na Broadway”, que reúne oito standards de musicais americanos gravados por Amália em 1965 nos estúdios de Paço d'Arcos com o maestro inglês Norrie Paramor, mas nunca antes editados em disco.

Grava, com acompanhamento de Jorge Fernando e Mário Pacheco, dois duetos com o cantor napolitano Roberto Murolo, para inclusão no álbum "Anima i Cuore" de 1994.


Mais de 600 discos

Heitor Vasconcelos é um dos principais coleccionadores de discos de vinil em Portugal. E da sua vasta colecção há um nome que se destaca e pelo qual tem uma maior admiração. Esse nome, claro, é o de Amália Rodrigues, de quem tem mais de 600 discos.

"Tenho discos prensados em Espanha, Itália, França, Holanda, Turquia, Israel, África do Sul, EUA, Japão, Canadá, México, Brasil, Chile, Venezuela. Tenho quase todos os discos de 78 rotações dela que foram editados, bem como os primeiros oito disco de 48 rotações editados no Brasil. Mas apesar de ter 600 peças, sei que existem 80 discos que não tenho, fora as coisas que ainda estão descobrir", disse ao DN.

Fontes/Mais informações: atelier.hannover  / Victor pavão dos Santos (“Amália, uma biografia”) / Amália no sapo / amalia.com / Eurico Mendes (Portuguese times) / The Art of Amalia (Bruno de Almeida) / webring (filmes) / Diário de Notícias / Dananos (discos) / Amália no mundo / José Milhazes (Da Rússia) / RTP

Ao Vivo no Japão ("Lavava no Rio Lavava")



Ao Vivo em Itália ("Coimbra")



Em dueto com Julio Iglésias na TV Francesa ("Un canto a Galicia", "Pêras")



México e Estados Únidos da America (inclui show de Eddie Fisher)




Olympia (Paris) - como tudo começou


TV Alemã ("Cravos de Papel"