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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Jayme Cortez (1926-1987), mestre da banda desenhada luso-brasileira

Jayme Cortez nasceu em Lisboa, a 8 de Setembro de 1926, tendo-se estreado na revista portuguesa “Mosquito” onde publicou, entre outras, as bandas desenhadas “Os 2 amigos na cidade dos monstros marinhos” e “Os Espíritos assassinos” que se inspiravam nos seus amigos do Bairro Alto.

Em 1947, partiu para o Brasil, onde, a par de bandas desenhadas (histórias em quadrinhos = HQs) como "O retrato do mal" ou "Zodíaco", foi jornalista, ilustrador, cartoonista, professor e autor de livros sobre ilustração e histórias aos quadradinhos.

Foi um dos nomes importantes da Banda Desenhada de terror brasileira, ao lado de outros estrangeiros radicados no Brasil (Nico Rosso, Eugênio Colonnese, Rodolfo Zala).

Escreveu os livros "A técnica do Desenho", "Mestres da Ilustração" e "Manual Prático do Ilustrador". O álbum "Saga do Terror", que reunia vários de seus trabalhos em banda desenhada, foi lançado postumamente pela editora Martins Fontes


Emigração para o Brasil

Em março de 1947 desembarca no porto de Santos e fixa residência em São Paulo e no ano seguinte casa-se com a brasileira Maria Edna.

Teve uma curta experiência como caricaturista (chargista) no jornal "O Dia" e, logo de seguida, iniciou a sua carreira como desenhador de banda desenhada fazendo "tiras" para o "Diário da Noite" ("Caça aos tubarões" e "O Guarany").

Posteriormente colaborou com a Editora La Selva e Outubro, onde foi responsavel pelas capas e director de arte.

Foi professor da Escola Panamericana de Arte e trabalhou na área publicitária como director de criação da McCann Erickson entre 1964 e 1976 e depois passou a director de merchandising e animação da Maurício de Sousa Produções.

Estúdios Maurício de Sousa


Foi director de Arte dos Estúdios Maurício de Sousa, tendo sido editor da revista Bidu.

Segundo consta na biografia oficial de Maurício, Jayme Cortez foi o responsável por ter colocado o autor no caminho certo. Maurício teria tentado fazer uma revista de terror e recebido de Cortez uma bela crítica: “O Maurício me levou uma m*r#a de história de terror, mas eu insisti pra ele que fizesse seus quadrinhos cômicos.”

Colaboração com José Mojica Marins


Conheceu José Mojica Marins, conhecido realizador de cinema brasileiro, em 1968, colaborando com ilustrações para o filme "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e desenhando o poster de "Finis Hominis" (1971), igualmente de Mojica.

Participou, em 1978 e 1979, como actor, nos filmes de Mojica: "Delírios de um Anormal", "Perversão" e "Mundo: Mercado do Sexo". Os cartazes eram da autoria de Jayme Cortez.

Primeira Exposição Internacional


Jaime Cortez foi um dos organizadores (conjuntamente com Álvaro de Moya, Miguel Penteado e Syllas Roberg) da “Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos”, que teve lugar em São Paulo, em 1951, o primeiro evento do género realizado em todo o mundo.

Homenagens


Homenageado em Lucca, Itália, em 1986, com o prémio Caran D'Ache, no "XX Festival Internacional de Banda Desenhada e Ilustração", pelos seus 50 anos de actividade.

Após a sua morte, foi homenageado na cerimónia de prémios Angelo Agostini, tendo o seu nome sido atribuído ao troféu entregue anualmente no Brasil aos "incentivadores da HQ nacional".

Blog oficial


O blog Jayme Cortez, organizado por Fabio Moraes e Jayme Cortez Filho, tem por objectivo tornar acessível ao maior número de pessoas a obra do Mestre Cortez, apresentando muitas artes e fotos desconhecidas do grande público.

Fontes/Mais informações: Blog de Pedro Cleto / JN / blog Jayme Cortez / wikipedia / Carcasse / Kuentro / Mundo HQ / Planeta Mongo / Canibuk

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O "Pão de Açúcar" de Seu Santos


Valentim dos Santos Diniz (1913-2008) ou, como é carinhosamente chamado, “Seu Santos”, nasceu numa pequena aldeia da Beira Alta – Pomares do Jarmelo. Filho primogênito de Maria dos Prazeres e Abílio, teve mais dois irmãos, Joaquim e Lourdes. Aos oito anos perde a mãe e passa a ser criado pelo pai e a madrasta Dona Josefa.

No Outono de 1929 embarca em terceira classe com destino ao Brasil. Quinze dias após seu embarque, ao firmar seus olhos no horizonte, avista um maciço de pedras, que foi reconhecido rapidamente por outros viajantes: o Pão de Açúcar. Esse nome, tão simples e forte, fica marcado na memória do jovem imigrante português.

Após algumas horas desembarca em Santos, litoral paulista, e ao contrário dos outros viajantes, não foi para a Hospedaria dos Imigrantes no Brás; encaminhou-se para a casa de um tio de sua falecida mãe, no bairro da Mooca.


Com 16 anos preferiu não seguir a maioria dos imigrantes que rumavam para as lavouras de café e para as indústrias. Valentim começa a trabalhar no comércio, em um empório (loja/mercearia) chamado Real Barateiro, localizado na Avenida Brigadeiro Luis Antônio, esquina com a Rua Tutoia, no Paraíso. Exerce a função de caixeiro e entregador, além de dividir com um amigo um quarto nos fundos do estabelecimento. Sua independência começa a partir daí.

Com algumas economias guardadas e o dinheiro da lotaria ganho por sua esposa, Floripes, abrem na Rua Vergueiro seu primeiro negócio, uma pequena mercearia, que possui adjacente a sua moradia.

Posteriormente, seu ex-patrão Miranda o convida para ser sócio em uma panificadora (padaria). A parceria gera bons frutos e, além da panificadora, administra também uma mercearia na rua Tamandaré.

Doceira Pão de Açúcar


Após o fim da sociedade, Valentim compra um conjunto de casas antigas na Avenida Brigadeiro Luis Antonio, e no dia 7 de Setembro de 1948, presta sua homenagem ao País que lhe acolheu – fundando a Doceira Pão de Açúcar.

Os serviços da Doceira Pão de Açúcar inovam por oferecer buffet, doces e salgados que possuíam embalagens diferenciadas, especialmente para a empresa, além de eventos sociais, como baptizados, casamentos, noivados, entre outros.

Não demora muito, e em 1952 a primeira filial da Doceira é aberta na Praça Clóvis Bevilácqua, no centro de São Paulo. Nesse mesmo ano a terceira loja é inaugurada, também na região central, na Rua Barão de Paranapiacaba.

Supermercado Pão de Açúcar


No dia 14 de abril de 1959, com a ajuda de seu filho mais velho, Abílio, então com 19 anos, inaugura o Supermercado Pão de Açúcar, primeira das diversas lojas que estariam por vir.

Sua visão empreendedora e o gosto pelo negócio logo se transformam em novas lojas, que são abertas inclusive em locais onde ainda não existiam, como em shopping center e no litoral.

Em 1969, é convidado pelo governo português para se expandir para Portugal. A experiência de abertura de lojas em Portugal, e posteriormente Angola e Espanha, trazem para o início da década de 70 o carácter de pioneirismo e de visão para o futuro.

Esse pioneirismo não se restringe às diversas lojas abertas no exterior, mas também, um novo conceito de auto-serviço, implementado por Seu Santos e concretizado efectivamente até os dias atuais: o hipermercado.

É assim que em 28 de Maio de 1971, com um tom emocionado de voz, inaugura o Jumbo Santo André.


Companhia Brasileira de Distribuição

Ao longo do tempo, o negócio foi se expandindo, sendo hoje o maior grupo retalhista do Brasil, a Companhia Brasileira de Distribuição

Hoje, a Companhia Brasileira de Distribuição conta com cerca de 1.582 lojas. O Pão de Açúcar passa a ter mais de 79 mil funcionários nas lojas espalhadas pelo Brasil e também com importantes websites de comércio eletrónico.

A sede do grupo Pão de Açúcar está situada na Avenida Brigadeiro Luis António em São Paulo.

Homenagens


No final da década de 1960, recebe o título pela Santa Sé, no Grau de cavaleiro da Real Ordem Militar de Malta, além da Ordem do Mérito Infante Dom Henrique, os dois concedidos pelo Governo de Portugal.

Em 1972, já consolidado como um grande empresário, Seu Santos recebe os títulos “O Homem do Comércio do Ano” pela Associação Comercial de São Paulo e “O Comerciante do Ano” pelo Sindicato dos Lojistas do Comércio de São Paulo. Nunca esses dois títulos haviam sido outorgados à mesma pessoa. Sua contribuição ao crescimento econômico da cidade de São Paulo e seu amor incondicional pelo bairro do Jardim Paulista propiciou-lhe, em solenidade na Câmara Municipal de São Paulo, o título de “Cidadão Paulistano”.

Seu reconhecimento perante a sociedade não para, e em 1979 recebe em grau máximo as comendas da Ordem do Cruzeiro do Sul, do governo brasileiro, e da Ordem de Benemerência do Infante, do governo português.

Em 2003, a Casa de Portugal de São Paulo encomenda seu busto em bronze ao escultor
português Santos Lopes, colocado no saguão de entrada da instituição.


Espaço Memória

Em 2005 foi celebra a trajectória victoriosa do Grupo Pão de Açúcar com a inauguração da exposição que conta a história do empresa.

O "Espaço Memória" arquiva e processa todo material relevante para a história do Grupo Pão de Açúcar, como vídeos, fotos, documentos, apresentações, entre outros.

Além desse procedimento, mantém duas exposições permanentes – uma com troféus recebidos por todas as áreas da companhia –, e outra que mostra ano a ano toda a evolução do grupo e do comércio a retalho brasileiro, que pode ser visitada na sede da Companhia. No "Espaço Memória", os interessados terão acesso a depoimentos gravados por pessoas que fizeram a história do Grupo, incluindo seu fundador, Valentim dos Santos Diniz, e de Abilio dos Santos Diniz.

São vários registros que remontam quase 100 anos de história da empresa – do nascimento e viagem de Valentim Diniz ou "Seu" Santos, ao Brasil, passando pelo seu início empreendedor até a fundação do Grupo em 1948, e sua evolução, agregando novos processos, tecnologias, formas de negociar e assim se transformando na maior empresa retalhista do Brasil pelas mãos de Abilio Diniz, hoje Presidente do Conselho de Administração do Grupo.

Fontes/Mais informações: Grupo Pao de Açucar (adaptado) / wikipedia / Supervarejo

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bem-Vindo ao "Oporto"


Oporto" é uma cadeia de restaurantes, de origem australiana, especializada (tal como o "Nando's" que foi fundado no mesmo ano na África do Sul) em comida rápida de influência portuguesa, com destaque para o frango com piri-piri.



Como tudo começou ?

O primeiro restaurante "Oporto" foi fundado em 1986 por Antonio Cerqueira, um imigrante Português, em North Bondi, Nova Gales do Sul (Austrália).

As suas "receitas secretas" eram inspiradas claramente na tradicional cozinha portuguesa.

O restaurante chamava-se inicialmente "Portuguese Style Bondi Charcoal Chicken", tendo posteriormente sido "rebaptizado" como "Oporto" em referência ao nome da cidade do Porto.


Mais de 300 lojas em todo o mundo

A primeira franquia foi inaugurada em 1995, tendo sido premiado, em Janeiro de 2005, pela Business Review Weekly, como a rede de franchising de mais rápido crescimento na Austrália.

Em 2007 já havia 74 lugares em Nova Gales do Sul, 10 em Queensland, 5 em Vitória, 3 em ACT (centro), 2 no Sul da Austrália e 6 na Nova Zelândia. Em 2008 existiam mais de 300 lojas "Oporto" em todo o mundo.


Alguns destes restaurantes são conhecidos por "Oporto Express" e oferecem uma menor diversidade de produtos.

Uma das especialidades é o Oprego burger.

Fontes: Oporto / wikipedia / Smh

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Nando's: de Joanesburgo para o mundo


Nando's é uma cadeia de "fast food" sul-africana - mas que se apresenta como portuguesa.


A Nando's foi fundada em 1986, na cidade de Joanesburgo, por Fernando Duarte (a origem do Nando's), natural do Porto, que chegou à África do Sul com quatro anos, e Robbie Brazzin.

Os 2 promotores decidiram comprar e transformar um restaurante local de "take-way" que vendia o famoso frango assado temperado com o não menos famoso molho piripiri (a que o Nando's chama peri-peri), entre muitas outras coisas.


Como tudo começou ?

O primeiro restaurante Nando nasceu em Setembro de 1987, num pequeno subúrbio de Joanesburgo chamado Rosettenville. Esta localidade era, à época, o coração da comunidade portuguesa naquela cidade sul-africana, sendo que a maioria tinha acabado de chegar de Moçambique e tinha saudades dos pratos de comida portuguesa.

Ao longo dos anos, o prato mais vendido foi sempre o mesmo: nenhuma outra receita conseguiu bater o meio-frango com piri-piri. "Era um dos pratos favoritos dos portugueses em Moçambique. Foi a junção do frango com o picante, produto tipicamente africano, que criou o prato mais vendido do Nando´s", conta Fernando Duarte.


Aparentemente, o frango assado com o molho piripiri, as cervejas Sagres, as águas do Luso e os pastéis de nata aliados à decoração "kitsh" agradaram a todos os estratos da população.

Em pouco tempo o Nando's tinha seis unidades na África do Sul. E até o então presidente Nelson Mandela dizia preferir uma refeição Nando's a um banquete de Estado.

Nando's através do mundo

A cadeia Nando´s tem mais de 700 estabelecimentos, próprios e franchisados, espalhados por 33 países. Um feito que faz da marca a segunda maior cadeia de restaurantes de frango do mundo, a seguir à Kentucky Fried Chicken.

Em Inglaterra, a cadeia conta com 170 lojas e é a partir deste país que a marca quer crescer para França, Espanha e Portugal. Nas nações árabes, como Paquistão, Oman e Qatar, o êxito é ainda mais visível. Chegam a ser servidas 30 mil refeições diárias e o número de vendas até nem diminui na época do Ramadão.


Símbolos portugueses

O Nando's tem como símbolos o galo de Barcelos e o escudo da bandeira portuguesa e os restaurantes apresentam-se decorados com esses símbolos e outros objectos do estereotipado "português rústico" (incluindo coloridas ementas com erros ortográficos).

"O facto de o galo se levantar e cantar faz-nos identificar com os valores da marca do Nando's", diz o empresário. Já o escudo é "um símbolo que promete dar a qualidade e o sabor que todos os clientes esperam e é também uma forma de ligar a marca a Portugal", assegura.

Fernando Duarte é dos poucos portugueses a integrar a administração de uma empresa que se quer apresentar como a quinta-essência da portugalidade.




Portugasm em Barcelos

A cadeia do galo de Barcelos promoveu na Austrália a campanha Portugasm, ou seja, o estado sublime alcançado por comer frango assado português com piri-piri.

O Instituto de Rejuvenescimento e Descontração Portugasm (PERI = Portugasm Enlightenment and Rejuvenation Institute), gerido por Grand Master Fernando, localiza-se (ficcionalmente) em Feitos no concelho de Barcelos.

Se for inoportuna a viagem entre a Austrália e o Instituto, o Portugasm pode ser alcançado por um jantar de frango Peri-Peri num restaurante Nando's.



Campanha sul-africana


Fontes: Mundo Português / Expresso / Guedelhudos / Nandos / RollerBarcelos / Portugasm

quarta-feira, 16 de março de 2011

História de 3 Antônios em "Os Imigrantes" (1981)

A telenovela "Os Imigrantes", da autoria de Benedito Ruy Barbosa, contava a saga dos imigrantes que ajudaram a construir o Brasil como o conhecemos, deixando seus países de origem em busca de uma vida melhor.

Os personagens protagonistas da história são três homens de nacionalidades diferentes, mas homónimos.


Antonio di Salvio, italiano, prospera ao casar-se com Isabel, filha de Décio, um fazendeiro cafeicultor, indo inclusive viver num dos sumptuosos casarões da Avenida Paulista.

António Pereira, português, depois de aproveitar bem a juventude com muitos amores e diversão, abre uma empresa transportadora e prospera.

Já o espanhol, Antonio Hernández, só vem a conhecer o sossego no fim da vida, após muitas desventuras políticas.

O imigrante português, Antônio Pereira, era interpretado, na primeira fase [que era composta por 22 episódios e abrangia o período de 1891 a 1893], pelo português David Arcanjo e, nas fases seguintes, pelo famoso actor brasileiro Othon Bastos.


Fases da novela

A primeira fase (de 1891 a 1893, do capítulo 1 ao 22) marca a chegada dos "três antônios" imigrantes ao Brasil.

A segunda fase (de 1917 a 1922, do capítulo 23 ao 127) mostra os Antônios e suas famílias passado 25 anos.

A terceira fase (de 1930 a 1933, do capítulo 127 ao 200) apresenta os netos dos imigrantes.

Na quarta fase (de 1939 a 1946, do capítulo 201 ao 312) os imigrantes vivem os dramas da velhice enquanto os filhos e netos crescem.

Por fim, na 5ª fase (de 1954 a 1955, do capítulo 313 ao 333) morrem os imigrantes mas prossegue a saga agora contada pelos filhos e netos, que representam a segunda e terceira gerações.


Sucesso da novela

"Os Imigrantes" foi a primeira e única novela de grande sucesso da Rede Bandeirantes. Era transmitida às 18h30 e foi exibida de Abril de 1981 a Junho de 1982, num total de 333 episódios [a mais longa novela dos anos 80].

A novela não foi uma "campeã de audiência, mas sagrou-se vitoriosa em todas as distribuições de prémios em 1981.

Mal terminou a novela, a Bandeirantes lançou "Os Imigrantes - Terceira Geração", da autoria de Wilson Aguiar Filho e Renata Palottini, que não obteve grande sucesso.


Othon Bastos

"Os Imigrantes" foi uma das melhores novelas, senão a melhor, que já fiz na minha vida." É assim que Othon Bastos define sua participação na clássica saga exibida pela Bandeirantes em 1981.

Othon Bastos fazia Antônio Pereira, o imigrante de origem lusitana. A novela fez tanto sucesso que durou 333 capítulos – foi a quarta mais longa da história da TV brasileira –, mas o actor brasileiro participou em "apenas" 270.

Bastos foi um dos destaques da trama, o que lhe rendeu prestígio junto à comunidade portuguesa. Uma repercussão que se traduzia em pequenas vantagens: "Toda vez que entrava num botequim [bar] português, os donos não me deixavam pagar”, lembra o actor. “Eles diziam: ‘Patrício não paga!’."


Participação de David Arcanjo

David Arcanjo, mais conhecido em Portugal como cantor, no final dos anos 70, foi o convidado para interpretar o jovem António Pereira (da 1ª fase) que vai trabalhar para uma fazenda e apaixona-se pela filha ilegítima do patrão.

Este amor proibido obriga-o a fugir para São Paulo, onde se emprega na padaria do tio. Farto de ser explorado, despede-se.


O actor português interpretou igualmente o papel de Quinzinho, um dos descendentes de Antônio Pereira, em "Os Imigrantes - Terceira Geração".

Nesta fase, todos os herdeiros do imigrante português (Teca, Quinzinho, Angelina e Tonico) se encontravam em dificuldades.

Fontes/Mais informações: wikipedia / Teledramaturgia 1 / Teledramaturgia.com / Isto é Gente / TV folhetim / Almanaque dos anos 80

quinta-feira, 10 de março de 2011

Carmen Miranda (1909-1955), de Marco Caneveses para o mundo

A actriz e cantora Carmen Miranda - de seu nome completo Maria do Carmo Miranda da Cunha - nasceu, a 9 de Fevereiro de 1909, em Várzea de Ovelha e Aliviada, no Marco de Canaveses,

Pouco depois de seu nascimento, seu pai, José Maria, emigrou para o Brasil, onde se instalou no Rio de Janeiro. Em 1910, sua mãe, Maria Emília seguiu o marido, acompanhada da filha mais velha, Olinda, e de Carmen, que tinha menos de um ano de idade. Carmen nunca voltou à sua terra natal.

Cresceu num ambiente tipicamente português, numa cidade que, nas primeiras décadas do século XX, registava mais habitantes portugueses do que, por exemplo, o Porto (eram quase 200 mil).

Em 1930, com o lançamento do tema "Pra Você Gostar de Mim", Carmen atinge o auge de popularidade, chegando a ser considerada "a maior cantora brasileira".

Quando em 1939 embarcou rumo à aventura americana, era já um caso de unanimidade nacional no Brasil, presença constante nos tops de vendas discográficas, estrela da rádio e do cinema, adorada pelo público.

Nos Estados Unidos, Carmen e o seu grupo Bando da Lua estrearam-se com enorme sucesso na Broadway e rapidamente conquistaram os estúdios de Hollywood. Chegou a ser a actriz mais bem paga dos Estados Unidos.

Entre 1942 e 1953 participou em 13 filmes em Hollywood e nos mais importantes programas de rádio, televisão, casas noturnas, casinos e teatros norte-americanos.

Seu estilo eclético faz com que seja considerada precursora do tropicalismo, movimento cultural brasileiro surgido no final da década de 1960.


Ligações a Portugal

Apesar de ter vivido quase sempre no Brasil e nos Estados Unidos, Carmen Miranda nunca adquiriu a nacionalidade de qualquer um desses países. Portanto, sempre manteve a nacionalidade portuguesa que tinha por ter nascido em Portugal, assim como sempre foi legalmente estrangeira no Brasil e nos Estados Unidos.

Quando lhe perguntavam se, afinal, ela se sentia portuguesa, brasileira ou (pasme-se !) americana: Carmen Miranda optava, sempre, por responder "Sou só uma garota de Marco de Canavezes" e com isto os desarmava...


Ruy Castro, na biografia de "Carmen", publicada em 2005, faz a reconstituição da infância de Carmen na colônia portuguesa no Rio, no começo do século XX.

No filme "Alô, Alô Brasil" (1935) - com realização de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro - [adaptado da revista homónima] constava a música "Salada portuguesa" (da autoria de Paulo Barbosa e Vicente Paiva) celebrizada pelo cantor luso-brasileiro Manoel Monteiro.



Fontes/Mais informações: wikipedia / Cinema Brasileiro /
IMDb / Marcohoje / Página Oficial / Master owl / Marcador de livros / Museu virtual

quinta-feira, 29 de abril de 2010

"O Fado e o Cravo De Abril" de Abilio Manoel


O tema da flor novamente aparece numa canção, desta vez do músico português Abílio Manoel, radicado em São Paulo desde sua infância. Ele dedicou uma canção à Revolução dos Cravos intitulada "O Fado e o Cravo de Abril".

Esta, por sua vez, foi selecionada para participar do Festival Abertura, organizado pela Rede Globo de Televisão em 1975.

Censura

Entretanto, de acordo com o depoimento de Abílio, esta canção foi vetada pela Censura Federal e ele recebeu da Rede Globo uma passagem aérea para Brasília para negociar pessoalmente a liberação da canção junto ao então Ministro da Justiça, Armando Falcão, que não atendeu seu pedido.

Esta prática era corrente, qual seja, delegar a alguns dos autores a responsabilidade de negociar com os censores a liberação de suas canções. Proibida "O Fado e o Cravo de Abril", de Abílio Manoel, a música só seria gravada no LP "América Morena", de 1976, mediante a alteração do título para "O Cravo e o Fado de Abril".

Ao ritmo de fado ...

Esta canção em ritmo de fado recupera imagens características das canções que estabelecem uma relação entre a primavera e o fim de uma dada situação política, comummente autoritária.

Outra passagem que caracteriza bem o período de liberdade vigiada está no trecho "conversas de esquina", afinal como em toda ditadura, qualquer agrupamento de pessoas nas grandes cidades portuguesas era observada pela polícia política e, no limite, até mesmo coibida.

Fonte: Alexandre Felipe Fiuza (adaptado)

Letra

Os gritos roucos
O mês de abril
E agora a vida que não se viu.

Os lenços brancos
No cais do porto...
Meu coração anda solto.

Uma vontade de voltar,
Rever as flores
Que aqui não há
Seguir cantando o dia novo
E o coração do meu povo.

E o som das guitarras na rua,
Conversas de esquina,
Varinas, cantigas...
O fado e o cravo de abril.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O sucesso de João Vidal Abreu em Espanha (Los Grimm e Barrabás)

João Vidal Abreu nasceu em Lisboa em 10 de Janeiro de 1945. Mais conhecido por "Beethoven", foi teclista da conhecida banda de Lisboa "Os Jets" (que editaram 1 EP pela TECLA em 1967).

Em 1968 emigra para Espanha e ingressa no grupo "Los Grimm" (passando a ser conhecido por Juan Vidal) que, assim, entra numa nova fase onde adere ao som psicadélico.

Com o fim da banda em 1970, João Vidal vai para os "Barrabás", banda formada por Fernando Arbex e Ricky Morales (ex-Los Brincos), que mistura os sons psicadélicos com a salsa, o funk, criando uma nova receita para o exito a nível mundial.

João Vidal permanece no grupo, entre 1971 e 1978, tocando teclados e órgão Hammond.

Sucesso mundial

O grupo obteve dois grandes sucessos a nível mundial, com os temas "Wild Safari" e "Woman" ambos do disco "Wild Safari" (versão internacional de "Barrabas", o seu álbum de estreia).

"Wild safari" foi nº 1 no top de Rhythm and Blues dos Estados Unidos, tendo tido sucesso na América Latina, Canadá, Alemanha e França.

Em 1973 editam o seu segundo álbum "Barrabas Power", que incluia os temas "Mr. Money", utilizado num anúncio da televisão norte-americana, e "Children Children”, que se tornou um grande sucesso na América Latina, sobretudo na Venezuela.

O terceiro álbum, "Release Barrabas", é publicado em 1974, incluindo o single "Hi-Jack", nº 1 em Espanha durante varias semanas e que entrou nas listas todo o mundo em 1975, sendo um grande sucesso nos tops de Disco Music nos Estados Unidos (nº 1 da revista "Record World" e nº 3 na "Billboard").

Em 1977 foram considerados como o terceiro melhor grupo de Funk para a Revista Playboy.

Após a gravação do seu sexto álbum, decidem suspender a actividade do grupo por desavenças internas, terminando assim a primeira etapa do grupo.

Fontes: Reis do Yé-Yé / Barrabás / qmusika

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Gilda Valença, cantora e actriz de sucesso no Brasil


Gilda Valença (Ermenegilda Pereira) nasceu em 13 de Fevereiro de 1926 em Lisboa. Irmã da também cantora Ester de Abreu e da actriz Julieta Valença, começou a cantar em 1953, já no Brasil, quando gravou pela gravadora Sinter a marcha "Uma casa portuguesa", seu maior sucesso, e o bolero mambo "Vê... lá bem".

Chegou ao Brasil em setembro de 1949 a convite da irmã, Julieta Valença, que já residia no Rio desde 1938, quando aí se apresentou como artista da Companhia Teatral de Estevão Amarante.


Numa festa, em casa de amigos, Gilda cantou uns fados. Lá estavam o compositor Fernando Lobo e a sambista Aracy de Almeida, que se entusiasmaram com a voz da bela cachopa. Recomendaram a jovem a Luiz Jatobá, da TV Tupi, que foi cantar a um programa com Ary Barroso. Bonita e simpática logo ganhou aceitação do público e o sucesso da crítica.

Precisou mudar seu nome artístico de Gilda de Abreu, por ser homónimo da consagrada estrela brasileira, esposa de Vicente Celestino. Passou a ser a Gilda Valença, já que sua irmã Julieta utilizava o sobrenome “Valença”.

Actuando como Severa na TV Brasileira (anos 60)
 Após actuar em Portugal, no “Teatro Variedades”, na peça “Ó Papão, vai-te embora…” e no “Monumental” na revista “Lisboa nova”, regressa em definitivo ao Brasil em agosto de 1952.

Luiz Galvão estava em vésperas de estrear a sua Companhia de Revistas no Teatro Recreio, com a peça “Que espeto, seu Felipeto”.  Quase no dia da estreia Gilda é chamada para substituir uma colega.


Enquanto fazia teatro, foi para o show da "boite" Night and Day tendo participado no pocket show “Alô Carnaval”, com Armando Nascimento. Aos poucos se tornou a intérprete do fado no teatro.

Um dos maiores sucessos de 1963 no Brasil foi a versão de "Foi Deus" de Gilda Valença. O tema foi incluído no álbum "Marcha Rancho - Um Toque Brasileiro Nos Grandes Sucessos de Portugal", no qual sucessos da música portuguesa foram gravados com arranjos de marcha rancho e acompanhamento da Lira do Mestre Lula e Grupo de Coristas.


Outros temas em destaque na carreira da cantora foram: "Corridinho nº 1" (da autoria de Melo Jr. e Silva Tavares), "Fado de Vila Franca" (João Nobre), "Lisboa antiga" (Raul Portela, Amadeu do Vale e José Galhardo) e "Cantiga de rua" (João Bastos e António Melo).

Actuou também como actriz nas revistas "É fogo na roupa" e "Que espeto, seu Felicidade!", e continuou gravando álbuns como "Selecções de A Severa" e "Passaporte internacional".


Cinema e TV

A partir da década de 1960 passa a actuar na televisão, participando em diversas novelas da TV Tupi: "Amália" (1968), "Maria das Graças" (1971), "A Fábrica" e "Antônio Maria" (1973).

De 1966 a 1968 participou do programa de TV "Revista do Rádio em Portugal", ao lado de grandes nomes da música brasileira, sob comando do cantor Manoel Monteiro.

Canta "Uma Casa Portuguesa" em "O Petróleo é nosso"

Sua estreia no cinema brasileiro deu-se em 1954 quando participou do filme "O Petroléo é nosso", cantando "Uma casa portuguesa".

Regressou ao cinema 19 anos depois, quando o popular actor e produtor Mazzaropi - com quem trabalhou entre 1973 e 1980 - a convidou para participar nos filmes: "Portugal... minha saudade" (1973), "O Jeca macumbeiro" (1974), "Jecão... um fofoqueiro no céu" (1977) e "Jeca e seu filho preto" (1978).

Fontes: Cifra antiga / Marcelo Bonavides / "Revista do Rádio" / Mundo Lusíada / Cantoras do Brasil / Blog "Cá e Lá" / Thais Matarazzo

Videos: "Casa Portuguesa" em "O Petróleo é nosso" (video de baixa qualidade mas som restaurado) / Moffo Arquivos