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terça-feira, 20 de agosto de 2013

“Le Fado” de Mistinguett (1925)


O compositor espanhol José Padilla, autor de temas mundialmente famosos, como "Valencia" ou "La Violetera", foi casado com uma portuguesa e era um apaixonado pela música lusa.

Padilla (1889-1960) dedicou várias composições a Portugal com destaque para "Symphonie Portugaise" e "Romance au Portugal", ambas estreadas em Paris; "Estudiantina Portuguesa", em Madrid; e "Menina baila o fado" e "Fado de meus amores", em Buenos Aires.


Entre as suas composições é igualmente de realçar o tema “Le Fado”, com letra de Lucien Boyer e Jacques-Charles, popularizado, em 1925, pela famosa cantora francesa Mistinguett no quadro “Tout au Fado” da Revista do Moulin Rouge em sua homenagem (“La Revue Mistinguett”).


“Le Fado” foi apresentado como a nova dança portuguesa lançada por Mistinguett e Earl Leslie na Revista do Moulin Rouge, sendo uma deliciosa dança nacional com um ritmo novo e característico, cuja partitura estava disponível, pelas editora de Francis Salabert, para piano e canto ou apenas para piano com a história (teoria) da dança.

Conhecido por “Fado Mistinguett” foi igualmente interpretado por outros artistas, como Vorelli e a famosa actriz portuguesa Lina Demoel.

Fontes: El Pais / El Comercio  / Fadistando 


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Luiz Piçarra, um tenor de sucesso internacional

Em 1945 Luis Piçarra parte para o Brasil, onde inicia uma ascensão magnífica. Actua igualmente no famoso Cólon de Buenos Aires. É na Argentina que conhece Tiro Schippa, considerado o maior tenor do mundo, tornando-se o único aluno que o mestre ensinou.

Ficou durante 2 anos no Brasil, tendo contracenado com Amália Rodrigues em "A Rosa Cantadeira". Partiu depois numa nova digressão pela América Latina, que culminou no México.

Em 1947 tem um grande sucesso no Egipto – o começo do grande apogeu da sua carreira artística. Luís Piçarra permaneceria mais de um ano como cantor privativo do rei Faruk, que, em 1948, lhe concedeu o título Bey, correspondente ao de conde nas cortes europeias. Actuou ainda em países como Chipre, Líbano, Síria, Grécia, Turquia e Itália.


(foto: com Amalia na TV Excelsior no Brasil)

Piçarra é o primeiro artista estrangeiro a pisar o famoso palco do Teatro Municipal La Gaîté Liryque, na altura o mais famoso teatro de opereta da capital Francesa, com a opereta "Un Portugais en Paris".


Em Paris actua com Edit Piaff, em 1950 no show ”This is Europe”, transmitido pela ECA ,em cadeia para emissores de todo o mundo. Em Novembro de 1950 , fixa-se em Paris, onde interpreta o principal papel na opereta “Colorado” no teatro municipal "Gaitè Lyrique".

Passou a actuar duas vezes por dia na Radiodiffusion Française e mais tarde na televisão.

Além de "Colorado" trabalhou em espectáculos como "La Vie en Rose" e "Andalousie".


Em meados da década «Lou Pizarra» era o cantor europeu com mais discos publicados: a sua voz estreou temas como "Avril au Portugal", "Granada" ou "Luna Lunera".

Nos anos 60 gravou 26 programas televisivos para a cadeia norte-americana NBC e outros 26 em França, com Edith Piaf e a Orquestra de Paul Durand.

Poucos saberão, mas Luís Piçarra foi o criador da famosa "Granada", que lhe foi oferecida pelo compositor Agustin Lara. O tenor cometeu o seu primeiro erro: não salvaguardou os direitos da canção e a máquina de Hollywood lançou-a na voz de Mario Lanza. Assim passou a ser conhecida como "a Granada do Lanza".

Fontes: Revista Nova Gente / Facebook

Mais informaçoes: Alberto Franco, "Luís Piçarra - A voz imensa"

Audio

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Romance au Portugal" com música do compositor espanhol José Padilla (1958)

A Opereta "Romance au Portugal", com música de Jose Padilla e libreto de Marc Cab e Raymond Vincy, foi estreada em 1958 no Teatro de la Gaite lyrique.

"Romance au Portugal" era uma nova versão de "Symphonie Portugaise". O protagonista da opereta era o tenor francês Michel Dens que, em 1951, substituira Lou Pizarra (o famoso tenor português Luiz Piçarra) na opereta "Colorado" igualmente representada no Teatro de la Gaite lyrique.




Jose Padilla

"Symphonie Portugaise" foi estreada em Portugal em 9 de Maio de 2010 num concerto que assinalou o 50º aniversario da morte de José Padilla (1889-1960).

Natural de Almeria (Espanha), Padilla foi um dos mais populares e internacionais compositores espanhóis do século XX, tendo-se notabilizado principalmente nos domínios da música popular, de salão e no género dramático ligeiro.

Destacou-se primeiro como autor de zarzuelas, tendo assinado êxitos como "El Centurión", "La Bien Amada", "Sol de Sevilla", "La Mayorala" ou "La Bella Burlada". "La Bien Amada" fez nascer o seu maior êxito comercial de sempre: a canção "Valencia", que se tornou um cartão-de-visita da cidade levantina. (...)

Foi ainda autor de "Estudiantina Portuguesa" (1950).

Padilla casou com uma portuguesa, união de que não houve filhos. Madrid tem desde 1992 uma Casa-Museu com o seu nome e Valência prepara um Museu em sua memória.

Fonte: Bernardo Mariano, DN

terça-feira, 19 de outubro de 2010

“My son” de Edwin Carewe (1925)


Numa pequena aldeia piscatória de Nova Inglaterra, habitada maioritariamente por imigrantes portugueses, vive Ana Silva (a actriz russa Alla Nazimova) que possui um armazém de comércio ("general store") que pretende que seja a "fonte de sustento" do seu filho Tony (Jack Pickford).

Tony namora com Rosa Pina, mas deixa-se envolver por Betty (Constance Bennett), a filha de uma família rica que passa as férias de Verão na Nova Inglaterra.

O jovem rouba um colar de diamantes à família de Betty para financiar uma viagem a Nova Iorque com Betty.

Ana descobre o que o Tony fez e confronta-o com o sucedido. O jovem tenta fugir, mas a mãe bate-lhe na cabeça com uma pá, deixando-o inconsciente. Mas pede ajuda ao capitão Joe Barmby, que ajuda Tony a fugir do Xerife em companhia de Rosa.

Fontes/mais informações: All movie guide / "Ethnicity in American Feature Films, 1911-1960" (American Film Institute catalog) / Films of Constance Bennett / Imdb


Peça de teatro

O filme (ainda do período do cinema mudo) foi baseado numa peça em três actos, com o mesmo título, da autoria de Martha M. Stanley.

A peça foi estreada no Princess Theatre em 17.09.1924, tendo um total de 278 apresentações até Maio de de 1925.

A personagem Ana Silva foi interpretada pela actriz Joan Gordon. Curiosamente o nome do filho, na peça de teatro, é Brauglio Silva e não Tony.

Fonte: Idbd

quinta-feira, 22 de abril de 2010

"Fado Tropical" de Chico Buarque (1973)


"Fado tropical" foi composto em 1973 para a peça "Calabar ou o elogio da traição".

Sugerindo painéis de azulejo à moda portuguesa do século XVIII, Chico Buarque e Ruy Guerra [cineasta moçambicano] propõem nesta canção um retrato crítico do Brasil colonial, que corresponde em filigrana ao país tal como se encontrava sob a ditadura civil-militar.

Na confluência entre pintura, história e literatura, os dois artistas compõem uma série de paisagens e de naturezas mortas lusotropicais.

Através deste jogo metafórico, tornado ainda mais complexo pela censura, (...) "Fado Tropical", ao recorrer à arte pictórica, esboça uma nova "aquarela do Brasil", ambivalente e irónica, que sugere a permanência do autoritarismo ibérico em nossa formação histórica e cultural.


"Calabar ou o elogio da traição" (Teatro)

A peça conta a história de Domingos Fernandes Calabar, soldado mulato membro das tropas portuguesas. Desde 1624, os portugueses buscavam expulsar os holandeses que desejavam instalar-se na zona açucareira do nordeste.

O governador de Pernambuco Mathias de Albuquerque, português nascido no Brasil, conquista várias vitórias, graças à colaboração de Henrique Dias, escravo africano alforriado, e de Felipe Camarão, indígena que se converteu ao catolicismo.

(..) Calabar decidiu mudar de campo, pondo os seus conhecimentos do território a serviço da Companhia das Indias Orientais (ou "C.I.O.", como está dito na peça). (...)

Mas Calabar, capturado em 1635 por Mathias de Albuquerque, é condenado e executado pelo crime de alta traição, sem que houvesse qualquer protesto emitido pelos holandeses. (...)


Alegorias lusotropicais

Na sequência dos versos anteriores, a última estrofe se desdobra em alegorias dos cinco sentidos, semelhantes àquelas representadas no claustro do convento da ordem terceira de São Francisco, em Salvador (Simões, 1963):

Guitarras e sanfonas
Jardins, coqueiros, fontes,
Sardinhas, mandiocas,
Num suave azulejo.
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-montes
E numa pororoca
Desagua no Tejo.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal,
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal.
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal,
Ainda vai tornar-se um império colonial. (Buarque, 1973)

Fonte: Adriana Coelho Florent

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A história de Inês de Castro em "A Rainha Morta", peça de teatro de Henry de Montherlant (1942)

A atracção pela história de Pedro e Inês manteve-se na primeira metade do Século XX, prolongando a visão romântica do século anterior, sendo de realçar o sucesso de uma grande tragédia francesa, “La Reine Morte” de Henry de Montherlant que sete anos após a sua apresentação já possuía 144 edições e continuava com um sucesso triunfal.

O personagem em destaque é Afonso IV, sob o nome de Ferrante, que é tratado sob um ponto de vista freudiano.


Nesta tragédia em três actos, Henry de Montherlant mistura conflitos políticos com familiares. No argumento um rei doente – Ferrante - decide matar a mulher que casou secretamente com o filho. Nem ele compreende as razões que o levam a decidir a morte de Inês. No final, o rei morre à frente do cadáver da rainha morta.

Inês tem apenas um sentimento no coração: o amor. Ela nasceu para amar e não sabe fazer outra coisa.

Segundo Jean Louis Cochet, que encenou a peça na década de 70, "La reine Morte" é a tragédia do poder e da fraqueza (“la puissance et de la faiblesse"), da grandeza e da mediocridade ("la grandeur et de la médiocrité"), da velhice e da infância ("de la vieillesse et de l’enfance"), da coerência e da incoerência ("de la cohérence et de l’incohérence"). Tudo isto com o brilho admirável do humor e inteligência do seu autor Henry de Montherlant.


Teatro

"A Rainha Morta" foi publicada em 1942 pela Editora Gallimard, sendo a sua primeira apresentação teatral em 8 de Dezembro de 1942 no Teatro da Comédie-Française, com encenação de Pierre Dux, tendo como protagonistas Jean-Louis Barrault (o Rei Ferrante) e Madeleine Renaud (Inês de Castro).


Henry de Montherlant anotou nos seus Cadernos que a (recepção) geral foi pelo menos morna, e que só após alguns cortes operados no dia seguinte, a peça conhece um real sucesso público. Mas defende-se com ironia ter instilado no seu texto as alusões à actualidade dos tempos de guerra, que os espectadores de todos os quadrantes se mostravam inevitavelmente rápidos a detectar.



Televisão

A obra foi adaptada à televisão em 1961, sob direcção de Roger Iglesis, com  Geneviève Casile (Inès de Castro), Jean Yonnel (Ferrante) e Hubert Noël (Don Pedro).


Fontes: Maria Leonor Machado de Sousa (in "Du personnage au mythe") / Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira" / BDFF (Série TV 1962) / Plano Nacional de Leitura

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Inês de Castro na literatura mundial (II)


O famoso escritor francês Victor Hugo escreveu em 1820 "Inez de Castro", a sua primeira peça (obra inacabada), que era um melodrama em três actos com dois intermédios, apenas publicado em 1863 aquando da edição das suas obras inéditas.

Existem, no entanto, muitos outros exemplos:

Alemanha

- "Inez de Castro", tragédia de F. H. Thelo;
- "Inez de Castro", tragédia de Grottfried von Böhm;
- "Inez de Castro", drama de Joseph Lauff (1894).


Argentina

- “Corona de amor y muerte”, peça de teatro, Alejandro Casona (1955)
- "Una Tragedia Amorosa En El Portugal Medieval", conto de César Fuentes Rodríguez (2000)


Brasil

- "A rainha arcaica", série de 14 sonetos, de Ivan Junqueira (1979)


Espanha

- “Doña Inés de Castro, Reina de Portugal” de Juan Mejia de la Cerda (1612)
- "Reynar despues de morir" de Luis Velez de Guevara (1652)
- "Inés de Castro", Novela, de María Pilar Queralt del Hierro (2003)


E.U.A.

- "A Queen After Death", Romance, de William Harman Black (1933) [chegou a diferenciar as touradas espanholas e portuguesas, apresentando estas como menos sanguinárias]
- Fragmentos de "Cantos" de Ezra Pound (séc. XX)


França

- “Agnes de Castro” de M.lle de Brillac (1688)
- "Inez de Castro", tragédia, de Antoine Houdar de Lamotte (1723)
- "Inez de Castro", novela, da Condessa de Genlis ("Madame de Genlis") (1817);
- "Pierre de Portugal", tragédia em 5 actos de Lucien-Emile Arnaut (1823);
 - "La reine du Portugal", tragédia, de Firmin Dido (1824);
- "La reine morte", drama de Henry de Montherlant (1942)
- “La reine crucifiée”, romance de Gilbert Sinoué (2005)

Holanda

- "Inez de Castro", tragédia, de Rhynius Feith.

Itália

- "Ines de Castro", tragédia, de Davide Bertolotti (1826);
- "Ines di Castro", drama, de Luigi Baudozzi;


Reino Unido

- "Agnes de Castro", tragédia de Aphra Behn (1688)
- "Agnez de Castro", tragédia de Catherine Trotter Cockburn (1696) (que inicialmente assinava "Young Lady";
- "Ines de Castro", drama de Mary Russel Mitford (1841);
- "Inez, the bride of Portugal", tragédia, de Neil Ross (1887).


A peça de Catherine Trotter é uma dramatização em verso da tragédia de Aphra Behn com o mesmo nome.

Fontes: Vicente Cândido / Maria Leonor Machado de Sousa / Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira" / Jstor (literatura francesa) / Público

Mais informações: Maria Leonor Machado de Sousa / Fundação Pedro e Inês

(Mais informações sobre Inês de Castro no blog)












sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Inês de Castro na literatura mundial (I)


A vida de Inês de Castro foi imortalizada em diversas peças de teatro, poemas e outras formas de literatura, quer em Portugal (“Lusíadas” de Luís de Camões, “A Castro” de António Ferreira, "D. Pedro" de António Patrício, ...) quer no estrangeiro.

A repercussão em Espanha é fácil de entender, pelo facto de Inês de Castro ser oriunda da Galiza, tendo-se verificado um interesse por parte da poesia popular que se traduziu na publicação de inúmeras obras.


Século XVI

A coroação após a morte e o beija-mão foram transpostos, pela primeira vez, para a literatura erudita em 1577, na tragédia de Jerónimo Bermudez “Nise lastimosa y Nise laureada” (baseada na peça de António Ferreira).




Século XVII

Em 1612, Juan Mejia de la Cerda publica “Doña Inés de Castro, Reina de Portugal” (“Tragédia famosa de Dona Inês de Castro”) no qual é incluído um novo personagem, Rodrigo, amante de Inês, que ao ser rejeitado por Inês convence o rei a ordenar a morte de Inês.

Impresso em Lisboa em 1652, mas escrito antes de 1644, a peça de teatro "Reynar despues de morir" de Luis Velez de Guevara inclui um novo personagem, a Infanta Branca de Navarra, que vem a Portugal para se casar com D. Pedro, denunciando, junto do rei, a relação entre Pedro e Inês.


Contributo das obras espanholas para o mito

Nas obras de Juan Mejia de la Cerda e Luis Velez de Guevara, regista-se o contributo da Espanha para a formação da história, com dois elementos tipicamente associados ao carácter dos espanhóis, o gosto pelo espectáculo (a coroação) e o ciúme violento (Rodrigo e Branca).

Esses novos elementos foram sendo sempre preservados na literatura inesiana. Em 1930, a inglesa Anette Mekian publicou uma obra algo próxima ao texto de Luis Velez de Guevara e foi esta tradição que influenciou as duas maiores tragédias do século XX, “La Reine Morte” (1942) de Henri de Montherland e “Corona de amor y muerte” (1955) do autor argentino Alejandro Casona.

Fontes: Maria Leonor Machado de Sousa (in "Du personnage au mythe") / Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira" / Escrito com sangreTeatro Selecto

(Mais sobre Inês de Castro no blog)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

"Lisbon Story" de Paul L. Stein (1946)



Filme musical dirigido por Paul Stein, para a British National Filme, que conta com a participação de Patricia Burke e David Farrar e do famoso cantor de ópera austríaco Richard Tauber (que, no papel de André Joubert, interpreta “Pedro the Fisherman”, popularizado no teatro pelos Vincent Tildsley Mastersingers).

A acção do filme decorre durante a 2ª Guerra Mundial e aborda os esforços de uma cantora francesa (Patricia Burke) e de um espião inglês (David Farrar) que viajam para a Alemanha nazi para salvar um cientista francês.


“Lisbon story” revelou-se um enorme sucesso nos palcos, tendo estado em cena entre Junho de 1943 e Julho de 1944, quando o aumento do número de bombardeamentos pesados forçou o encerramento temporário de mais de metade dos teatros de Londres.

Durante este tempo, Patricia Burke fez 492 apresentações no papel de Gabrielle, uma cantora que escapa dos nazis em Paris, acabando por ser executada pelos nazis durante a cena final em Portugal.


As reações da imprensa não foram unânimes, enquanto o Manchester Evening News achou que o fim era disparatado, o Daily Mail descreveu-o como "The Gestapo set to Music!"

O público não tinha esses escrúpulos. Eles estavam em guerra e tratava-se de um musical que lhes trazia a realidade do nazismo para o teatro de Londres.  O espectáculo teria permanecido mais tempo em cartaz se a Luftwaffe tivesse permitido.


O tema "Pedro, o pescador" era interpretado no teatro pelos Vincent Tildsley Mastersingers vestidos de forma colorida como marinheiros portugueses. A canção relata como Pedro, o pescador que assobia, abandona a sua amada Nina para ir para o mar, mas que acaba por regressar mesmo a tempo de impedir que ela se case com Miguel, o rico produtor de vinho.




Fontes: wikipedia / All Movie / Enciclopédia do Teatro musical / IMDb

Video: "Pedro the Fisherman" (Richard Tauber)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

"Serénade Portugaise" de Charles Trenet (1938)



Da autoria de Charles Trenet, "Sérénade Portugaise" foi interpretado por artistas como Tino Rossi, Léo Marjane e Jaime Plana. Curiosamente o tema - uma canção de "marinheiro" - não tem qualquer referência directa a Portugal na sua letra.

"Sérénade portugaise" ficou associada ao "L'Anschluss" (anexação da França pela Alemanha de Hitler), pelo facto de ser contemporânea desse momento histórico.



Depoimento de Georges Guétary ("Ma Route Fleurie de Chansons")

"A l'occasion d'un nouveau spectacle, pour permettre un changement de décor, Mistinguett me demande de choisir une chanson que je chanterai devant le rideau. Je choisis, une chanson de marin, composée par Charles Trenet. "La Sérénade Portugaise". Toute la saison, je chante ma sérénade devant le rideau. Je rêve de plus en plus aux lauriers de Tino Rossi. La fermeture annuelle du Théâtre arrive. Nous sommes en Août 1939.[…] C'est la guerre.

(Elle) semble figée dans une position d'attente. Nous nous installons mon oncle et moi à Guéthary, nous demandant quand nous pourrions reprendre la vie qui nous plaisait. […] Je continue à travailler le chant. Les Allemands arrivent […]



Letra

J'écoute le vent qui parle de ma belle
J'écoute le vent qui me parle d'amour
Le jour s'est enfui car il fait nuit sans elle
Sans elle, l'écho dans le bois reste sourd
Et gronde, gronde le tonnerre
Et gronde, gronde le ciel lourd

Je suis un marin, je chante les rivages
Je chante les flots et je chante les fleurs
Je fais des bouquets avec tous les nuages
Mais la fleur d'amour est toujours dans mon coeur
Et chante, chante ma jeunesse
Et chante, la joie et les pleurs !

Ce soir à minuit c'est la fête au village
Et nous danserons sous les platanes verts
J'aurai dans mes bras la fille la plus sage
Pour qui je fredonne ma chanson sur la mer
Et vogue, vogue mon ivresse
Et claque ma voile dans l'air !


Curiosidade

Em 2007, o grupo belga Laïs lançou o seu quarto álbum "The Ladies Second Song", com base em poemas de autores clássicos como W.B. Yeats, Paul Verlaine e Pablo Neruda, incluíndo igualmemte uma versão do tema "Serenade Portugaise".