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terça-feira, 20 de agosto de 2013

“Le Fado” de Mistinguett (1925)


O compositor espanhol José Padilla, autor de temas mundialmente famosos, como "Valencia" ou "La Violetera", foi casado com uma portuguesa e era um apaixonado pela música lusa.

Padilla (1889-1960) dedicou várias composições a Portugal com destaque para "Symphonie Portugaise" e "Romance au Portugal", ambas estreadas em Paris; "Estudiantina Portuguesa", em Madrid; e "Menina baila o fado" e "Fado de meus amores", em Buenos Aires.


Entre as suas composições é igualmente de realçar o tema “Le Fado”, com letra de Lucien Boyer e Jacques-Charles, popularizado, em 1925, pela famosa cantora francesa Mistinguett no quadro “Tout au Fado” da Revista do Moulin Rouge em sua homenagem (“La Revue Mistinguett”).


“Le Fado” foi apresentado como a nova dança portuguesa lançada por Mistinguett e Earl Leslie na Revista do Moulin Rouge, sendo uma deliciosa dança nacional com um ritmo novo e característico, cuja partitura estava disponível, pelas editora de Francis Salabert, para piano e canto ou apenas para piano com a história (teoria) da dança.

Conhecido por “Fado Mistinguett” foi igualmente interpretado por outros artistas, como Vorelli e a famosa actriz portuguesa Lina Demoel.

Fontes: El Pais / El Comercio  / Fadistando 


sábado, 10 de agosto de 2013

O sucesso internacional do Duo Ouro Negro


Houve um tempo, um tempo breve, em que pareceu que a música popular portuguesa podia ser assim: uma coisa intercontinental, afro-europeia e euro-africana, que pregava um estilo de vida dominado pela elegância e a alegria; atenta às mudanças do mundo e a cada uma das novas tendências internacionais.

Sendo originalmente um trio, foi já como duo que Raul Indipwo e Milo MacMahon - então conhecidos ainda com os seus nomes lusitanos, Raul Aires Peres e Emílio Pereira – se tornaram conhecidos graças às suas espantosas harmonias vocais e a um domínio exímio da guitarra.


Após o êxito conseguido na capital angolana chegam a Lisboa em 1959 pela mão do empresário cinematográfico Ribeiro Belga e, apesar da concorrência em voga no mundo da canção, conquistam em absoluto o público com actuações no Cinema Roma e no Casino Estoril, gravam discos (inicialmente acompanhados pelo conjunto de Sivuca, depois pela orquestra de Joaquim Luís Gomes) e passam pelos écrãs da RTP (onde nessa época se actuava sempre em directo).

Começam a sua internacionalização com a actuação em países como a Suíça, França, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Espanha.


Seguindo a “onda” dos ritmos de dança como o twist, o madison, o surf e muitos outros, o Duo Ouro Negro lança o kwela, que rapidamente se transformou numa moda, sendo considerado o ritmo do Verão em 1965.

A nova moda pegou e, para a cena europeia, representava uma novidade encantadora. Paris rendeu-se ao kwela e a Europa também. Na verdade Kwela significa Flauta no dialecto Zulu, e não é mais do que um misto de twist, surf e uma dança de ritual africana.


Em 1966 actuaram nas galas de comemoração do IV Centenário do Principado do Mónaco  e em 1967 actuaram no Olympia, durante 3 semanas em Maio e 3 semanas em Outubro.

Foram convidados a actuar no II Festival de música popular do Rio de Janeiro, onde acabaram em 8º lugar na fase internacional com o tema "Kubatokuê Mulata" (que foi igualmente regravado por Dino Meira, que na altura estava emigrado no Brasil).


E foram uma das atracções internacionais convidadas a participar no "Rendez-vous avec Danny Kaye", um espectáculo de comemoração do XX aniversário da UNICEF, transmitido em directo do Alhambra, em Paris, para 200 milhões de espectadores.

Não haverão muitos grupos hoje em dia que se orgulhem de poder editar os seus discos em tão longínquas paragens como o Raul e o Milo. Começou em 1965 em Paris com o Kwela, e não mais parou: Estados Unidos da América, Brasil, Colômbia, Argentina, Espanha, Alemanha, Israel, Angola, Moçambique, África do Sul, Japão... Tantos, tantos países.


Mas o ano de 1969 marcou particularmente o Duo, gravam em Buenos Aires para a Odeon, acompanhados pela orquestra de Jorge Leone, "Latino",  um LP que marcaria a música de então, que inclui temas como "El Fuego Compartido", "Quando Cheguei ao Brasil" e "Muamba, Banana e Cola".

Fontes/Mais informações: Os Reis do Yé-Yé / Ratosreturn / Guedelhudos (1) (2) / Angola BelaBlog Duo Ouro Negro / Rubellus Petrinus / Enciclopédia da Música Ligeira sob direcção de Luís Pinheiro de Almeida e João Pinheiro de Almeida

Versão de Dino Meira (1968)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

António Vilar (1912- 1995), um dos maiores galâs do cinema português e europeu


António Vilar (1912-1995), de seu nome António Justiniano dos Santos (a família de Vilar é originária da aldeia de Palhais na freguesia de Vilar, no concelho do Cadaval, daí a origem do pseudónimo) foi um dos actores mais famosos do seu tempo, trabalhando tanto no país como no estrangeiro (Espanha, França, Itália, Argentina).

Foi o rosto por excelência do cinema clássico, sobretudo, dos grandes espectáculos históricos e das co-produções luso-espanholas como "Inês de Castro" e "Rainha Santa".


Personificou Luís Vaz de Camões em "Camões" (1946), em Portugal, antes de assentar arraiais em Espanha, onde viveu até ao fim dos seus dias.

Entre 1946 e 1978, protagonizou perto de 40 filmes castelhanos, dos quais se destacam “La Mantilla de Beatriz” (“A Mantilha de Beatriz”, 1946), “Reina Santa” (“A Raínha Santa”, 1947), “Una Mujer Cualquiera” (1949), “Don Juan” (1950), “Alba de América” (1951), “El Redentor” (1957), “Muerte Al Amanecer” (1959), “Comando de Asessinos” (“Fim-de-Semana Com a Morte”, 1967) e “Disco Rojo” (“Sinal Vermelho”, 1973).



Interpretou papeis marcantes no cinema espanhol como Don Juan em “Don Juan” (1950) e Cristovão Colombo em “Alba de América” (1951). E regressou a Portugal para encabeçar o elenco de "O Primo Basílio" (1959) de António Lopes Ribeiro.

Mas uma das suas prestações mais elogiadas foi no filme " El Judas" (1952), em que interpreta três personagens: Mariano Tormé (o homem que apenas pensa no lucro), Judas e o próprio Jesus Cristo, sendo inclusive aclamado no Festival de Veneza.


Na Argentina torna-se também popular, interpretando três filmes: "La Quintrala" (1955), "Os Irmãos Corsos" (1955) e "Miercoles Santo" (1954). Fez provas para "El Juramento de Lagardère", mas acabou por não participar no filme devido a uma queda que deu dum cavalo, durante as filmagens de uma cena.

Trabalhou também em Itália, onde protagonizou “Guarany” (1948), “Santo Disonore” (“Honra e Sacrifício”, 1949) e “Il Padrone Delle Ferriere” (1959).


Em França filmou, com êxito, "Bel amour" e "Le désir et l'amour", ambos de 1951.

E contracenou com Brigitte Bardot em "A Mulher e o Fantoche" (“La Femme et le Pantin”, 1959), interpretando o rico e orgulhoso Matteo Diaz .


O seu último filme foi “Estimado Señor Juez” (1978). Nos anos seguintes, perseguiu o sonho de produzir, realizar e protagonizar um épico sobre Fernão de Magalhães, tendo gasto a sua fortuna pessoal na pré-produção do filme, após as recusas de subsídios governamentais por parte de Portugal e de Espanha. Para esse efeito, conseguiu construir uma réplica duma nau da frota de Magalhães, que foi oferecida à Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses.


Enciclopédia Espasa (texto: Emissora Nacional)

A Espanha acaba de consagrar um actor português de cinema, António Vilar. Com efeito, a mais recente edição abreviada da “Enciclipédia Espasa” inclui uma biografia de António Vilar, único artista cinematográfico peninsular vivo que figura naquela Enciclopédia, salientando-se as suas criações de Camões, D. Dinis, D. Pedro e Cristovão Colombo, do protagonista de “Embaixador do Inferno” e de “Judas”. É, de resto, lisonjeiro para Portugal que entre as criações do actor se façam figurar três filmes portugueses: “Camões”, “Inês de Castro” e “Rainha Santa”.


Galã

Foi primeira figura de cartaz em Portugal e no estrangeiro, onde contracenou com Brigitte Bardot, Virna Lisi, Ana Karina, Maria Félix, Odile Versóis, etc. Foi um dos mais disputados galãs do cinema europeu, sobretudo na década de 50.



Principais Prémios e Homenagens

  • Prémio para melhor actor pelo Sindicato Nacional da Informação / SNI
  • Cinco medalhas do Círculo de Escritores Cinematográficos de Espanha
  • Sete prémios em Espanha por votação popular
  • Prémio do Sindicato dos actores do México, Argentina e Cuba
  • Condor de Oro - melhor actor na América do Sul
  • Foi considerado pela revista norte-americana Fame como um dos melhores actores do mundo.
  • Foi aplaudido no Festival de Veneza em 1949.
  • Prémio Quijote de Oro no Festival de Málaga.
  • Em 1957 recebeu a placa São João Bosco como melhor actor.
  • Oficial das Ordens de Santiago e Espada e Militar de Cristo (Portugal) e da Ordem de Isabel a Católica (Espanha)
  • Comenda da Legião de Mérito (Brasil)

Fontes: Infopédia / Junta de Freguesia de Vilar (pág. 18) /  Blogue Pessoal de Paulo Borges / Museu RTP / Revista Plateia (José Cabral Rodrigues / Nimas - O cinema em papel) / O grande livro dos Portugueses (Círculo dos Leitores) / Lisboa anos 60 - Lx60 (de Joana Stichini Vilena e Nick Mrozowski, pág. 18) / Citizengrave / Benito Movie Posters







quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Lisbonne Dernier Tour" de Aude Samama e Jorge Zentner (2010)


"Lisbonne Dernier Tour", com desenhos da francesa Aude Samama e argumento do argentino Jorge Zentner, traça a biografia de um prestidigitador chamado Tosechi, que após atingir o zénite da fama acaba por resvalar para uma situação decadente.

A concretização gráfica serve-se de um estilo pictórico próximo da pintura, atingindo grande beleza plástica.

Sinopse

É com a vida e a as experiências de pessoas vulgares que se escrevem as histórias. É com a vida e a as experiências de alguém como o mago Tosechi que se escrevem as lendas.


Entre o passado e o presente

Habitamos um mundo em que o mago Tosechi já ocupou o imaginário de um público alargadíssimo. As imagens que nos surgem desse tempo glorioso parece-nos indicar a década de 1920, mas esses saltos no passado servem apenas para contrastar o presente, possivelmente na nossa actualidade, numa Lisboa ribeirinha.

O contraste é palpável pela falta de acompanhamento dos tempos pela parte de Tosechi, a lenta ultrapassagem pelos novos espectáculos, novas velocidades, novos entretenimentos.


Moreno, o seu agente, companheiro, gentleman’s gentleman, é quem lança os fios que ligam a glória ao declínio, o passado na ribalta e a quase desesperada natureza das errâncias na cidade a que vieram dar, e onde ocupam um pequeno hotel de terceira, longe dos hotéis de cinco estrelas de outros tempos.

São os pensamentos de Moreno e as suas acções que encaixam os momentos e as projecções dos acontecimentos. E é através das palavras de Zentner e de belos jogos linguísticos, e metáforas (por vezes, mas poucas, corroboradas pelas imagens), que nos vamos dando conta dessa lenta mas inexorável descida.

Fontes: Geraldes Lino (Divulgando BD) / Pedro Moura (Ler BD)/ wook

Aude Samama é igualmente autora de um CD livro sobre Amália Rodrigues publicado em 2008.



Fonte: página oficial de Aude Samama

terça-feira, 30 de março de 2010

“O Primo Basílio" em castelhano (1934 + 1944)


Um dos mais importantes autores da literatura portuguesa, José Maria de Eça de Queirós (1845-1900) tornar-se-ia um dos nossos escritores cuja obra, com maior frequência e de modo mais sugestivo, foi transposta pelo cinema mesmo com incidência além-fronteiras.

A primeira dessas adaptações foi “O Primo Basílio”, uma produção portuguesa, de 1922, da Invicta Film, com realização do francês Geroges Pallu.

Esta obra de Eça de Queirós foi posteriormente adaptada ao cinema por dois realizadores hispano-americanos, o mexicano Carlos Najera (67 anos antes da adaptação de Carlos Carrera do "Crime do Padre Amaro") e o argentino Carlos Schlieper.

"El Primo Basilio" (1934)

Carlos Najera adaptou e realizou em 1934 o filme “El Primo Basílio”, com produção da Eurindia films (México).

Najera alterou a última sequência do filme por razões económicas. A Eurindia films deixou de pagar o vencimento a Andrea Palma (Luísa), pelo que os diálogos finais foram substituídos pelo texto de uma carta que Luísa tinha escrito a Jorge (Joaquín Busquets) e que ele aparece a ler até ao final do filme.

"El Primo Basilio" foi exibido pela Cinemateca Portuguesa no dia 7 de Junho de 1987 no ciclo “Que Viva México”.

(Mais informações na página dedicada a Andrea Palma, primeira diva do cinema mexicano)


"El Deseo" (1944)

E em 1944, Carlos Schlieper realizou "El deseo", uma produção argentina, com a interpretação de Aida Luz (Luísa) e Santiago Gómez Cou (Basílio).

Elsa Connor ganhou o prémio de melhor actriz secundária nos Prémios "Silver Condor".



Elsa Connor
Fontes: José de Matos-Cruz (“Eça de Queirós em imagens animadas”) / TDT-Latinoamericano / Cinefacts / Grupokane / solocortos / labatichica / Crónica TV (Elsa Connor)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Inês de Castro na literatura mundial (II)


O famoso escritor francês Victor Hugo escreveu em 1820 "Inez de Castro", a sua primeira peça (obra inacabada), que era um melodrama em três actos com dois intermédios, apenas publicado em 1863 aquando da edição das suas obras inéditas.

Existem, no entanto, muitos outros exemplos:

Alemanha

- "Inez de Castro", tragédia de F. H. Thelo;
- "Inez de Castro", tragédia de Grottfried von Böhm;
- "Inez de Castro", drama de Joseph Lauff (1894).


Argentina

- “Corona de amor y muerte”, peça de teatro, Alejandro Casona (1955)
- "Una Tragedia Amorosa En El Portugal Medieval", conto de César Fuentes Rodríguez (2000)


Brasil

- "A rainha arcaica", série de 14 sonetos, de Ivan Junqueira (1979)


Espanha

- “Doña Inés de Castro, Reina de Portugal” de Juan Mejia de la Cerda (1612)
- "Reynar despues de morir" de Luis Velez de Guevara (1652)
- "Inés de Castro", Novela, de María Pilar Queralt del Hierro (2003)


E.U.A.

- "A Queen After Death", Romance, de William Harman Black (1933) [chegou a diferenciar as touradas espanholas e portuguesas, apresentando estas como menos sanguinárias]
- Fragmentos de "Cantos" de Ezra Pound (séc. XX)


França

- “Agnes de Castro” de M.lle de Brillac (1688)
- "Inez de Castro", tragédia, de Antoine Houdar de Lamotte (1723)
- "Inez de Castro", novela, da Condessa de Genlis ("Madame de Genlis") (1817);
- "Pierre de Portugal", tragédia em 5 actos de Lucien-Emile Arnaut (1823);
 - "La reine du Portugal", tragédia, de Firmin Dido (1824);
- "La reine morte", drama de Henry de Montherlant (1942)
- “La reine crucifiée”, romance de Gilbert Sinoué (2005)

Holanda

- "Inez de Castro", tragédia, de Rhynius Feith.

Itália

- "Ines de Castro", tragédia, de Davide Bertolotti (1826);
- "Ines di Castro", drama, de Luigi Baudozzi;


Reino Unido

- "Agnes de Castro", tragédia de Aphra Behn (1688)
- "Agnez de Castro", tragédia de Catherine Trotter Cockburn (1696) (que inicialmente assinava "Young Lady";
- "Ines de Castro", drama de Mary Russel Mitford (1841);
- "Inez, the bride of Portugal", tragédia, de Neil Ross (1887).


A peça de Catherine Trotter é uma dramatização em verso da tragédia de Aphra Behn com o mesmo nome.

Fontes: Vicente Cândido / Maria Leonor Machado de Sousa / Blog "Inês e Pedro na Literatura Estrangeira" / Jstor (literatura francesa) / Público

Mais informações: Maria Leonor Machado de Sousa / Fundação Pedro e Inês

(Mais informações sobre Inês de Castro no blog)