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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

"A Casa da Mariquinhas" em versão italiana e espanhola (1978)


O fado "A Casa da Mariquinhas", com letra de Silva Tavares, foi composto e interpretado inicialmente por Alfredo Marceneiro.

Amália Rodrigues obteve igualmente um grande sucesso com a sua versão que se intitulava "Vou dar de beber á dor", com letra de Alberto Janes.

O tema foi editado no início dos anos '70 em italiano com o nome de "La Casa in Via del Campo" que foi incluída no seu álbum "Amalia in Italia".

"La Casa in Via del Campo" foi gravado pelo cantor Franco Simone em 1978.

Video: italiano, espanhol

Fonte: Fado Portoghese

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Milva grava "La filanda (É ou não é)" (1971)



Milva (nome artístico de Maria Ilva Biolcati) é uma famosa cantora e actriz italiana nascida em 1939.

Em 1971 publicou o seu maior sucesso discográfico, "La filanda", com letra de Vito Pallavicini, que é versão do tema "É ou não É" da autoria de Alberto Janes e imortalizado por Amália.

Mário Martins, colaborador da Valentim de Carvalho (editora de Amália), foi o responsável pela cedência dos direitos da canção durante o MIDEM.

O tema, incluído no seu álbum "La filanda e altre storie", arrecadou o prémio "gondola d'oro" em Veneza no ano de 1972.

Videos: Milva, grupo Pandemonio (2002)



(...) com um repertório prestigioso e uma carreira notável, se formos averiguar qual o seu maior sucesso popular, teremos uma surpresa. É que não foi nenhuma das interpretações excepcionais que Milva deixou gravada, que suscitou o maior entusiasmo do público, foi uma canção bem popular, que todos conhecemos muitíssimo bem.

Pois é verdade. foi exactamente este o seu maior êxito de vendas: Um simpático e bem humorado fado, no estilo habitual de Alberto Janes, chamado "É OU NÂO É", originalmente criado por Amália Rodrigues, mas que no resto da Europa, devido a esta recriação de Milva ficou conhecido por "LA FILANDA".  

Fonte: In Senso


Alberto Janes

Alberto Janes foi um senhor farmacêutico que um dia, no inicio dos anos cinquenta, apareceu timidamente em casa de Amália, com umas partituras debaixo do braço... disse que tinha "umas coisas", que achava que eram boas para que a fadista cantasse.

Quem rodeava a fadista, teve opinião negativa acerca de Alberto Janes. Era um desconhecido, a musica dele não "dava" para Amália cantar, etc.

Contudo, Amália, com o seu "olho clínico", a sua sensibilidade, contrariou essas opiniões e gravou o "Foi Deus". Seguiram-se outros tantos trechos, o célebre "Vou dar de beber à dor", o "É ou não é", o "Il mare é amico mio",o "Caldeirada", que , tal como Amália vaticinara, eram sucessos em qualquer parte do mundo.

E pensar que ninguém dava nada por Alberto Janes...

Fonte: zzuzinha (adaptado)

Letra (portuguesa)

É ou não é
Que o trabalho dignifica
É assim que nos explica
O rifão que nunca falha?
É ou não é
Que disto, toda a verdade,
Que só por dignidade
No mundo, ninguém trabalha!

Letra (italiana)

Cos'è, cos'è
che fa andare le filanda
è chiara la faccenda
son quelle come me

E c'è, e c'è
che ci lascio sul telaio
le lacrime del guaio
di aver amato te

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Coimbra" ou "Abril em Portugal" em edição internacional (1950s)



O tema "Coimbra" composto por Raul Ferrão foi um sucesso internacional na década de 50, na sequência da participação de Amália nos concertos integrados no Plano Marshall, sendo provavelmente a música portuguesa mais reconhecida em todo o mundo.

Muitas das versões são instrumentais, tendo sido igualmente sucesso nas versões em francês (“Avril au Portugal” com letra de Jacques Larue) e inglês (“April in Portugal” ou "The Whisp'ring Serenade” com letra da autoria de Jimmy Kennedy e "The Girls of Nazaray" com letra de Barbara Gordon).

Conhecem-se igualmente versões de "Coimbra" em espanhol (com letra de José Galhardo), alemão ("Der erste kuss is gut"),  e sueco  (com letra de S.S.Wilson, pseudónimo de Anita Halden) e até há versão em árabe pela grande vedeta libanesa, Fairrouz.



Estados Unidos

O tema obteve um enorme sucesso, entre os meses de Março e Abril de 1953, nas versões de Vic Damone (3 semanas no top, tendo alcançado o nº 16 no top da Billboard) e das orquestras de Les Baxter (22 semanas no top, tendo ocupado o nº 2 no top), Richard Hayman (11 semanas no top, alcançando o nº 12) e Freddy Martin (3 semanas no top, atingindo o nº 15).

No top da Cashbox, que englobava as diversas versões, o tema alcançou o nº 2.



Video: Dorothy Collins (nº 6 on your hitparade)


França

Em 1950, Amália participou nos espectáculos do Plano Marshall para a Europa, que tiveram lugar em Berlim, Dublin, Paris e Berna, e foram um marco decisivo na sua internacionalização.

Durante o espectáculo em Dublin, Amália canta "Coimbra", que fica no ouvido da cantora francesa Yvette Giraud, que a populariza em França como "Avril au Portugal", com letra de Jacques Larue.

A versão em francês foi igualmente gravada por artistas como Eartha Kitt, Anny Gould, Elyane Dorsay, Yvonne Blanc e Line Renáud.



Reino Unido

Em 1955, Amália canta a melodia de Ferrão numa curta-metragem britânica intitulada precisamente "April in Portugal". É nessa época que começam a surgir versões em inglês, nomeadamente por Vic Damone, com letra de Jimmy Kennedy.

A versão interpretada por Edmund Ros and his Rumba Band teve o curioso nome de "The Girls of Nazaray", com letra de Barbara Gordon, mas a versão que perdurou foi "April in Portugal".


“April in Portugal” / "The Whisp'ring Serenade” alcançou o 4º lugar no top inglês, englobando as edições de Edmundo Ros & his Orchestra, Geraldo & His New Concert Orchestra, Jane Morgan, Johnston Brothers with The Pianotones, Louis Armstrong & his Orchestra, Tony Martin, Vic Damone e Victor Silvester & his Orchestra.






Alemanha

"Der erste kuss is gut", com letra de Bernd Heim (e igualmente creditada a R. Fararo, que será erro na transcrição do nome de Raúl Ferrão), foi editada por Adalbert Luczkowski com a sua orquestra e colaboração de Maria Mucke, Comedian Quartett e Coro masculino.

Mas as principais versões são instrumentais Will Glahé, Werner Müller, James Last, Helmut Zacharias e Heinrich Riethmüller.


Suécia

"April in Portugal", com letra em sueco da autoria de S.S.Wilson, pseudónimo de Anita Halden, foi interpretada por Lily Berglund e Ingemar Pallin (com a orquestra de Harry Arnolds), ambas em 1953.



Finlândia

Olavi Virti gravou "Portugali Huhtikuu", em ritmo tango, com a colaboração da orquestra de George de Godzinsky, com texto em finlandês de Saukki, que foi igualmente regravada por artistas como Henry Theel (com a Melody-Orkesteri) ou as Polar Sisters.


Brasil

No Brasil, "Coimbra" foi gravada em 1952 por Ester de Abreu, lisboeta que se fixou no final da década de 40 no Rio de Janeiro, contratada pela Rádio Nacional.

A sua irmã Gilda Valença, intérprete de 11 filmes brasileiros, estreou-se em 1952 cantando "Coimbra" no filme "Com o Diabo no Corpo".

Além das manas Ester e Gilda, o tema também foi gravado por Roberto Carlos (nos anos 60) e, mais recentemente, por Caetano Veloso (anos 90).


Júlio Iglésias também incluiu "Coimbra" no seu álbum "Brasil" e a primeira vez que cantou o tema foi em 1980 fazendo dueto com Amália no Festival de Newport O tema foi igualmente gravado em português por diversos artistas internacionais como Roberto Carlos (nos anos 60), Júlio Iglésias (na década de 80) e Caetano Veloso (anos 90).


Outras Versões: Bing CrosbyLiberace, Perez Prado, Mantovani, Paul Mauriat

 

Letra (francês)

Je vais vous raconter
Ce qui m'est arrivé
Sous un ciel où l'été
S'attarde
Histoire d'amoureux
Voyage aventureux
Que pour les jours heureux
Je garde
Un grand navire à quai,
La foule débarquait
Deux yeux sous des bouquets
Regardent
L'amour devait rôder
Puisqu'on s'est regardés
Et que mon cœur s'est mis à chanter ...

Avril au Portugal,
A deux c'est idéal,
Là-bas si l'on est fou,
Le ciel l'est plus que vous,
Pour un sentimental
L'amour existe t-il
Ailleurs qu'au Portugal
En Avril.

Le soir sous mes yeux clos
Glissant au fil de l'eau
Je vois par le hublot
La rive
Des voiles de couleur
De lourds parfums de fleurs
Des chants de bateleurs
M'arrivent...
Tout ça berce mon cœur
D'un rêve de bonheur
Dont les regrets ailleurs
Me suivent,
L'amour devait savoir
En nous suivant le soir
Que j'aimerais un jour la revoir...

Avril au Portugal,
A deux c'est idéal,
Là-bas si l'on est fou,
Le ciel l'est plus que vous,
Mais sans penser à mal
Son cœur attendra t-il
Que j'aille au Portugal,
En avril.


Letra (inglês)

I found my April dream in Portugal with you
When we discovered romance, like we never knew.
My head was in the clouds, My heart went crazy too,
And madly I said: "I love you."

Too soon I heard you say:
"This dream is for a day"
That's Porugal and love in April!
And when the showers fell,
Those tears I know so well,
They told me it was spring fooling me.

I found my April dream in Portugal with you
When we discovered romance, like I never knew.
Then morning brought the rain,
And now my dream is through
But still my heart says "I love you."

This sad reality, To know it couldn't be,
That's Portugal and love in April!
The music and the wine convinced me you were mine,
But it was just the spring fooling me.

I found my April dream in Portugal with you
When we discovered romance, like I never knew.
Then morning brought the rain,
And now my dream is through
But still my heart says "I love you."

Fontes: wikipedia (1)(2) / portuguese times
 
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sucesso internacional de "Lisboa antiga" (1950's)


Com letra de Amadeu do Vale/José Galhardo e música de Raul Portela, "Lisboa Antiga" foi estreado por Hermínia Silva, em 1932, na Revista "Pirilau" que foi exibido no Teatro Politeama. A versão de Amália e a inclusão do tema na banda sonora do filme "Lisbon" foram importantes contributos para o seu sucesso internacional.

A versão instrumental de "Lisboa antiga" ("Lisbon Antigua") foi número um nos E.U.A., na versão de Nelson Riddle em 23 de Fevereiro de 1956 e aí se manteve durante quatro semanas, tendo no total ficado 24 semanas no Top.


A versão da orquestra de Mitch Miller chegou ao 19º lugar, estando 3 semanas no Top. E em Inglaterra a versão instrumental de Frank Chacksfield ("In Old Lisbon") alcançou o nº 15 do Top inglês.

Mas o tema obteve igualmente sucesso internacional nas versões em francês, espanhol, inglês e alemão.



"Adieu Lisbonne"

Gloria Lasso, uma cantora catalã radicada em França, alcançou o terceiro lugar do top francês em 1956 com a canção "Adieu Lisbonne" cuja letra era da autoria de Fernand Bonifay.

O tema foi igualmente gravado por artistas como Dario Moreno, Marcel Azzola e Marino Marini.



Faixa audio: Dario Moreno

"Lisboa antigua"

A versão em espanhol, "Lisboa Antiga" ou "Lisboa Antigua", com adaptação de M. Salina, foi gravada quer por Gloria Lasso, quer por artistas como Gigliola Cinquetti (com o trio Los Panchos), Los Chavales de España e Pedro Vargas.



Youtube: Gigliola Cinquetti y los Panchos, Los Chavales de España, Pedro Garcia, Jorge Sepulveda

"In Old Lisbon"

A adaptação para inglês ficou a cargo de Harry Dupree, sendo o tema gravado, entre outros, por Alan Dale.




Fontes: WikipediaOnda pop

"Alt Lissabon"

Com letra de T. Hansen, "Alt Lissabon" foi interpretada por Jost Wöhrmann e Ricardo Santos (single em parceria com Margot Eskens).



Letra (francês)

Adieu, Lisbonne
Vieille cité du Portugal
Sous ton ciel bleu sans égal
Tu apparais, royale

Lisbonne
Les mille feux de ton port
Semblent danser sur des guitares d'or
Le soir, quand tout s'endort

En évoquant mon enfance
J'entends encore les romances
Les rythmes légers du fado
Les guitares et les danses
Et je revois ma chapelle
Avec son clocher de fines dentelles

Lisbonne
Comme une étoile d'amour
Ton souvenir, dans mes lointains séjours
Me guidera toujours

Lisbonne
Je te confie mon passé
On ne peut pas changer sa destinée
Et je dois te quitter

Adieu, Lisbonne
Adieu, pays de mon bonheur

Letra (espanhol)

Lisboa antigua reposa
llena de encanto y belleza
que fuiste hermosa al sonreir
y al vestir tan airosa!
El velo de la nostalgia
cubrirà tu rostro
de linda princesa.
No volveràs
Lisboa antigua y senorial

a ser morada feudal
a tu esplendor real.
Las fiestas y los lùcidos saraos
y serenatas al amanecer
ya nunca volveràn

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

"Amantes do Tejo" de Henri Verneuil (1955)

Amália Rodrigues canta o célebre “Barco Negro”, mas esse é apenas um dos factores que torna este filme muito especial para os lisboetas, e não só.

Podemos apreciar, com algum pormenor, a Lisboa desse tempo, sem ponte, sem Cristo-Rei na outra Banda, mas com sinaleiros, pregões populares, varinas, empregados de mesa fardados, ardinas, engraxadores e Salazar, cujos serviços de Censura cortaram quase 20% do filme, depois de terem proibido a exibição em Portugal.

Há ainda uma espectacular guitarrada pelo Mestre Jaime Santos, o Rossio com eléctricos, a Bica típica, o porto de Lisboa com movimento intenso de navios, os velhos táxis, as arcadas da Praça do Comércio, o Terreiro do Paço com o Cais das Colunas limpo de quaisquer tapumes…


O filme foi protagonizado por dois excelentes actores, o francês Daniel Gélin (1921-2002) e o inglês Trevor Howard (1913-1988), que acompanham Françoise Arnoul (n. 1931). A realização é de Henri Verneuil.

A história é fraquinha, quase inverossímil, mas o interesse do filme, para nós, hoje em dia, não reside aí.

Poucos filmes portugueses da época mostraram a cidade como este filme francês.

Fonte/Mais informações: José Quintela Soares / kebekmac

O filme foi adaptado da obra homónima de Joseph Kessel, romancista francês nascido na Argentina.


Sinopse

É uma história de amor passada no fim da guerra. Um motorista de praça (Daniel Gélin), foragido do seu país, estabelece [em Lisboa] uma relação amorosa com uma mulher inglesa (Françoise Arnoul) capaz de suportar todos os perigos e sacrifícios por amor.



Video: "The art of Amalia"

Imagens disponibilizadas no youtube por C4pt0m3nt3 

Igrejas Caeiro, Amália e Daniel Gélin



quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

"Formiga bossa nova" de Adriana Partimpim (2004)


Quem introduziu a formiga na bossa nova ?

Em 2004 a cantora brasileira Adriana Calcanhotto gravou [com a colaboração de António Chaínho] a música "Formiga Bossa Nova" no disco "Adriana Partimpim", disco idealizado para as crianças, no qual a artista usa o heterónimo de Adriana Partimpim (seu apelido na infância).

A música "Formiga Bossa Nova" foi musicada pelo compositor português Alain Oulman, responsável por alguns dos maiores sucessos de Amália Rodrigues.

A melodia foi construída sobre o poema do poeta também português Alexandre O'Neill (Alexandre Manuel Vahía de Castro O'Neill de Bulhões) fundador do Movimento Surrealista de Lisboa.

O poema que deu origem a canção é intitulado "Velha Fábula em Bossa Nova". A letra é esta:

"Minuciosa formiga / não tem que se lhe diga:/ leva a sua palhinha /asinha, asinha. /Assim devera eu ser /e não esta cigarra / que se põe a cantar / e me deita a perder. /Assim devera eu ser: /de patinhas no chão, / formiguinha ao trabalho / e ao tostão ./ Assim devera eu ser / se não fora / não querer. / (-Obrigado,formiga! / Mas a palha não cabe / onde você sabe...) .

Como este mundo é redondo e Platão já anunciava o Eterno Retorno, vale lembrar que em 1969, pela etiqueta ColumbiaVC, foi editado um single gravado especialmente por Amália Rodrigues com esta canção.

Como vemos, Amália Rodrigues já introduzira a formiga na Bossa Nova. Confira o áudio

Fonte: Rádio Educativa (Brasil):

Drop of Jupiter

Aqueles que conhecem o último álbum editado pela brasileira Adriana Calcanhoto, de certo já ouviram o tema "Formiga Bossa Nova".

É talvez a música de que mais gosto do Adriana Partimpim. Como curiosa que sou, pesquisei o autor da poema, e qual não foi o meu espanto quando encontrei o nome de Alexandre O’Neill ? Mais interessante ainda foi descobrir que este poema foi musicado por Alain Oulman para Amália Rodrigues, e a canção editada em 1970, no LP "Com que voz".

Curiosidade: o tema foi igualmente regravado nos discos ao vivo de Cristina Branco e Entre aspas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Amália na banda sonora de "Lulu on the Bridge" (1998)


A poucos minutos do final de "Lulu On The Bridge" [realizado pelo escritor e cineasta Paul Auster], ouve-se a voz de Amália Rodrigues que, em "Estranha Forma de Vida", canta "foi por vontade de Deus".

É, talvez, esse o momento crucial do filme onde imagens e banda sonora conspiram para, subliminarmente, revelar a chave desta parábola sobre a possibilidade do milagre (e a improbabilidade de ele ocorrer), os universos perpendiculares, o corpo das mulheres, a luz dos pirilampos na noite, Deus como "trickster" imprevisível e a inexorabilidade do destino, isto é, o fado.

Não haverá muitas dúvidas de que Paul Auster desejou que essa chave permanecesse semi-oculta. É preciso escutar com muita atenção a voz de Amália (em fundo, sob o diálogo), é necessário compreender o que ela canta (e o idioma português não é propriamente um esperanto universal) tal como é indispensável conhecer o que o fado significa.

Mas esse indício — tal como aquele outro fugaz plano em que Harvey Keitel passa junto a uma parede onde, num graffito, se lê "Beware of God" — é apenas um dos vários que Paul Auster dissemina pelo filme para que, quem os souber interpretar, se vá aproximando, a pouco e pouco, dessa modalidade de leitura do mundo como um jogo de acasos irremediavelmente (des)comandado por uma absurda força maior. É nessa exacta medida que "Lulu On The Bridge" pode ser considerado um filme-musical: o seu segredo dissimula-se sob o disfarce cifrado de uma "mera" música incidental.

Fonte: João Lisboa

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Canções de Frederico Valério com sucesso internacional


Frederico Valério (1913-1983) foi um dos mais inspirados compositores portugueses de música ligeira.

Durante os anos quarenta e cinquenta, viveu entre Portugal e os Estados Unidos, tendo regressando definitivamente a Portugal em 1955.

Foi um dos poucos compositores portugueses a obter sucesso internacional, tendo estreado em 1954 na Broadway os musicais "On with the show" e "Hit the Trail".


A canção "Partir, Partir" foi divulgada internacionalmente, em 1948, na sua versão em inglês: "Don´t Say Goodbye" (com letra de Leslie Saunders).

A versão inglesa de "Ai Mouraria", "Star of the Night", foi gravada por Vic Damone e Eddie Fisher, entre outros. A letra era de Mitchell Paris, autor de êxitos como "Night and Day" e "Beguin the Begin".

Em 1960, Maria Candido, uma cantora francesa, nascida em Hyères, em 1922, de seu verdadeiro nome Simone Marius, grava "Les Cloches de Lisbonne", versão do "Fado da Madragoa" imortalizado por Amália. O tema obtém um grande sucesso em França, sendo regravado - como era habitual na época - por muitos artistas de renome: Tino Rossi, Luis Mariano, Gloria Lasso, Bob Azzam, Francisco Grandey, Marcel Azzola, Pierre Carré.

Fontes: Macua, wikipedia, encyclopedisque



Letra de "Les Cloches de Lisbonne" (extracto)

Les cloches de Lisbonne
Au matin, quand c'est dimanche
Se souviennent encore
En voyant les voiles blanches
Qu'elles sonnaient autrefois
Quand un marin du Roi
Quittait la rade immense
Et que, les larmes aux yeux,
Il entendait l'adieu
Des cloches de Lisbonne (...)

Les pigeons bleus des églises
Nichés au creux des clochers
Soudain se sont réveillés
Et vont tournoyer
Dans les pierres grises
Sous le ciel clair et tranquille
D'un beau printemps portugais
La chanson des campaniles
Montant sur la ville
Fait comme un bouquet

Video: "Les Cloches de Lisbonne"

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O fado de Charles Aznavour

Fui das pessoas que melhor a conheceu [Amália]. (...) Éramos amigos de longa data. Conheci-a na Bélgica, na véspera de ela dar um concerto em Monte Carlo. Passámos a noite inteira a cantar e a conversar, e de madrugada disse-lhe: “Tem um avião para apanhar, não?” Prometemos rever-nos, fizemos um espectáculo a dois em Lyon, ainda ela não era a vedeta que viria a ser. E quando ela me disse que nunca tinha cantado em francês, escrevi-lhe uma canção: “Ai mourir pour toi” (em 1957).

[Amália] Cantou-a e gravou-a. Eu traduzi-a assim, porque a sonoridade de “Mourir pour toi” me lembrava “Mouraria”. Foi a primeira canção em francês que ela cantou.


Gravei duas músicas sobre Portugal: “Lisboa” e “Fado”. Gosto muito de fado, que é, verdadeiramente, canção. Se um fado tem um texto do Pessoa, eu sei o peso que isso tem. Sei quem é Pessoa, li as suas traduções, conheço melhor o passado da canção portuguesa do que a “nouvelle chanson”.

Lembro-me bem do Alfredo Marceneiro, que se calhar os jovens portugueses não conhecem. Portugal foi o segundo país estrangeiro onde pus os pés, depois da Espanha. Em espanhol canto fluentemente, mas o português é demasiado próximo do francês e do espanhol, e por isso mais difícil.

Fonte: Revista Única  (Semanário Expresso) (2008-02-09)


Em 1957, no cume do sucesso da Amália na França e inspirado no “Ai, Mouraria” Charles Aznavour compõe uma cantiga especialmente para ela, o “Aïe Mourir Pour Toi”, que também foi gravado por Dalida.

Segundo o próprio Aznavour, ofereceu esta cantiga para Amália, por que só ela poderia interpretar com a força dramática que esta triste cantiga com ares de fado precisava.

Foi então que em 1958 se editou o EP “Amália chante en français” cujo titulo em portugal é “Amália canta em francês”, e assim que esta cantiga passou ao repertório da Amália, quase por obrigação, já que quando ela pisava o palco do Olympia, era o próprio Bruno Coquatrix desde os bastidores a dizer: Amália!... Aïe mourir pour toi... s´il vous plaît!

Fonte:  Amália no mundo

Fonte: Revista Única (2008-02-09)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Hideko Tsukida, a fadista que veio do Japão

Nascida em Tóquio, em 1951, Hideko descobriu um disco de Amália Rodrigues em 1982 e ficou encantada com o fado. Em 1988, após dois espectáculos em Osaka, a fadista japonesa veio para Portugal, a fim de frequentar um curso de língua portuguesa para estrangeiros, na Faculdade de Letras de Lisboa. E a paixão pelo fado aumentou.

Conheceu então Amália na capital portuguesa. Participou em programas de televisão e noutros encontros musicais. Conta já com diversos álbuns, nomeadamente “Saudade” (1990) e "Obrigada Amália" (2000).

Teve a oportunidade de cantar acompanhada de Carlos Paredes, em Tóquio, e por Carlos Gonçalves e Lello Nogueira, em Lisboa. Em 1993, a grande paixão da artista japonesa pelo fado levou-a a constituir o Tsukida Hideko Club de Fado, que tem mais de 400 associados.

Fonte: Público / DN

Mais informações: Página Oficial, Videos

quinta-feira, 22 de maio de 2008

"Hey Mal Yo" em primeiro lugar no Top Holandês (1975)


Johnny Rodrigues nasceu, em 12 de Novembro de 1951, em Cabo Verde, tendo emigrado para os Estados Unidos da América no início da década de 70 para, assim, evitar o seu destacamento para a Guerra Colonial em Angola.

Em 1974, vai passar férias aos Países Baixos, iniciando funções de "disc-jockey" numa discoteca local. Após Peter Tetteroo, o dono da discoteca, descobrir o seu talento para cantar, decidem lançar um single, "Hey Mal Yo", versão do típico "Malhão" que se tornou, em Março de 1975, um surpreendente nº 1 nos Países Baixos e na Flandres (parte flamenga da Bélgica).

O tema foi lançado em nome de "Johnny & Orquesta Rodrigues", existindo diversos nomes alternativos (Johnny Rodrigues, Orquesta Rodrigues). Além de "Hey Mal yo", Johnny teve outros dois sucessos: "Hasibaba" (nº 19 em Julho de 1975) e "Uma Casa Portuguesa" (em Março de 1977). Também gravou "Mariquinha" versão de "Vou dar de beber à dor (Casa da Mariquinhas)" de Amália.

Fonte: Wikipedia (NL)


Descoberta surpreendente

"[É surpreendente descobrir no "marché aux puces" (feira da ladra de Paris)] numa caravana de discos, discos portugueses, o Nr. 1 português que, caso não saibam, era o Johnny Rodrigues, um moçoilo negro simpático, com uma juba bem 'seventies' e com a música muito conhecida - pelos vistos, em Portugal (nr. 1 até, gostava era de saber em que século e em que dimensão, só podia ser a Twilight zone) - 'Hey Mal Yo' ...

Viram ... toda a gente conhece ... E o mais interessante - depois de uma busca intensa na net, sim porque Johnny Rodrigues têm página na net - ao consultar a letra de tão famosa letra ...

'Hey Mal Yo', é literalmente, e só incultos e duros de ouvido não perceberam, é ... Ó malhão, malhão ... que vida é a tua ... and so on, a letra ligeiramente modificada pela parte em que ele queria uma mulher para o sustentar (compreende-se a ver a juba do johnny, que só para amaciadores, anti-frizz e calmante para o couro cabeludo deve ser uma fortuna) ...

É muito triste ... uma mulher ter que ir para Paris-França, para descobrir que Johnny Rodrigues era o Number One em Portugal ...

Por favor portugueses prestem atenção á riqueza que emerge do nosso país ..."

Fonte: Moskki


Video

Mais informações: No bairro do vinil

Versão dos The Romantica's

"Hey Mal Yo" foi igualmente gravado pelo grupo holandês "The Romatica's".

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

"Focus" de Ennio Morricone e Dulce Pontes (2004)


Aquando da participação de Dulce Pontes e Ennio Morricone na banda sonora de “Afirma Pereira”, Morricone terá dito que gostaria de um dia fazer um álbum com Dulce Pontes, mas apenas quando ela fizesse 30 anos, para assim ter mais maturidade.

Dulce começou por ser convidada a cantar nos concertos do maestro, tendo-se concretizado em Abril de 2004 o desejo de realizar um disco em conjunto, quando Dulce vai a Roma para dar a voz a algumas das mais famosas melodias do maestro italiano (temas celebérrimos como “Cinema Paradiso” (1988), “A Missão” (1986), “Aconteceu no Oeste” (1969), e outros, menos conhecidos, como “A Balada de Sacco e Vanzetti” (195)) e a cinco novas composições escritas propositadamente para si, com destaque para “Amália por Amor”, uma sentida homenagem a Amália Rodrigues.

Nasce assim "Focus", um CD assinado pela dupla, Ennio Morricone e Dulce Pontes, editado em Italia pela Universal em Outubro de 2004.

Fontes: wikipedia / attambur / viadeiportoghesi


Morricone, com a calma e a distanciação própria dos seus 75 anos (40 de carreira), não poupa, porém, nos elogios impressos na capa do disco, na forma como se refere às cinco novas composições que escreveu para o disco ("Amália por amor", "Antiga palavra", "Luz prodigiosa", "Voo" e "I Girasoli"): "Escrevi-as a pensar na voz de Dulce. Queria dar um ritmo intencional a estas novas peças - chamemos-lhe um ritmo ibérico - porque queria que a Dulce pudesse expressar o seu alcance vocal, mas também manter as conotações do fado português (...) ela tem qualidades 'camaleónicas' tão completas, tão incrivelmente variadas, que tenho de dizer que ela toca em todos os aspectos da canção, todas as formas de cantar". Vai mesmo mais longe, ao afirmar que este é um dos discos "mais importantes" que alguma vez fez "com um cantor", definindo-o como "extraordinário".

Fonte: Fernando Magalhães, Jornal Público

"Amália por Amor" (imagens de arquivo RAI)