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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Vitória de Portugal (ex-aequo) no European Song Contest no "Benny Hill show" (1969)


Antes da vitória de Salvador Sobral no Eurofestival de 2017, Portugal já tinha ganho o Festival Europeu da Canção na ficção num sketch do Benny Hill, com o tema "Primavera" de Amonia Rodriguiz (nome que será uma referência a Amália Rodrigues) que venceu em ex-aequo com as canções dos outros 7 países candidatos.

O sketch terá sido inspirado pela vitória ex-aequo de 4 canções no Festival da Eurovisão de 1969 (Espanha, França, Holanda, Reino Unido).


"Primavera" foi composto por Benny Hill e interpretado por Eira Heath conjuntamente com Benny Hill e Miguel Lopez Cortezo.

A música e melodia foram utilizadas em diversas canções do Benny Hill Show e esta canção foi interpretada, com letra em inglês, em 1984, por Louise English e Erica Lynley.


Video: Youtube (minuto 39)

domingo, 15 de junho de 2014

Sucesso de "A Gaiola Dourada" de Ruben Alves (2013)

 
"A Gaiola Dourada” (título original em francês: “La cage dorée”) é um filme francês de comédia, escrito e realizado pelo luso-francês Ruben Alves, que retrata a comunidade de emigrantes portugueses radicados em França.

O filme estreou em França a 24 de abril de 2013, tendo estado 22 semanas em exibição e alcançado mais de um milhão e duzentos mil espectadores.


Acompanhamos Maria (Rita Blanco) e José Ribeiro (Joaquim de Almeida), um casal luso a viver há 30 anos num dos melhores bairros de Paris. Ela é porteira do prédio (a ‘gaiola dourada’), ele trabalha nas obras.

Ambos são fulcrais para os patrões, embora esse reconhecimento só surja quando o casal recebe uma avultada herança com a condição de se mudarem para Portugal e fica num dilema, entre cumprir o sonho ou manter a rotina. A coscuvilhice lusa leva a que todos saibam da herança secreta e, às escondidas, os patrões franceses vão tentar convencer o casal a ficar.


As características mais portuguesas são o âmago do filme tanto no lado mais cómico, como no lado mais sério. Destaque ainda para a estridente e divertida Maria Vieira e a surpreendente actriz luso-francesa Bárbara Cabrita, que faz de filha de Maria e José, num papel intenso.

O filme tem uma pequena participação do futebolista Pauleta (que representou o Paris Saint German), que aparece subitamente para a festa final. 


Porquê o título - a "Gaiola Dourada" ?

Um dia, Ruben Alves viu uma reportagem sobre uma porteira portuguesa que trabalhava em Paris. A câmara seguia a senhora durante todo o dia de forma a documentar o seu quotidiano.

A última pergunta da reportagem foi: “A senhora está aqui há 40 anos e a reforma está quase a chegar... vai voltar para Portugal?”. A senhora olha para a câmera e diz: “Claro que quero voltar para o meu país.” Depois pensa em silêncio e acrescenta: “Mas ao mesmo tempo, sinto-me tão bem na minha ‘Gaiola Dourada'".


Um produto de amor

A "Gaiola Dourada" é um produto de amor (aliás o título na Alemanha foi "Portugal mon amour"). O filme de Ruben Alves foi feito em França, com financiamento francês mas conta uma história profundamente portuguesa. Uma homenagem sentida em cada cena filmada pelo actor/realizador/guionista luso-francês.

E se o filme faz-nos rir também nos comove quando chegamos à consumação do sonho, no nosso Douro, tão bonito como só ele sabe ser. As filmagens tiveram como cenário a Quinta dos Malvedos da Família Symington, em Alijó, nas encostas do Douro.



Julga-se que há mais de 800 mil portugueses em França. A maior parte partiu nos anos 60, 70 e 80 e ocupou cargos pouco qualificados. O filme pega no estereótipo do casal português em que ela é porteira e ele trabalha na construção civil para mostrar de uma forma muito divertida mas com dilemas e traumas reais quem são estes portugueses em França.

Os temas que o filme aborda são profundos: quem são e o que sentem estes portugueses, a forma como são tratados pelos franceses, o amor incondicional por Portugal, o peso de 30 anos a viver em França entre os estereótipos, o dilema entre voltar à pátria e continuar a viver na rotina francesa, a relação difícil dos filhos com a sua ‘Portugalidade’


Fado

Um dos momentos mais emocionantes do filme é, sem dúvida, a interpretação do fado "Prece" de Amália por Catarina Wallenstein, que inclui o verso:"Das mãos de Deus tudo aceito, mas que morra em Portugal".

Era importante para Ruben Alves ter fado no filme, pois, além ser fã da música, o filme era sobre Portugal: "O que eu gosto nela é que ela não é cantora de fado, mas tem um lirismo na voz que eu acho interessante para o meio cinematográfico. E ela é actriz, era importante ter alguém que cantasse e interpretasse.

Gravámos mesmo com guitarristas e numa casa de fado, não como num estúdio. Cada minuto foi em directo, como numa casa de fado, tudo fechado, um calor horrível. Depois de quatro minutos eu disse 'corta', virei-me e estava a minha equipa toda a chorar. E eram franceses! Pensei que era bom sinal, se aqui estão a chorar, imagina os imigrantes, que vão perceber melhor."


O português em França

O português de França é bem visto a nível profissional, integrado, conhecido por ser corajoso e disponível, mas não há representação forte nos media ou no audiovisual. Quem são? Como vivem a emigração?

O realizador Ruben Alves quis pôr a nu estas questões e humanizar os portugueses, para mostrar que há mais nas pessoas para além da porteira e do homem das obras.

O filme não é autobiográfico mas é inspirado nos pais do realizador, que têm o mesmo perfil dos protagonistas. Nas sensações, na maneira de pensar e ver a vida.

Ruben Alves tentou dar uma alma portuguesa a este filme francês. Talvez seja o filme francês mais português de sempre.


Sucesso de crítica e bilheteira

O filme "A Gaiola Dourada" foi o 14º título de produção europeia com mais espectadores em 2013 no conjunto das salas de cinema dos países da União Europeia. Em França, o filme foi exibido ao público pela primeira vez, a 24 de abril de 2013, tendo tido uma grande afluência logo na primeira semana, com perto de mil espectadores por sala, o que representaria em média, 40 mil espectadores por dia.

Foi elogiado pela crítica francesa que considerou como "humano, sensível, irónico e sem pretensão" e um crítico francês considerou que poderia transformar-se "na comédia do ano".

Na antestreia, no Gaumont Marignan, em Paris, surgiram várias porteiras portuguesa, emigrantes em França, para ver o filme tendo uma delas sido entrevistada pelo jornal francês Le Figaro, expressando a sua felicidade pois era a primeira vez que alguém as retratava.


Apesar de ser sobre uma família portuguesa tem uma parte muito universal com que todos se podem identificar. Foi por isso que o filme foi tão bem recebido não só pela comunidade portuguesa, mas pela francesa e até árabe.

O filme teve críticas muito boas mesmo de jornais intelectuais como o Le Monde ou o Telegrama. Tocou ao grande público, dos trabalhadores à classe mais alta. Mas o sucesso veio muito do boca a boca. É um filme pequeno, com um elenco de gente pouco conhecida em França. Tornou-se num fenómeno através da comunidade portuguesa. Houve reportagens sobre as idas de família inteiras às salas, algo que não se via em França à muito tempo. E no final batiam palmas, cantavam e até dançavam!

O sucesso de bilheteira em França motivou igualmente o cartunista KK a fazer um cartoon com a comparação entre o Iron Man e Iron Woman (que era a Maria) ilustrando com o título "Box-office: "La Cage Dorée" tient tête à "Iron Man 3".


Prémios e nomeações


Séléction Officielle Compétition Festival de l'Alpe d'Huez de 2013 (Prémio do Público, Prémio de Interpretação Feminina)

Prémios do Cinema Europeu - nomeado na categoria Prémio do Público

Nomeado para os César na categoria de melhor primeira obra

Fontes/Mais informações:wikipedia / destak / facebook / diário digital / cinemaschallenge / Lauro António apresenta / Próximo nível / C7nema.netImdb / TSF

  


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Sucessos de Olavi Virta na década de 50


Olavi Virta, conhecido como o rei do Tango Finlandês, gravou mais de 600 canções entre 1939 e 1966.  Os seus principais sucessos  foram as canções "Punatukkaiselle tytölleni", "Ennen kuolemaa" ("Avant de mourir"), "Täysikuu", "Hopeinen Kuu" ("Guarda Che Luna") e os tangos "Satumaa" e "La Cumparsita", que foi disco de ouro.

O seu repertório incluía canções populares finlandesas, tangos, boleros e temas de jazz. Ganhou três discos de ouro e participou em vinte filmes.


"Portugali Huhtikuu" (1953)

Em 1953 gravou, em ritmo tango, com a colaboração da orquestra de George de Godzinsky, "Portugali Huhtikuu", versão de "Coimbra", com texto em finlandês de Saukki, que foi igualmente regravada por artistas como Henry Theel (com a Melody-Orkesteri) ou as Polar Sisters.

"Portugali Huhtikuu" foi lançado em 1977 por  José Kuusisto com letra de Sauvo Puhtila.

E, mais recentemente, foi regravado em 1986, como "Portugali Huhtikuu - Coimbra", pelo cantor Kari Tapio com a letra original de Saukki e novo arranjo de Kaj Westerlund.


"Lissabonin yössä" (Lisboa Antigua) (1956)

"Lisboa Antiga" foi gravada por cantores finlandeses como Olavi Virta, Juha Eirto e Sacy Sand, com letra em finlandês da autoria de Aarne Lohimies, um dos pseudónimos de Reino Helismaa. 





"Kaunis Pesijätär" (1956)

Saukki, que adaptou "Coimbra" para a língua finlandesa, foi igualmente o autor da versão de "Les Lavandiéres du Portugal" (do compositor francês André Popp), gravada, em 1956, quer por Olavi Virta, quer por artistas como Metro-Tytot, Tuula-Anneli Rantanen ou Sing Song Sisters, sob o título "Kaunis Pesijätär".


“Portugalin Tuulispää” (1957)

Em 1957, Olavi Virta interpreta em ritmo Béguin, “Portugalin Tuulispää”, com a colaboração da Orquestra de Ossi Runne, uma versão do sucesso norte-americano "Petticoats of Portugal" (da autoria de Michael Durso, Mel Mitchell e Murl Kahn) com letra em finlandês da autoria de Pauli Ström e arranjo de Nils Kyndel.



"Pieni Talo Portugalissa" ("Uma Casa Portuguesa") (1958)

Olavi Virta lançou, em 1958, um novo tema com ligação a Portugal, "Pieni Talo Portugalissa", versão de "Uma Casa Portuguesa", canção igualmente celebrizada por Amália Rodrigues, com letra em finlandês de Pekka Saarta.



Portugal para os finlandeses (Depoimento de Luísa Pinto no blog Erasmuslândia)

Algumas pessoas mais idosas quando sabem que sou Portuguesa, falam logo da música "Portugali Huhtikuu", Portugal de Abril.

Música Portuguesa ["Coimbra" ou "Abril em Portugal"] traduzida e interpretada por um cantor Finlandês [Olavi Virta].

Pelos visto foi muito ouvida nos bailes e traz também boas recordações! =)

Videos: "Portugali Huhtikuu" / "Portugali Huhtikuu - Coimbra"de Kari Tapio (de 1986) / "Lissabonin yössä" / “Portugalin Tuulispää” / "Pieni Talo Portugalissa"

Fontes: wikipedia (1) (2) / youtube / partituras

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

As múltiplas versões de “Canção do Mar"


"Canção do Mar", com letra de Frederico de Brito e música de Ferrer Trindade, foi inicialmente cantada por Maria Odete Coutinho, no âmbito de um espectáculo dos Companheiros da Alegria.

A canção foi igualmente interpretada por Carlos Fernando, integrante dos conjuntos musicais da chamada linha de Cascais, que um dia a levou ao Talismã, o programa da manhã no Rádio Clube Português, apresentado por Armando Marques Ferreira, António Miguel, Mary e o sr. Messias.


Seria, no entanto, o Conjunto de Mário Simões a gravar em 1953, nos Estúdios da Emissora Nacional, em Lisboa, o primeiro de uma longa série de discos de 78 rotações por minuto que incluía no lado A o original de “Canção do Mar”, que tinha sido oferecida ao conjunto. 


Nessa época (1954), o realizador francês Henry Vernueil decide rodar em Lisboa parte do seu filme “Les Amants du Tage” (“Os Amantes do Tejo” na versão portuguesa ou "Tagus Lovers" para os anglófonos), protagonizado por Daniel Gelin e Trevor Howard e convidou Amália para um pequeno papel.


Amália canta dois fados no filme: a versão politicamente correcta de “Mãe Preta”, do brasileiro Caco Velho, com o título de “Barco Negro”, e “Canção do Mar”, mas com outra letra e o título de “Solidão”, pois o realizador francês “embirrou” com a letra de Frederico de Brito e encomendou outra letra ao poeta e catedrático David Mourão-Ferreira.



Mas “Solidão” não fez grande sucesso na altura, pois foi, logo em 1956, recuperada a letra original de Frederico de Brito, para “Canção do Mar”, a qual foi gravada no Brasil inicialmente por Agostinho dos Santos e, no ano seguinte, por Almir Ribeiro.


Ainda em 1956, “Canção do Mar” é adaptada à língua francesa, pelo letrista Jacques Plante, sob o título de “Trop de Joie”, sendo gravada, em ritmo fado-fox, por Yvette Giraud, que já fora a responsável pelo lançamento em frança de “Coimbra”, ou “Avril au Portugal” na sua versão em francês, o maior sucesso da música portuguesa.


Foram igualmente editadas em inglês, ainda na década de 50, duas versões distintas. “Song of the Sea”, com letra de Jimmy Lally, que foi interpretada por artistas como Winifred Atwell; com a participação da orquestra de Frank Chacksfield, e Caterina Valente. E “Goodbye my love”, com letra de Lew Monroe e Craig Stevens, cantada por Maria Pavlou.


Outras versões lançadas na década de 50 foram as adaptações em espanhol, “Cancion del Mar”, com letra de Gustavo Dasca, em finlandês, com o título “Liian onnellinen”, com letra de Itä, em ritmo Beguine, popularizado por Maynie Sirén Laulaa, e em alemão, com letra da autoria de Willy Hoffmann, com o nome de “Traum Elegie”.

E ainda a versão em italiano, "Canzone del Mare", com letra de Misselvia, gravada em ritmo baião pela Orchestra Angelini.



Em Portugal, Anamar incluiu uma versão da “Canção do Mar” no seu álbum “Almanave”, de 1987, mas foi sobretudo Dulce Pontes que relançou a composição de Ferrer Trindade incluindo-a no álbum “Lágrimas”, editado em 1993.


A adaptação de Dulce Pontes tornou-se a mais conhecida versão de “Canção do Mar”, sendo incluída nas bandas sonoras de filmes e séries norte-americanas, como "A Raiz do Medo" (título inglês - "Primal Fear"), no qual Richard Gere contracena com Edward Norton, "Atlantis: O Continente Perdido" (título inglês - "Atlantis: The Lost Empire"), da Disney, e no genérico da série “Southland”.

Curiosamente, “Canção do Mar” foi incluída na banda sonora de duas telenovelas brasileiras: a versão de Amália (“Solidão”), acompanhada pelo saxofonista americano Don Byas, na banda sonora de “Semideus” (1973), da TV Globo; e a versão de Dulce Pontes na abertura da telenovela “As Pupilas do Senhor Reitor” (1994-1995), da SBT.


A cantora brasileira Roberta Miranda regravou igualmente o tema em 1995, na sequência do sucesso de Dulce Pontes, tal como muitos outros artistas internacionais que cantaram as suas próprias versões, com letras distintas das adaptações dos anos 50, como a italiana Milva (com a versão em alemão, ”Das Já Zum Leben”, 1999), a francesa Héléne Segara (“Elle tu l'aimes”, 2000), o porto-riquenho Chayanne (“Oye, Mar”, 2000), a hispano-argentina Chenoa (“Oye, Mar”, 2002), ou as turcas Aysegül Aldinc (“Güle Güle”, 2002), Seden Gürel (“Ben Kadinim”, 2002), ambas com o subtítulo“Solidão” e a inglesa Sarah Brightman (“Harem”, 2003).





O cantor espanhol Júlio Iglésias gravou o tema em português no seu disco “Ao meu Brasil”, destinado ao mercado brasileiro, com uma letra adaptada: “Canção do Mar (Meu Brasil, Meu Portugal”).

E o cantor polaco Marek Torzewski editou em 2002 no seu álbum “Nic Nie Dane Jest Na Zawsze” uma versão intitulada "Wiem, Ze Nic ...".

Fontes: Portuguese Times (Eurico Mendes) / João Carlos Calixto (sobre Mário Simões) / Truca (sobre Maria Odete Coutinho) / Wikipedia

domingo, 10 de novembro de 2013

Yvette Giraud grava adaptações de canções popularizadas por Amália


Yvette Giraud nasceu em Paris em 1916, mas apenas tardiamente, em 1946, depois da guerra, iniciou a sua carreira musical, pois era secretária na “Radiodiffusion Française” até que um empresário a pôs em contacto com o compositor Jacques Plantes.

Em 1950 foram realizados diversos espectáculos no âmbito do Plano Marshall; um programa de apoio Americano à Europa do pós-guerra onde participam os mais importantes artistas de cada país.


Quando escolheram os cantores para representarem os vários países só queriam cantores clássicos, mas como em Portugal não havia grandes cantores clássicos, ouviram uns discos de Amália e preferiram escolher a fadista.

Só em Dublin é que havia também cantores ligeiros, entre os quais se destacava Yvette Giraud, que tinha lançado sucessos como “Mademoiselle Hortensia” e “La danseuse est créole”.


A cantora francesa pediu a Amália as músicas de “Coimbra” e “Lisboa não sejas Francesa”, ambas da autoria de Raul Ferrão, que Amália recuperara para o seu repertório.

Yvette Giraud cantou as duas cantigas com letra de Jacques Larue. “Lisboa não sejas Francesa” foi adaptada para “Raconte Grand-mére”, mas não teve tanto sucesso quanto “Coimbra“, que foi popularizado como “Avril au Portugal” e se tornou, até hoje, o maior sucesso da música portuguesa.

“Raconte Grand-mére” foi, mais tarde, gravado pela cantora francesa Sidonie.


Yvette Giraud gravou igualmente, em ritmo fado-fox, “Trop de Joie”, uma versão de “Canção do Mar”, da autoria do maestro Ferrer Trindade com letra francesa de Jacques Plante , e “Les Lavandiéres du Portugal”, da autoria dos franceses Roger Lucchesi (letra) e André Popp (música).

Amália nunca cantou “Les Lavandiéres du Portugal”, mas prepararam um filme baseado na cantiga no qual estava prevista a sua participação, mas Paquita Rico é que interpretou o papel que inicialmente fora escrito para Amália.


Colaborou igualmente com o grupo Compagnons de la Chanson no tema "Yvette Girollingstone" que faz referência a canções como "Avril au Portugal":

-Dites-nous Yvette Giraud, pour votre disque 
Il faudrait penser à vous rollingstoner 
Oui avec le new tempo, c'est maxi disque 
Il faudrait penser à vous jacquedutroner 
-J'aimerais vous faire plaisir avec ce disque 
Mais voilà, je suis fidèle en amitié 
C'est pourquoi, comprennez-le, même dans ce disque 
Je n'pourrai jamais tromper "Le p'tit cordonnier" 
-Je l'aimais plus que tout en somme 
Nous vivions d'un amour idéal 
Il m'aimait car un homme est un homme 
Nous passions "Avril au Portugal
-Dites-nous Yvette Giraud pour la rengaine 
Il faudrait penser à vous minijuper 

Fontes: Victor Pavão dos Santos / wikpedia / Encyclopedisque /  Compagnons de la chanson 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

"Uma Casa Portuguesa" de cariz internacional


“Uma Casa Portuguesa” é uma das canções mais conhecidas da música portuguesa. A música é do maestro Artur Fonseca, que dirigia a orquestra de salão do Rádio Clube de Moçambique, com letra de dois jovens poetas de Lourenço Marques, Reinaldo Ferreira e Vasco Matos Sequeira.

Cantado pela primeira vez pela angolana Sara Chaves, que estava de passagem em Moçambique, no Teatro Manuel Rodrigues em Lourenço Marques numa quase certamente quente noite de uma 4ª feira, 30 de Janeiro de 1952, num sarau em honra de uma delegação do Colégio Militar de Lisboa, que então visitava Moçambique. Mais tarde, João Maria Tudela mostrou a canção a Amália Rodrigues que a cantou e a celebrizou mundialmente, tendo sido incluída no álbum “Amália no Olympia”.

A canção tinha originalmente um ritmo lento, suave, expressivo, bem diferente do que todo o Portugal conhece na interpretação de Amália Rodrigues.



Percurso internacional de uma "Casa Portuguesa"

A cantora espanhola Gloria Lasso gravou, em 1955, versões de “Uma Casa Portuguesa”, em espanhol e francês, respectivamente com o título de “Una Casa Portuguesa”, com letra de G. Dasca, e “Quand Je Danse Dans Tes Bras “, com letra em francês de Max François.

Amália Rodrigues e Gloria Lasso receberam o troféu “Caravela de prata” em 1955. O tema foi gravado sob direcção de orquestra de Franck Pourcel, que igualmente lançou uma versão instrumental.


A canção foi gravada em Espanha, ainda na década de 50, por cantores como o espanhol Jorge Sepulveda e a argentina Lydia Scott. E, mais tarde, nos anos 60, por Marisol.

E, em Itália, "Una Casa Portuguesa" foi gravada por Wilma de Angelis, pelo quarteto vocal Poker di voci ou por Gerardo e il suo complesso.


O maior número de versões registou-se, no entanto, em França, com cantoras como Frederica ou Lynda Gloria (do Casino de Paris) a interpretarem "Quand Je Danse Dans Tes Bras ...", e inúmeras versões instrumentais por orquestras como as de Jacques Hélian, Hubert Rostaing, Henri Rossotti , Eddie Barclay e Noel Chiboust Pourcel, ou músicos como o acordeonista  Marcel Azzola e o pianista Charlie Oleg.


"Uma Casa Portuguesa" tornou-se igualmente uma das canções portuguesas mais populares no Brasil, sendo gravadas, ainda na década de 50,  versões por artistas luso-brasileiros como Gilda Valença e Manoel Monteiro.  E foi cantada em 1984 por João Gilberto num concerto em Portugal.

E também foi recuperada por Caetano Veloso que incluiu "Uma Casa Portuguesa"  num pout-pourri conjuntamente com as canções brasileiras "Por causa de você" e "Felicidade".


Caetano Veloso afirmou ao jornal italiano "La Repubblica" que temas como "Lisboa Antiga" e "Uma Casa Portuguesa" são um presente para a história da música. E que temas como "Coimbra" não estão assim tão afastados da música do compositor italiano Nino Rota.

Nelson Riddle gravou igualmente "Uma Casa Portuguesa", também conhecido como "House in Portugal", em 1958, na sequência do sucesso de "Lisbon Antigua", que foi nº1 nos Estados Unidos em 1955.


O tema também foi gravado pela orquestra de Reginald Conway, em ritmo samba“, sob o título "Uma Casa Portuguesa (A Portuguese home)”.

E foi gravado, nos anos 70, pelo cabo-verdiano Johnny Rodrigues, que obteve bastante sucesso nos Países Baixos com versões de temas portugueses como "Hey Mal yo".


Videos: Gloria Lasso / Manoel Monteiro / João Gilberto / Caetano Veloso / Jorge SepúlvedaMarisol / Poker di voci / Amália no Olympia

Um fado moçambicano ? 

Este fado é alegre, musicalmente agradável, reprodutor de uma exo-saudade idílica e exageradamente generoso, em parte porque não tropeça nas muitas razões que fizeram com que Portugal, uma miserável pequena ditadura e uma sociedade em quase tudo parada no tempo, fosse um tão apetecível lugar de onde se emigrar.

Naquela altura, Portugal só era lindo para quem estava em Moçambique porque estava tão longe. O poema só pode ser interpretado como um dos mais sublimes exercícios de sarcasmo dos afectos concebidos na língua portuguesa.

João Maria Tudella também gravou "Uma Casa Portuguesa" em 1959

Mas este fado nunca foi visto nem apercebido como tal, em parte por se enquadrar tão precisamente na grelha popularucho-travestipoética prevalecente e imposta nos círculos de então. Nesse aspecto, para mim, será sempre um fado moçambicano, dos tempos em que alguns ali viviam uma forma muito peculiar de se ser português.

Em que a distância, a saudade e o isolamento se prestavam à alegoria. Enfim, este poema de moçambicano tem pouco, mas tem piada saber pois quase qualquer português a sabe cantar.

Fontes/Mais informações: Estado sentidoDelagoabayword / Margarida Navarro  / ratosreturn / Hitparade italiawikipedia 


Capas