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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Leonor da Fonseca Pimentel, "A Portuguesa de Nápoles"



Leonor da Fonseca Pimentel (Roma, 13 de Janeiro de 1752 - Nápoles, 20 de Agosto de 1799), conhecida como Eleonora de Fonseca Pimentel, "A Portuguesa de Nápoles". Ficou na história por ter defendido ideais liberais que conduziram à Revolução e à instauração da malograda República Napolitana (1799).

Ela foi poetisa, escritora, pedagoga, bióloga e uma das primeiras jornalistas europeias. Amiga íntima de intelectuais e revolucionários, desempenhou um papel de relevo na revolução jacobina de Nápoles de 1797, inspirada pelo ideário social e político da Revolução Francesa.

Leonor fundou o jornal oficial da república então instalada - "O Monitore Napolitano" - considerado o primeiro jornal político napolitano - que teve profunda influência na moderação das decisões do governo revolucionário

Leonor da Fonseca Pimentel, que se considerava "filha de Portugal", cultivou a língua pátria e manteve correspondência com intelectuais portugueses.

Em 1777, chegou a escrever uma peça de teatro de homenagem ao Marquês de Pombal: "Il Trionfo della Virtù". Em Nápoles, o seu nome foi dado a uma Escola do Magistério Primário em homenagem à forma denodada como defendeu o primado da educação.

A portuguesa de Nápoles, como ficou conhecida, figura no Pantéon di Martiri dela Libertà, tornando-se, portanto, uma referência do pensamento político italiano. Embora multifacetada, distribuindo os seus esforços pelo jornalismo, a luta política, a biologia, a poesia e a pedagogia, Leonor ficou na História por ter defendido os ideais liberais que conduziram à Revolução jacobina de Nápoles e à instauração da malograda República Napolitana (1797-1799).

Em 1799, Leonor foi acusada de crime contra o Estado e enforcada na Praça do Mercado de Nápoles.

Desde 1997 que a cidade de Nápoles homenageia a vida cultural multifacetada de Eleonora, daí resultando estudos, teses, colóquios e exposições dedicados à sua vida e obra.
Livros sobre Eleonora de Fonseca Pimentel
• Benedetto Croce, "Eleonora de Fonseca Pimentel" (1887)
• Bice Gurgo, "Eleonora Fonseca Pimentel" (1935)
• Maria Antonietta Macciocchi, "Cara Eleonora" (1993)
• Elena Urgnani, "La Vicenda Letteraria e Politica di Eleonora de Fonseca Pimentel, Nápoles" (1998)
• Enzo Striano, "Il resto di niente. Storia di Eleonora de Fonseca Pimentel e della rivoluzione napoletana del 1799" (1986)

"Il Resto di Niente" de Enzo Striano (1986)
 "Il Resto di Niente" ("A Portuguesa de Nápoles" na versão portuguesa) foi escrito pelo italiano Enzo Striano em 1982. O autor enviou o manuscrito para vários editores, mas alguns devolvem o livro sem sequer o ler, por não terem interesse no assunto e no tamanho da obra. 

O autor decide, então, em 1986, não esperar mais e o livro acaba por sair pela editora de livros escolares Loffredo, que já tinha publicado algumas antologias inovadoras com sucesso.

O romance obtém o consenso da crítica e é muito lido, mas esse sucesso circunscreve-se essencialmente a Nápoles. Passados 10 anos é publicado por uma grande editora e torna-se muito conhecido em toda a Itália, tendo vendido mais de 400 mil exemplares. Havendo inclusive quem tenha afirmado que se tratava do melhor romance histórico italiano desde "O Leopardo" de Lampedusa.


"Il Resto de Niente" de Antonietta de Lillo (2004) e a escolha de Maria de Medeiros (extracto de entrevista a Antonietta de Lillo)

Neste filme de 2004, Leonor da Fonseca Pimentel, a mulher que ficou na História por defender os ideais liberais, tem o rosto da actriz portuguesa Maria de Medeiros. Vêmo-la no centro da revolução jacobina de Nápoles, até à sua morte por enforcamento, em 1799.
"Pensei imediatamente nela [Maria de Madeiros, por ser portuguesa e por ser uma mulher pequena mas com muita força. Ela interpreta o papel de uma forma extraordinária. Não sou eu que digo, todos os críticos o disseram. Para ela, foi extraordinário conhecer esta personagem, de que não conhecia a existência."
"A primeira vez que a encontrei estava à espera da primeira filha. Quando filmámos, a Júlia tinha seis anos. Quando acabámos de filmar, a Maria estava à espera da segunda filha, a que chamou Leonor. É uma personagem que não se esquece. (...)"
Arte
Giuseppe Boschetto pintou o quadro a óleo "Eleonora Pimentel Fonseca condotta_al patibolo" (1869).
Música
Eugenio Bennato homenageou Eleanora no tema "Donna Eleonora" incluído no disco "Taranta Power" (1998)
Video Youtube
Em Portugal
Filme "A Portuguesa de Nápoles" (1931) de Henrique Costa
Livro "Leonor da Fonseca Pimentel - A Portuguesa de Nápoles (1752-1799)", de Teresa Santos e Sara Marques Pereira ( coord.)

sábado, 31 de março de 2012

J. Rentes de Carvalho: entre a Holanda e Portugal


Nascido em Vila Nova de Gaia em 1930, de ascendência transmontana, foi obrigado por razões políticas a abandonar Portugal, tendo vivido em Paris e largas temporadas no Brasil. Entretanto, um amigo, adido comercial da embaixada do Brasil na Holanda, precisou de ajuda para dirigir uns relatórios. "Respondi-lhe que iria duas semanas no máximo. Fiquei 55 anos."

Depois da experiência como assessor na embaixada, andou a vender revestimentos para telhados. "Foram três anos muito duros."

Na época conheceu um professor catedrático que dirigia um curso de literatura portuguesa na Universidade de Amesterdão. "Tinha aprendido português na Indonésia e escrevera uma tese sobre Fernando Pessoa. Já tinha uns 60 anos e conversávamos muito sobre literatura e Portugal. Um dia, disse-me: ‘você não é dos telhados, mas da universidade’".

Assim começou a dar aulas sem ser licenciado. Em cerca de dois anos deu por findo o curso com a tese "O Povo na Obra de Raul Brandão". Ali leccionou até 1988.


Principal bibliografia (1972)

A sua bibliografia inclui romances (entre eles "Montedor", 1968, "O Rebate", 1971, "A Sétima Onda", 1984, "La Coca", 1992, "Ernestina", 1998, "A Amante Holandesa", 2003), contos, diário ("Tempo Contado" - nome do seu blog - ou "Tempo sem Tempo"), crónica ("Mazagran", 1992) e guias de viagem. O seu "Portugal, een gids voor vrieden" ("Portugal, Um Guia para Amigos"), de 1988, esgotou dez edições.

"Com os Holandeses" ("Waar die andere God woont", publicado originalmente em neerlandês, em 1972, e um sucesso editorial na Holanda) é a primeira obra de J. Rentes de Carvalho no catálogo da Quetzal.

O mais recente título de Rentes de Carvalho é "Gods Toorn over Nederland" ("A Ira de Deus sobre a Holanda").

"Com os Holandeses" (1972)


Um dos grandes temas de Rentes de Carvalho teve como base a observação da vida dos holandeses. O ponto de partida foi o seu famoso "Waar die andere God woont" de 1972, traduzido para português com o título "Com os holandeses".

Na Holanda já vai na 13ª edição, a Portugal só chegou em 2009.

Luís Carmelo escreveu, nessa altura, que é "pena é que Portugal não tenha tido, no último meio século, nenhum escritor estrangeiro que tivesse dado do país o retrato tão corrosivo e objectivo como o que Rentes de Carvalho generosamente concedeu à Holanda. Apesar de algumas farpas estimulantes e certeiras do amigo holandês Gerrit Komrij (e do seu ainda actualíssimo "Um Almoço de negócios em Sintra").


Um desconhecido em Portugal durante muitos anos

José Rentes de Carvalho vendia milhares de livros na Holanda, mas isso não fazia dele alguém conhecido em Portugal.

As suas primeiras editoras em Portugal publicaram os seus livros sem jamais prestarem contas, pelo que optou por publicar os seus livros na Holanda, ainda que os escreva em Português e na sua maioria tenham mais de Portugal do que da Holanda, mas por razões insondáveis também nunca nenhum editor português tomou nota da sua existência.

Episódio curioso e sintomático desse desdém passou-se em 1989, durante a Buchmesse de Frankfurt. O editor holandês decidiu que o stand inteiro da editora seria quase inteiramente dedicado aos seus livros. Fora e dentro do stand foram colocadas várias fotografias do autor, com o nome em bom tamanho, e fotografias das capas, tudo em formato de cartaz.


Durante três dias passaram por lá dezenas de editores, funcionários da cultura e jornalistas portugueses. O escritor viu alguns a pararem embasbacados, mas não houve um único com curiosidade de saber quem era o compatriota, ou por que razão o exibiam ali.

Leonardo de Freitas, o patrão da Editorial Escritor, escreveu-lhe em fins de 1997 a dizer que gostaria de editar os seus livros, o que aconteceu até meados da primeira década do Século XXI.

Actualmente, com a Quetzal a relançar a sua obra em Portugal, José Rentes de Carvalho diz-se com “o coração cheio”.


Holandeses e Portugueses

Dos holandeses bem nos falta o afinco ao trabalho e ao estudo a sério, a consciência social, a disciplina, a pontualidade.

Para a Holanda poderíamos certamente exportar aquela nossa forma de carinho que, mesmo quando não é sincera, sempre dá um certo conforto à alma.

E poderíamos ensinar os holandeses a comer. Há aqui excelentes restaurantes, mas a culinária doméstica é de fugir dela a sete pés.

Um pouquinho do nosso "deixa lá" também compensaria da rigidez calvinista.


Outras curiosidades

Até recentemente desconhecido do grande público português, é actualmente considerado um dos autores mais inovadores e inteligentes da prosa escrita em língua Portuguesa.

Para a editora De Arbeiderspers, de Amsterdam, dirigiu e escreveu os posfácios da edição em língua holandesa das principais obras de Eça de Queiroz.

A sua biobibliografia acha-se incorporada desde a 9ª edição na Grote Winkler Prins Encyclopedie, a mais antiga (1870) das enciclopédias holandesas.

Fontes/Mais informações: Eito fora / jornal i / Página oficial / wikipedia / DN / Blog Tempo Contado / Up Magazine (TAP)/ Pnet Literatura / Bert Ernste / Quetzal

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Luís Jardim, músico sem fronteiras

Luís Jardim nasceu na freguesia de Santa Maria Maior, na Rochinha, Ilha da Madeira. Começou com 9 ou 10 anos, com uma banda, que na altura foi muito conhecida na Madeira nos anos 60, chamada Demónios Negros.

Saiu da Madeira com 16 anos com destino a Inglaterra, à procura de novas oportunidades, visto que na Madeira era muito difícil. Durante a viagem de barco para Inglaterra, conheceu um trio que actuava no barco, com o qual começou a colaborar.

A cantora chamava-se Linda Allan, e foi a sua primeira esposa, tendo ficado conhecida como Linda Jardim, a intérprete feminina do tema "Video Killed the Radio Stars" dos The Buggles.


Quando chegou a Londres rapidamente entrou no mundo da música. Pensavam que Luís Jardim era brasileiro, pois havia muito músicos brasileiros a trabalhar fora do Brasil, e não havia tradição de músicos portugueses.

Trouxe balanço/groove para a música inglesa, que nessa altura era algo frio, o que o levou a ser convidado por muitos artistas. Colaborou em mais de 5.000 discos nos primeiros anos.


Formou em 1971 os Rouge, um grupo que tocava música mais soul/funky e que editou pela CBS, tendo durado até 1975.

Segundo Luís Jardim o grupo teve sucesso em países como os E.U.A., Canadá, Austrália e Japão.


Fez parte da banda de artistas como Tom Jones e Tina Turner. "Toquei durante 3 anos com Tina Turner e no fim ninguém me conhecia".


Em 1977 tornou-se músico de estúdio. O seu percurso pode ser seguido pelas "capas" dos discos onde participou, mesmo que o nome venha escrito errado (às vezes Louie Jardim, Louis Jardim, ...).


Colaborou igualmente, em 1979, com o grupo Chromium, conjuntamente com Linda Jardim, Ann Dudley, Hans Zimmer, e os futuros Buggles, Trevor Horn (como produtor) e Geoff Downes, mas não tiveram grande sucesso.

A primeira remistura que fez foi para a versão de dança de "Relax" dos Frankie Goes To Hollywood. Mais tarde formou uma equipa de produção que se dedicava essencialmente a remisturas, e fez discos de house e hip-hop escondido por trás do nome Matt Vinyl.



Acompanhou artistas como os Madness (nos álbuns "Keep Moving"), Asia (nos álbuns "Arena" e "Aura"), Claire Martin ("Take My Heart"), Katie Melua e Axelle Read.

Luís Jardim integrou igualmente o agrupamento Jazz, Charlie Watts and his Tentet, liderado pelo famoso baterista dos Rolling Stones.


Participação em mais de 10.000 discos

O decano Luís Jardim é percussionista e trabalha como músico de estúdio desde 1973. A lista de álbuns em que participou é infindável e notável, contando com nomes de todas as áreas musicais, dos Rolling Stones, Eric Clapton ou Elvis Costello, a James Brown, Björk ou Art of Noise

Os seus dotes no domínio das percussões e do baixo começaram a propagar-se por uma imensidão de álbuns de artistas mais ou menos famosos, atingindo um pico de reconhecimento quando surgiu nas gravações de “Steel Wheels” e “Voodoo Lounge”, dos Rolling Stones.


Jardim também pode ser escutado, por exemplo, em registos dos Pink Floyd ("The Final Cut"), ABC, Art of Noise, Björk, Boy George, Ray Charles, Eric Clapton, Elvis Costello, Bryan Ferry, Frankie Goes to Hollywood (capa de "Welcome to the Pleasuredome"), Goldie, Madness, Seal, Soul II Soul, Tears For Fears e Wham!.

Luís Jardim referiu ao programa "Bairro Alto", da RTP2, que obteve, em 1986, um prémio Grammy como melhor instrumentista pela participação no tema “Slave to the Rhythm” de Grace Jones (produção de Trevor Horn).


Depoimento de Rui Veloso

Eu já conhecia o Luís há anos, porque, uma vez, em Londres, fui recebido por ele de uma maneira que me deixou espantado. Quero dizer, sempre era o Luís Jardim, o homem que toca com todos aqueles gajos importantes. E ele, com uma paciência infinita, andou a mostrar-me uma imensidão de estúdios diferentes. (…)

Mas quando conheci o Luís já tinha cá em casa milhentos discos com o nome dele, escrito de várias maneiras - Louis Jardim, Luis Jardin. Discos do James Brown, dos Rolling Stones, vários dos Soul II Soul.

Curiosidade

Linda Jardim foi igualmente a intérprete do tema "Energy in Northampton" dos Northampton Development Corporation, mas não teve grande sucesso.



Fontes: "Bairro Alto" (RTP2) / Jardim.co.uk / Guedelhudos / wikipedia / Guia da Madeira / Blitz (Ricardo Camacho / Rita Guerreiro)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ghida de Palma entre Paris e Londres ...


Guida de Palma é uma cantora setubalense que tem vivido boa parte da sua vida em França e em Inglaterra e trabalhado ora, como engenheira de som, ora como cantora, ora como produtora, ao lado de músicos como Magma, Kyoto Jazz Massive, Da Lata e nos seus actuais projectos, a banda Jazzinho (sedeada em Londres) e Piri Piri Funk Machine (com base de actuação em Lisboa).

Em Paris, onde residiu muitos anos, foi formada pelo professor de canto Anton Valery. Depois frequentou o CIM (escola de jazz de Paris) sob a direcção de Christiane Legrand (a irmã de Michel Legrand).


Em 1991 participou no disco da British Electric Foundation (projecto paralelo dos Heaven 17), "Music Of Quality And Distinction Volume II", com o tema "Feel Makin' Love". Para os elementos dos Heaven 17 era considerada uma artista a ter em conta para 1992.

Editou em 1992, pela Polygram internacional, o máxi "Dançar Cantar", com produção de Martin Ware (dos Heaven 17), mas não teve grande sucesso.

Colaborou igualmente com os Dodge City Productions, no tema As Long "As We're Around" e com os A Certain Pleasure no tema "Be There".


Em Londres, diplomou-se em engenharia de som e produção musical da SAE (Ton Meister / School of Audio Engineering de Londres) e ensinou canto no Morley College of Music e no Richmond College of Music.

Paralelamente ao ensino, também cantou profissionalmente, tendo participado em muitas gravações e espectáculos de artistas internacionais (George Clinton, Pet Shop Boys, France Gall, etc.).


Jazzinho (depoimento do brasileiro Aleksander Aguilar)

O som do grupo é apurado e de arranjos sofisticados, feito por quem sabe e produzido por quem conhece. As influências são Nina Simone, Azymuth, Chaka Khan, Gilberto Gil e também Ed Motta, a cargo da produção do mais recente trabalho da multinacional banda residente em Londres. Produzir Jazzinho foi como tirar umas férias da minha própria arte.., declarou o músico tão perfeccionista como produtor quanto como compositor.

"Atlas" (de 2006), segundo álbum da banda, tem um título que serve como uma luva para o jazz com percussões afro-brasileiras, vocais soul com melodias bosseadas e integradas por bandolin, piano, sax, violino, flauta, trombone e trompete. É mesmo um "jazzinho", intenso e dançável, comandado pela voz da portuguesa com sotaque brasileiro, Guida de Palma.

As letras que versam em inglês, português e até um pouco de francês também refletem a vertente internacional do grupo, mas não deixam de ser cheias de brasilidade. Tratamento instrumental refinado para ouvidos que querem ser embalados por um som que ao mesmo tempo faz o corpo dançar e os pensamentos viajarem ... bem longe do tráfego. Bata a porta do carro e dance no congestionamento.

Videos: A certain pleasure / "Simétrie" (em dueto com Ed Motta) / "Sim ou Não" (Jazzinho)

Fontes: Crónicas da Terra / Voz Ilimitada / Jazzinho / Discogs / Guidadepalma.com

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bem-Vindo ao "Oporto"


Oporto" é uma cadeia de restaurantes, de origem australiana, especializada (tal como o "Nando's" que foi fundado no mesmo ano na África do Sul) em comida rápida de influência portuguesa, com destaque para o frango com piri-piri.



Como tudo começou ?

O primeiro restaurante "Oporto" foi fundado em 1986 por Antonio Cerqueira, um imigrante Português, em North Bondi, Nova Gales do Sul (Austrália).

As suas "receitas secretas" eram inspiradas claramente na tradicional cozinha portuguesa.

O restaurante chamava-se inicialmente "Portuguese Style Bondi Charcoal Chicken", tendo posteriormente sido "rebaptizado" como "Oporto" em referência ao nome da cidade do Porto.


Mais de 300 lojas em todo o mundo

A primeira franquia foi inaugurada em 1995, tendo sido premiado, em Janeiro de 2005, pela Business Review Weekly, como a rede de franchising de mais rápido crescimento na Austrália.

Em 2007 já havia 74 lugares em Nova Gales do Sul, 10 em Queensland, 5 em Vitória, 3 em ACT (centro), 2 no Sul da Austrália e 6 na Nova Zelândia. Em 2008 existiam mais de 300 lojas "Oporto" em todo o mundo.


Alguns destes restaurantes são conhecidos por "Oporto Express" e oferecem uma menor diversidade de produtos.

Uma das especialidades é o Oprego burger.

Fontes: Oporto / wikipedia / Smh

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Nando's: de Joanesburgo para o mundo


Nando's é uma cadeia de "fast food" sul-africana - mas que se apresenta como portuguesa.


A Nando's foi fundada em 1986, na cidade de Joanesburgo, por Fernando Duarte (a origem do Nando's), natural do Porto, que chegou à África do Sul com quatro anos, e Robbie Brazzin.

Os 2 promotores decidiram comprar e transformar um restaurante local de "take-way" que vendia o famoso frango assado temperado com o não menos famoso molho piripiri (a que o Nando's chama peri-peri), entre muitas outras coisas.


Como tudo começou ?

O primeiro restaurante Nando nasceu em Setembro de 1987, num pequeno subúrbio de Joanesburgo chamado Rosettenville. Esta localidade era, à época, o coração da comunidade portuguesa naquela cidade sul-africana, sendo que a maioria tinha acabado de chegar de Moçambique e tinha saudades dos pratos de comida portuguesa.

Ao longo dos anos, o prato mais vendido foi sempre o mesmo: nenhuma outra receita conseguiu bater o meio-frango com piri-piri. "Era um dos pratos favoritos dos portugueses em Moçambique. Foi a junção do frango com o picante, produto tipicamente africano, que criou o prato mais vendido do Nando´s", conta Fernando Duarte.


Aparentemente, o frango assado com o molho piripiri, as cervejas Sagres, as águas do Luso e os pastéis de nata aliados à decoração "kitsh" agradaram a todos os estratos da população.

Em pouco tempo o Nando's tinha seis unidades na África do Sul. E até o então presidente Nelson Mandela dizia preferir uma refeição Nando's a um banquete de Estado.

Nando's através do mundo

A cadeia Nando´s tem mais de 700 estabelecimentos, próprios e franchisados, espalhados por 33 países. Um feito que faz da marca a segunda maior cadeia de restaurantes de frango do mundo, a seguir à Kentucky Fried Chicken.

Em Inglaterra, a cadeia conta com 170 lojas e é a partir deste país que a marca quer crescer para França, Espanha e Portugal. Nas nações árabes, como Paquistão, Oman e Qatar, o êxito é ainda mais visível. Chegam a ser servidas 30 mil refeições diárias e o número de vendas até nem diminui na época do Ramadão.


Símbolos portugueses

O Nando's tem como símbolos o galo de Barcelos e o escudo da bandeira portuguesa e os restaurantes apresentam-se decorados com esses símbolos e outros objectos do estereotipado "português rústico" (incluindo coloridas ementas com erros ortográficos).

"O facto de o galo se levantar e cantar faz-nos identificar com os valores da marca do Nando's", diz o empresário. Já o escudo é "um símbolo que promete dar a qualidade e o sabor que todos os clientes esperam e é também uma forma de ligar a marca a Portugal", assegura.

Fernando Duarte é dos poucos portugueses a integrar a administração de uma empresa que se quer apresentar como a quinta-essência da portugalidade.




Portugasm em Barcelos

A cadeia do galo de Barcelos promoveu na Austrália a campanha Portugasm, ou seja, o estado sublime alcançado por comer frango assado português com piri-piri.

O Instituto de Rejuvenescimento e Descontração Portugasm (PERI = Portugasm Enlightenment and Rejuvenation Institute), gerido por Grand Master Fernando, localiza-se (ficcionalmente) em Feitos no concelho de Barcelos.

Se for inoportuna a viagem entre a Austrália e o Instituto, o Portugasm pode ser alcançado por um jantar de frango Peri-Peri num restaurante Nando's.



Campanha sul-africana


Fontes: Mundo Português / Expresso / Guedelhudos / Nandos / RollerBarcelos / Portugasm

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eça e Portugal na visão do brasileiro Dário Castro Alves


Dário Castro Alves (1927-2010), antigo embaixador do Brasil, escreveu "Era Lisboa e Chovia" (1985), "Era Tormes e Amanhecia" (1992) (dicionário gastronómico baseado na obra de Eça de Queiroz), "Era Porto e Entardecia" (1994) (dicionário de enologia da obra do mesmo autor), e ainda "Luso-Brasilidades nos 500 anos".

Dário Moreira de Castro Alves, reuniu no livro "O Vinho do Porto na Obra de Eça de Queiroz”, tudo o que o escritor diz sobre o vinho fino do Douro.


Como surgiu a ideia de abordar a obra de Eça ?

Notava eu que muitos e muitos brasileiros que passavam por Lisboa, onde eu servia como Embaixador, sabendo que eu tinha interesses em Eça de Queiroz me vinham perguntar onde se deram tais e tais cenas, presentes nos grandes romances de Eça – "Os Maias", "O Primo Basílio", "A tragédia da Rua das Flores", "A Capital" e outros.

Perguntavam tudo, minuciosamente. Dinah [sua esposa, a famosa escritora Dinah Silveira de Queiroz] então me assinalou que seria um tema interessante, considerando que Eça era uma personalidade viva na sensibilidade brasileira.

Eça era Lisboa, e ninguém a decantou mais fortemente como escritor do que ele. Além do mais havia o lado propriamente brasileiro. O Brasil estava atrás de toda a vida lisboeta. Raspando-se um pouco as velhas paredes de Lisboa, se dá no Brasil. Isso é um facto.


"Era Lisboa e chovia"

O primeiro foi "Era Lisboa e chovia", um roteiro cultural, histórico, literário e sentimental construído a partir da obra de Eça de Queiroz. Modéstia à parte, trata-se de um livro não superado quanto ao tema.

A longínqua explicação para o título vem de Alfredo Valadão, eciano fanático, que adorava explicar o sentido profundo, profundíssimo, de porque Eça escolhera falar de Lisboa.

E naquele trecho de A capital, em que o grande autor registra a fase altamente irônica de que "era Lisboa e chovia", queria dizer o seguinte: Fradique vinha de Paris, granfinérrima cidade das luzes, e chegava à suja estação de Santa Apolônia, em Lisboa, em lúgubre madrugada.

Surge então a frase que ficou famosa, em que dizia "além de ser Lisboa, ainda chovia". Era, pois, o fim...


"Era Porto e entardecia" e "Era Tormes e amanhecia"

Em "Era Porto e entardecia" são listadas todas as bebidas mencionadas por Eça, do absinto à zurrapa.

E por fim "Era Tormes e amanhecia" é um completo dicionário gastronômico cultural, com o nascimento literário de Eça de Queiroz na região do D´Ouro.


"Luso-Brasilidades nos 500 anos"

Com uma perspectiva universalista, Castro Alves levou por diante uma importante valorização do espaço lusófono, partindo de uma dimensão histórica para reconhecer nesse legado uma dimensão actual: "Brasil - Portugal. 1500-2000" e, no mesmo ano, "Depois das Caravelas. As Relações entre Portugal e o Brasil. 1808-2000" constituem exemplo do estudo em que baseava uma convicção empenhada.


Depoimento de Jorge Amado

Dario sabe Eça de cor e salteado e ninguém sabe mais em Lisboa do que esse ex-embaixador que fez da diplomacia uma escola de convivência, de verdadeiro intercâmbio cultural: letras e artes, vinhos e comidas. O que deveriam fazer todos os embaixadores e em geral não fazem.

Fontes: Blog de Dário Alves / Triplov / Da praia da Granja / Culturas e afectos Lusófonos / Embaixada de Portugal no Brasil