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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

53 anos de Portugal no Festival da Eurovisão (1964-2016)


Antes de vencermos o Eurovision Song Contest de 2017 em Kiev, Ucrânia, com "Amar pelos Dois" interpretado por Salvador Sobral, Portugal já tinha uma longa história no Festival Eurovisão da Canção, mas nunca tinha sido particularmente bem sucedido com as 45 músicas que foram apresentadas ao longo de todos estes anos, tendo até então apenas 9 das canções ficado no top 10, enquanto que as outras 36 canções ficaram quase sempre muito mal representadas, por vezes, até em último lugar. Além disso, Portugal nunca havia conseguido superar o 6.º lugar de 1996, com a música "O meu coração não tem cor", de Lúcia Moniz.

A saga principiou em 1964 e contou com uma quantidade generosa de embaraços (zero pontos por duas vezes, último lugar em três ocasiões, oito anos sem passar das meias-finais), algumas flagrantes injustiças (como é que "E Depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, ficou em último lugar na edição de 1974?), mas também alguns brilharetes.


A Revista Blitz efectuou uma selecção das nossas "melhores" canções eurovisivas (tendo por base a classificação final e o número de participantes):

1. Lúcia Moniz, "O Meu Coração Não Tem Cor" (1996) - 6º lugar /23 participantes
2. Sara Tavares, "Chamar a Música" (1994) - 8º/25
3. Dulce Pontes, "Lusitana Paixão" (1991) - 8º/22
4. José Cid, "Um Grande, Grande Amor" (1980) - 7º/19
5. Carlos Mendes, "A Festa da Vida" (1972) - 7º/18
6. Anabela, "A Cidade (Até Ser Dia)" (1993) - 10º/25
7. Manuela Bravo - Sobe, Sobe, Balão Sobe (1979) - 9º/19
8. Alma Lusa, "Se Eu Te Pudesse Abraçar" (1998) - 12º/25
9. Tonicha, "Menina do Alto da Serra" (1971) - 9º/18
10. Vânia Fernandes, "Senhora do Mar (Negras Águas)" (2008) - 13º/25

As canções portuguesas nunca tinham atingido o top 5, mas algumas delas tinham tido algum destaque a nível internacional, sobretudo porque era habitual nas décadas de 60, 70 e 80 a regravação das canções noutras línguas, quer pelos próprios cantores, quer por outros intérpretes.

"Sol de Inverno" de Simone de Oliveira (1965)


Francisco Petrônio foi o primeiro artista internacional a gravar uma versão de uma canção portuguesa participante no Festival da Eurovisão quando em 1965, ano em que actua no Casino Estoril, gravou uma versão de “Sol de Inverno”, com letra de Jerónimo de Sousa e música de Nóbrega e Sousa, que fora o tema vencedor do Grande Prémio TV da Canção Portuguesa na interpretação de Simone de Oliveira.

Nesse mesmo ano foi igualmente lançada uma versão instrumental por Roger Danneels And His Orchestra .

"Ele e Ela" de Madalena Iglésias  (1966)


A canção "Ele e Ela" interpretada por Madalena Iglésias, com letra e música de Carlos Canelhas, foi regravada em castelhano pela jovem cantora Marichella, com o título de "El y Ella".

Marichella, de seu nome completo María del Carmen Torres Ballester, participou no Festival de Benidorm de 1966 e gravou dois EPs  para a editora Marfer, ambos em 1966.

“El y Ella” foi incluído na colectânea "Marfer Parade nº 4" e no primeiro EP de Marichella, intitulado "Esta Es Marichela" que incluía igualmente versões de três canções italianas, com destaque para "Ninguno Me Puede Juzgar" (versão de "Nessuno Mi Può Giudicare", original da cantora italiana Caterina Caselli).

"Menina do Alto da Serra" de Tonicha (1971)

 



 Com música de Nuno Nazareth Fernandes e letra de Ary dos Santos, ficou em 9.º lugar no Festival da Eurovisão, em Dublin, o melhor resultado obtido até essa altura pelo nosso País.

"Menina" foi gravado em holandês por Thérèse Steinmetz, com o título de "Aan De Hand Van Twee Gelieven" e em finlandês por Mimmi Mustakallio, mantendo o nome de "Menina".

A versão de Mimmi Mustakallio foi gravada em conjunto com a Olli Heikklän Orkesteri, tendo sido lançado como lado b da versão do tema "Borriquito", grande sucesso do cantor espanhol Peret.

"E Depois do Adeus" de Paulo de Carvalho (1974)


A canção, com letra de José Niza e música de José Calvário, ficou injustamente  em último lugar, com apenas 3 pontos, ex aequo com as canções da Alemanha, Suíça e Noruega.

Foi a canção que serviu de primeira senha à revolução de 25 de Abril de 1974, o que contribuiu para que se tornasse uma das canções portuguesas mais icónicas, entre as que participaram no Festival da Eurovisão.

"E Depois do Adeus" foi incluída na banda sonora da novela brasileira "Meu Rico Português" lançada pela editora Continental, em duas versões, uma instrumental que serviu de tema de abertura e interpretada pela Orquestra de Luiz Arruda Paes, e outra cantada pelo português Sebastião Manuel (com o Grupo Verde Vinho).

Ester de Abreu, cantora portuguesa radicada no Brasil, Moacir Franco e Márcio José também regravaram o tema no Brasil

 
 

"Flor de Verde Pinho" de Carlos do Carmo (1976)


A cantora italiana Arianna Masini incluiu no seu álbum "Perche' io non potevo dimenticare le rose" de 2012 uma versão, em português com influência brasileira, da canção "Flor de Verde Pinho", da autoria de Manuel Alegre (letra) e José Niza (música).

"Dai li dou" dos Gemini (1978)



Com a moda das regravações das canções participantes no Festival da Eurovisão, o tema "Dai Li Dou", interpretado pelos Gemini, foi regravado na Suécia por Jojos e na Finlândia por Esa Katajavuori & The SoundTrack Band.

"Um grande, grande amor" de José Cid (1981)


A compilação "Eurovisio Special 80" incluía regravações, por cantores finlandeses, dos temas que participaram no Festival de Eurovisão de 1980, tendo "Grande Grande Amor" sido regravado pelo cantor Markku Aro (que participou no Festival da Eurovisão de 1971 ) com o título de "Suurin Rakkautein.

A canção composta e interpretada por José Cid teve igualmente direito a uma versão em sueco pelo grupo Vikingarna, liderado por Christer Sjögren. Segundo o site "escportugal, o tema "Adios Adjö" esteve no competitivo top dos singles mais vendidos na Suécia durante 10 semanas em 1980.


 
"Bem bom" das Doce (1982)


A canção defendida pelas Doce, com letra e música de Tó-Zé Brito (creditado no disco brasileiro como Zé Brito), António Pinho e Pedro Brito, foi regravada no ano seguinte pela girlsband brasileira Sabor De Mel sob o título "Momentos de Verão (Bem Bom)", com letra de Marisa Baldanza e Pisca (que participou no último disco de Elis Regina conjuntamente com Pedro Baldanza). A canção foi incluída num single editado pela Sugared do Rio de Janeiro.


"Esta balada que te dou" de Armando Gama (1983)
 



A canção composta por Armando Gama foi editada em 17 países da Europa e terá entrado no top da Bélgica.

Foi regravada em sueco pelo cantor sueco Stefan Borsch, com o título "Det Här Är Balladen Till Dej" e em versão instrumental pelo alemão Klaus Wunderlich sob o título "Esta Balada que eu te dou" (ou "When The Love Has Gone").

Foi igualmente gravada pelo cantor Jugoslavo Ivo Pattiera com o título de "Poklanjam ti pjesmu (Esta balada que te dou)", com letra em Croata de Mišo Doležal.

"Silêncio e tanta gente" de Maria Guinot (1984) 



Maria Guinot gravou versões em inglês, francês e alemão.

A cantora finlandesa Anneli Saaristo - que viria a participar no Festival de Eurovisão de 1989, gravou "Jos Joskus", uma versão em finlandês da canção de Maria Guinot, no seu álbum de 1984.

O tema foi igualmente regravado pelos holandeses Eddy Starr Orchestra em 1991.

"Lusitana Paixão" de Dulce Pontes (1992)


O cantor cipriota Alex Panayi em colaboração com o inglês Matheson Bayley incluíram no seu álbum "Native Hue" de 2014 (álbum com canções clássicas do Eurofestival reinterpretadas em diversos géneros e estilos) uma versão de "Lusitânia Paixão", da autoria de Fred Micaelo (letra), José da Ponte (letra e música) e Jorge Quintela (música)).

"Deixa-Me Sonhar (Só Mais Uma Vez)" de Rita Guerra (2003)

 Matheson Bayley, que colaborou na versão de "Lusitânia Paixão" de Alex Panayi, regravou igualmente "Deixa-Me Sonhar", da autoria de Paulo Martins, em versão instrumental piano.

"Dança Comigo (Vem Ser Feliz)" de Sabrina (2007)



A jovem cantora sul-africana Leandie Lombard, publicou em 2008, então com 16 anos,  o seu primeiro álbum "Wees Net…. (Don't be….)" que incluía oito versões de canções participantes na Eurovisão, com destaque para o tema "Mxit", versão em Afrikaans da canção composta por Tó Maria Vinhas e Emanuel.

Fontes/Mais informações:Blitz (adaptado) / Marichella (1)(2)(3)(4) / Escportugal (JC) / Escovers (JC) / (AG) / (Sabrina)

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Vitória de Portugal (ex-aequo) no European Song Contest no "Benny Hill show" (1969)


Antes da vitória de Salvador Sobral no Eurofestival de 2017, Portugal já tinha ganho o Festival Europeu da Canção na ficção num sketch do Benny Hill, com o tema "Primavera" de Amonia Rodriguiz (nome que será uma referência a Amália Rodrigues) que venceu em ex-aequo com as canções dos outros 7 países candidatos.

O sketch terá sido inspirado pela vitória ex-aequo de 4 canções no Festival da Eurovisão de 1969 (Espanha, França, Holanda, Reino Unido).


"Primavera" foi composto por Benny Hill e interpretado por Eira Heath conjuntamente com Benny Hill e Miguel Lopez Cortezo.

A música e melodia foram utilizadas em diversas canções do Benny Hill Show e esta canção foi interpretada, com letra em inglês, em 1984, por Louise English e Erica Lynley.


Video: Youtube (minuto 39)

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

100 anos de filmes rodados na Madeira (2) - Décadas de 60 e 70

Amália em "As Ilhas Encantadas" (1965)

António Cunha Telles, produtor e realizador madeirense, é um nome fundamental para o cinema português das décadas de 60, 70 e 80. Fundador das Produções Cunha Telles surge associado a filmes produzidos no Arquipélago da Madeira, como "Vacances portugaises", filme de Pierre Kast de 1961 rodado na Ilha Dourada em Porto Santo, e "As ilhas encantadas" do luso-francês Carlos Viladerbó.

Na década de 70 podemos referir as produções estrangeiras  "Madeira, Island and its people" (1972) de Norman Mackenzie e a série de TV alemã "Piet auf hoher See" (1971) de Horst Deuter, mas o principal destaque recai sobre diversas produções de Jesús Franco filmadas na primeira metade da década de 70.



Jesus Franco e a Ilha da Madeira


A ligação de Jess Franco a Portugal não se resume à colaboração de Soledad Miranda,  que falecera de acidente em 1970, e Carmen Yazalde (por vezes creditada como Britt Nichols), que participou em 7 filmes do realizador espanhol. É em Portugal que arranja produtores e realiza filmes, quer no Continente quer na ilha da Madeira.

As principais produções que contém imagens gravadas na Madeira são datadas da primeira metade de década de 70, como "Al outro lado del espejo" (filme de 1973 também conhecido como "Obscene Mirror", "Inside the Dark Mirror" ou "The Other Side of the Mirror" pois era habitual Jesús Franco lançar várias versões), "Erotic Rites of Frankenstein" (1973), "Un capitán de quince años" (1974), "Lustful Amazons" ("Maciste contre la reine des Amazones" de 1974),  "Female Vampire" (também conhecido como "La Comtesse Noire" - nome provisório de uma versão não hardcore ou "Les Avaleuses" de 1975) e "Les Glutonnes" (1975). E retorna à Madeira em 1981 para rodar "Linda". 


Os filmes "Obscene Mirror", "Maciste contra a Rainha das Amazonas" e "Maciste contra Atlântida" contam com a participação do músico madeirense Tony Cruz, que fazia parte do conjunto de Roger Sarbin. Um diálogo com Robert Wood, que em "Obscene Mirror" representa um trompetista de um conjunto, sendo o madeirense o cantor e baterista desse grupo. O tema "Madeira love" do conjunto de Roger Sarbib foi regravado por uma cantora norte-americana. Nos outros filmes Tony Cruz participa como "guarda do tesouro", em cenas filmadas no Ribeiro Frio.

Roger Sarbib participa em "Al otro lado del espejo", "Maciste contre la reine des Amazones" e "Les Glutonnes".

"Obscene Mirror" (1973)

Quase inteiramente rodado no Funchal. A mansão onde a protagonista vive é o Pestana Miramar (onde provavelmente a equipa terá ficado hospedada).



Cerveja Brisa

Igreja de São Martinho

Cena rodada no Teatro Baltazar Dias
Referência à Ilha da Madeira

"Erotic Rites of Frankenstein" (1973)

Filme rodado em Cascais mas incluindo algumas cenas filmadas na Madeira.

Capela de Fátima

Largo da Fonte (Monte)

Ribeiro Frio

"Un capitán de quince años" (1974)

 "Un capitán de quince años" foi, em grande parte, rodado num barco e numa densa floresta. No início do filme é possível ver o exterior do Forte Santiago no Funchal.


"Female Vampire" (1975)

Um dos principais cenários foi o Hotel Sheraton (actual Pestana Carlton).
 

Ao fundo o "Reids Palace" onde morava o Dr. Orloff

Câmara dos Lobos
Figurantes a olhar para a câmara de filmar

"Les Glutonnes" (1975)

A maior parte do filme foi rodado na Madeira, sobretudo em Porto Moniz. No início do filme podemos ver uma Capela do Monte em Ribeiro Frio, que já aparecera no filme "Erotic Rites of Frankestein".




Fontes/Mais informações: Tapatalk (Jesus Franco) / Ana Paula Almeida (Aprender a Madeira e Tese) / Ciclo de cinema / Folha de Sala (1)  / sobre Tony Cruz (Aprender a Madeira) / Original e Versão de "Madeira Love" / Blog sobre Jess Franco /  DN (Ciclo de cinema)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

50 anos de personagens e actores portugueses em novelas brasileiras (1965-2015) (I)


Os portugueses, como parte importante na composição étnica brasileira, não poderiam estar ausentes do enredo das novelas brasileiras. Desde “Antônio Maria”, de 1968, a representação do imigrante português sempre esteve associada ao trabalho, muitas vezes em padarias e confeitarias, e o bom-humor com algumas doses de rispidez.

Actores portugueses aparecem nas produções brasileiras desde os anos 60 através de participações especiais e até papéis de protagonismo. Da mesma forma, muitos actores brasileiros deram vida a personagens portugueses. E em anos mais recentes actores portugueses como Ricardo Pereira e Paulo Rocha tornam-se presença assídua nas principais novelas da Rede Globo, inclusive interpretando personagens brasileiras.

“A Cor da Sua Pele” (Tupi, 1965)


O primeiro personagem português apresentado numa telenovela no Brasil é Dudu, representado por Leonardo Villar, na novela “A Cor da Sua Pele” de Walter George Durst, com base numa história do argentino Abel Santa Cruz.

Foi a primeira novela a falar sobre o preconceito racial. A história de amor, entre a mulata de olhos verdes Clotilde (Yolanda Braga) e o comerciante português Dudu (Leonardo Villar), trouxe para a pequena tela o primeiro beijo inter-racial da sua história e Yolanda Braga ficou para a história como a primeira protagonista negra de uma telenovela brasileira.

"Antônio Maria" (Tupi, 1968)


É em "Antônio Maria" que, pela primeira vez, um personagem português se destaca. Geraldo Vietri queria fazer uma homenagem aos imigrantes portugueses mas sem propagar o estereótipo anedótico. Foi justamente por isso que resolveu criar o personagem Antônio Maria D’Alencastro Figueiroa. Achava que já era mais do que hora de se homenagear um povo fundamental para o perfil sociológico da nação brasileira. Para isso, subverteu a tradição popular: ao invés de um português alvo de piadas, resolveu construir um português herói, desbravador, galante, que declamava Camões.

Para viver o personagem, o actor Sérgio Cardoso (juntamente com Geraldo Vietri, autor e diretcor) conversou com dezenas de portugueses de todas as categorias: desde o cônsul e o vice-cônsul de Portugal em São Paulo, até donos de bares e armazéns, todos contribuíram para que seu personagem tivesse o vocabulário e o sotaque lisboetas.


Antônio Maria chamava automóvel de "máquina", terno de "fato", as moças de "meninas" e o patrão de "vossa excelência". Mas por causa do seu sotaque, não conseguiu melhor emprego que o de motorista. Várias vezes, na novela, Antônio Maria repetia uma denúncia: "Os portugueses que chegam ao Brasil nunca encontram empregos compatíveis com seu grau de instrução".

Carlos Duval e Guiomar Gonçalves (ambos actores brasileiros) eram seus conterrâneos na novela. Fernando Nobre (Carlos Duval), dono de uma panificadora, oferece-lhe sociedade, mas “Antônio Maria”, inexplicavelmente, prefere continuar como empregado. Por que motivo “Antônio Maria” quer ficar na casa do Dr. Adalberto ? Que vida ele levava em Portugal ?


A cantora portuguesa Gilda Valença, radicada no Brasil, era Amália, a noiva de António Maria, que virá atrapalhar o amor que nasce entre o português e Heloísa (Aracy Balabanian).

A novela agradou à colónia portuguesa e, mesmo tendo baixa audiência no início, ao terceiro mês era líder no horário das 19 horas. Em “Antônio Maria” vivia-se uma evolução, já que não havia carruagens, bosques, ciganos – típicos das novelas anteriores mas sim um cenário urbano real.

 “A Muralha” (Excelsior, 1968)


Baseada na obra homónima de Dinah Silveira de Queiróz,  em “A Muralha” narra-se a história da família de Dom Brás de Olinto e, por extensão, os factos que levaram à Guerra dos Emboabas (luta por terras em Minas Gerais), nomeadamente o choque dos paulistas que conquistaram terras e minas e os forasteiros de diversas procedências, principalmente baianos e portugueses, que queriam se apossar delas.

A muralha significa a serra como obstáculo às incursões dos bandeirantes, nas suas buscas de novas terras e riquezas. A trama gira em redor da família de Dom Brás, especialmente com a chegada de Portugal de uma sobrinha, Cristina (Arlete Montenegro), que se apaixona por um dos seus filhos, Thiago.


Nesse relacionamento foram exploradas as diferenças culturais e de mentalidade entre os personagens, já que o rapaz tinha nascido no Brasil. A novela fora exibida anteriormente em duas versões mais simples, em 1958, na Tupi e em 1963, pela Cultura.

Em 2000, produziu-se um remake pela Globo, em forma de mini-série, com adaptação da dramaturga portuguesa radicada no Brasil, Maria Adelaide do Amaral.

"Irmãos Coragem (Globo, 1970)


Janet Claire revolucionou a novela brasileira com "Irmãos Coragem". No interior de Goiás, na fictícia cidade de Coroado, os moradores sobrevivem da principal actividade económica na região, o garimpo de ouro.

Na cidade, vive a família Coragem: a mãe Sinhana (Zilka Sallaberry) e os seus três filhos, João (Tarcísio Meira), Jerônimo (Cláudio Cavalcanti) e Duda (Cláudio Marzo). No meio da história da família de três irmãos humildes, que lutavam contra as injustiças cometidas pelo coronel da cidade, estavam dois personagens portugueses, ambos representados por actores brasileiros, Gentil Palhares (Arthur Costa Filho) e a sua esposa Manuela (Lourdinha Bittencourt), donos da pensão de Coroado. O companheirismo da esposa é evidente, principalmente no negócio familiar.

A novela foi regravada já no novo milénio pela Globo, sendo os personagens portugueses interpretados pelos actores brasileiros Chico Tenreiro e Zaira Zambelli.

"As Pupilas do Senhor Reitor" (Record, 1970)


A Record produziu em 1970 uma novela ambientada inteiramente em uma aldeia do Minho, em Portugal: "As Pupilas do Senhor Reitor". A adaptação do texto do escritor português Júlio Dinis, tratava dos conflitos dos moradores locais: um médico que perde o posto para outro mais jovem, recém-formado, e o envolvimento das “pupilas” Clara e Margarida, que estão sob o cuidado do reitor Padre Antônio, com os irmãos Das Dornas.

Em 1994, o SBT exibiu uma nova adaptação escrita por Lauro César Muniz.

"Meu Pé de Laranja Lima" (Tupi, 1970)


Escrita por Ivani Ribeiro, com base no livro de José Mauro de Vasconcelos, relata a história de Zezé (Haroldo Botta), um menino pobre que tem como amigo um pé de laranja lima. Ao conhecer Manuel Valadares, o Portuga (Cláudio Corrêa e Castro), nasce uma bonita amizade. Foi a primeira adaptação do livro que tinha sido campeão de vendas de livros e que havia recebido uma versão cinematográfica.

Dez anos mais tarde ganhou outra versão, dessa vez na Bandeirantes, onde Dionísio Azevedo interpreta o Portuga. Em 1998, a mesma emissora gravou uma terceira versão escrita por Ana Maria Moretzsohn onde o personagem português foi interpretado por Gianfrancesco Guarnieri.

"Os Deuses Estão Mortos (Record, 1971)


Amália participa na novela “Os Deuses estão mortos”, da TV Record, de Lauro César Muniz e Dionísio Azevedo, interpretando a artista portuguesa Eugênia Câmara, paixão do poeta brasileiro Castro Alves.

Os actores portugueses João Lourenço, no papel de Paulo, e Irene Cruz, no papel de Tereza, também fizeram uma participação especial nesta novela que se passava em Ouro Negro, onde duas famílias disputavam a liderança política da cidade: uma monarquista e a outra, republicana.

"Os Fidalgos da Casa Mourisca" (Rede Record e TV Rio, 1972)


Baseada no romance homónimo de Júlio Diniz, foi adaptada por Dulce Santucci e dirigida por Randal Juliano, mas sem o sucesso de "As Pupilas do Senhor Reitor", do mesmo escritor. Rodolfo Mayer, no papel de Dom Luís, e Geraldo Del Rey e Ademir Rocha no papel dos filhos de Dom Luís, Jorge e Maurício, eram os Fidalgos do título, destacando-se igualmente as actrizes Maria Estela (no papel de Berta, uma plebeia que se casava com um dos filhos) e Laura Cardoso (que interpretara o papel de Tereza em "Pupilas do Senhor Reitor" como Gabriela).

"Semi-deus" (Globo, 1973)


O jornalista Alex Garcia (Francisco Cuoco) volta ao Brasil para realizar uma reportagem sobre o império industrial da família Leonardo, ao mesmo tempo em que o presidente das empresas, Hugo Leonardo (Tarcísio Meira), é vítima de uma conspiração armada por seus inimigos.

Havia cenas de exterior gravadas em Portugal, em locais como a Torre de Belém, Estoril, o Convento de São Jerónimo, o Castelo de São Jorge e Alfama.

"Meu rico português" (Tupi, 1975)


Em 1975, outro personagem lusitano ganhou destaque na telenovela brasileira. Em "Meu rico português", Geraldo Vietri repetiu a fórmula empregada em Antônio Maria e trouxe como personagem principal Severo Salgado Salles (Jonas Mello), recém-chegado de Portugal que faz amizade com a milionária Dona Veridiana Pires Camargo.

O actor Jonas Mello treinava seu sotaque português ouvindo discos com poesias de Fernando Pessoa e frequentando assiduamente a colónia portuguesa na sede da Portuguesa de Desportos, em São Paulo.

Amália Rodrigues fez uma participação especial na novela nos seus últimos capítulos, quando Severo e Walquíria vão ouvir Amália a uma casa de fados, aumentando ainda mais a audiência do folhetim

“Os Apóstolos de Judas” (Tupi, 1976)


Laura Cardoso, que venceu o troféu APCA para melhor actriz do ano, interpretava o papel de Fátima da Conceição, a bondosa vizinha de Jonas Mello (Judas, o protagonista), uma viúva portuguesa que trabalha na feira ao lado dos filhos Nando e Tonho.

Fátima não se dá bem com Domitília, a futura sogra de seus filhos, que namoram as irmãs Simone e Priscila. Domitília é uma viúva cheia de pompa, que se diz parente de Dona Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos, a mais famosa amante do imperador D. Pedro I.

"O Casarão" (Globo, 1976)


A novela "O Casarão, exibida em horário nobre da Globo, às 20 horas, foi uma das poucas novelas narradas de modo não-linear, escrita por Lauro César Muniz. Participaram atores portugueses como Tony Correia, que viveu Jacinto de Souza, imigrante que chegou ao Brasil em 1895 em busca de uma vida melhor.

Analfabeto e carvoeiro desde menino, se dirigiu ao interior de São Paulo onde as plantações de café estavam em pleno progresso. Trabalhava na construção da estrada de ferro e também na Fazenda de Água Santa, para ajudar na construção do casarão, onde encontrou os compatriotas na lavoura de café.


"O Casarão" se passava em três momentos diferentes. A novidade desta trama era a apresentação dessas épocas de forma intercalada. Por isso, duas atrizes portuguesas faziam o papel da mesma personagem porém em épocas distintas. Ana Maria Grova e Laura Soveral interpretaram Francisca, com quem Jacinto tem um romance na cidade de Tangará, onde se passa a trama.

"Escrava Isaura" (Globo, 1976)


A actriz Ana Maria Grova, que interpretara a jovem Francisca em "O Casarão", participou, também em 1976, em "Escrava Isaura", da Globo, no papel de Eneida. A novela de época, escrita por Gilberto Braga, foi adaptada do romance de Bernardo Guimarães e esteve entre as novelas mais exportadas do mundo. Foi vendida para mais de cem países.

A atriz portuguesa interpretou uma mulher interesseira que revela a Leôncio o paradeiro de Isaura quando ela estava escondida em Barbacena, interior de Minas Gerais.

"Duas Vidas" (Globo, 1976)


Laura Soveral também fez uma participação em 1976 em "Duas Vidas", de Janete Clair, com a personagem Leonor, dona da gravadora Danúbio, que perdeu o filho em um acidente e passa o tempo a lembrar-se dele. A novela da Globo, que se passava no Rio de Janeiro, tinha como tema a tragédia urbana.

"Locomotivas" (Globo, 1977)


Tony Correia participou em diversas novelas no fim da década de 70, com destaque também para o seu  trabalho em "Locomotivas", de 1977, na Globo, onde interpretou Machadinho, um jovem ingénuo que, vindo de Portugal, hospeda-se na casa de Victor (Isaac Bardavid), dono de um bar. Com seus dotes culinários, Machadinho transformou o pequeno bar num restaurante.

O personagem, que abrasileira o sotaque, viveu também alguns casos de amor. Inicia-se uma nova fase da representação do homem português: jovem galanteador, sensível, bonito, inteligente, sem o uso de artifícios como bigode ou boina das novelas anteriores. Essa contemporaneidade também se deve à própria temática da novela, dedicada à juventude. E também era a primeira vez que algumas cenas eram gravadas em Portugal, com a participação de artistas locais como a fadista Márcia Condessa.

"Aritana" (Tupi, 1978)


Em 1978, Tony Correia trabalhou também em "Aritana", de Ivani Ribeiro, como Nicolau Seabra, o Lalau, gerente do hotel das termas, que era de propriedade de seu pai, o Comendador Seabra, português interpretado pelo actor brasileiro Serafim Gonzalez. A novela narrava a luta do índio Aritana por suas terras.

 "Maria, Maria" (Globo, 1978)

A novela de Manoel Carlos também incluía um personagem português, José Moitinho, que era um simpático comerciante da região de diamantes no interior da Bahia, interpretado pelo actor brasileiro Carlos Brasileiro que se especializou no papel de personagens portuguesas (pois já fora Fernando Nobre em "Antônio Maria e voltou a interpretar um português em "Pacto de Sangue").

Fontes principais: “De Antônio Maria a Balacobaco: panorama da presença portuguesa na telenovela brasileira” de Elaine Javorski (Encontro Nacional da História de Mídia) / "A influência das relações comerciais e culturais entre Brasil e Portugal na inserção de personagens portugueses nas telenovelas" de Elaine Javorski e Isabel Ferin Cunha (Universidade de Coimbra)

Outras Fontes: Ualmédia / Mundo das novelas / Astros em revista / Bandeirantes start / Teledramaturgia / wikipedia / Mundo das novelas / Todo dia um texto novo  / Imgrum / Novelas e mundo  / Memória Globo / Movenotícias / Gshow / Correio da Manhã (Tony Correia)


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