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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vilões portugueses em "Dead men tell no tales" (1920), "Bright Lights" (1930) e "The World in his arms" (1952)


O romance "Dead men tell no tales" ("Os mortos não falam" em Portugal) foi publicado em 1897 pelo escritor inglês E. W. Hornung (1866-1921) e adaptado ao cinema em 1920, sob direcção de Tom Terriss (estreado em Portugal em 21 de Fevereiro de 1924).

Um dos personagens principais é Joaquim dos Santos (apresentado como "Senõr Joaquin" na adaptação ao cinema) um cavalheiro português com vários anos em África, que afinal é um pirata que utiliza habitualmente a expressão que dá nome à obra "Dead men tell no tales" e que conspira com Rattray para saquear o navio Lady Jermyn que transporta uma grande quantidade de ouro.


Rattray está apaixonado por Eve Denison, a enteada do português, pelo que concorda em socorrer o pirata e a sua tripulação. Contudo Cole, um jovem, que também está enamorado de Eve, consegue se salvar e vai procurar encontrar a jovem.

"Miss Denison era a única senhora e o seu padrasto, com quem viajava, era o homem mais distinto a bordo. Era um português que deveria ter uns 60 anos, de seu nome Senhor Joaquin Santos. Inicialmente fiquei admirado que não tivesse qualquer título, pois tão nobre era a sua forma de estar."


No filme mudo, produzido pela Vitagraph, Joaquim dos Santos é interpretado pelo actor alemão Gustav von Seyffertitz que aparece creditado como George von Seyffertitz.

É igualmente de realçar a actuação do actor Walter James, como José, que foi bastante elogiada, e a participação de um actor português (ou luso-descendente) de nome Manuel Santos.

 
Sinopse do livro

Em Julho de 1853, o Lady Jermyn, um dos grandes veleiros que asseguravam as ligações entre a Inglaterra e o continente australiano inicia a sua viagem de regresso à metrópole. A bordo seguem, entre outros, um jovem aventureiro inglês de nome Cole e Joaquim Santos, um cavalheiro português com muitos anos de África, que viaja acompanhado da sua jovem e bela enteada.

Um súbito incêndio a bordo vem interromper a placidez da viagem e precipitar a morte de todos os passageiros, à excepção de Cole. Sobre ele recairá a missão de desvendar o mistério do naufrágio do Lady Jermyn.

Que segredo explica a aparente cumplicidade entre o capitão do navio, o português e a sua enteada? E qual será o papel de Rattray, jovem e distinto proprietário rural, descendente de uma família de contrabandistas?

 
Curiosidades

O escritor E. W. Hornung (Ernest William Hornung) era cunhado de Sir Conan Doyle. autor dos livros de Sherlock Holmes, tenho conhecido a esposa, Constance ("Connie") Aimée Monica Doyle (1868–1924), quando visitou Portugal (a irmã Annette era representante do governo britânico em Portugal).

O próximo filme da série "Piratas das Caraíbas" terá como subtítulo "Dead men tell no tales" e um dos vilões, interpretado pelo actor espanhol Javier Bardem, chamar-se-á Capitão Salazar mas, em princípio, não terá qualquer ligação a Portugal e à obra de Hornung.

Fontes/Mais informações: Silent Hollywood / FixcubeEuropa-AméricaLivro


"Bright Lights" (ou "Adventures in Africa”) (1930)

Filme realizado por Michael Curtiz (que também dirigiu "Daughters Courageous" e "Casablanca") para a First National Pictures.

Quando Louanne, estrela de um musical da Broadway, anuncia o seu noivado com Emerson Fairchild, um grupo de jornalistas vem para entrevistá-la na última noite de apresentação do seu espectáculo.


Ela recorda a sua infância numa fazenda em Inglaterra e em como se tornou uma dançarina de hula em África, onde Wally Dean se tornou seu amigo e protector, salvando-a dos ataques de Miguel Parada, um contrabandista Português (interpretado pelo actor Noah Beery) que se interessou por ela e que quase a viola.

Miguel , que por acaso estava na audiência, reconhece Louanne e vai até aos bastidores para resolver assuntos pendentes. Wally finge que tem uma arma, mas acaba por ser o seu amigo Connie Lamont a matar Miguel quando disputam uma arma que este possuía.

Fontes/Mais informações: AFI / Wikipedia / Pre-code

 
"The World in His Arms" (1952)

"The World in His Arms" ("O mundo em seus braços" no Brasil) é um filme de aventuras realizado por Raoul Walsh para a Universal Pictures, tendo por base o romance homónimo da autoria de Rex Beach publicado em 1946.

O filme é protagonizado por Gregory Peck, no papel de Jonathan Clark, tendo como oponente um marujo de origem portuguesa, "Portugee Joe", interpretando pelo actor mexicano Anthony Quinn, que fala português em algumas cenas. Outro dos personagens de origem portuguesa é José (interpretado por Syl Lamont).


Sinopse

A acção decorre em 1850 na cidade americana de São Francisco, quando a rica e bonita condessa russa Marina Selanova quer fugir de um casamento arranjado com o príncipe Semyon. Ela contrata os serviços de "Portugee Joe", um pouco escrupuloso comerciante de peles de focas, para levá-la de navio para Sitka no Alasca, onde o governador é seu tio Ivan Vorashilov, na esperança de que ele a proteja.

Assim como todos os donos de navio da cidade, "Portugee Joe" ficou sem tripulação quando começou a Corrida do Ouro da Califórnia. A única disponível é a de seu rival capitão Jonathan Clark, que contava com a lealdade total de seus homens. "Portugee Joe" tenta raptar os tripulantes de Clark, mas esse descobre e resgata seus homens, levando-os para o melhor hotel da cidade.


Percebendo que o português não conseguiria cumprir o contrato e que o capitão Clark odeia os russos que o perseguem por lhe atrapalhar a caça às focas no Ártico, a condessa se disfarça como uma das dançarinas que participam da festa dada por Clark e consegue convencê-lo a levá-la para o Alasca e ambos se apaixonam. Mas o português e o Príncipe Semyon, a bordo de uma moderna canhoneira a vapor, não desistirão e irão causar muitos problemas para o casal.

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Lamanodelextranjero /  Revendo filmes marcantes / Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans"

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Cenas de Lisboa em “O último vôo” de William Dieterle (1931)


“The Last Flight”, realizado por William Dieterle, em 1931, foi um dos primeiros filmes de Hollywood a tratar Lisboa como um lugar com uma identidade própria, utilizando essencialmente o estereotipo das corridas de touros.

O filme é uma produção da First Nacional, com argumento de John Monk Saunders, que utilizou a sua experiência como aviador na primeira guerra mundial, para filmes como “Legião de Condenados” e “Asas” (primeiro filme a ganhar o Oscar para melhor filme).


"The Last Flight" é mais conhecido por ser o primeiro filme dirigido pelo realizador alemão William Dieterle nos Estados Unidos da América. Apesar de não ter sido um grande sucesso aquando da sua estreia foi redescoberto na década de 70 como uma obra prima esquecida.

Na cena da Praça de Touros são utilizadas imagens de arquivo gravadas no período do cinema mudo, à velocidade de 16 imagens por segundo, que era a velocidade habitualmente utilizada nessa época, tendo que ser ajustadas para 24 imagens por segundo, por se tratar de um filme sonoro, o que torna a cena mais rápida do que o normal.

Alguns extras falam português, inclusive o médico que opera Mack Brown, que diz uma frase toda em português. Também há a participação de alguns brasileiros.


Sinopse

Cary, Shep, Bill e Francis são pilotos norte-americanos durante a Primeira Guerra Mundial. O avião de Cary e Shep é abatido, sobrevivendo quase por milagre. Os dois apresentam-se feridos tanto física como psicologicamente, mas tem alta do hospital no dia do Armistício.

Destroçados pelos efeitos da Guerra, os quatro amigos dirigem-se a Paris em vez de regressar a casa.

Em Paris conhecem Nikki, uma jovem rica e excêntrica, e são seguidos por Frink, um jornalista “canalha”.

À procura de emoções fortes dirigem-se para Portugal, onde um dos jovens salta, por impulso, para a arena no decurso de uma tourada. Ferido mortalmente, responde, quando questionado porque se expôs a tal perigo, que lhe pareceu ser uma boa ideia na altura.




Comentário de João Manso (em Blog "Afilmico") 

“The Last Flight” de William Dieterle, filme de 1931 com cenas filmadas em Lisboa. Ainda em Paris, um dos actores dizia: "pergunto-me o que estará a acontecer em Portugal?" Se fosse hoje eu responder-lhe-ia não queiras saber, mas naquela altura eles vieram cá e foram assistir a uma tourada e a praça estava cheia - de moscas, de pessoas e de touros.

Depois, um dos pilotos resolve saltar para a arena e acaba por levar uma cornada do touro. O seu amigo, à porta da enfermaria, responde à pergunta dos jornalistas o que é que passou pela cabeça do seu amigo para ter saltado para a arena? dizendo pareceu-lhe uma boa ideia na altura.

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Cinearte (Brasil) / Afilmico / imdb / answers.com / criterion / notes on filmmythicalmonkey / Shadowplay / Booze movies / TCM / Captomente (imagens do filme)






segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O cinema que nos une: as co-produções entre Portugal e Espanha


A primeira co-produção de que se tem conhecimento remonta ao ano de 1924, quando o realizador português Reinaldo Ferreira dirige em Espanha o filme "El Botones del Ritz". O filme foi inteiramente filmado em Lisboa, embora seja protagonizado apenas por actores espanhóis.

Dez anos depois, em 1934, a imprensa especializada fala da constituição de um consórcio Luso-espanhol de produção de filmes entre a Ibérica Filmes de Barcelona, e o bloco H. da Costa de Portugal. O contacto dessa relação era Arthur Duarte, contratado como assistente geral de produção da Ibérica Filmes. 


Esta colaboração tinha como objectivo ajudar os técnicos portugueses a aprenderem. O único filme que coincide com estas características, é a produção da Ibéria Filmes "Una Semana de Felicidad" realizada por Max Nossech, e entre os seus interpretes pode-se encontrar os portugueses Tony D'Algy (como protagonista) e o próprio Arthur Duarte.

Arthur Duarte (creditado como Arturo Duarte) continuou colaborando com a produtora espanhola, aparecendo o seu nome como ajudante de realização e actor (num papel secundário) no filme "Aventura Oriental", igualmente realizado por Max Nosseck em 1935.

(Leitão de Barros)

Arthur Duarte também será ajudante de realização na seguinte colaboração entre ambos os países, "Bocage/Las Tres Gracias", filme realizado por Leitão de Barros para a produtora espanhola Hispano-Portugués e para a portuguesa Sociedade Universal de Superfilmes.

Este filme terá duas versões, uma protagonizada apenas por portugueses e outra só por espanhóis. As duas versões serão igualmente filmadas nos estúdios da Tobis Portuguesa em Lisboa. A versão portuguesa terá sua estreia em 1 de Dezembro de 1936. Uma das finalidades das duas versões será a sua exportação para o mercado Hispano-americano. O filme alcançará um enorme êxito no Brasil, ao se estrear em meados de 1937. O mesmo êxito terá em 1938 ao se estrear na Argentina no dia 22 de Novembro. Invulgar será dizer que em Espanha o filme só terá sua estreia em 4 de Março de 1940.


Leitão de Barros, já em 1930, no período de introdução do cinema sonoro, advogava um cinema nacional com versões espanholas, procurando dessa forma atingir “todos os povos de língua portuguesa e espanhola, ou sejam Portugal, Brasil, Espanha, América Latina e as respectivas colónias”

Todavia, foi só nos inícios dos anos quarenta, em plena Segunda Guerra Mundial, que, no seguimento das iniciativas particulares, parece existir a procura de um acordo político formal de co-produção cinematográfica entre as duas nações ibéricas.

(Arthur Duarte)

Deste modo, em Janeiro de 1941, Manuel Garcia Viñolas, o responsável pelo Departamento Nacional de Cinematografia espanhola, encontra-se com António Ferro (director do Secretariado de Propaganda Nacional/SPN), ficando assente “o estudo imediato de todas as possibilidades de trabalho em comum e de permuta cinematográfica entre Portugal e Espanha”, que será “submetido à aprovação dos dois Governos e de que resultará um acordo de altíssimo alcance e importância”

Em finais de 1943, começa desta forma uma colaboração cinematográfica contínua, sucedendo-se as co-produções ou, pelo menos, as versões em ambas as línguas: o húngaro Ladislau Vadja, radicado em Espanha, assina a realização de O Diabo são Elas”, “Três Espelhos” ou “Viela – Rua Sem Sol”, enquanto Arthur Duarte filma em Madrid “Es Peligroso Asomarse el Exterior”, “El Huesped del Cuarto Trece” e “Fuego 218”.


Nas palavras de Leitão de Barros, em entrevista dada ao Diário Popular em 11 de Dezembro de 1944: “Tanto Portugal como a Espanha ganham com a iniciativa de fazer filmes destinados aos dois mercados de antemão garantidos”.

Apesar de terem existido vários filmes produzidos neste sistema, poucos mereceram o apoio estatal, excepção feita a “Inês de Castro” (1945), de Leitão de Barros, uma co-produção apoiada por António Ferro, através do SPN, e por Garcia Viñolas, pelo Departamento Nacional de Cinematografia Espanhola.


Para Maria do Carmo Piçarra, este era o filme através do qual Ferro e Viñolas “esperavam que a então apregoada Irmandade Ibérica viesse a traduzir-se num acordo político de co-produção cinematográfica”. Contudo, apesar da estreia de gala, no S. Luís, com a presença do Presidente da República, e de em Espanha ter sido considerado de interesse nacional, a verdade é que o filme não produziu o efeito político esperado, de criação de um regime concertado de co-produções, e a cooperação contínua, mas em moldes puramente particulares.

Esta colaboração, que trouxe uma certa actividade aos estúdios portugueses, termina por volta de 1949, quando a indústria deixa de ter dinheiro, apesar da lei que entretanto saíra, e quando a Espanha, “à medida que ia entrando noutros mercados, [se desinteressou] dessas versões duplas para Portugal”.



De referir ainda as obras portuguesas de realizadores espanhóis experimentados, mas de segunda categoria, como “Cais do Sodré” e “Os Vizinhos do Rés-do-Chão” (ambos filmes portugueses do realizador espanhol Alejandro Perla), “A Mantilha de Beatriz” e “Não há Rapazes Maus” (de Eduardo Maroto, sendo o segundo uma produção portuguesa e o primeiro uma co-produção), “Sol e Toiros” (produção portuguesa do realizador José Buchs), “Senhora de Fátima” e “Rainha Santa” (de Rafael Gil, sendo o primeiro uma produção espanhola e o segundo uma co-produção).

O intercâmbio português também se cifrou na passagem para Espanha de diversos actores portugueses, como Milú, António Vilar, Virgílio Teixeira ou Raul de Carvalho.


Rino Lupo

Ainda no tempo do cinema mudo, “Os Lobos” (1923), produzido e dirigido pelo cineasta italiano Rino Lupo, foi exibido com relativo êxito, não só em Portugal, como também na França, no Brasil, na Itália, na Espanha e na Romênia.  Rino Lupo rodou no Porto o primeiro filme galego, “Carmiña, Flor de Galicia” (1926).



Fontes/Mais informações:  Fotblog de Paulo Borges (1)(2) / Tese de Carla Patrícia Silva Ribeiro “O alquimista de sínteses – António Ferro” / O cinema que nos une. As co-produções na Península (Alejandro Pachón) / Panorama do Cinema Espanhol (Cinemateca, Luís de Pina, José de Matos-Cruz) / Salazar vai ao cinema (Maria do Carmo Piçarra) / Enciclopédia do Cinema Espanhol /Blog Do Porto e não só /  Blog Filmes Portugueses

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

"Salada Portuguesa" de Manoel Monteiro (1909-1990)

Manoel Monteiro nasceu em São Martinho de Cimbres, Portugal. Emigrou para o Brasil, em 1923, aos 14 anos de idade conjuntamente com o pai e um tio. Dois anos mais tarde, o pai e o tio regressaram a Portugal, e ele passou a viver sozinho na cidade do Rio de Janeiro.

Empregou-se no comércio, trabalhando como caixa. Ingressou na escola de ballet, onde estudou sob a orientação de Maria Olenewa. Em 1927, passou a integrar o corpo de balé do Teatro Municipal, onde se manteve até 1930, quando foi proibido de dançar devido a problemas cardíacos.



Estreou em disco em 1933, gravando na editora Odeon os fados "O teu olhar" e "O último fado", ambos compostos por Carlos Campos. Em seguida, gravou a "Marcha das rosas” e a canção "Chora a cantar", de motivo popular.

Teve seu primeiro grande sucesso, com a gravação do fado "Santa Cruz" (Caramés / D. Santos), editados no seu terceiro disco.


No repertório de Manuel Monteiro, destacavam-se géneros portugueses como fados, viras e marchas, tendo também gravado obras de autores brasileiros, principalmente do género carnavalesco.

Sua discografia em 78 rpm vai de 1933 a 1959, tendo gravado cerca de 65 discos com 127 músicas, a maior parte na Odeon.


Alguns dos seus sucessos:

"Rosas de Portugal"
"Amores de estudante"(1939);
"O último fado"
"Marcha das rosas" (1933);
"Rosas divinais" (1933);
"O canto do ceguinho" (1933);
"A morte da ceguinha" (1933);
"Heroísmo de bombeiro" (1933);
"Meu Portugal" (1933);
"Corações de Portugal" (1934);
"Salada Portuguesa" (1935)
"Maria morena"(1955)
"Nem às paredes confesso" (1955)


Primeiro cantor português a ter sucesso no Brasil

Em 1949, foi homenageado pela classe artística com um evento realizado no Teatro Carlos Gomes, por ter sido o primeiro cantor português a ter sucesso no Brasil.

Abriu, assim, o caminho para que outros cantores lusos se projetassem por intermédio das gravadoras nacionais, como José Lemos e Joaquim Pimentel, já em 1935, e vários outros posteriormente.


Em 1948, participou como actor e responsável pela coreografia do filme "Inconfidência Mineiroa", realizado por Carmen Santos”.

"Salada Portuguesa" ("Caninha verde")


Em 1935, lançou com grande sucesso a marcha "Salada Portuguesa" (V. Paiva / P. Barbosa), que se tornaria conhecida com o título "Caninha verde", mencionado no texto da música.

Esta marcha foi por si apresentada no filme 'carnavalesco' "Alô, alô, Brasil" (Fevereiro de 1935), de Wallace Downey, João de Barro e Alberto Ribeiro. Ainda neste ano, gravou as marchas "João, João, João", "Balãozinho multicor", "Olé, Carmen", em homenagem a Carmen Miranda; e "Sou da folia".


Letra de "Salada Portuguesa" ("Caninha verde")

A minha caninha verde já chegou de Portugal
A minha caninha verde já chegou de Portugal
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vai Manoel mais a Maria
Nos três dias de folia
Pierrot e Colombina
Vai João e negra Mina...
A minha caninha verde já chegou de Portugal
A minha caninha verde já chegou de Portugal
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
Vamos todos, minha gente, festejar o carnaval
O vovô já me dizia
No Brasil há alegria
Desde o tempo de Cabral
Que existe o Carnaval...

(...)

"Fado Manoel Monteiro"


É um dos fados mais significativos do repertório de Manoel Monteiro da autoria de A. Ferreira e Gonçalves Dias, gravado em disco Odeon, em 1937.

Sou português e grito ao mundo inteiro
Filho de gente humilde, mas honrada
E se adoro o Brasil hospitaleiro
Jamais esquecerei a Pátria amada.
Brasil e Portugal trago-os no peito
Unidos pela amizade e pela história
Se devo a Portugal o meu respeito
Ao Brasil devo toda minha glória.
Sinto pela minha Pátria devoção
Mas amo tanto a Pátria brasileira
E chego a não saber se o coração
Ama a segunda mais do que a primeira
E por ser do Brasil um grande amigo
Sou brasileiro afirmo muita vez
E sinto orgulho igual de quando sinto
Nasci em Portugal, sou português.
Portugal é meu torrão natal
A Pátria mãe de heroís e de guerreiros
Mas se o Brasil nasceu de Portugal
Eu sou portanto irmão dos brasileiros.


Rádio

Iniciou sua actividade radiofónica no início da década de 30, quando se apresentou no programa "Luso brasileiro” da Rádio Educadora do Brasil. Na época, as rádios mantinham programas específicos de música portuguesa, para atender à procura da numerosa colónia que emigrou para o Brasil.

Teve um programa na Rádio Vera Cruz. Durante as décadas de 1960/70 esteve sempre presente em programas de rádio e TV relacionados com temas portugueses.


Outras Homenagens

Seu nome foi dado a uma das ruas de Cimbres (Portugal), para assim, perpetuar seu filho ilustre. No Brasil, o cantor conta com sete nome de ruas, espalhadas por diversas cidades do País.

Em 1992, J. Gonçalves Monteiro, lançou um livreto sobre a vida e carreira de Manoel Monteiro. Foi feita uma tiragem de 1000 exemplares para venda. Toda a receita seria revertida para fazer um busto e colocá-lo em Cimbres. Infelizmente não teve grande repercurssão.

O poeta e diplomata brasileiro Vinicius de Moraes no seu tema "Samba da Benção" faz referência a Manoel Monteiro: "A benção Manoel Monteiro, e a todos os fadistas deste mundo!"

Fontes: Thais Matarazzo (1)(2)(3) / Cifrantiga2 / Dicionario MPB

Videos (com imensas fotos): Eradogramaphone ("Fado do Povo", "O Meu Barquinho" e "Amores de Aldeia") / "Madragoa" / "Minha bandeira"



quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Referência ao Adamastor e a Portugal em "Com que roupa" de Noel Rosa (1930)

No final de 1929, Noel Rosa compôs "Com que roupa ?", samba que retrata a pobreza, a fome e a miséria. Um tema original, até revolucionário para a época, fazendo alusão a uma característica marcadamente brasileira: a de se gozar da própria desgraça, levando a vida de forma divertida, dentro da filosofia do "rir para não chorar".

Quanto à melodia, é simples, contagiante e possui uma história curiosa: desde os tempos de colégio, Noel tinha o hábito de parodiar o Hino Nacional; é possível que inconscientemente tenha utilizado essa melodia sem se dar conta do plágio. Quem lhe preveniu quanto ao risco de apreensão da música pela censura foi o maestro Homero Dornellas, que foi quem alterou a melodia e passou-a para a pauta.


Depois de lançado, "Com que roupa ?" imediatamente passou a fazer parte do cotidiano carioca, da linguagem, das conversas. Noel não contava com tamanho sucesso, caso contrário, não teria vendido os direitos sobre a música ao cantor e locutor Ignácio Guimarães, o Ximbuca, por cento e oitenta mil réis. Ximbuca ficou tão empolgado em ser o dono do samba, que resolveu gravá-lo também.

Noel, então, decidiu acrescentar outros versos (Seu português...), pensando sempre num país explorado, na pobreza, usando a sua boa dose de humor e ironia. O Adamastor citado é, na verdade, o nome de um navio português, que homenageia o titã cantado por Luís de Camões em Os Lusíadas. Para a gravação de Ximbuca, Noel preferiu alterar os versos da terceira estrofe; ao invés de Meu terno já virou estopa ele coloca Meu paletó....


Noel costumava inventar outras estrofes para "Com que roupa ?" e cantá-las em programas de rádio, mas nenhuma delas foi gravada. (...)

O compositor foi muitas vezes procurado por repórteres para que contasse a história de "Com que roupa ?" e, a cada entrevista, dava uma versão diferente. Numa de suas versões, explicou que teve inspiração quando precisava ir a uma festa, mas, literalmente, não tinha roupa alguma, pois sua mãe, para lhe poupar a saúde, havia escondido todas as suas vestimentas, para que assim não saísse para a boemia.


Em outra entrevista, declarou que não gostava da música, pois ela havia sido feita para o povo e as músicas de que ele mais gostava eram feitas para ele mesmo. Também chegou a dizer que a música havia sido feita pensando naqueles dias em que você é convidado para um programa, mas não tem dinheiro, então, você pergunta, com que roupa ?


Letra alternativa

Agora vou mudar minha conduta
Eu vou pra luta
Pois eu quero me aprumar
Vou tratar você com força bruta
Pra poder me reabilitar
Pois esta vida não está sopa
E eu pergunto com que roupa?
Com que roupa que eu vou?
Pro samba que você me convidou
Com que roupa eu vou?
Pro samba que você me convidou
Agora eu não ando mais fagueiro
Pois o dinheiro
Não é fácil de ganhar
Mesmo eu sendo um cabra trapaceiro
Não consigo ter nem pra gastar
Eu já corri de vento em popa
Mas agora com que roupa?
Eu hoje estou pulando como sapo
Pra ver se escapo
Desta praga de urubu
Já estou coberto de farrapo
Eu vou acabar ficando nu
Meu paletó virou estopa
Eu nem sei mais com que roupa ?

Seu português agora foi-se embora
Já deu o fora
E levou seu capital
Esqueceu quem tanto amava outrora
Foi no Adamastor pra Portugal
Pra se casar com uma cachopa

E agora com que roupa ?


Gravações

Gravada originalmente na Parlophone em 1930 pelo próprio Noel Rosa, acompanhado por Bando Regional, e lançada em discos 78 rpm.

Outras gravações conhecidas são as de Inácio Guimarães Loyola (1931), Aracy de Almeida (1951), Trio Surdina, Marília Batista (1963), Nélson Gonçalves (1967), Elza Soares (1967), Helena de Lima (1969), Martinho da Vila (1970), Os Três Moraes (1973), Maria Creuza (1974), Doris Monteiro, Paulo Marques, Sambistas da Guanabara, Turma da Bossa, Banda do Canecão, Luiz Bandeira, Grupo 10.001 & Vocal Documenta, Rosinha de Valença, MPB-4 (1987), Zezé Motta, Guiba, Zizi Possi, Gilberto Gil (1991), Marco Neves (1995), Ivan Lins (1997), Caetano Veloso & Zeca Pagodinho, entre outras.


Videos: Noel Rosa (versão sem referência a Portugal) / Diogo Nogueira (com referência a Portugal)

Fonte: Musicachiado