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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Os luso-americanos no cinema de Hollywood (II) - cinema mudo


A época do cinema mudo foi a que apresentou uma maior presença de luso-americanos, no entanto nos filmes “Martin Eden” (1914) e “Footfalls” (1921) os personagens de origem luso-americana na literatura passaram a não ter qualquer ligação a Portugal nas adaptações cinematográficas.

“Martin Eden” (1914)

Em “Martin Eden”, com base num dos romances mais autobiográficos de Jack London (publicado em 1909), a senhoria de Martin, enquanto este era um aspirante a escritor na zona de San Francisco, chamava-se Maria Silva, uma viúva trabalhadora com muitos filhos (entre as quais Mary, de 8 anos, e Teresa de 9) a quem Martin oferece uma quinta quando se torna rico.

No livro de Jack London a personagem tinha raízes portuguesas (1), mas passou a ser italiana no filme produzido pela Bosworth Film co. em 1914.

(1) "Ele pagava 2 dólares e meio por semana de renda por um pequeno quarto que pertencia a uma senhoria portuguesa, uma viúva trabalhadora e algo agreste, que ia aumentando a sua ninhada de alguma forma, e afogando a tristeza e fadiga num galão de vinho que adquiria na loja da esquina"


“The Paliser Case” ("Caso Paliser") de 1920

Um dos primeiros filmes mudos, a abordar a comunidade lusa (neste caso de Nova Iorque), foi “The Paliser Case” de 1920, dirigido por William Parke, adaptado do livro policial de Edgar Saltus (publicado em 1919).

O filme conta a história de Cassy Cara (interpretada por Pauline Frederick), que é uma jovem aspirante a cantora de ópera,  filha de Angelo Cara, um violinista de origem portuguesa (2), com uma deficiência física (3), que é acusada de matar o homem por quem se apaixonara, que está noivo de uma jovem da alta sociedade.


(2) No romance de Edgar Saltus, Angelo é descrito como sendo natural de Lisboa, tendo emigrado ainda jovem para a América.

(3) "Nós somos portugueses" diz Cassy, "ou pelo menos o meu pai é. Ele tocava no Metropolitan. Mas pôs-se a 'jeito' e numa noite em que regressava de uma casa privada, onde actuara, foi atacado por duas pessoas que o empurraram.

Cassy e Angelo Cara
Cassy está apaixonada por Keith Lennox, que está noivo de Margaret Austen, uma jovem da alta-sociedade. Margaret rompe com o noivado por julgar, erradamente, que Keith teria uma relação com Cassy. Mas, entretanto, Cassy fica noiva de Monty Paliser, sacrificando a sua felicidade pessoal por causa do seu mesquinho pai.

Cassy descobre que as intenções de Paliser não eram as melhores e que a cerimónia do seu casamento foi falsa, pois o padre era o jardineiro de Paliser disfarçado. Cassy abandona Paliser e relata a sua humilhação a Lennox.


Paliser acaba por ser assassinado à facada e as suspeitas recaem sobre Lennox. Para protege-lo, Cassy confessa que é autora do crime.

No fim descobre-se que o autor do crime foi o pai de Cassy, o violinista português, que acaba por morrer de ataque de coração.



“The Forbidden thing” de 1920

O primeiro filme realizado por Alain Dway para a Associated Productions foi adaptado de um conto de Mary Mears, publicado na revista Metropolitan Magazine em Abril de 1920.

“The Forbidden thing” conta a história de Abel Blake, um puritano da Nova Inglaterra (New England), que está apaixonado por Joan, mas que se deixa seduzir por Glory Prada, uma jovem portuguesa interpretada por Marcia Manon, descobrindo mais tarde que esta lhe era infiel.

Outros personagens de origem portuguesa são José Silva (proprietário de um circo ambulante que se envolve com Glory e que acaba por a matar) e Joe Portega, interpretados pelos actores Jack Roseleigh e Arthur Thalasso.



“Outside the Law” (1921)

“Outside the Law”, filme mudo de 1921, realizado por Tod Browning para a Universal Pictures, com argumento de Lucien Hubbard e Tod Browning.

Relata a história de um crime que decorre em San Francisco, sendo o filme protagonizado por Lon Chaney (o homem das mil caras) que interpreta dois papeis, um criminoso de origem portuguesa, “Black Mike” Sylva, e Ah Wing, de etnia chinesa.


"Footfalls" (1921)

Em “Footfalls” (William Fox Studios, filme mudo de 1921), tendo por base uma história de Wilbur Daniel Steele (que ganhou o prémio O. Henry Memorial Award em 1920), o protagonista era natural de São Miguel, Açores, na obra literária, com o improvável nome de Boaz Negro.

Boaz é um sapateiro cego da Nova Inglaterra que tem a capacidade de identificar as pessoas pelos seus passos. O seu filho chamava-se Manuel. Mas na adaptação cinematográfica passam a se chamar Hiram Scudder, o pai, e Tommy, o filho.

Tommy é suspeito de matar um empregado bancário, que era hóspede do seu pai, mas é o empregado bancário que acaba por ser identificado pelo protagonista como sendo o autor do crime (pois afinal o morto não era o empregado bancário).


“My son” (1925)

“My son” (First Nacional, filme mudo de 1925), com Alla Nazimova no papel de Ana Silva. Com base numa peça de Martha M. Stanley.

(Mais informações)


“The Yankee Clipper” (1927)

"The Yankee Clipper” (DeMille Pictures, filme mudo de 1927), realizado por Rupert Julian, adaptado de uma história de Denison Clift, relata uma corrida de barco desde a China até Boston, entre um norte-americano, Hal Winslow, e um inglês, Richard, que é o principal vilão da história.


Outro dos vilões é um dos homens da tripulação, conhecido como Portuguese Joe (interpretado por Walter Long), que além de ser um dos responsáveis por um motim, também tem interesse romântico por Jocelyn, que era noiva de Richard, mas que acaba por se enamorar por Winslow.


“Beware of Blondes” (1928)

Em “Beware of Blondes” (Columbia Pictures, filme mudo de 1928), realizado por George B. Seitz, que decorre num barco a vapor que transporta uma esmeralda preciosa para o Hawaii, que vai ser alvo de tentativa de roubo. O actor Harry Semels interpreta o papel de Portugee Joe, um dos personagens suspeitos que vão a bordo.

Fontes/Mais informações: Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans" / Mamie Caro / The moving Picture world

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vilões portugueses em "Dead men tell no tales" (1920), "Bright Lights" (1930) e "The World in his arms" (1952)


O romance "Dead men tell no tales" ("Os mortos não falam" em Portugal) foi publicado em 1897 pelo escritor inglês E. W. Hornung (1866-1921) e adaptado ao cinema em 1920, sob direcção de Tom Terriss (estreado em Portugal em 21 de Fevereiro de 1924).

Um dos personagens principais é Joaquim dos Santos (apresentado como "Senõr Joaquin" na adaptação ao cinema) um cavalheiro português com vários anos em África, que afinal é um pirata que utiliza habitualmente a expressão que dá nome à obra "Dead men tell no tales" e que conspira com Rattray para saquear o navio Lady Jermyn que transporta uma grande quantidade de ouro.


Rattray está apaixonado por Eve Denison, a enteada do português, pelo que concorda em socorrer o pirata e a sua tripulação. Contudo Cole, um jovem, que também está enamorado de Eve, consegue se salvar e vai procurar encontrar a jovem.

"Miss Denison era a única senhora e o seu padrasto, com quem viajava, era o homem mais distinto a bordo. Era um português que deveria ter uns 60 anos, de seu nome Senhor Joaquin Santos. Inicialmente fiquei admirado que não tivesse qualquer título, pois tão nobre era a sua forma de estar."


No filme mudo, produzido pela Vitagraph, Joaquim dos Santos é interpretado pelo actor alemão Gustav von Seyffertitz que aparece creditado como George von Seyffertitz.

É igualmente de realçar a actuação do actor Walter James, como José, que foi bastante elogiada, e a participação de um actor português (ou luso-descendente) de nome Manuel Santos.

 
Sinopse do livro

Em Julho de 1853, o Lady Jermyn, um dos grandes veleiros que asseguravam as ligações entre a Inglaterra e o continente australiano inicia a sua viagem de regresso à metrópole. A bordo seguem, entre outros, um jovem aventureiro inglês de nome Cole e Joaquim Santos, um cavalheiro português com muitos anos de África, que viaja acompanhado da sua jovem e bela enteada.

Um súbito incêndio a bordo vem interromper a placidez da viagem e precipitar a morte de todos os passageiros, à excepção de Cole. Sobre ele recairá a missão de desvendar o mistério do naufrágio do Lady Jermyn.

Que segredo explica a aparente cumplicidade entre o capitão do navio, o português e a sua enteada? E qual será o papel de Rattray, jovem e distinto proprietário rural, descendente de uma família de contrabandistas?

 
Curiosidades

O escritor E. W. Hornung (Ernest William Hornung) era cunhado de Sir Conan Doyle. autor dos livros de Sherlock Holmes, tenho conhecido a esposa, Constance ("Connie") Aimée Monica Doyle (1868–1924), quando visitou Portugal (a irmã Annette era representante do governo britânico em Portugal).

O próximo filme da série "Piratas das Caraíbas" terá como subtítulo "Dead men tell no tales" e um dos vilões, interpretado pelo actor espanhol Javier Bardem, chamar-se-á Capitão Salazar mas, em princípio, não terá qualquer ligação a Portugal e à obra de Hornung.

Fontes/Mais informações: Silent Hollywood / FixcubeEuropa-AméricaLivro


"Bright Lights" (ou "Adventures in Africa”) (1930)

Filme realizado por Michael Curtiz (que também dirigiu "Daughters Courageous" e "Casablanca") para a First National Pictures.

Quando Louanne, estrela de um musical da Broadway, anuncia o seu noivado com Emerson Fairchild, um grupo de jornalistas vem para entrevistá-la na última noite de apresentação do seu espectáculo.


Ela recorda a sua infância numa fazenda em Inglaterra e em como se tornou uma dançarina de hula em África, onde Wally Dean se tornou seu amigo e protector, salvando-a dos ataques de Miguel Parada, um contrabandista Português (interpretado pelo actor Noah Beery) que se interessou por ela e que quase a viola.

Miguel , que por acaso estava na audiência, reconhece Louanne e vai até aos bastidores para resolver assuntos pendentes. Wally finge que tem uma arma, mas acaba por ser o seu amigo Connie Lamont a matar Miguel quando disputam uma arma que este possuía.

Fontes/Mais informações: AFI / Wikipedia / Pre-code

 
"The World in His Arms" (1952)

"The World in His Arms" ("O mundo em seus braços" no Brasil) é um filme de aventuras realizado por Raoul Walsh para a Universal Pictures, tendo por base o romance homónimo da autoria de Rex Beach publicado em 1946.

O filme é protagonizado por Gregory Peck, no papel de Jonathan Clark, tendo como oponente um marujo de origem portuguesa, "Portugee Joe", interpretando pelo actor mexicano Anthony Quinn, que fala português em algumas cenas. Outro dos personagens de origem portuguesa é José (interpretado por Syl Lamont).


Sinopse

A acção decorre em 1850 na cidade americana de São Francisco, quando a rica e bonita condessa russa Marina Selanova quer fugir de um casamento arranjado com o príncipe Semyon. Ela contrata os serviços de "Portugee Joe", um pouco escrupuloso comerciante de peles de focas, para levá-la de navio para Sitka no Alasca, onde o governador é seu tio Ivan Vorashilov, na esperança de que ele a proteja.

Assim como todos os donos de navio da cidade, "Portugee Joe" ficou sem tripulação quando começou a Corrida do Ouro da Califórnia. A única disponível é a de seu rival capitão Jonathan Clark, que contava com a lealdade total de seus homens. "Portugee Joe" tenta raptar os tripulantes de Clark, mas esse descobre e resgata seus homens, levando-os para o melhor hotel da cidade.


Percebendo que o português não conseguiria cumprir o contrato e que o capitão Clark odeia os russos que o perseguem por lhe atrapalhar a caça às focas no Ártico, a condessa se disfarça como uma das dançarinas que participam da festa dada por Clark e consegue convencê-lo a levá-la para o Alasca e ambos se apaixonam. Mas o português e o Príncipe Semyon, a bordo de uma moderna canhoneira a vapor, não desistirão e irão causar muitos problemas para o casal.

Fontes/Mais informações: Wikipedia / Lamanodelextranjero /  Revendo filmes marcantes / Geoffrey L. Gomes "Cinematic portayals of Portuguese-Americans"

sábado, 15 de agosto de 2015

“Dawn” de H. Rider Haggard (1884) e outras histórias madeirenses


Muitos autores estrangeiros situaram os seus romances na Ilha da Madeira. Alguns dos escritores nunca visitaram a Madeira. Na opinião de Donald Silva, a ilha surge nas criações literárias de diversos escritores porque desde cedo os estrangeiros desenvolveram uma certa visão romântica da Madeira. Este romantismo cresceu no Séc. XIX, com os diários de viagem e outros documentos, e a Madeira, claro, tornou-se muito conhecida no Século XX. 

Provavelmente o escritor inglês H. Rider Haggard, que visitou a Madeira em 1881, no regresso da África do Sul para Inglaterra (após a derrota dos ingleses em Majuba Hill), terá sido o primeiro escritor estrangeiro a localizar a acção de um romance na Madeira.


Em "Dawn", um melodrama Vitoriano do escritor britânico em três volumes, que foi o seu primeiro romance, o jovem Arthur Heigham é o herói que se apaixona por Angela Caresfoot. O dominador pai da jovem é contra a relação e Arthur concorda em se se afastar de Angela durante um ano.

Arthur vai para a Ilha da Madeira. Durante a viagem de barco conhece uma mulher mais velha, Mildred Carr, que vive na Madeira e que acaba por se apaixonar por ele. A Quinta Vígia é descrita em “Dawn” como Quinta Carr onde o Arthur e Mildred Carr fazem amor.

Arthur conhece também os Bellamy que estão na Madeira por questões de saúde de Lord Bellamy. Arthur acompanha Lady Bellamy a um desfile para ouvir a banda tocar. Lady Florence e Mrs. Velley são outras personagens britânicas que residem na Ilha da Madeira e Mildred recebe o governador da Madeira.

Quando retorna para Inglaterra encontra Angela casada com o seu pérfido primo George.

Após regressar à Madeira fica a saber que Angela foi obrigada a casar com o primo. George acaba por morrer e Arthur volta para casar com Angela, deixando Mildred destroçada.


Sax Rohmer

“Moon of Madness” (1927) do escritor inglês Sax Rohmer (pseudónimo de Arthur S. Wade), criador do Dr. Fu-Manchu, que chegou a viver na Madeira, é outro dos exemplos mas antigos. O livro conta a história de um agente secreto irlandês que, juntamente com uma agente norte-americana, persegue um espião por toda a Europa, culminando num confronto fatal na Ilha da Madeira.

Em "Black Magic" o Dr. Sarafan era um respeitável residente da Ilha da Madeira.

Noutro dos seus livros, "The Affairs of Sherlock Holmes", um dos personagens, Ma Lorenzo, é meio português.


Ann Bridge e outras escritoras britânicas que viveram na Madeira

Várias escritoras britânicas viveram na Madeira, como as irmãs Margaret Emily Shore (1819-1839), Arabella Shore (1822-1900) e Louisa Catherine Shore (1824-1895), Jane Wallas Penfold (1821-1884), Isabella de França (1795-1880), a prolífica Evelyn Everett-Green (1856-1932) e Ann Bridge (1889-1974).

“The Malady in Madeira” (1970) de Ann Bridge (pseudónimo de Mary Ann Dolling O'Malley) é um dos mais arrepiantes livros situados na Madeira, relatando a realização por parte da Russia de testes de gás nervoso em ovelhas selvagens. Mrs. Hathway vai para a Madeira por questões de saúde e é acompanhada por Julia Probyn. Aí encontram Aglaia a esposa de Colin Munro, que estava a recuperar de um acidente de carro em que perdeu o seu bébé. Colin acaba por descobrir que os russos estão a testar na Madeira o mesmo gás que testaram no Médio Oriente e que terá provocado a morte do marido de Julia.

O livro faz parte da série "Julia Probyn mystery series" que inclui igualmente "The Portuguese Escape" de 1958.


Dorothy Dunnett

A escritora escocesa Dorothy Dunnett (1923-2001), autora da série de aventuras "The house of Niccoló" (banqueiro e mercador do século XV), descreve no 4º livro da série, "Scales of God" (de 1991), uma breve visita de Niccoló à Madeira.

A acção decorre em Veneza, Espanha, Madeira e África, durante uma viagem em busca do Ouro africano e da rota do Preste João.


Denise Robins

Em “Dark Corridor” (de 1974), da escritora inglesa Denise Robins (1897-1995), conhecida como "Queen of Romance", a jovem Corisande Gilroy está noiva de Martin, que considera o homem mais maravilhoso do mundo. Mas quando Corrie o procura no hotel da Madeira, onde iriam passar férias, ele não se encontra lá. O quarto está vazio, a mala está apenas parcialmente feita e nem sinal de Martin apesar dos esforços da polícia local. Será que ele desapareceu no corredor escuro que lhe apareceu em sonho.

Fontes: Marina Oliver (Literary thrills in Madeira em Revista "Brit in Madeira" de Outubro de 2013, pág. 18) /  Vista da serra / Laureano Macedo (Quem foram as escritoras madeirenses do passado) / Prefer reading (Ann Bridge)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

“Le Fado” de Mistinguett (1925)


O compositor espanhol José Padilla, autor de temas mundialmente famosos, como "Valencia" ou "La Violetera", foi casado com uma portuguesa e era um apaixonado pela música lusa.

Padilla (1889-1960) dedicou várias composições a Portugal com destaque para "Symphonie Portugaise" e "Romance au Portugal", ambas estreadas em Paris; "Estudiantina Portuguesa", em Madrid; e "Menina baila o fado" e "Fado de meus amores", em Buenos Aires.


Entre as suas composições é igualmente de realçar o tema “Le Fado”, com letra de Lucien Boyer e Jacques-Charles, popularizado, em 1925, pela famosa cantora francesa Mistinguett no quadro “Tout au Fado” da Revista do Moulin Rouge em sua homenagem (“La Revue Mistinguett”).


“Le Fado” foi apresentado como a nova dança portuguesa lançada por Mistinguett e Earl Leslie na Revista do Moulin Rouge, sendo uma deliciosa dança nacional com um ritmo novo e característico, cuja partitura estava disponível, pelas editora de Francis Salabert, para piano e canto ou apenas para piano com a história (teoria) da dança.

Conhecido por “Fado Mistinguett” foi igualmente interpretado por outros artistas, como Vorelli e a famosa actriz portuguesa Lina Demoel.

Fontes: El Pais / El Comercio  / Fadistando 


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O cinema que nos une: as co-produções entre Portugal e Espanha


A primeira co-produção de que se tem conhecimento remonta ao ano de 1924, quando o realizador português Reinaldo Ferreira dirige em Espanha o filme "El Botones del Ritz". O filme foi inteiramente filmado em Lisboa, embora seja protagonizado apenas por actores espanhóis.

Dez anos depois, em 1934, a imprensa especializada fala da constituição de um consórcio Luso-espanhol de produção de filmes entre a Ibérica Filmes de Barcelona, e o bloco H. da Costa de Portugal. O contacto dessa relação era Arthur Duarte, contratado como assistente geral de produção da Ibérica Filmes. 


Esta colaboração tinha como objectivo ajudar os técnicos portugueses a aprenderem. O único filme que coincide com estas características, é a produção da Ibéria Filmes "Una Semana de Felicidad" realizada por Max Nossech, e entre os seus interpretes pode-se encontrar os portugueses Tony D'Algy (como protagonista) e o próprio Arthur Duarte.

Arthur Duarte (creditado como Arturo Duarte) continuou colaborando com a produtora espanhola, aparecendo o seu nome como ajudante de realização e actor (num papel secundário) no filme "Aventura Oriental", igualmente realizado por Max Nosseck em 1935.

(Leitão de Barros)

Arthur Duarte também será ajudante de realização na seguinte colaboração entre ambos os países, "Bocage/Las Tres Gracias", filme realizado por Leitão de Barros para a produtora espanhola Hispano-Portugués e para a portuguesa Sociedade Universal de Superfilmes.

Este filme terá duas versões, uma protagonizada apenas por portugueses e outra só por espanhóis. As duas versões serão igualmente filmadas nos estúdios da Tobis Portuguesa em Lisboa. A versão portuguesa terá sua estreia em 1 de Dezembro de 1936. Uma das finalidades das duas versões será a sua exportação para o mercado Hispano-americano. O filme alcançará um enorme êxito no Brasil, ao se estrear em meados de 1937. O mesmo êxito terá em 1938 ao se estrear na Argentina no dia 22 de Novembro. Invulgar será dizer que em Espanha o filme só terá sua estreia em 4 de Março de 1940.


Leitão de Barros, já em 1930, no período de introdução do cinema sonoro, advogava um cinema nacional com versões espanholas, procurando dessa forma atingir “todos os povos de língua portuguesa e espanhola, ou sejam Portugal, Brasil, Espanha, América Latina e as respectivas colónias”

Todavia, foi só nos inícios dos anos quarenta, em plena Segunda Guerra Mundial, que, no seguimento das iniciativas particulares, parece existir a procura de um acordo político formal de co-produção cinematográfica entre as duas nações ibéricas.

(Arthur Duarte)

Deste modo, em Janeiro de 1941, Manuel Garcia Viñolas, o responsável pelo Departamento Nacional de Cinematografia espanhola, encontra-se com António Ferro (director do Secretariado de Propaganda Nacional/SPN), ficando assente “o estudo imediato de todas as possibilidades de trabalho em comum e de permuta cinematográfica entre Portugal e Espanha”, que será “submetido à aprovação dos dois Governos e de que resultará um acordo de altíssimo alcance e importância”

Em finais de 1943, começa desta forma uma colaboração cinematográfica contínua, sucedendo-se as co-produções ou, pelo menos, as versões em ambas as línguas: o húngaro Ladislau Vadja, radicado em Espanha, assina a realização de O Diabo são Elas”, “Três Espelhos” ou “Viela – Rua Sem Sol”, enquanto Arthur Duarte filma em Madrid “Es Peligroso Asomarse el Exterior”, “El Huesped del Cuarto Trece” e “Fuego 218”.


Nas palavras de Leitão de Barros, em entrevista dada ao Diário Popular em 11 de Dezembro de 1944: “Tanto Portugal como a Espanha ganham com a iniciativa de fazer filmes destinados aos dois mercados de antemão garantidos”.

Apesar de terem existido vários filmes produzidos neste sistema, poucos mereceram o apoio estatal, excepção feita a “Inês de Castro” (1945), de Leitão de Barros, uma co-produção apoiada por António Ferro, através do SPN, e por Garcia Viñolas, pelo Departamento Nacional de Cinematografia Espanhola.


Para Maria do Carmo Piçarra, este era o filme através do qual Ferro e Viñolas “esperavam que a então apregoada Irmandade Ibérica viesse a traduzir-se num acordo político de co-produção cinematográfica”. Contudo, apesar da estreia de gala, no S. Luís, com a presença do Presidente da República, e de em Espanha ter sido considerado de interesse nacional, a verdade é que o filme não produziu o efeito político esperado, de criação de um regime concertado de co-produções, e a cooperação contínua, mas em moldes puramente particulares.

Esta colaboração, que trouxe uma certa actividade aos estúdios portugueses, termina por volta de 1949, quando a indústria deixa de ter dinheiro, apesar da lei que entretanto saíra, e quando a Espanha, “à medida que ia entrando noutros mercados, [se desinteressou] dessas versões duplas para Portugal”.



De referir ainda as obras portuguesas de realizadores espanhóis experimentados, mas de segunda categoria, como “Cais do Sodré” e “Os Vizinhos do Rés-do-Chão” (ambos filmes portugueses do realizador espanhol Alejandro Perla), “A Mantilha de Beatriz” e “Não há Rapazes Maus” (de Eduardo Maroto, sendo o segundo uma produção portuguesa e o primeiro uma co-produção), “Sol e Toiros” (produção portuguesa do realizador José Buchs), “Senhora de Fátima” e “Rainha Santa” (de Rafael Gil, sendo o primeiro uma produção espanhola e o segundo uma co-produção).

O intercâmbio português também se cifrou na passagem para Espanha de diversos actores portugueses, como Milú, António Vilar, Virgílio Teixeira ou Raul de Carvalho.


Rino Lupo

Ainda no tempo do cinema mudo, “Os Lobos” (1923), produzido e dirigido pelo cineasta italiano Rino Lupo, foi exibido com relativo êxito, não só em Portugal, como também na França, no Brasil, na Itália, na Espanha e na Romênia.  Rino Lupo rodou no Porto o primeiro filme galego, “Carmiña, Flor de Galicia” (1926).



Fontes/Mais informações:  Fotblog de Paulo Borges (1)(2) / Tese de Carla Patrícia Silva Ribeiro “O alquimista de sínteses – António Ferro” / O cinema que nos une. As co-produções na Península (Alejandro Pachón) / Panorama do Cinema Espanhol (Cinemateca, Luís de Pina, José de Matos-Cruz) / Salazar vai ao cinema (Maria do Carmo Piçarra) / Enciclopédia do Cinema Espanhol /Blog Do Porto e não só /  Blog Filmes Portugueses

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Cisco Kid de origem portuguesa em “In Old Arizona” (1929)

Cisco Kid é um cowboy criado em 1907 por O. Henry, pseudónimo de William Sydney Porter, no seu conto "The Caballero's Way".

No conto de O. Henry, Cisco Kid é um bandido algo violento e aparentemente de etnia norte-americana (ou mexicana), mas o personagem foi sendo retratado, em diversas obras, como uma espécie de Robin Hood, por vezes de sexualidade dúbia, o que poderá ter motivado que diversos autores o tivesssem apresentado como Mexicano, Mexicano-Norte-Americano e inclusive Luso-Norte-Americano.


Numa das obras mais importantes, o filme “In Old Arizona”, realizado por Irving Cummings e Raoul Walsh (com cinco nomeações para os Oscars, incluindo para melhor filme e melhor actor, o único Oscar  que recebeu), o argumento de Tom Barry segue quase à risca a obra de O. Henry, mas apresenta três alterações significativas.

I) A história decorre no Arizona e não no Estado do Texas.

II) Cisco Kid afirma que é originário de Portugal, filho de uma mãe portuguesa e de um pai de São Luís Obispo (não é referida a etnia do pai, mas presume-se que seja hispânico pois aparentemente Cisco fala espanhol), e sonha em regressar a Portugal com Tonia, ainda que reconheça que é uma fantasia pois não vive em Portugal desde criança.

III) Barry complementa a história de O. Henry com aspectos que não aparecem de forma directa no texto original.





Warner Baxter

A interpretação de Warner Baxter no filme “In Old Arizona” (1929) valeu-lhe o Oscar destinado ao melhor actor, tendo repetido o papel noutros três filmes: “The Arizona Kid” (1930), “O Bandido Generoso” (no original “The Cisco Kid”, de 1931) e "The Return of the Arizona Kid (1939).


 
 

O actor cubano Cesar Romero, que interpretara Lopez, o colega de Cisco Kid, em "The Return of the Arizona Kid", assume o papel de Cisco Kid, em cinco filmes. Sendo o papel posteriormente interpretado por Duncan Renaldo (em oito filmes) e Gilbert Roland (em cinco filmes). 

"Ride on Vaquero" (1941) com Cesar Romero


No filme "Ride on Vaquero", de 1941, protagonizado pelo actor Cesar Romero, Cisco Kid está determinado em vingar a morte de D. Pedro e libertar Carlos, ambos pertencentes à família Martinez, seus grandes amigos, desde que veio de Portugal.

Fontes: David William Foster (pág. 156 e seguintes) / TCM

Imagens do filme: C4pt0m3nt3